sábado, 10 de novembro de 2012

O Doutorado: o processo, a vivência e os companheiros

Faz aproximadamente uma semana que aconteceu minha defesa do doutorado. Um processo forte, do começo ao fim, com uma duração de aproximadamente 4 anos, cercados de muitas, mas realmente muitas mudanças que ocorreram em várias faces da vida de lá pra cá. É óbvio que tudo isso foi impactando e foi impactado por aquilo que viria a se tornar essa tese e a forma como a mesma foi senda gerada, gestada e parida.

Desde o começo, fiquei com uma vontade de contar por aqui como foi esse processo, suas principais etapas, aprendizados, produções e conexões que dali surgiram. Bem, eis o momento.

Motivação
A motivação para começar era circunscrita a dois grandes aspectos: o desejo/sonho de aprender a sistematizar melhor uma pesquisa, dando conta de mapear tendências, apontar evidências e construir uma linha de raciocínio própria em meio a tudo isso, além disso, a intuição de que o estudo aprofundado das redes e seus possibilidades de análise abririam um campo novo de trabalho, permitindo ampliar minha capacidade de olhar que com as ferramentas que tinha até então ainda não era capaz.
A intuição foi se mostrando forte o suficiente para apoiar os primeiros passos e, tão rápido quanto eles aconteceram, foi se mostrando também muito útil nos próprios projetos que ia desenvolvendo ao longo desses anos, onde também tive a oportunidade de utilizar parte do que aprendia e experimentar efeitos até então ainda inexplorados.

Mergulhando em um tema
Acredito, depois de tudo isso, que é preciso uma grande coragem e força de vontade para mergulhar fundo, mas fundo no próprio fundo, em um tema. O nível de detalhes que se abrem, as possibilidades infinitas de recombinação daquilo que se lê e daquilo que se pode interpretar, além dos inúmeros atravessamentos que vão acontecendo ao longo do caminho levando a deliciosas dispersões representam uma enorme oportunidade de conhecimento e um perigo enorme de se perder e nunca mais se achar.
Um pouco da disciplina do velho bode só fez ajudar. O mergulho foi delícia e quanto mais conhecia, mais queria conhecer. O ponto de inflexão foi tão forte que a decisão de continuar pesquisando o tema e prosseguir nos estudos foi quase de imediato. Sem dúvida, sei muito pouco do que ainda quero saber e experimentar, mas agora tenho um pouco mais de convicção no caminho a percorrer para chegar nesse conhecimento.
As boas dicas de metodologia científica, como o delicioso livro Como se fazer uma tese, do Umberto Eco, foram sem dúvida divisores de momentos no processo do mergulho. Acho que o que mais ganhei entrando por esse caminho foi a perspectiva de transformar a tese em um jogo. Aí, tudo ganhou um novo sentido. Não importava tanto os resultados a serem obtidos ali, importava mais montar o quebra cabeça, saber encaixas as peças, perceber o que ainda faltava na linha de raciocínio e ir atrás, achar novas pistas, dicas de por onde ir, mergulhar em novas possibilidades, mas saber voltar e fazer o caminho de registro de traço a mais no contorno do que ia me definindo ao longo do texto.
A tese foi projetiva de uma narrativa muito mais pessoal do que técnica. Foi canal de expressão de possibilidades analíticas que não estavam dadas em meu repertório de possibilidades antes desse mergulho. Ver isso tomando forma foi tão prazeroso quanto escrever a própria história.
O mergulho foi fundo. Me levou a novas áreas. Entrei em contato com as Ciências da Complexidade, Estatística Multivariada, Análise Dinâmica de Redes, Biopolítica, Sociologia da Ciência, Antropologia, Psicologia Social e Filosofia, só pra falar de bate pronto daquilo que me ressalta como mais forte nesse momento. Sem dúvida, há mais. Mas essas áreas foram fronteiras novas que foram descobertas e, sem dúvida, apontam ainda muito para se conhecer.
A sensação é de que o mergulho ainda tá em processo. A tese foi apenas uma etapa do respiro necessário para poder continuar.

A orientação
A relação de orientação que estabeleci com a Sueli foi de fato uma relação de outra ordem daquilo que eu estava acostumado em um ambiente acadêmico. Tivemos um contato limitado pelo tempo, sem dúvida, devido a várias agendas complexas, tanto dela quanto minha. Mas, o tempo juntos foi extremamente produtivo no sentido de abrir novas visões do que era a construção de uma tese, de como seguir uma linha de narrativa e de como definir minhas hipóteses, objetivos e perspectivas de modo a realmente me ajudar a entender a mim mesmo, para além daquilo que de fato ia se tornar um produto deste trabalho.

Admiração e respeito surgiram desse processo. Aprendi muito com ela, o que de fato já tenho aplicado na relação com meus próprios alunos na Fatec São Paulo e no Senac Sorocaba, onde tenho orientado os TCCs da moçada por ali. Acho que fica aqui, sobretudo, um desejo de ter mais contato e aprender mais sobre essa forma de pensar e estruturar ideias, o que tanto tem me agradado nos últimos anos.

A produção
Produzir artigos, participar de eventos e utilizar isso como um caminho de conhecimento da própria área da Ciência da Informação na qual estava entrando se tornou um desafio instigante e provocador de um tipo de deslocamento ao qual eu estava pouco acostumado até então. Ir a vários eventos como participante, sentado ali na platéia apenas para ouvir e, quando apresentava um trabalho, falar apenas poucos minutos, acabou me dando uma nova perspectiva do que aquelas pessoas pensavam e como analisam seus temas de interesse.
Conheci muita gente interessante e tive a oportunidade de estabelecer bons contatos ao longo desses anos.
Acho que vale registrar por aqui por onde passei, apresentando trabalhos e vendo o que os outros grupos e estudantes estavam produzindo (as apresentações que fiz nesses eventos estão registradas aqui):

  1. VIII Evidosol
  2. 12º Fisl
  3. 13 ISSI
  4. X CINFORM
  5. IV SECIN
  6. I WPOSINFO
  7. XII ENANCIB
  8. III Seminário de pesquisas em andamento da ECA
  9. 9th CONTECSI
  10. 11º KMBrasil
  11. 3º EBBC
  12. I SITI
  13. 14º Congresso de Tecnologia da FATEC-SP
  14. IV Semana de Pedagogia da UFSCAR
  15. XIII ENANCIB
 Ao longo desses eventos, tive a oportunidade conhecer várias Universidades pelo país, conhecendo também novas pessoas de cada canto por onde passava. Estive na Universidade Estadual do Paraná, Universidade Federal da Bahia, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade de São Paulo, Universidade Federal do ABC, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de Brasília, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Fatec de São José do Rio Preto, Universidade Federal de São Carlos e FioCruz no Rio de Janeiro. E também fora do país, tive a oportunidade de estar na África do Sul, em Durban, passando uma semana interessantíssima no congresso da ISSI, onde tive a oportunidade de tomar contato mais próximo sobre como andava a pesquisa na área no exterior, tendo condições de situar onde meu trabalho estava e para onde ainda precisava caminhar. 

Além disso, acho que vale registrar aqui os artigos já publicados e que possuem uma relação direta com esse trabalho de tese:

A defesa
O momento da defesa é de fato um momento único. Espaço onde você vai encontrar com pessoas que leram seu trabalho a fundo e, possivelmente, podem contribuir muito para que você olhe para aquilo que não viu em si mesmo, refletido em seu próprio texto.
Procurei, junto com Sueli, escolher a banca com pessoas que eram referência na área e que poderiam de fato ajudar muito com seu potencial de análise e reflexão. Acabamos convidando a Jacqueline Leta, o Rogério Mugnaini, a Nanci Odonne e a Maria Imacolatta.


Abaixo segue a apresentação que fiz, procurando achar uma síntese do que foi esse trabalho e como mostrar seus pontos mais importantes para as pessoas queridas que também estavam ali presentes.


A apresentação durou aproximadamente 40 minutos e logo passamos para a etapa de arguição, onde os convidados da banca foram trazendo suas questões e abrindo pontos do trabalho que lhe chamavam atenção. A banca trouxe aspectos interessantes, sobretudo quando se tratou de novas possibilidades de reorganização do trabalho e de minha relação com os teóricos como Latour e Foucault. Foi muito útil ver como essa entrada com essas referências repercutiu por ali, percebendo efeitos, possibilidades ainda não exploradas e minhas próprias dificuldades de diálogo ali abertas como um campo de análise que me deu importantes elementos para saber melhor por onde continuar.


Enfim, depois de quase 4 horas de conversa, termina essa etapa de uma forma delícia. Tese aprovada na íntegra, sem necessidade de mudança, recomendação de livro sobre análise de redes sociais e nova etapa de pesquisa começando a ser desenhada.

Os companheiros
Acho que uma das coisas mais bonitas que aconteceu nesse dia da defesa foi contar com a presença de companheiros tão queridos e importantes, não só no processo do doutorado, mas na vida como um todo. Poder falar para essas pessoas, olhar nos seus olhos e apresentar esse trabalho da forma como isso aconteceu foi um presente que de fato mexeu e reconfirmou muitos dos sentidos que eu mesmo estava buscando com a realização desse trabalho.
Não tenho dúvidas de suas questões, suas formas de visão e o modo como foram abordando os próprios resultados do trabalho que fomos desenvolvendo juntos me trouxeram novas perspectivas que acabaram, de uma forma ou de outra, incorporadas pela tese como um todo. Gratidão! :-))))

A tese
Segue aqui o resultado final, que acredito que mais que tudo fale por si.

3 comentários:

Hudson disse...

Parabéns amigo e sucesso e lendo me inspira em sempre acreditar e ir busca dos sonhos.

Fernanda Scur disse...

Dalton querido!! Agradeço pelo relato - meus parabéns por esse belíssimo trabalho. Me inspira e motiva a seguir na minha própria estrada :D

Anônimo disse...

Dalton, chegando atrasado mas trazendo um enorme parabéns pelo seu trabalho. Que venham mais empreitadas e que sejam prazerosas também.

Abração! Isaac Filho