quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

De cara nova...

Retomar esse espaço é muito mais do que apenas atualizar as informações e retomar o velho hábito de documentar o que tenho feito, pensado e experimentado por esse mundão.

Retomar esse espaço nesse ano significa um tanto a mais.
Significa se dispor a ocupar este blog de uma forma um pouco mais crítica e com um desejo maior de não apenas relatar, mas de detalhar e explicitar o que tenho feito e os modos como tenho feito.

Abrir o espaço para contar das pesquisas, dos seus objetivos, do que tem me motivado e como tenho lidado com isso.  Abrir o espaço para contar o que tenho lido, como tenho lido e o que pretendo fazer com isso. Abrir o espaço para dizer do que me impacta na relação com o mundo, com as notícias e com as possibilidades que vejo de reinterpretar e criticar o que leio.

Enfim, em 2014 experimentar, em muitos sentidos, uma outra relação consigo mesmo que se expressa por aqui numa outra relação com a própria informação.

Que o corpo tenha fôlego, que os olhos tenham brilho e que a alma se permita a mais esse passo. Que assim seja. ;-)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Medos

Um medo passou por aqui, deu um sinal de canto de olhar e me aguardou passar logo a frente, a espreita. Outro fingiu que me olhava pelo espelho retrovisor de um carro com pressa, cruzando a cidade na madrugada fria. Um terceiro, parado na porta de casa, me pedia insistente sua cota de atencao, energia e vida. Juntos, tentaram apenas me imobilizar, pedindo apenas que eu consentisse que ja nao era mais capaz de viver sem eles. Fizeram juras de amor, cantaram cancoes, fizeram promessas de fidelidade. Foram agressivos. Me disseram que sem eles, sem a frustracao que me traziam, eu seria fraco, apenas um pouco mais de nada em meio a um mundo de fortes, todos eles protegidos por seus medos fieis. Por longos anos, hesitei, lhes concedendo frestas de razao, a vez e a prioridade nas tomadas de decisao. Mas, subitamente, hoje nao. Hoje, talvez, eu de fato nao seja mais eu e nao me procure neles, para firmar referencia e saber o que fazer quando a vida me pegar deprevinido. Hoje nao. Nao tenho resposta, so carrego perguntas. Nao tenho certezas, so carrego a mente que é capaz de produzi-las. Hoje o tempo vai passar diferente, apenas aguardando o agora no momento seguinte. Hoje so direi talvez. E nao direi talvez como quem duvida de si, mas como quem assiste aos diversos si surgindo e desaparecendo diante de si. Hoje o quando desaparece de mim e surge, como se fosse um antigo conhecido, dando lugar a coragem do vir a ser. Hoje, e talvez apenas hoje, os medos nao me encontrarao igual, rindo de minha previsibilidade perante suas velhas questoes e minhas velhas respostas. Hoje, nao. Hoje despertei menino, veloz, traquina, risonho. Hoje so cabe ele no espaco de um dia.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Modelos de redes e novas possibilidades de pensar no campo informacional para bibliotecas: Seminário de Usos de Redes Sociais para Publicação Científica na USP

Pensar em redes é, muitas vezes, uma questão de enxergar como as coisas podem se relacionar entre si. A potência da análise de redes sociais está em permitir visualizarmos as relações que acreditamos existir, facilitando dar contorno e tornar mais evidente que possíveis padrões de relacionamento estamos diante. Pensar em padrões, mais do que pensar naquilo que é determinado, é pensar naquilo que se conjuga nos hábitos, nas tendências de relação que talvez ainda não tenhamos nos dado conta.

Em tese, estamos diante de uma ferramenta de espelhamento, facilitando perceber diversos contextos espelhados nas relações que definem os limites de um sistema. Podemos ver aqui refletidos as políticas de relação, as formas, os modos e as diferentes maneiras possíveis nas quais esses sistemas são concebidos e apropriados por aqueles que lhes utilizam.

Foi com essa motivação como ponto de partida que montei essa apresentação para o Seminário de Usos de Redes Sociais na Produção Científica na USP.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Domínios de si

Apenas por entre silêncios
Há uma voz que fala
A palavra liberta
Dos domínios de si.

Silêncio dos sentidos
Que calados apenas observam
O emudecer do ritmo
...Do pulso que se expande.

Desencontro de palavras
Que de distantes
Se entrelaçam nos ecos
Esvaziados de multidão.

Presença de um ponto final
Demarcando o tempo de espera
De onde já não há entres
E nem o mais do vir a ser.

A secura do que não aperta
E nem constrange de ausência
Não esvai de solidão
O vazio do que se aguarda em estado de alerta...

... Apenas a palavra liberta
Dos domínios de si.

domingo, 18 de novembro de 2012

Jogos de a(r)mar

Da parte que te quer
Metade te quer inteira
Face de outra história
Onde te invento de repente.

Ideia rasteira
Súbita memória
Lembrança do querer
Traço de mim.

Viro página
Rebusco livro
Reencontro verso
Desejo de sim.

Abro mala
Dobro gaveta
Despeço visão
E aguardo, ainda atento.

A outra parte sorri
Brincando de razão
Virando sentimento
Do inverso de si.

Mais, pra quê?
Daqui onde assisto
Vejo a parte que quer
Inventando resistência
Pra ocupar a que não quer
Que se ocupa do argumento do querer

Que já nem liga pro fundamento da existência
Pro sentido do passeio
De passagem devaneio
Nascido por entre olhares de admiração e respeito.

E assim, satisfeito, sigo brincando
De te descobrir de novo
Desenhada na íris refletida
De uma memória de passagem.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Mediações

Ainda há em mim um gemido de espaço
Uma busca sem pergunta
Ou necessidade de resposta

Um olhar que vasculha o vir a ser
Em estado de espera
Aguardando repousarem memórias futuras
Por entre vitrais refletindo possibilidades.

Mas ainda há mais.
Há uma busca de sentindo que transborda palavras
Enveredadas em labirintos nascidos dos limites
Daquilo que tudo que ainda jamais ousei!

Recusa de um lugar na fileira
Dos que já sabem e defendem a verdade
Meu não-dito ainda reflete o espanto
De se deparar consigo mesmo por entre
                           fontes de águas desconhecidas.

E como se já não fosse o excesso
Há ainda mais.

Há o desejo do encontro
Da provocação do que desloca o traço que fixei
Do comum que experimenta e se descobre em próprio ato
Do reinventar-se como prática de si em plena fome que não cessa de mover
Do sentir liberto, presente apenas na verdade do convocar-se a estar ali.

Há o desejo da roda
O que gira, gira junto
Batuque de mão, movimento de perna
O que gira, roda gira
Palavra de centro, olho no olho.

O que gira, ainda ensimesmado, ainda gira aqui
Dentro de mim.