sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

5 meses - Rede de Formação - TelecentrosBR

Síntese de dados e modos de olhar para 5 meses de atuação da Rede de Formação no projeto Telecentros.BR. O melhor não são os dados e gráficos, mas sim as conversas que são disparadas entre o grupo da Rede sob os diversos olhares possíveis em relação aos dados e aos gráficos. Um processo muito rico na relação em rede.


Redes, redes, redes: modos de gerir e modos de formar

Tenho falado bastante nos últimos tempos sobre questões que facilitem e promovam processos colaborativos em rede. Tenho tido o costume de chamar isso de ativação de redes, um nome que me parece simples e que me ajuda a compreender o fazer redes como uma ação que pode ser proposta, construída e pensada na dimensão de um projeto.

Logo, refletir, pesquisar e documentar questões que sinto estarem relacionadas a princípios de ativação de redes tem sido uma constante nas caminhadas-ideantes por aí afora.

Uma das coisas que o projeto Telecentros.BR tem me trazido como campo experimental com muita intensidade nos últimos meses é a relação entre o quero chamar aqui de modos de formar e modos de gerir. Essa distinção tenho adotado a partir de um maravilhoso texto que li sobre processo de formação da turma da humanização da saúde.

Lá pelas tantas, eles citam algo a atenção e me fez colocar em perspectiva algumas tantas experiências dos últimos anos:

"O princípio que pretendemos discutir aqui se pauta na compreensão de que os processos de formação, os modos de cuidar e os modos de gerir são indissociáveis, ainda que sejam distintos." 

A primeira reflexão que me surge é:
  • O quanto o modo como fazemos a gestão de nossos processos de trabalho e relacionamento está pautando o tipo de formação (de qualquer tipo de processo educativo, seja uma oficina, palestras, cursos, etc.) que estamos ofertando ao outro?
E logo na sequência:
  • O quanto consideramos essa questão como espaço de conversa e reflexão em nossa produção cotidiana?
Em poucas ações que estive presente vi essa preocupação explícita, como pauta na mesa e prioridade do fazer do grupo, entendendo que se os modos de gerir do próprio grupo não estiverem sendo refletidos na formação que se objetiva construir, algo de uma profunda contradição começa a operar e isso vai ter reflexos na maneira em que nos propomos estabelecer conexão com comunidades, telecentros, pontos de cultura e tantos outros nomes que utilizamos em nossos projetos.

No entanto, esse fazer tem consequências, apresenta desafios de grande complexidade pois desloca a questão do produto que um grupo está se propondo a executar para o modo de gerir desse próprio grupo. Questão extremamente delicada pois atua diretamente nas relações de poder, de saberes e de papéis pelos quais este grupo se propõe a atuar.

E aí, chegamos num ponto fundamental que tem uma relação direta com a ideia de ativação de redes: o quão flexível é a proposta de atuação que temos para que de fato contemple a produção e construção coletiva de um modo de gerir ainda não previamente pensado, ou mesmo acordado?

Sinto que é nesse ponto que reside uma zona complexa de atuar, difícil mesmo de chegar, mas, que quando tratada como tema dos próprios processos formativos em que nos propomos atuar, o efeito é visceral. Abre dimensões fundamentais das relações humanas, ativa discussões de fundo que se relacionam com modos de ver o mundo, maneiras de compreender a própria vida e são disparadores de base de processos colaborativos, pois, sobretudo, quando novas propostas de modos gerir podem ser experimentadas, testadas e refletidas por um coletivo.

Há muito para se pesquisar nesse ponto, sem dúvida. Muitos problemas novos surgem, muitas questões ainda não colocadas vêm a tona e poucas respostas prontas são úteis nesse tipo de relação. Mas a aposta e, eu até ousaria dizer isso do que tenho vivido, é que essa é uma questão que facilita a produção de autonomia, a construção de redes e coletivos mais empoderados, com mais possibilidades e recursos para se auto-organizar, utilizando a rede como meio e modo de gerir. Aí, produzimos processos formativos que refletem suas questões de base e não apenas objetivos a serem atingidos estabelecidos por grupos que muito pouco têm a ver com a realidade daquele que idealizam em suas ações.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O Do-in Antropológico da aprendizagem em rede

Dia 01 de dezembro, estive com a Drica na Dobra para uma conversa sobre Redes Sociais e Aprendizagem.


Conversa boa, umas 20 pessoas presentes e algumas reflexões que ficaram na paralela até hoje, momento que encontrei um tempinho para poder refletir e documentar um pouco as ideias por aqui.

Muito se tem falado de aprendizagem em rede, comunidades de prática, redes de inovação, inteligência coletiva e um tanto de expressões que buscam tentar descrever coisas que me parecem muito semelhantes.

Hoje, aqui numa formação em Fortaleza, refletindo sobre isso com alguns companheiros, estávamos falando que, as vezes, a gente se esquece que toda essa conversa sobre Internet, redes e colaboração foi uma das melhores formas que encontramos de continuar tentando encontrar a própria autonomia, liberdade e capacidade de auto-organização.

Vejo que tem uma pista valiosa sobre muito dos tempos que vivemos nessa reflexão. A Internet encarna os paradoxos da liberdade e controle, sendo tanto uma coisa quanto a outra, apenas dependendo da mão de quem conecta. Aprendizagem, por si só, também pode estar relacionada a diferentes caminhos, a múltiplas formas de se ver o mundo, tanto libertárias quando controladoras, sendo eficazes o mesmo tanto, mais uma vez apenas dependendo do olhar de quem educa.

Mas, se quisermos usar a rede, apenas uma de suas possibilidades, para trabalharmos os desafiarmos de nos tornarmos mais autônomos e conseguirmos enfrentar para valer as dificuldades de produção de novas formas organizacionais, meu ponto é que aí avançamos para algo ainda em formação. 


Não tem nada dado nesse caminho. Poucas experiências que realmente conseguiram sair das próprias questões de controle excessivo, das formas tradicionais/culturais de impor valores e da abertura de um poder centralizado. Mas, as que estão tentando, documentando, compartilhando, tirando muito da mística que se constrói em torno disso, tem produzido avanços muito interessantes no pensamento e na prática da produção de coletivos autônomos.

Acredito que o Do-in Antropológico tem muito a ver com isso, localizar o ponto de pressão da política de formação de grupos, localizar como aquela política busca se regular, quais são seus valores, suas práticas e, a partir disso, poder entender que tipo de ação em rede poderia de fato ocorrer, que tipo de coletivo se objetiva criar e que tipo de respaldo social temos para bancar os desafios dessa construção.


Muitos caminhos e projetos são possíveis, mas não ser ingênuo nesse momento e conseguir graduar o próprio olhar é um passo fundamental para regular expectativa e as próprias condições de possibilidade da ação.

Sim, sem dúvida podemos mudar formas e visões de como se fazem as coisas. Mas localizar esforços, saber quando entrar e quando sair e, sobretudo, se perguntar a quem mesmo estamos a serviço, me parece uma etapa fundamental no design de redes e de processos de aprendizagem.

Da série: meu tempo é quando

Foto linda.
reunião do conselho da rede de formação, telecentros.br, semana passada em brasília.

A forma como tudo tem acontecido, a maneira em que estamos nos propondo refletir juntos e criar um caminho próprio, tá muito refletido no tom dessa imagem, na entrega e confiança de algo que só é sendo.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Conversando sobre apropriação de tecnologia e ecossistemas culturais

Hoje, tive presente, a convite da Drica Veloso, num seminário sobre novos desafios da educação na era digital, no Núcleo Amigo do Professor, aqui em Belo Horizonte.

Conversa boa, só entre professores. Presente também o prof. José Moran, da ECA-USP.

A ideia do papo era tentar localizar um pouco melhor as discussões em torno do que de fato se torna um desafio nessa relação educação e tecnologia, se é que dá para colocar a questão desse jeito. Muitas conversas girando em vários locais, em várias publicações, livros, discussões em torno do tema, nem tão novo e nem tão discutido o suficiente.

De fato, ouvindo os professores, a questão de fundo que repercute é o que fazer com tudo isso. Como se organizar, como se preparar, como se relacionar com tudo isso sendo que o sistema formal educacional simplesmente deixa pouco espaço para propostas de relação mais flexíveis.

Há um contra-senso de fundo que gira em torno da questão: os sistemas de informação, a rede, tem um design de relações mais flexíveis, móveis, remotos, voltados para a promoção da colaboração e fluidez da informação. Os sistemas educacionais estão voltados para a disciplina e o controle, a garantia de validação de processos, a paranóia da prestação de contas e a tal da rede da educação se torna umbigada, conversando apenas consigo mesma nos meandros burocráticos dos seus processos.

Logo, o nó não é tecnológico, nem tampouco de acesso a tecnologia. O nó tá na proposta de relações que não se conversam, que não fazem sentido. Quando professores usam a rede em suas práticas educacionais, duas coisas, em geral, tendem a acontecer:
  1. nada acontece e os alunos não se apropriam, pois aquele espaço não é reconhecido por eles como sendo um legítimo espaço de apropriação;
  2. ocorre uma explosão informacional, com muito mais fluxo e apropriação do que o professor pode lidar, gerando a impressão de que há um caos no processo, atulhando o pouco tempo livre que temos para lidar com isso.

O que ocorre, ao meu ver, é uma falta de reflexão e preparo sobre como lidar com nossos sistemas relacionais e com os sistemas de informação em rede, que acreditamos que devemos nos apropriar como um próximo paradigma necessário para a educação. Mas, e a reflexão sobre que tipo de relação na educação propomos? E as aberturas necessárias e flexíveis para ativar um fluxo livre de conversa em rede? E a plasticidade de posições que precisamos ter para dar conta disso? E? E? E?

Há muito para se pensar nos projetos nessa área. As respostas não são fáceis, não prontas e nem tampouco modelos a serem seguidos. Uma das melhores alternativa é nos debruçarmos sobre cada caso, refletir, compreender, envolver o máximo de pessoas possíveis e se propor a construir um design emergente das relações e sistemas de informação que pretendemos utilizar.

E segue o trem....


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Emergência e ativação: a rede como alternativa e a rede como meio

Tenho feito algumas reflexões e análises de alguns projetos que venho participando ao longo dos últimos em como as propostas de rede foram construídas com discursos, intenções e processos bastante diferentes.

Me dei conta disso indo ao Fórum de Cultura Digital, conversando com algumas pessoas e refletindo sobre o que tem sido meu interesse nos últimos meses.

A intenção por trás de muitos projetos que participei, me parece, ser muito semelhante: ampliar o potencial de conexão entre pessoas e facilitar com que possam criar um espaço-bem comum que amplie o potencial de ação de cada um.
Intenções semelhantes, meios e caminhos para se fazer isso muito diferentes, baseados em princípios e crenças muito distintas.

A diferença sem dúvida é bem-vinda, aliás, inerente a própria de rede deve ser a forma como pensamos em processos para construir e facilitar o surgimento de redes. Longe de imaginar que possa haver uma forma melhor, forma correta ou mais efetiva, penso que a reflexão que toca é mais da ordem de poder descrever as minhas próprias apostas e caminhos.

Colocando dessa forma, vejo duas grandes divisões, em nível macro, na forma de atuar nos projetos que enxergo sobre rede:
  1. Atuação focada na aposta da emergência: são processos que, em geral, acreditam que um projeto de rede deve criar espaços coletivos fortemente baseados em sistemas de informação, conectar pessoas e criar um nível de abertura suficiente para que as pessoas possam se organizar, criar demandas e a forma de se articularem. Normalmente, são projetos que investem pouco no acompanhamento e na produção sínteses de informação, criando algum tipo de movimento que se proponha a trazer o maior grupo possível de pessoas junto.  São caracterizados por apostas mais focadas em eventos, intervenções midíaticas do que processos formativos, a longo prazo.
  2. Atuação focada na aposta da ativação: são processos que, em geral, acreditam que um projeto de rede deve criar uma estrutura de circulação da informação, produzindo instâncias gradativas de rede, com papéis desenhados para apoio, acompanhamento e intervenção crítica como possibilidade de síntese do processo em andamento. Normalmente, são projetos que investem fortemente em encontros presenciais de médio a longo prazo, cuidando da ambiência do encontro, dos espaços de conversa e, sobretudo, da criação de espaços de tomada de decisão coletiva que possam dar diretrizes e consensuar decisões de encaminhamento da rede. São caracterizados por apostas em processos formativos como elementos de ativação de rede, como elementos que criam estruturas cognitivas mínimas para facilitar a construção da participação e a produção de adesão por temas de relevância que surgem da conversação coletiva. 
Não creio que haja uma atuação melhor do que outra. Acho uma polaridade desnecessária. Creio que são formas e princípios que mostram diferentes formas, onde as apostas de ação são colocadas. As características de quem participa dessas duas formas de abordagem também me parecem muito diferentes, sendo a abordagem por emergência mais efetiva em grupos já "iniciados" na relação em rede, e a aposta na "ativação" mais efetiva em grupos que estão "sendo iniciados" na relação em rede.

Formas diferentes, logo, tipos de ação diferentes. A ativação prima por operar a partir do acolhimento, do afeto, da dimensão da linguagem e da dimensão da facilitação que produz intervenção e reorientação na ordem do discurso. Investimos na descrição e redescrição de si enquanto agente em rede. O investimento tá na composição, mais do que na própria produção da rede. A emergência versa melhor com o evento, o fato, o meme, demarca território, agencia uma visão e promove o embate, a disputa de idéias no território onde a maior força surge quando o Eu se destaca no coletivo, perante o próprio coletivo.

A rede pode ser vista como uma alternativa de organização, como uma maneira de promover ideias, princípios e ações. Ou, a rede pode ser vista como meio de diálogo, como princípio de dissolução da própria ideia do eu, sabendo que somos muitos e que o surge não tem autoria, a não ser a autoria da trama, da conexão, da multiplicidade que fala e se manifesta em diferentes sínteses, a partir de diferentes vozes, sem sequer haver a possibilidade de dizermos que alguma delas carrega qualquer hipótese de verdade.

A versão também é link. ;-)

domingo, 14 de novembro de 2010

Sistemas de informações e relações: metadesign dissolvendo fronteiras e ativando redes

A idéia do que facilita e promove colaboração em grupo de pessoas tem sido um tema que tem me interessado e direcionado minha atenção nos últimos meses com muita intensidade. Várias leituras tem trazido isso a tona, boas conversas com amigos, companheiros de trabalho e experimentações nos projetos têm fornecido pistas do que está por trás disso.

Sem dúvida, é uma questão seminal dos tempos em que vivemos. Se a explosão informacional é uma tendência irreversível, a construção de relações humanas mais saudáveis e colaborativas é o melhor tipo de filtro de relevância que podemos pensar em ativar em nossas comunidades. Dedicar tempo ao design das relações, ou melhor dizendo, ao metadesign de nossos processos de interação e trabalho é uma condição fundamental para que isso possa ser melhorado ao longo do tempo de existência de um grupo.

Parto do princípio de que "os sistemas interpessoais - grupos de estranhos, pares conjugais, famílias, relações psicoterapêuticas ou até internacionais etc. - podem ser encarados como circuitos de retroalimentação, dado que o comportamento de cada pessoa afeta e é afetado pelo comportamento de cada uma das outras pessoas." (do livro Pragmática da Comunicação Humana, pág. 28).

Considerando, portanto, que as relações constituem posições dentro de um sistema (gerente, marido, coordenador, facilitador, tutor, etc...) e que essas relações são reforçadas mutuamente quando na interação com outra pessoa que opera a partir do mesmo padrão de relação, assim surgem os circuitos de retroalimentação. Até aí, tudo isso tem sido falado e estudado desde o final da década 40, a partir da construção da cibernética e do estudo dos sistemas que operam a partir da ideia do feedback.

Mas, o que me chamou atenção fortemente nos últimos dias foi a pergunta que me coloquei: O que acontece quando um novo sistema de informação é inserido dentro de um grupo? O que ocorre com a dinâmica desse grupo? Como isso pode ser potencializado ou pode ser um problema para esse grupo em relação ao seu sistema de relações?

Um sistema de informação nada mais é do que um conjunto de regras lógicas de funcionamento escrito numa linguagem de programação por alguém ou um grupo de pessoas. Quem escreve o sistema tem uma concepção de padrão de interatividade que está buscando viabilizar pelo sistema. É aí que surge o primeiro ponto que vale a pena explicitar: que padrão de interação é esse? Será que não seria necessário um trabalho do ponto de vista das relações de um grupo de pessoas quando ele se depara com um novo sistema de informação no qual não está preparado para lidar? Como facilitar um grupo a se dar conta disto?

Um exemplo que pode ilustrar o que estou querendo pontuar. Imaginemos um grupo de pesquisa universitária, formado por seu orientador, seus orientandos, bolsistas, estagiários, etc. O grupo construiu uma dinâmica de trabalho, construiu posições e um sistema interpessoal que se reforça mutuamente ao longo dos processos de trabalho deste grupo.

De repente, o grupo passa a participar de um novo projeto que se propõe colaborativo. Um projeto onde o grupo tenha de sair de sua dinâmica atual de trabalho e tenha de interagir com grupos de fora, outros grupos que ainda não conhece em torno de uma proposta que deve ser construída coletivamente.

A colaboração, se levada a sério, passa a servir como uma política regulatória das relações. A colaboração esta muito mais atrelada a uma posição de uma relação que precisa dissolver fronteiras para poder ocorrer e se manifestar na sua potência. A colaboração não pode ser imposta, é construída a partir da política de como um grupo se vê e de como ele regula suas relações.

Até aí, ok. Mas, vamos seguir um pouco mais no exemplo. Então, o grupo se vê conectado com uma outra proposta política de relações, que objetivam se pautar pela colaboração. Para isso, o grupo é inserido em novos sistemas de informação (listas de email, blog coletivo, wiki, etc.).

Aqui vale destacar que algo ocorre e fica visível nessa conexão entre sistemas de informação e a política de relações de um grupo: se não há acoplamento na concepção dessas duas coisas, surge tensão, surge incômodo, pois o sistema de informação e a nova política de relações não se adapta a como o grupo funciona. Há dor, sofrimento, tensão. Uma certa perda de referências surge. O que funcionava tão bem antes, passa a não dar conta e ficamos em vão procurando culpados pela não-operância daquilo que vemos a nossa frente.

De fato, não há culpados, há relações que precisam ser revistas, posições que precisam ser reorganizadas, fluxos de comunicação que precisam ser reprojetados. Estamos falando aqui de uma nova política de relações que irá regular o sistema interpessoal que precisa surgir. Sem isso, o sistema corre o risco de colapsar, pois ele está cego para sua própria dinâmica.

Para fazer isso, o grupo de pessoas precisa dar um passo atrás e conseguir explicitar a política de relações que construiu até então. Passo extremamente difícil, árduo, penoso, pois vai na veia das zonas de conforto, status social e aquilo que imaginamos que nos trás estabilidade. Feito isso, surge a colaboração, surge o ver o outro como legítimo outro, surge a possibilidade de reprojetar relações e se reinventar como grupo. Sim, fronteiras precisam ser dissolvidas para que possamos de fato colaborar. 

Pensando do ponto de vista de um processo de ativação de redes, se o sistema se propõe a fazer esse trabalho, um salto qualitativo e quantitativo pode ser dado. As relações têm menos travas, menos bloqueios, produzir fluxos, operações, alinhamentos, conexões se tornam mais simples e mais suaves. Trabalho de uma vida, sem dúvida.

Mas, considerar que podemos fazer esse metadesign, esse processo de construção dessa política de relação explicitando o que de fato queremos nas duas dimensões que falei acima, é um passo importante no desenvolvimento de projetos em torno da idéia da colaboração e da inovação:
  • o metadesign dos sistemas de informação;
  • o metadesign dos sistemas interpessoais.
 Uma coisa pode ser gancho para a outra. Podemos começar um projeto por qualquer uma delas e criar níveis de entrelaçamento que possam adensar o trabalho, liberando o sistema de fronteiras e travas que lhe são inúteis e lhe impedem de conseguir aquilo que mais desejam como bem comum: a colaboração entre si.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Telecentros.BR: documentando o processo de ativação da rede

Desde julho deste ano, estou dedicado a maior parte do meu tempo ao projeto da Rede de Formação do programa Telecentros.BR. Processo interessante na origem de sua forma, onde algumas boas premissas foram tomadas para facilitar a construção um ambiente mais participativo e emergente.

A idéia por trás do projeto pode ser explicada nas seguintes linhas gerais:

  1. realizar um edital público, chamando a participação entidades que quisessem se candidatar a serem polos regionais da rede de formação;
  2. cada polo regional tem a atribuição de articular, aplicar e apoiar o desenvolvimento de um programa de formação para os bolsistas dos telecentros;
  3. um polo nacional seria o articulador desses polos regionais, facilitando o processo de conversação e produção entre eles;
  4. a formação rodaria em nível nacional, em grupos de 30 participantes divididos dentro de suas regiões (sul, sudeste, centro-oeste, norte e nordeste);
  5. a ideia básica da formação seria garantir um espaço de apoio e articulação em rede dos bolsistas, de modo a facilitar as ações de apropriação do espaço dos telecentros pelos bolsistas, usuários e a comunidade em geral;
  6. participam do projeto aproximadamente 18.000 monitores e 11.000 telecentros.
 Tudo muito bonito, tudo muito interessante. Mas, como fazer isso? Como articular polos regionais, polo nacional, ministérios e os mais diversos atores envolvidos num processo dessa escala?

 Desafio dos bons e estimulador do pensamento emergente da ativação de redes. Campo mais do que interessante para experimentação de processos de conversação desde a construção da formação até o momento em que ela sirva de plataforma para a formação da rede dos monitores dos telecentros. 

 Que processo temos desenhado e usado para isso?

 O primeiro passo que nos colocamos, sendo nossa equipe o Polo Nacional, foi de não criar regulações, normas, padrões e especificações de conteúdos que os Polos Regionais deveriam implementar em suas ações. Muito mais do que isso, nosso papel nessa rede tem sido facilitar o processo de produção coletiva de um programa de formação entre todos os polos, criando espaços de conversação, de encontro, de debate, de disputa onde a diversidade de visões vire potência e força nas ações do projeto.  Fácil de falar e descrever, mas extremamente complexo de implementar. 

 Escolhemos e temos sustentado um caminho que passa pelos seguintes princípios:
  1. criar espaços de encontro periódicos entre todos os polos, que funcionam como o conselho gestor da rede de formação. Nada é decidido fora desse ambiente, nenhuma especificação ou aprovação ocorre fora do ambiente do conselho;
  2. ativar uma lista de email de trabalho entre os polos, com contínuo acompanhamento e intervenção de nossa parte, produzindo sínteses, dando ideias, organizando discussões e puxando processos;
  3. utilizar um ambiente Drupal para produções mais complexas, como textos, documentos de apoio e síntese de encontros e seminários presenciais;
  4. criar uma ecologia Web que dê conta de contextualizar que a formação ocorre em todo e qualquer espaço da rede, sendo a ferramenta "oficial" de ensino à distância (no caso, o Moodle), apenas mais um ambiente de transição;
  5. buscar explicitar sempre uma visão do todo do projeto e, na sequência, mostrar subdivisões possíveis do trabalho, de forma a facilitar o foco das equipes;
  6. distribuir tarefas e atribuições de responsabilidade por adesão, não utilizando um sistema hierárquico de imposição de visões. Responsabilidade e cronograma compartilhados tendem a gerar um nível muito maior de implicação por parte das equipes atuantes, criando espaços para cada um desenvolver suas ideias tendo tranquilidade que há uma visão de gestão que permite a integração de todos os trabalhos.
 Entendo que seguir esses princípios facilitam a construção efetiva de um projeto que represente a visão coletiva dos polos envolvidos. Não resolve o problema da ponta, mas resolve uma etapa na ativação das redes sociais que vão estar envolvidas com o Telecentros.BR. É um sistema que vai se organizando e sendo organizado em camadas, criando sustentabilidade de relações sociais que possam dar conta de bancar espaços efetivos de emergência e apropriação da tecnologia dos telecentros por parte dos monitores e usuários.

Quais espaços de encontros periódicos temos feito até então?

   Realizamos 3 seminários presenciais de julho para cá, mais 1 encontro com monitores e gestores na 9ª Oficina de Inclusão Digital. Os seminários tem servido como espaço de alinhamento de nossas visões, de identificação de nossos objetivos comuns, de identificação de diferenças, de disputa de sentidos e atribuição de responsabilidades entre os polos. Normalmente, tem durado 4 dias de trabalho, ocorrendo em Brasília. Segue aqui um relato dos seminários:
Como tem funcionado nossa ecologia organizacional da Rede de Formação?

Criamos a seguinte ecologia para retratar os fluxos de conversação e tomada de decisão da Rede de Formação.


A rede começa a ser ativada, da perspectiva da formação, pelos Polos e Ministério, que se organizam em torno de um Conselho. Cada Polo Regional tem um comitê, que reúne todas as iniciativas proponentes de telecentros em sua região. Esse comitê tem o papel de analisar, sugerir e avaliar o processo de formação em sua região. Na ponta disso, os telecentros se encontrando e sendo encontrados através dos múltiplos espaços de interação em rede, seja via o Moodle, seja via listas, seja via encontros presenciais. O objetivo final dessa ecologia é facilitar a formação de rede entre os Telecentros, mapeando temas de interesse, favorecendo o encontro por adesão.

Como tem funcionado a lista de email?

A lista de email dos Polos regionais tem sido um espaço de referência para a conversação entre os participantes desse momento de implementação do projeto. Ambiente de articulação, alinhamento e troca de visões, tem funcionado como um espaço que amplia a sensação de comum. A lista tem facilitado organização de cronogramas, divisão de tarefas, acompanhamento da execução de várias etapas do projeto e uma maneira de manter a todos continuamente informados do que vem ocorrendo.
Segue aqui uma imagem de estrutura de relacionamentos que vem ocorrendo na lista nos primeiros 3 meses do projeto (uma média de 300 mensagens/mês):



Como tem funcionado o Livro Colaborativo do Drupal na produção dos conteúdos?

O Drupal tem funcionado como nosso ambiente de registro de processos dos encontros presenciais e da construção de conteúdos/dinâmicas da formação de forma coletiva. O uso do livro colaborativo tem um efeito bastante interessante na possibilidade de vários participantes do livro criarem revisões do texto, ou seja, uma página pode ser revisada por diferentes usuários do ambiente, criando diferentes versões que podem ser registradas pelo ambiente. 
Disponibilizamos o livro colaborativo como o ambiente para a produção dos conteúdos e atividades que vão fazer parte dessa primeira etapa da formação. A partir das ideias coletadas nos seminários presenciais, capítulos foram gerados conforme os principais temas sugeridos. 
Tivemos 85 sugestões de adaptações e revisões de texto feitas nas últimas semanas. 

Veja abaixo como tem sido a colaboração nos temas feita pelos polos da rede de formação:




Como funciona nossa ecologia Web?

A ideia de criar uma ecologia Web da Rede de Formação é facilitar a compreensão de que a formação ocorre na rede como um todo, seja no Orkut, no Facebook, nos blogs, no Moodle ou onde quer que haja relações e conversações. 
A integração dos vários ambientes dessa ecologia facilita a circulação da informação em rede, ampliando o potencial dos fluxos de comunicação entre todos os envolvidos. 

Segue aqui a ecologia que montamos para o programa:



Como tem funcionado o cronograma compartilhado do projeto?

O trabalho colaborativo tem uma série de vantagens em termos de qualidade e inteligência daquilo que está sendo produzido. No entanto, a coordenação de um trabalho dessa forma, sendo feita também de maneira coletiva, é um dos grandes desafios dos tempos que vivemos. 
A escolha que temos feito é sempre trabalhar acordos de forma presencial, seja nos seminários, seja nas reuniões mensais do conselho da rede de formação. 

Atualmente, estamos trabalhando a partir do seguinte cronograma.

Relato aqui um resumo de 3 meses de projeto. Sem dúvida muita água ainda tem de rolar, mas os sinais do que temos produzido parecem promissores. 


sábado, 2 de outubro de 2010

Algumas anotações sobre uma possível Teoria de Campo Social

21 proposições de uma Teoria do Campo Social

1. Os sistemas sociais são “colocados em prática” ou “encenados” pelos seus membros em um contexto. (As demais proposições resultam destas)

2. O ponto cego das ciências sociais, dos sistemas sociais e da teoria de campo hoje em dia diz respeito às fontes nas quais os sistemas sociais têm origem.

3. Há quatro fontes de atenção na qual pode emergir a ação social:
a. Eu em mim;
b. Eu no objeto;
c. Eu em você;
d. Eu no agora.

4. As quatro fontes e estruturas de atenção dão origem a quatro diferentes fluxos ou campos de emergência. “Vejo dessa maneira, portanto, ele emerge daquela maneira”;

5. Os quatro campos de encenação da realidade social aplicam-se a todas as esferas de criação da realidade social:
a. Burocracias de máquinas centralizadas;
b. Estruturas divisionais descentralizadas;
c. Estruturas organizacionais em rede;
d. Estruturas de ecossistemas de inovação.

6. Os pontos de inflexão movendo-se de um campo para outro são idênticos em todos os níveis. Esses pontos constituem uma gramática social:
a. Abertura e suspensão (mente aberta);
b. Mergulho profundo e redirecionamento (coração aberto);
c. Deixe ir e deixe vir (vontade aberta).

7. Quanto maior a hipercomplexidade de um sistema, mais crítica é a capacidade para operar a partir dos campos mais profundos da emergência social;

8. A inovação profunda que trata os três tipos de complexidade exige um processo que integre três movimentos: abrir-se para contextos que importam (cossentir), conectar-se à fonte de quietude (copresencing) e prototipar o novo (cocriação);

9. Para acessar e ativar as fontes mais profundas dos campos sociais, três instrumentos devem ser ajustados ou “afinados”: a mente aberta, o coração aberto e a vontade aberta;

10. Abrir esses níveis mais profundos exige a superação de três barreiras: a voz do julgamento, a voz do cinismo e a voz do medo;

11. Cocriar exige um compromisso de servir o todo e a capacidade de reintegrar a inteligência da cabeça, do coração e das mãos;

12. Quanto maior o intervalo entre a complexidade sistêmica exterior e a capacidade interior de acessar os fluxos mais profundos de emergência, é mais provável que um sistema sairá dos trilhos e reverterá para um espaço destrutivo de anti-emergência;

13. O espaço social da anti-emergência é manifestado em um movimento reacionário conhecido como fundamentalismo;

14. O campo social é um todo em desenvolvimento que pode ser observado e experimentado pelas cinco dimensões. São elas: espaço social, tempo social, o coletivo, o eu e o espaço envolvente (terra);

15. À medida que um campo social se desenvolve e começa a incluir os mais profundos níveis e fluxos da emergência, a experiência de tempo, espaço, eu, coletivo e Terra funde-se por meio de um processo cultural de inversão;

16. A abertura das fontes e dos fluxos de emergência mais profundos inverte a relação entre o indivíduo e o coletivo;

17. A abertura das fontes mais profundas e dos campos de emergência transformam a relação entre o conhecedor e o conhecido;

18. O campo social é uma escultura de tempo na criação;

19. O desenvolvimento do campo social é uma função da ressonância mórfica sem escala;

20. O futuro de um sistema é uma função do campo a partir do qual escolhemos operar;

21. A força revolucionária neste século é o despertar de uma capacidade humana geradora profunda – o “eu no agora”.

Anotações da Teoria U, de Otto Scharmer.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Tecnomagia: tecnologias de si e se vendo em rede

Utilizamos a linguagem em diferentes níveis, em diferentes configurações, com diferentes objetivos o tempo todo.

Ora para falar de algo, ora para refletir sobre o próprio falar.
Metalinguagem. Entrar nesse nível e se perceber, perceber a si como aquele que fala é forma de se conhecer, de colocar em perspectiva visões, hábitos, processos, rituais.

A tecnologia e a quantidade enorme de informação sobre como falamos, como conversamos, como fazemos redes, como nos articulamos abre um campo enorme de exploração para se ver. É um tema que venho pesquisando cada vez mais e utilizando alguns recursos para isso.

A imagem abaixo é da lista de email do projeto Telecentros.BR, com dados de 3 meses de conversa por lá.
Muito menos do que uma forma de controle, a imagem tem o efeito de levar a quem a vê e participa da lista a refletir sobre o seu fazer em rede naquele contexto. Mostrei para o pessoal aqui do lab, que faz parte da lista.

As impressões de quem se vê refletido ali são sempre interessantes, trazendo a dimensão do que fez, do que viu o outro fazer, de como se remete ao seu fazer para refletir o como fez.

Quero documentar melhor essas impressões, mas os rascunhos vou anotando por aqui:

Conversação entre os polos da Rede de Formação - 3 meses - Telecentros.BR

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Quantidade de informação e consciência

Uma questão vem me pegando nos últimos tempos é a relação com a dinâmica e a estrutura das informações que lidamos no cotidiano e o potencial que temos de refletir sobre como nos relacionamos com isso.

  • Olhar para isso e dar conta de produzir pequenas sínteses de como e do que lidamos seria um caminho interessante de consciência de si?
  • Serviria como uma espécie de analisador de si o potencial que temos de nos percebermos através da maneira/temas que lidamos?
Entender essa possibilidade a partir de um analisador, me parece um caminho interessante de pensamento. Dá para pensar no analisador como algo que produza algum tipo de ruptura em nossa maneira cotidiana de lidar com as coisas. Acontecimentos reveladores, catalisadores.  É algo que produz análise.

Identificar padrões de si e de vínculos que estabelecemos socialmente, que construímos nas estruturas e dinâmicas de conversação, produção e uso da informação pode funcionar como uma possibilidde de ruptura em nossa maneira cotidiana de lidar com as coisas?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

2.5 anos de Rede HumanizaSUS - a rede em movimento

Hoje, apresentei um estudo inicial que fizemos sobre a dinâmica da Rede Humaniza SUS em seus 2.5 anos de existência.

Pude experimentar uma série de recursos de análise, síntese e comparação que fui aprendendo nos últimos meses. O estudo ficou muito interessante e, mais interessante ainda, vou apresentar para o editores da Rede, que se encontram reunidos aqui na Escola do Futuro para seu 3º Encontro. Ao longo do tempo, fomos editando alguns estudos e deixando público na página de estatísticas do projeto. Deixar público esses dados é parte fundamental da estratégia de transparência que a própria rede se propõe a ter. Além de criar algumas bases históricas e de referência que podem ser úteis para interessados no estudo das redes, dados que hoje ainda são muito raros, ainda mais se tratando de movimentos sociais e Brasil.

Coloco aqui a apresentação de hoje, e destaco os principais pontos que foram muito bacanas na conversa com os editores:


  • a dinâmica de crescimento da rede e sua relação com a lista de email;
  • a estrutura da rede nos estados;
  • a forma da rede em geral, mostrando que funciona como um grande monobloco, tendo um alto nível de centralização e não gerando subgrupos de suas conversas. A forte segmentação de interesse dos participantes, sem dúvida, é um elemento que ajuda a entender isso;
  • o fato dos posts mais acessados não terem relação com os mais votados/comentados. Ocupar palavras-chave de relevância no título dos posts é uma maneira de ocupar espaço, de levar uma mensagem que tenha maior relação com a militância da própria rede. Um ambiente para ser construído.
E segue o trem!


terça-feira, 7 de setembro de 2010

feedparser e tratando metadados

Gerar metadados é uma etapa fundamental para permitir que novos serviços de remixagem de dados possam ser desenvolvidos. No entanto, conseguir ler esses metadados e tratá-los de forma a termos possibilidades de agregar campos, processá-los, rodar diferentes algoritmos de filtragem, como filtragem colaborativa, por exemplo, é um passo a mais que precisa ser dado.

Tenho brincado ultimamente com algumas formas de tratar esses dados. Uma das mais formas mais fáceis que tenho encontrado e bem úteis tem sido rodar algumas experiências em Python. Nunca fui um usuário Python, sendo que minha experiência com programação sempre foi mais na linha do software básico, rodando C/C++, Pascal e por aí vai. Tenho gostado do Python, pela simplicidade e facilidade com que algumas provas de conceito podem ser construídas. Agilidade na hora de exploração de uma ideia é a diferença, muitas vezes, entre o que pode te fazer continuar e o que pode te fazer desanimar.

Uma boa biblioteca que comecei a testar hoje para dar conta de coletar e fazer alguns testes com metadados é a Universal Feed Parser. É uma lib simples, ágil e que dá para testar uma série de coisas importantes para o momento em que estou:

  • qual a estrutura de um conjunto de metadados;
  • como separar os campos;
  • que tipologia os diferentes vocabulários geram (Atom, RSS, DublinCore, SIOC, etc...).
A documentação do módulo também é bem bacana, dando alguns exemplos simples e que facilitam testar nos nossos próprios feeds. Instalar a lib é bem simples, só colocar o arquivo .py no diretório do Python e começar a testar no interpretador de comandos. 

Fiz alguns testes com feeds do meu blog, do metareciclagem e com a api para websemântica que o Felipe instalou hoje no Drupal do MetaReciclagem. 

Promissor! ;-)

mapeando conceitos: conversações virando relações



mapeando conversas dos Telecentros que vão virando relações e conceitos para o programa de formação do projeto. Mais do que o que estamos fazendo, o que me interessa é o como. Refletindo processos de assinatura coletiva. Fino!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

SIOC (Semantically-Interlinked Online Communities), Drupal e avançando nas metáforas de redes

Já faz algumas meses que tenho entranhado mais a fundo nas pesquisas sobre metadados e o impacto que isso tem em nossa experiência de navegação e construção de comum na web.

A ideia toda gira em torno de como usamos os recursos online para nos conectarmos ao que efetivamente nos interessa, seja lá o que for. Com a explosão informacional que há décadas aumenta nossa entropia e o caos dos arranjos organizacionais dos dados, encontrar o comum e se conectar nas conversações que nos interessam é um desafio. Mais do que isso, relacionar conversações interessantes com "objetos/conteúdos"  interessantes que são produzidos todos os dias na web não é tarefa fácil.

A capacidade de construção de comum é ampliada quando nos identificamos por causas, visões, ideias, abordagens e formas de pensar. Sistemas de informação, em geral, acabando virando silos de informação, dificultando, quando não impossibilitando a remixagem dos dados que são produzidos, gerados e articulados em espaços de conversação.

Remixar os dados é praticamente uma condição fundamental para permitir novas possibilidades de navegação na informação. A construção da relevância, mais do que a relevância dos links, é algo em que ainda engatinhamos na web. As bases de dados atuais e nossos sistemas mais comuns de construção de redes sociais são extremamente limitados nas possibilidades de remixagem de dados que permitem.

Limitar o remixa dos dados é limitar:

  • novas possibilidades de serviços que sequer pensamos ainda;
  • identificação de padrões e percepção de movimentos que emergem na rede, indicando tendências e dinâmicas que não poderiam ser percebidas de outra forma;
  • transparência e liberdade;
  • novas possibilidades de ativismo, que poderia reduzir a desinformação geral, produzindo sínteses, evidenciando movimentos políticos, dinâmicas de articulação e uso de recursos públicos, culturais. 
Sem dúvida, podemos pensar em muitas outras possibilidades que o remix poderia ampliar o que podemos fazer hoje. 

Há vários casos de aplicação de princípios da websemântica que buscam tratar algumas das questões acima. É interessante perceber usos como melhorias em sistemas de busca, caso do Yahoo, e mesmo o uso num sistema de interface com usuário, como é o caso do KDE 4.0

No entanto, o que mais me chamou atenção e que vejo que vem bem ao encontro do que ando pensando nas últimas semanas é o projeto SIOC (Semantically-Interlinked Online Communities). A descrição da página do projeto o apresenta como sendo uma proposta de uma ontologia (um vocabulário) para representar dados de interações sociais na rede em formato RDF. A ontologia completa do SIOC tá disponível aqui! Veja abaixo como ela tá organizada:


Esse infográfico apresenta como os dados poderiam ser descritos. Por exemplo, um post X foi criado pelo usuário Y nos tópicos K e W, mais informações podem ser encontradas em www.url.exemplo.br e o post tem comentários que podem ser acessados em www.url.exemplo.br/comentarios1.  

Há uma lista bem interessante de onde o SIOC tem sido usado. Em aplicações com o Twitter, Wordpress, Drupal e por aí vai. Para Drupal (veja aqui estatísticas de uso do módulo), o projeto permite a seguinte dinâmica:

Site -> host_of -> Forum -> container_of -> Post -> has_creator -> User
Posts have reply Posts, and Forums can be parents of other Forums.
Em tese, o isso significa? O que acontece no sistema de blogs e fóruns poderia ser descrito usando essa vocabulário. Teríamos a possibilidade de exportar metadados descrevendo essas relações, permitindo que diversos serviços de remixagem pudessem ser feitos, incluindo novas maneiras de navegarmos nesses dados e criarmos visualizações de tendências, emergência de comuns. 
Segue aqui uma outra discussão bacana que rolou sobre isso na comunidade Drupal. Segue aqui um exemplo de como isso seria aplicado em RDF no Drupal 6.0:

    Drupal 6.0 released
    2008-02-13T014:42:00Z
   
       
   

    After one year of development we are ready to release Drupal 6.0 to the world. Thanks to the tireless work of the Drupal community, over 1,600 issues have been resolved during the Drupal 6.0 release cycle. These changes are...
   

   
   
   
       
       
       
   
A ontologia SIOC abre as conversações e as relações que são estabelecidas. Potencial enorme para diversas ações que poderíamos imaginar:
  • produção de taxonomias de recursos em sistemas de informação que poderiam ser descentralizados, distribuídos e navegáveis a partir unicamente dos metadados;
  • novos serviços de navegação nos metadados, gerando novas dinâmicas de visualização da informação;
  • consulta estruturada aos metadados, permitindo a produção de filtros, índices e uso de toda a estrutura de bancos de dados para navegar nos metadados descentralizados.
E segue o trem que tá começando a ficar quente a picada na mata! ;-)

produzindo comum ou o bodhissatva no metro!

dica direta da Rede Humaniza SUS:

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

da série vale a pena...

Introdução a web semântica...

CMS, websemântica e redes

As conversas sobre redes distribuídas sempre tiveram como pano de fundo, ao menos para mim, uma certa vontade de não depender tanto de um gerenciador de conteúdo (cms) para criar e ativar um espaço de conversações e colaboração entre pessoas.

Na época, fazia sentido ter um espaço de agregação, que pudesse puxar feeds de um monte de lugar e construir contextos que dessem sentido para esses dados. Cheguei até a montar essa apresentação que levamos para o Fórum de Cultura Digital, 2009, na Cinemateca em São Paulo.

A agregação de RSS/Atom é um recurso fundamental para a experiência da web que temos hoje. Mas, tem fortes limites de estruturação dos dados e da forma como eles podem ser processados por pessoas e máquinas. Em tese, as possibilidades de remixagem desses dados são bastante primárias, pois apenas recebemos o conteúdo bruto. Qualquer processamento a partir dele, tem de ser feito manualmente.

Acontece que o que interessa numa rede não é o sistema onde ela roda, mas o fato do sistema oferecer uma padronização das interfaces de conversa e da forma de exibição das informações de forma que todos consigam ter o mesmo sistema de organização dos dados. Conseguir ler as informações que alguém posta e conseguir interagir com elas é um critério mínimo para que as pessoas conversem sobre o que lhes interessa.

No entanto, muitas possibilidades de remixagem desses dados, produção de novos usos que sequer ainda pensamos quais seriam ficam travadas no acesso aos dados. Nem falo aqui tanto de usos "gerenciais", mas de usos que sirvam para aproximar pessoas, de formas de nos encontrarmos, de encontrarmos ideias que nos fazem sentido e de conseguirmos organizar/encontrar conversas que mais fazem sentido. Na real, reduzir um pouco a entropia, aumentando a caordem dos fluxos.

Tem bastante gente interessante trabalhando com a tal da websemântica. Alguns textos interessantes dão uma  ideia do potencial que isso tem.

A questão-chave que vejo nisso: acontece que numa web com dados mais estruturados, não precisamos mais de sistemas de gerenciamento de conteúdo. A própria web seria isso. Não preciso mais de apis para qualquer tipo de rede social, quando os protocolos que compartilham recursos na web são interoperáveis e conversam com qualquer tipo de servidor. Posso ler os dados, as conversas, encontrar pessoas, descobrir grupos, publicar ideias, articular projetos, enfim, tudo isso, em tese, sem a necessidade de um sistema de informação formal para tal.

Parece utopia, né? Parece uma coisa meio complexa e abstrata demais! Enfim, acho que ainda estamos engatinhando nessas possibilidades e, de fato, estamos falando de uma visão que muda muito a cultura de como temos pensado a web até agora. O que, de fato, mais me estimula como possibilidade do que necessariamente limita. Sem dúvida, como quase todas as mudanças de visão sobre uma tecnologia, há uma curva de aprendizado, amadurecimento de padrões, novos serviços que são criados e comunidades que descobrem novas maneiras de usar a informação e experimentar possibilidades de relacionamentos que ainda não haviam sido pensadas.

Mas, acho que dá para exercitar um pouco mais isso com base nas pesquisas recentes. O que de fato me motivou a tudo isso foi:

  • comecei estudando sistemas de bibliotecas digitais federadas. Em tese, são sistemas de informação que coletam metadados publicados em bibliotecas digitais e formam uma base de metadados centralizada facilitando a pesquisa numa interface única. Sem dúvida, isso tem sérias limitações, pois mantém o servidor atualizado é o gargalo da ideia. No entanto, comecei a estudar o padrão Dublin Core de metadados e o protocolo OAI/PMH que faz a coleta de metadados nas bibliotecas digitais para montar a base integrada. 
  • entender os padrões de interoperabilidade que isso poderia gerar tem sido o trabalho do momento atual. No entanto, isso tem sérias limitações quando pensamos em relacionamentos de pessoas e não apenas a coleta de metadados de publicações de produção científica. 
  • logo, fez todo sentido abrir mais as pesquisas, entrar em outros protocolos e ver as questões de como os dados mais estruturados podiam abrir algumas interfaces interessantes e que poderiam facilitar a aproximação de pessoas.
  • bem, fui estudar FOAF, xmpp, RDF/XML e por aí vai... 
  • até bater na seguinte imagem de como a websemantica tá sendo pensada:

 E daí? Qual a vantagem disso?
 Vamos imaginar o seguinte:
  • eu publico uma URI sobre eu mesmo, contando quem sou eu, o que eu gosto, a quais outros "recursos" estou ligados. Os recursos podem ser projetos, ideias, marcas, universidades, movimentos, outras pessoas, etc, etc, etc..
  • o fato de publicar um recurso sobre isso (o que pode ser feito direto em arquivos no meu servidor ou em interfaces entre sistemas de informação, como o Drupal) eu gero toda uma camada de navegação e acesso aos meus dados que permitem várias formas de me encontrar e me remixar. Ex: todo mundo que publicou uma descrição de si dizendo que faz parte da mesma comunidade, que tem interesse nos mesmos tópicos, que trabalha nos mesmos lugares, que usa os mesmos serviços, etc, etc, etc. Infinitos recursos podem ser criados e podem agregar pessoas. 
  • ao publicar os recursos nos formatos RDF, tudo fica acessível para consulta SPARQL (uma espécie de sql para metadados RDF), permitindo várias possibilidades de cruzamentos de dados. Tudo isso pode ser feito via interface, sem necessidade de digitar uma linha de código. Em tese, novas interfaces de pesquisa e navegação nos dados são possíveis. 
  • subindo nas camadas, aplicações de conversação podem ser acopladas e se mantém agregadas pelo compartilhamento de URIs. Em tese, os sistemas de informação integrados se dissolvem na rede e os metadados interoperáveis permitem construirmos metasistemas em cima de metasistemas em um número infinito de camadas para além daquilo que podemos imaginar como tecnicamente possível hoje.
 vale experimentar? 
 próximos passos: começar a desenhar um piloto disso! ;-)

quando tenho medo

"Atrás da dureza há medo,
E se v. tocar o coração do medo,
encontrará tristeza ( que se torna mais e mais suave).
E se tocar a tristeza, encontrará o vasto céu azul."

Rick Fields

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

metarede e metadados

escrevíamos isso a alguns atrás (direto do link bases conceituais):

esses pedaços de código, pedaços de software tem por objetivo tecer laços entre redes, interligar subredes de colaboração dentro de um ambiente em constante construção. mas, de que forma? através dos links, dos emails cruzados, através das redes sociais, das conversas circulando, dos forwards cruzando fronteiras e abrindo novos horizontes de conexão. isso tudo é dinâmico, mas nossos softwares atuais lidam com tudo isso de forma estática. eles esperam nossa iniciativa. há links sutis e dentro de espaços temporais inperceptíveis ao nosso senso comum. a tecnologia é ferramenta de suporte à percepção, antes de mais nada.


MetaRede se propõe a construir um framework de agentes móveis emergentes, programados baseados em algoritmos de redes neurais e computação evolutiva, a partir de algoritmos genéticos. O objetivo é criar condições para que os agente negociem entre si, num sistema ecológico adaptativo. Exemplos:

- sistemas de troca de doações em escalas logísticas de difícil operação, como forma de operar um sistema logístico emergente, sem a necessidade um orgão central regulador e sem a necessidade de intensa busca das melhores rotas (problema clássico em se tratando de grafos);

- sistema de trabalho colaborativo como suporte às atividades de comunidades de prática. agentes de software podem negociar horários de reuniões, links distribuídos, estabelecer e encontrar novas conexões em cms compatíveis com especificações pré-programadas e evolutivas;

- busca e negociação de produção cultural e recursos compartilhados sob licenças livres. agentes móveis tornam-se mediadores de relacionamentos entre artistas e formas de divulgação de sua obra. negociam postagem de imagens em bancos públicos, interações entre blogs, entre outros.

- construção e suporte para ambientes baseados em reputação.



O quanto disso é/era utopia? O quanto disso é possibilidade de pesquisa e experimentação em sistemas de informação e processos de ativação de redes/apropriação de tecnologias?


As possibilidades de pesquisa se dão em pequena escala. Acho que o fundamental para isso é:

  • ter bons sistemas de metadados: interoperável, com possibilidade descrição de esquemas e anotações;
  • bons algoritmos que façam: mapas de agregação dinâmicos, identificação de tendências, conexões preferenciais.
a junção desses dois elementos tem se tornado cada vez mais real e de simples implementação.
hummmm.....

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

a razão de hackear!!!

Hackear é sentido, forma e fluir.
Mais do que experimentar, é a capacidade de se descrever.

Hackear na fórmula, no gráfico, na tabela, no software, no código, no dígito.
Hackear no sentido da dinâmica, na entrada da fala, no vídeo e no desenho que descreve.
Hackear como estilo, como dança, ritmo e síntese.

Dispersão de caos e caordem emergente de risos, madrugadas, gambiarras de estilo e de visões.

Não fazemos isso por falta de conhecimento.
Não fazemos isso por displicência.
Não fazemos isso por medo.
Não fazemos isso por pressa.

Fazemos isso por que nos produzimos ao fazer.

Apenas o descrever a si mesmo.

Refletindo sobre os componentes de uma estrutura de informação para redes emergentes

Estudar Ciências da Informação tem lá a suas vantagens. No começo, o que parecia ser apenas um curso chato, cheio de teorias que não faziam sentido, foi gradualmente mudando. A aproximação com a pesquisa relacionada a bibliotecas, a vocabulários, a protocolos, interoperabilidade, tudo o que esses caras têm efeito e seus desdobramentos nos sistemas de informação que usamos hoje em dia é muito interessante.

Tem muito da história da Internet, de protocolos abertos a estrutura de metadados que passa por essa conversa.

Pensar em sistemas de informação que possam facilitar a emergência de novos arranjos organizacionais, que facilitem os fluxos de informação e ampliem nossa possibilidade de interoperabilidade é um desafio contínuo. Já vi várias ações sendo pensadas, sendo que uma das mais interessantes que vi recentemente foi do pessoal do MinC, o projeto Cervo.

Lendo um pouco sobre pesquisas em bibliotecas digitais e as preocupações que esses caras sempre tiveram em facilitar o compartilhamento distribuído de acervos, busca descentralizada e agregação de informação, uma série de componentes são levados em consideração na estrutura de um sistema de informação:

  • ambiente para submissão e armazenamento de documentos eletrônicos;
  • mecanismos de linkagem de documentos eletrônicos entre si, de modo que um usuário pudesse ter acesso imediatamente a referências e fontes citadas em um documento eletrônico;
  • endereços eletrônicos persistentes, sem os problemas de links inválidos;
  • base de autoridades;
  • linguagem de descrição;
  • esquemas de classificação temática;
  • sistemas de metadados para interoperabilidade entre sistemas e descoberta de informações;
  • armazenamento e preservação de documentos eletrônicos por longo tempo.
 De todos esses ítens, onde mais trava em geral é no processo de consenso entre o uso da linguagem de descrição e os esquemas de classificação temática. Temos tecnologia que avança muitos desses pontos, como o XMPP, mas o processo de conversação humano que vai produzindo sentido nisso é que é a trava. 

De fato, não são sistemas triviais e nem tampouco temos cultura para trabalhar nessa perspectiva. Brincar e experimentar com isso, criando formas de notificação, de compartilhamento que produzam sentidos temporários a grupos e que representem as metáforas de ativação do próprio grupo. Acho que tem aí um cadinho de sentido e uma enorme dimensão de reflexão para quando estamos conversando sobre redes e sistemas de informação...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

inadequação

de um artigo sobre bibliotecas digitais...

"E o sentimento de inadequação acaba constituindo o motor do movimento em direção a uma nova consciência que integra e articula saberes complementares na direção de um objetivo comum."

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

filtragem de caracteres em dados para análise de redes

Sequência de filtragem de caracteres numa Planilha para posterior análise de redes sociais

- limpar espaços
- limpar _
- limpar -
- substituir á,é,í,ó,ú por a,e,i,o,u
- substituir â,ê,î,ô,û por a,e,i,o,u
- substituir ç por c
- substituir ( e ) por vazio
- substituir / por vazio
- substituir ã e õ por a e o
- substituir ª e º por vazio
- substituir , por vazio
- substituir ; por vazio
- substituir . e : por vazio
- substituir !@#$%¨&*? por vazio

Vídeo "O que é aprendizagem em rede?" - 2º Seminário da Rede de Formação - TelecentrosBR


O que é aprendizagem em Rede? from Telecentros BR on Vimeo.

Fotos do 2º Seminário da Rede de Formação - TelecentrosBR

Documentando o 2º Seminário da Rede de Formação - TelecentrosBR

Semana passa rápido, mais rápido ainda a gente produz material de um Seminário de ativação de rede que rolou em Brasília na semana passada.
Ainda vou parar para escrever com calma minhas impressões e reflexões sobre o que rolou por lá.
O processo todo como ocorreu o seminário, o jeito das conversas, as propostas, as tensões, crises, angústias e saídas que foram sendo encontradas foram muito fortes e significantes para quem está buscando novas descrições para novas formas de olhar.

A ideia por aqui não é se alongar muito e mais documentar os documentos que produzimos para os vários momentos do seminário. Quando o site do projeto estiver no ar isso já vai para lá, mas para não perder o tempo das coisas e as memórias mais frescas vai por aqui mesmo.

  1. Apresentação da pauta do Seminário
  2. Apresentação Polo Nacional
  3. Apresentação do Mapeamento das Iniciativas de Formação em inclusão digital do governo Federal
  4. Vídeo da Entrevista com Monitores de Telecentros coleta na viagem aos Polos Regionais
  5. Apresentação da proposta de  Grupos de Trabalho para a construção da Proposta de Formação
  6. Documento Relato do Grupo de Trabalho Projetos
  7. Documento Relato do Grupo de Trabalho Núcleo Comum de Conteúdo
  8. Documento Relato do Grupo de Trabalho Apropriação Comunitária
  9. Documento Relato do Grupo de Trabalho Oferta de múltiplos Caminhos
  10. Documento Relato das Conversas do Aquário - Síntese dos Grupos de Trabalho
  11. Apresentação da Síntese dos Grupos de Trabalho de Formação 
  12. Vídeo Dobra - O que é aprendizagem em Rede?
  13. Documento Relato das Estratégias de Contratação de Tutores dos Polos Regionais
  14. Apresentação da proposta de organização dos Grupos de Avaliação
  15. Documento Relato da Avaliação de Projetos
  16. Documento Relato da Avaliação da Presença em Rede
  17. Documento Relato da Avaliação de Conteúdo
  18. Apresentação da Ecologia Web do Programa
  19. Apresentação da Pesquisa de perfil dos Monitores - PONLINE
  20. Documento Relato da Conversa com o Ministério do Planejamento
  21. Documento Relato do Como vamos trabalhar juntos e Combinados

quinta-feira, 29 de julho de 2010

3 questões fundamentais do nosso tempo: referências, informação e ordem

Sinais interessantes podem ser lidos em várias instâncias de que as coisas estão mudando.
Até aí, que há de novo? Tudo tá sempre mudando, a vida nunca é estática e nos fluxos e refluxos nos reinventamos a cada dia.

Mas, parece que a mudança dos tempos que vivemos apontam vetores interessantes quando começamos a relacionar redes, problemas de conversação, explosão de informação, necessidade de encontrar ordem, angústia, o caos por simplesmente perceber que as formas tradicionais de se organizar o trabalho não funcionam mais e nada que conheçamos parece dar conta de oferecer novas perspectivas.

Que o trabalho e a forma como nos comunicamos vem mudando, também não tem nada de novo e isso tem sido dito de múltiplas maneiras a bons anos. Acredito que 3 questões fundamentais vêm pautando esses processos de mudanças:

  • medo, angústia da perder as referências, as certezas dos métodos e das formas que tradicionalmente sempre funcionaram. Toda a leva de metodologias rápidas e prontas, PMI, CRM, ERP, SAP, enfim... tudo o que criamos e desenvolvemos anos a fio para firmar certezas e ampliar nossa capacidade de previsão e organização da informação num mundo linear;
  • aumento exponencial de produção e acesso a informação, capacidade de estabelecer relações em rede, redefinições de identidade, de perfis que simplesmente não são possíveis de serem tratadas pelas lógicas tradicionais de organização. Hierarquias de tomadas de decisão, maneiras tradicionais de se pensar divisão de recursos, distribuição de poder e responsabilidades. Isso está mudando, queiramos ou não, e as lógicas tradicionais de gestão que tentam organizar isso colapsam em suas tentativas centralizadas, fechadas e lineares.
  • falta de conhecimento de outras possibilidades de se operar em meio ao caos e encontrar ordem. Dificuldade de operar sem um sentido de grupo, de coletivo e enorme dificuldade de saber como isso pode ser construído. Antigas referências de participação não dão conta. As pessoas mudaram, suas necessidades de participação são geracionais, suas visões do que é atuar em rede mudaram, suas necessidades de instâncias de distribuição de poder se agenciam em rede, querendo ou não. Não sabemos criar fluxos de organização disso.
 As organizações, as pessoas, grupos de trabalho, comunidades acabam dispersando e tendo enormes dificuldades para encontrarem sentido coletivo.

Se isso é um problema ou não, enfim, não creio que seja essa a questão. Acho que isso vai depender do olhar de quem observa ou não assim.

A questão que fica é, para onde José? Parece que fica a sensação de que temos a chave da porta, mas a porta já não há.

Alguns sinais interessantes parecem indicar traços de novas portas que podem ser construídas no fazer fazendo:
  • Novas tecnologias de conversação de grupos: Open Space, World Cafe, Investigação Apreciativa, etc...
  • Novas possibilidades de encontrar ordem nos fluxos da informação: Scale Free Networks, Power laws, Sistemas não-lineares, sistemas adaptativos, etc...
  • Novas possibilidades de organização em rede: a rede não como metáfora, mas como tendência de fluxo de informação. Abertura e disponibilização da informação em instâncias coletivas de decisão e conversação. Orçamentos abertos, decisões compartilhadas, alinhamentos coletivos. 
 São questões que parecem ainda de maneira dispersa, isoladas em muitos estudos e análises.
 Um desafio interessante e instigante é trabalhar a partir dessas 3 dimensões que, talvez, possam ser extremamente úteis quando se trata de encontrarmos novos caminhos e novas maneiras de estarmos juntos, não reduzindo e diminuindo a complexidade das tendências que vivemos, mas inventando novas formas de potencializá-las e reintegrá-las na produção de si.

Política em rede e a tal inclusão digital

A rede acaba onde há escassez de informação.
A rede morre onde pára a conversa.

Se o processo de inclusão digital se instaura na perspectiva de fomentar redes, de ampliar a densidade de conexão entre as pessoas e, por consequência, ampliar seu potencial de agenciamento coletivo, não faz sentido que a política do espaço seja pensada de maneira central. Não faz sentido que o monitor seja apenas um atendente. Exercitar a conversa, a tomada de decisões, a participação é exercício de autonomia e de ativação de redes.

É um contra-senso e mesmo um paradoxo. Deixar isso explícito na cara e mostrar onde o nervo dói, é algo que fica mais evidente a partir de uma proposta de política que se diz fomentar colaboração, ação em rede, etc...