sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Reorganizando o flickr

Flickr sempre foi um ambiente que deixei meio largado, meio de lado... Nunca dei muita bola.
Mas, comecei a ir montando sociogramas das redes por onde ia passando, gerando imagens, montando relatórios e tals... Senti a necessidade de ter tudo isso organizadinho, para poder acessar, rever, utilizar para outras conversas... Comecei por aqui. Ainda faltam algumas redes, mas a maioria já tá aqui...

A linkania do sutil

em conversa com o mano Orlando:

"deixar o sutil aparecer
e estar em paz o suficiente para perceber
pq é aí que a rede se abre para outros links
e nas derivas nos recriamos mais abertos, mais atentos."

Inclusão Digital, Redes Sociais e o Programa Acessa Escola

Ciclos e períodos são boas divisões de tempo que podemos usar para refletir, pensar, analisar o que estamos fazendo...

   Falar de inclusão digital, pensar a inclusão digital no âmbito de uma política pública é criar tecido para relacionar toda uma ecologia de ações, processos de tomada de decisão, gestão de recursos, métricas de acompanhamento e avaliação, espaço para o inusitado e emergência do novo, enfim, é pensar o computador como um elemento ativador de redes de redes, é pensar em criar campos, espaços públicos para apropriação de tecnologia como ativadora de imaginários.

         Segundo Hernani Dimantas (2009), “existe uma lógica subliminar no processo de inclusão digital, que, muitas vezes, fica obscurecida pelo trabalho cotidiano. Projetos de inclusão digital estão focados nos computadores. Não como ferramentas. Mas como centro de acesso à informação. Para entrar fundo neste debate, temos que dissociar a ferramenta do seu fim, redes são formadas por sinapses entre pessoas. E não pela utilização do computador. As pessoas estão em primeiro plano. E daí, podemos imaginar e elucubrar ferramentas para a formação de redes. Dessa forma, digo, que rede tem um espectro mais abrangente do que, somente, o mundo conectado. Está presente em qualquer expressão do relacionamento humano. O computador vem, apenas, facilitar a interatividade entre as pessoas. Aumentando a exposição do sujeito e catalisando inteligências ou as competências.”  
         O programa se torna, dessa forma, a estrutura organizacional pública que viabiliza e dá sustentação para a apropriação da tecnologia através da implantação de infra-estrutura física (computadores, móveis, cabos, roteadores), infra-estrutura lógica (software, banda larga) e a possibilidade de uso dessa infra-estrutura para livre acesso e livre circulação da informação em rede, ampliando as possibilidades de conexão entre pessoas.
         A rede passa a ser a estrutura orgânica que catalisa inteligências, campo de interação que faz emergir possibilidades de organização e reorganização de saberes, vivências e aprendizagem. A rede passa a ser a estrutura que permite novas topologias de conversas, demistificando mediações de papéis sociais, resignificando os meios de construção de conhecimento através da distribuição e descentralização da informação, bem como do acesso direto aos produtores da informação. Campo do emergente, a rede, do ponto de vista da geração da novas formas de organização “é o encadeamento de relações entre componentes ou indivíduos que produz uma unidade complexa ou sistema, dotada de qualidades desconhecidas quanto aos componentes ou indivíduos. Ela assegura solidariedade e solidez relativa a estas ligações, assegurando então ao sistema uma certa possibilidade de duração apesar das perturbações aleatórias. A organização, portanto: transforma, produz, religa, mantém” (MORIN, 2002). Novas formas de conversa, novas formas de interação, novas formas de aprendizado, novas possibilidades de se pensar e executar uma política pública.
         Segundo Drica Guzzi, a grande questão que está se formando é a capacidade educativa e cultural de se usar a Internet. Uma vez que toda a informação está na rede ou seja, o conhecimento codificado, mas não aquele de que se necessita , trata-se antes de saber onde está a informação, como buscá-la, como transformá-la em conhecimento específico para se fazer aquilo que se quer fazer.

É essa capacidade de aprender a aprender; essa capacidade de saber o que fazer com que se aprende; essa capacidade é socialmente desigual e está ligada à origem social, à origem familiar, ao nível cultural, ao nível de educação. É aí que está, empiricamente falando, a divisória digital nesse momento. (CASTELLS, 2003, p. 367)

Está cada vez mais evidente que quando falamos de Inclusão Digital estamos falando de diferentes níveis de complexidades.

         São diversos os desafios de uma política pública que atue a partir desses princípios, sobretudo, por articular suas estruturas de gestão às redes sociais emergentes de uma ação de inclusão digital. Um dos principais desafios no desenvolvimento de um processo de participação pública consiste em que o governo tenha uma visão holística , integrada ao ciclo de vida da elaboração de projetos e desenvolva tecnologias capazes de dar suporte ao processo de informar, consultar, participar, analisar, promover o feedback e a avaliação (GUZZI, 2006).
         A visão holística consiste num conjunto integrado de dispositivos que possam ser efetivamente utilizados pela política pública para a constituição de um programa de inclusão digital que seja pautado pelos princípios da livre apropriação da tecnologia e da ativação de redes sociais.  Apresentamos a seguir, a ecologia de dispositivos do laboratório WebLab da Escola do Futuro – USP, utilizada para o programa Acessa Escola.




legenda:   Ecologia de dispositivos de política pública de inclusão digital



         A ecologia de dispositivos representa o amadurecimento de 9 anos de experiências da equipe do Laboratório em construção de políticas públicas de inclusão digital em diferentes instâncias governamentais: munícipios (Parque Digital-Santo André, Telecentros-São Paulo, MetaReciclagem-Sorocaba, Jovem.com-Campinas), estado (Acessa SP-São Paulo, Juventude SP- São Paulo) e federação (Cultura Digital-Ministério da Cultura, HumanizaSUS - Mininistério da Saúde).  É um sistema complexo, levando-se em consideração várias frentes de atuação que se alimentam e retroalimentam formando uma rede de ações que não podem ser entendidas de forma isolada, mas no contexto e na reflexão de seu efeito sobre a parte no todo e do todo na parte, criando interfaces de informação, gestão e emergência de padrões em rede.
         A Capacitação é um dispositivo voltado para o contato com os estagiários do ensino médio, os participantes do programa que operam as Salas de Internet, criando um espaço de conversas, de escuta, de compartilhamento de experiências, de produção de sentidos como um vetor que orienta e alinha as ações executivas do programa em torno da emergência de compreensões comuns e compartilhadas de metas e objetivos. É também um espaço de ativação de redes, por proporcionar o encontro presencial entre estagiários de diversas escolas e diversas regiões por onde o programa vem sendo implantado. Como espaço de ativação de redes, a capacitação catalisa e amplia o campo de contato na internet, entre os estagiários. É um elemento fundamental, aproveitado pela Internet e Comunicação como gerador de interesse para que os estagiários possam se ver refletidos nas mídias sociais (Site do Acessa Escola, Orkut, Flickr, Youtube, Twitter e Facebook) do programa, através da produção de imagens, vídeos e textos sobre a capacitação em que os mesmos participaram, além da produção contínua de pautas específicas sobre os temas de interesse do programa: internet, educação, tecnologia e inclusão digital. As informações que sintetizam essas ações de rede são coletadas, analisadas e circulam pelos diferentes atores do programa através das ações de Webanalítica e dos informativos semanais da Operação Web.
         Ações que utilizam os espaços das mídias sociais para construção de projetos e apropriação da tecnologia das Salas de Internet para além das possibilidades do acesso livre são canalizadas via Rede de Projetos, um dispositivo que se alimenta de todas as informações e ações conversas geradas pela Capacitação e Internet e Comunicação como elementos de ativação de redes. É o espaço onde usuários, sejam professores, alunos ou funcionários, do programa podem contar suas experiências, encontrar apoio e suporte para executar ideias, construir projetos, divulgar resultados, além de um espaço para emergência de novas possibilidades de uso e apropriação do programa para ações inusitadas, inesperadas, criativas.
         Como os usuários efetivamente estão se apropriando da tecnologia das salas de Internet, como é o seu comportamento em rede e o que pensam sobre o programa é uma área que é abordada pela PONLINE, uma ação de pesquisa online com os usuários frequentadores do programa. E junto com todas as informações pelos dispositivos mencionadas, há a área de Conexões Científicas criando um campo de análise e produção de conhecimento acadêmica sobre o programa e para o programa.
         Essa é uma possível leitura das interfaces que são oferecidas pelos dispositivos de inclusão digital, outras são possíveis, possibilitando novas ações, melhorias e o desenvolvimento do próprio programa em seu fazer e refazer contínuo.

EcologiaWeb Acessa Escola



Mídias sociais, redes sociais, canais, integração, agregação e por aí vai...

Esses têm sido alguns dos temas que tenho ouvido com muita frequências nos últimos meses e acho alguns bem sem sentido no contexto de pensarmos apropriação tecnologia para reflexão de singularidades...

Enfim, produzimos a imagem acima que retrata os fluxos do que construímos para o Acessa Escola.

Canais produziam sentidos em suas ações, ações partiam de encontros, conversas, desejos e saberes. Um experimento...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Aldeias urbanas

Aldeias Urbanas é um tecido de tribos.
Tecido que se tece junto,
que tribaliza saberes,
que se faz de enlaces de encontros,
que se forma em rede de redes,
que forma imaginários de formas.

Aldeias, tribos de metacuras;
Rito de passagem de cyberxamãs;
Caos cosmogênese da ordem;
Desordem embrião de metamorfoses.

Somos emergências de buscas;
Somos ativação de viveres;
Somos fluxos de múltiplas histórias.

De estações, usinas e veias marginais,
Fumaças condicionadas, obras de expansão
E indicadores de acesso,

Uma nova taba urbana,
Novas ocas na vila,
Em busca de cura, cultura de paz,
Das causas da paz, saúde e liberdade.

Bem-vindo às Aldeias Urbanas...

Cultivando a felicidade em meio as relações

Num dia...

Arnaldo Antunes


Composição: Arnaldo Antunes / Hélder Gonçalves / Manuela Azevedo / Chico Salém

Sujar o pé de areia pra depois lavar na água

Lavar o pé na água pra depois sujar de areia

Esperar o vaga-lume piscar outra vez

Ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima

Sujar o pé de areia pra depois lavar na água

Respirar

Sentir o sabor do que comer

Caminhar

Se chover, tomar chuva

Não esperar nada acontecer

Ser gentil com qualquer pessoa

Sujar o pé de areia pra depois lavar na água

Lavar o pé na água pra depois sujar de areia

Esperar o vaga-lume piscar outra vez

Ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima

Respirar

Sentir o sabor do que comer

Caminhar

Se chover, tomar chuva

Ter saudade no final da tarde

Para quando escurecer, esquecer

Ao se deitar para dormir, dormir (4x)

Dormir.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Caos, ordem, desordem no MetaReciclagem

Emergimos como caos na rede,
como caos embrião de ordem;
como caos cosmogênese de linkanias,
como caos fluxo de viveres,
fluxo de intensidades, fluxo de sentidos.

Há inúmeras derivas possíveis desses fluxos e todas elas corretas e incorretas;
Todas elas duais e singulares;
Todas possíveis de desvios e retas diretas em curvas invisíveis.

Algumas derivas de bordas, nas brechas,
Algumas derivas de centro, nos routers.
Impermanência na rede, impermanência da rede, impermanência é rede.
Assim compostos,
Assim dissolvidos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

ordem, desordem, interação e reorganização

“Sustento que a verdade é um território sem caminho, e é impossível aproximar-se dela por qualquer caminho que seja, por qualquer religião, qualquer seita ou organização. Este é o meu ponto de vista, e eu o adoto de maneira absoluta e incondicional. A verdade, sendo ilimitada, incondicionada, inacessível por qualquer caminho que seja, não pode ser organizada; tampouco deve ser formada qualquer organização para conduzir ou coagir as pessoas a seguirem qualquer caminho em particular.”

“Eu não quero seguidores, e digo isto para valer. No momento em que você segue alguém, deixa de seguir a Verdade. Não estou preocupado se você presta ou não atenção ao que digo. Quero fazer certa coisa no mundo e vou fazê-la com concentração total. Preocupo-me apenas com uma coisa essencial: libertar o homem. Desejo libertá-lo de todas as prisões, de todos os medos, e não fundar religiões, novas seitas, ou estabelecer novas teorias e novas filosofias.”

Krishnamurti

diálogo dialógico

Diretamente da Escola de Diálogo de São Paulo:

"O Diálogo é o elemento de coesão entre a humanidade, suas criações e todo o ambiente.
As civilizações precedentes produziram, por meio do diálogo, uma enorme gama de realizações. Expandiram a habilidade de conviver, ampliando e distribuindo o conhecimento.
O diálogo qualificado é o processo de ouvir com atenção, e de observar o pensamento. Tal prática melhora a autopercepção e a percepção do outro.
Restaurar e aperfeiçoar a habilidade para dialogar aumenta a autoconsciência e melhora a qualidade dos relacionamentos. Revigora e fortalece as redes de conversação.
O diálogo é a chave para uma ética de inclusão, respeito e competência nas relações.
A possibilidade de mudança de condicionamentos mentais unidimensionais e alienantes não pode prescindir da reflexão profunda e genuína, individual e grupal, que o verdadeiro diálogo proporciona.
A experiência de um diálogo verdadeiro é, em si, transformadora, e a base da construção de sociedades e indivíduos mais equilibrados, dinâmicos e criativos.
"


Gostei da conversa... Me lembrou muito do trabalho do David Bohm, físico que admiro muito pela relação que ele fez entre o pensamento e a complexidade de sistemas. Na wikipedia, o diálogo de Bohm é visto assim:


"O Diálogo de Bohm (usualmente designado como somente como Diálogos por seus praticantes) ocorre em grupos de 10 a 40 pessoas, que senta-se em um único círculo, por algumas horas, em encontros regulares por alguns dias em um ambiente de trabalho dirigido. Os participantes buscam refrear seus próprios pensamentos, motivações, impulsos e julgamentos - para buscar e explorar um pensamento coletivo ou grupal. De acordo com seu proponente, Diálogos não devem ser confundidos com discussões, palestras, discursos ou debates, os quais, segundo Bhom, sugerem o esforço em direção a algum objetivo e não praticar a simples exploração. Reunir-se sem um objetivo ou agenda cria um "espaço livre" para que algo de novo possa surgir."

 O melhor é, como diria Edgar Morin, que dá para fazer o auto-diálogo, exercitar a auto-ética a partir do diálogo consigo mesmo. Mais uma forma de descrever os caminhos também conhecidos como meditação...

Perguntaram o que era Rede

Afinal, o que é mesmo rede?

"Rede é uma forma de nos organizarmos.
 Rede é uma maneira de conversarmos.
 Rede é uma forma de trabalharmos.
 Rede é uma maneira de nos conhecermos.
 Rede é uma forma de decidirmos e convivermos em comunidade."

de como surgiu o metareciclagem e ...

A thread em que conversávamos sobre infra-estrutura e a liberdade de projetos.

... o que é mesmo que estamos fazendo agora?

 Onde está nossa conversa agora?
 Como o xemele nos organizou?
 O que andamos fazendo em nossos projetos e qual a convergência dessas ações?

 Sinto ressoar os tambores da caordem...
 Será? Os próximos passos estão na vibra do momento...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O gosto do agora

Um velho Mestre, pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de
sal em um copo d'água e bebesse.
- "Qual é o gosto?" - perguntou o Mestre.
- "Ruim" - disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e
levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o
velho disse:
- "Beba um pouco dessa água".
Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o mestre perguntou:
- "Qual é o gosto?".
- "Bom!" - disse o rapaz.
- "Você sente o gosto do sal?" - perguntou o Mestre.
- "Não" - disse o jovem.
O Mestre então, sentou ao lado do jovem, Pegou em suas mãos e disse:
- "A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de
onde a colocamos.  Quando você sentir dor, a única coisa que você deve
fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta, é dar mais
valor ao que você tem, do que ao que você perdeu, em outras palavras: É
deixar de ser copo para tornar-se um lago".

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Rede na Roda

Amanhã, no SESC Piracicaba:

Dalton Martins, doutorando em Ciências da Informação pela ECA/USP e coordenador de projetos na Escola do Futuro – USP, analisa o tempo e as novas formas de conexão a partir da expansão das redes sociais. No Teatro.

A proposta foi muito interessante e muita alinhada com as últimas pesquisas que venho mapeando por aqui.
Pretendo trabalhar:

  1. Complexidade e conexão;
  2. Conexão e inovação;
  3. Estruturas organizacionais, conexão e inovação;
  4. Estruturas e a percepção do tempo;
  5. Complexidade e o tempo.
 Tudo isso, é claro, dentro do contâiner das redes sociais como a estrutura do fluir.

Mapeando a Rede Social de um curso

fiz uma brincadeira com os amigos do Gens, que me convidaram para falar um pouco sobre redes sociais no seu curso de comunicação.


No final do nosso terceiro papo, eu propus para que mapeássemos a Rede Social dos participantes do curso, relacionando-se entre si e com as principais organizações que as pessoas fazem parte. O resultado ficou muito interessante e dá uma margem para pensarmos no efeito que esse tipo de visualização pode causar e como pode facilitar conhecermos um pouco mais de nossas estruturas organizacionais.

A imagem gera mais perguntas que eu mesmo gostaria de estudar:

  1. Como essa visualização pode impactar no acesso entre as organizações que se relacionam através desse grupo?
  2. Como essa visualização muda as próprias conversas do grupo a respeito de si mesmo?
  3. Como podemos usar isso para refletirmos a respeito de nossas estruturas tradicionais de aprendizagem e conversação?
  4. Como podemos melhorar a forma de construirmos esse tipo de mapa juntos?
  5. Como essas relações nos aspectam, ou seja, nos influencia em nosso cotidiano? O quanto percebemos isso? O quanto queremos perceber?

e falando em política pública de inclusão digital

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Liberdade e criação

"a liberdade possibilita uma percepção criadora de novas ordens de necessidade. Se você não puder fazer isso, não será realmente livre." David Bohm

O quanto conseguimos questionar as nossas próprias estruturas internas de representação do mundo?

O quanto conseguimos olhar para elas sem medo, sem susto, sem receio de simplesmente olhar e se questionar?

Qual a dificuldade de olhar? Medo de ver nas próprias teias da percepção?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Aula 3 - Mandalas, redes sociais e zeitgeist

Mandala, redes sociais e o zeitgeist

Segundo a Wikipedia, mandala é:

"Mandala é a palavra sânscrita que significa círculo, uma representação geométrica da dinâmica relação entre o homem e o cosmo. De fato, toda mandala é a exposição plástica e visual do retorno à unidade pela delimitação de um espaço sagrado e atualização de um tempo divino."




O que me chama atenção nessa definição é ela pontuar a mandala como algo que busca apontar, busca facilitar a visualização da dinâmica de relação entre o homem e o cosmo. Vejo essa dinâmica dentro de uma mandala como se fosse uma troca de eixo, uma conexão de elementos co-dependentes, que só fazem sentidos enquanto dispostos na conexão.

 Há diversas formas de representação de mandalas, há diversas simbologias conectadas, intuídas e que circulam pelo espaço de representação do símbólico ativando os imaginários coletivos das redes por onde circulamos. A mandala é também uma forma de organização do conhecimento, desse conhecimento dinâmico de troca de eixo, dessa dinâmica de conexão que nos leva a outros níveis de inteligência, de consciência e de capacidade de compreensão do mundo que vivemos e ajudamos a construir através do compartilhar de imaginários.

Ocorre que esse processo de organização do conhecimento também diz respeito diretamente a como uma sociedade se organiza. Essa idéia me ficou mais evidente numa bela citação do Willian Thompson, no livro Gaia - Uma teoria do conhecimento:

"a organização do conhecimento e a organização da sociedade derivam de uma única exteriorização da consciência, uma única zeitgeist."

De uma certa forma, a mandala é uma tecnologia de organização do conhecimento e que permite acessar um processo dinâmico de conexão a partir da complementaridade de seus eixos. Então, essa tecnologia acaba refletindo a organização das sociedades que as produziram, uma forma de simbolizar, expressar a consciência a respeito de seu tempo.

 O que expressa esse tempo é uma certa forma comum, compartilhada, de ver, de sentir, de expressar esse mesmo processo dinâmico de conexão que a mandala nos ajuda enquanto tecnologia. É o tal zeitgeist:




"O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo."

Fiquei pensando nisso...

 Não seriam os sociogramas formas de mandalas desse tempo?



O quanto nos organizarmos em rede afeta a nossa capacidade de organização do conhecimento e, por sua vez, a nossa capacidade de organização como sociedade?

O quanto essas imagens ativam imaginários e expandem percepções?

É?

na pesquisa....

domingo, 25 de outubro de 2009

Conexão, complexidade e evolução de sistemas

Existe um conceito fundamental da complexidade de sistemas que considero chave para podermos entender o período que vivemos e os desafios de compreendermos as redes: quanto mais um sistema cresce em conexões, mais informação ele é capaz de gerar e, quanto mais informação e mais conexões, maior a capacidade de síntese e de evolução do sistema.

Separei alguns trechos interessantes para ajudar a entender melhor esse princípio:

"a evolução do cosmos se dá através de sínteses progressivas. A cada nível mais elaborado de elementos, componentes, órgãos, ações, sistemas encontra-se um maior grau de complexidade, o que requer uma forma mais sofisticada e poderosa de organização." Fonte: TVEBrasil 

 A idéia básica é que a ampliação do potencial de conexões entre as pessoas através do uso de ambientes de redes sociais cria estruturas mais complexas e que, em tese, levarão a formas mais sofisticadas de organização. 
 O que fica evidente que podemos visualizar isso?


  1.  o conceito de direitos autoriais;
  2. a necessidade de reorganização da indústria da música tradicional, com a mudança do modelo de negócios de venda de CDs para outros formatos possíveis, devido a grande troca de informação digital;
  3. a mudança dos Jornais impressos, com a perda de lucro de anúncios e redução vendas, principalmente devido aos ambientes online para produção e circulação, além dos anúncios Web;
  4. a produção de software;
  5. o que chamamos de comunidades online. 
    O que mais me intriga é: quais formas de organização estamos sinalizando a partir disso?
    Que tipo de conhecimentos são fundamentais para a ampliação de nosso nível de complexidade social com o grande aumento de nossas conexões e produção de informação?


 Muitas de nossas principais questões deixaram de ser locais, regionais e passaram a ser de âmbito global.  Dinâmicas de relações baseadas no controle, na hierarquia, no comando tendem a funcionar cada vez menos, exatamente pelo aumento exponencial do número de conexões que envolvem os sistemas que administramos, que criamos e que ativamos em nosso fazer cotidiano.

 Uma boa pista de para onde ir e como ir se encontra no texto que cito acima:

Não se fazem transições civilizatórias sem se examinar mitos e crenças arraigados que nos foram ensinados como verdades absolutas e como representações fiéis do que somos e do que é o mundo. Uma ciência livre de seus próprios mitos, e liberta das amarras do poder de dominação, tem um papel importante a desempenhar. Bem como as artes no treinamento da sensibilidade, no exercício da imaginação e na prática do transformar o mais rudimentar no mais refinado e harmônico. As disciplinas espirituais com suas tecnologias de aprendizagem mais profundas e integradoras com suas potentes podem dar base a uma nova educação.

domingo, 11 de outubro de 2009

10 dicas para como resolver problemas complexos

Problemas complexos são problemas, em geral, onde dificilmente podemos encontrar a resposta sozinhos: precisamos da sabedoria e da inteligência coletiva que um grupo, uma comunidade é capaz de co-construir em seu fazer coletivo.

Tudo isso, às vezes, parece meio teórico demais, meio complexo demais. Nossa tendência habitual, é lançarmos mão dos métodos tradicionais pelos quais fomos educados para resolver os problemas complexos em que estamos envolvidos. É interessante notar que quando utilizamos esses métodos, acabamos por adotar alguns dos comportamentos abaixo:

  1. tentamos controlar o sistema e impor a nossa visão;
  2. perdemos a paciência e a confiança na sabedoria do coletivo;
  3. temos a tendência de achar que as outras pessoas estão pouco comprometidas e não têm a mesma "pegada" que nós temos;
  4. achamos que somos um dos poucos com capacidade para resolver o problema e que apenas precisamos que as outras pessoas aceitem nossa opinião de especialistas;
  5. ouvimos muito pouco as outras pessoas e passamos a maior parte do tempo buscando uma forma de melhor implantar a nossa própria solução;
  6. controle, controle, controle: passamos a inventar uma enorme quantidade de dispositivos de controle e regulatórios da comunidade, pois perdemos totalmente a crença de que ela têm inteligência e capacidade de se regular. A comunidade precisa de nós como alguém que é capaz de salvar o coletivo. 
  7. ativamos uma série de padrões controladores e acabam por enquadras as pessoas numa visão que aproveita muito pouco a potência do coletivo, gerando uma dependência dele em relação a poucas pessoas que são os especialistas da área.
 Bem, certamente deve ter mais coisas em relação a isso. Ainda estou aprendendo a mapear esses princípios e detectá-los em mim mesmo. Trabalho importante para ampliar uma visão do que é realmente a igualdade, a equanimidade e que tipo de sabedoria ela pode gerar.

 Para isso, ainda lendo o livro do Adam kahane, que tenho gostado demais e têm sido um excelente instrumento de auto-avaliação nesse momento, achei essas dicas, simples, preciosas e de um grande desafio para serem implementadas no dia-a-dia:


Como resolver problemas complexos:

1. Preste atenção ao seu estado de ser e a como você conversa e ouve.
Observe suas próprias premissas, reações, contrações, ansiedades, preconceitos e projeções.

2. Manifeste-se.
Observe e diga o que está pensando, sentindo e desejando.

3. Lembre-se de que você não conhece a verdade a cerca de nada.
Quando você pensa que está absolutamente certo sobre como são as coisas, acrescente "na minha opinião" à sua frase. Não se leve tão a sério.

4. Junte-se aos que têm um interesse no sistema ouça-os.
Procure pessoas que tenham outras perspectivas, até mesmo opostas às suas. Vá além da sua zona de conforto.

5. Reflita sobre o seu próprio papel no sistema.
Examine até que ponto você faz ou deixa de fazer está contribuindo para que as coisas estejam como estão.

6. Ouça com empatia.
Olhe para o sistema com os olhos do outro. Imagine-se no lugar do outro.

7. Ouça o que é dito não apenas por você mesmo e pelos outros, mas também através e por intermédio de todos vocês.

Ouça o que está emergindo no sistema como um todo. Ouça com o coração. Fale a partir do coração.

8. Pare de falar.
Acampe ao lado das questões e deixe que as respostas venham até você.

9. Relaxe e esteja totalmente presente.
Abra sua mente, coração e vontade. Abra-se para ser tocado e transformado.

10. Experimente essas sugestões e veja o que acontece.
Perceba as mudanças na sua relação com os outros, consigo mesmo e com o mundo. Continue praticando.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Redes como estruturas organizacionais e as 3 complexidade

Lendo um livro bastante interessante em cases e exemplos de alguém que vem aplicando soluções sistêmicas em seus projetos, Adam Kahane - "Como resolver problemas complexos", cita os 3 fatores que compõem um problema que podemos chamar de complexo.

Vejamos quais são:

1. Complexidade dinâmica: quando a relação entre causa e efeito são distantes no tempo e no espaço;

2. Complexidade generativa: quando as respostas que foram encontradas no passado não servem como base para se projetar o futuro, devido a grande multiplicidade de fatores que interferem na situação atual;

3. Complexidade social: quando as diversas pessoas envolvidas na questão possuem uma visão diferente e não compartilham das mesmas possibilidades de solução.

No momento em bati nessas idéias, ficou claro pra mim a conexão entre isso e o que estamos fazendo quando montamos um projeto de ativação de redes sociais. O grande desafio dessa história é criar processos, criar estruturas de trabalho que possam operar considerando esses 3 fatores de complexidade na resolução de um determinado problema, ou seja, criar um certo tipo de contorno para os projetos em que o nosso fazer não interfira de forma a buscar reduzir a complexidade do problema na ansiedade de encontrarmos a solução ideal, eficaz e rentável.

Nos projetos que já atuei e estou atuando nesse momento, fica claro para mim que os que deram mais certo foram os que respeitaram essas 3 complexidades e que propuseram formas de ativar uma rede a partir de ferramentas que ajudassem a organizar e sistematizar a complexidade, não reduzí-la ou mesmo propor ações de interferência que partissem de uma visão de comando, controle e hierárquica.

Vejo um grande achado aqui: considerarmos as complexidades dinâmica, generativa e social no design de qualquer problema complexo que formos operar, de forma a entendermos que ativar uma rede social é ativar um certo padrão de organização entre pessoas que inclui em sua própria gênese a possibilidade da complexidade do problema se tornar emergência de novos padrões e não falta de controle e organização improdutiva.

Dessa maneira, usarmos as tecnologias sociais de conversação, como o World Cafe, Open Space, Investigação Apreciativa, Aquário para pensarmos no uso das tecnologias digitais em nosso viver, conviver e fazer coletivo é uma maneira de atuarmos respeitando a possibilidade de emergência do sistema em sua própria concepção e apropriação.

Vejo que o caminho do design da ativação está ficando um pouco mais claro...

da série Sagrado - Ciência e Religião

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

respondendo ao velho hacker....

hdhd falou.

Gostei. Respondi por aqui:

"pois é.
fino isso aqui.
mais um link para o caldo, visualizando uma camada que nos ajuda a construir consciência do como somos e fluímos pelos hyperlinks.

a rede permite reconstruir os rastros dos impulsos, das tendências que construímos coletivamente no espírito do tempo. só que agora, vamos do micro ao macro, através dos rastros dos links.

e saber disso nos leva aonde?
e perceber isso nos leva aonde?

acho que ainda buscamos uma forma de nos conhecer melhor e a web nos dá boas dicas de para onde e como ir...."

terça-feira, 22 de setembro de 2009

metareciclando de novo

rastros vão formando marcas;
marcas vão deixando trilhas;
trilhas vão formando padrões;
padrões vão formando tendências;
tendências vai formando agrupamentos;
agrupamentos vão ativando redes;
redes vão gerindo ações;
ações vão gerando rastros...


como se fosse a primavera, e metareciclagem viesse oxigenando sementes.
eta, mundo véio!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

ventos internos

Venho estudando como os ventos internos se manifestam e como é muito fácil atribuirmos solidez a eles. Mas, o que são ventos internos mesmo, antes que digam por aqui que estou ficando um pouco confuso?

"Cada pequeno objeto, cada pequena pedrinha na paisagem tem uma correspondência interna em nós na forma de energias que percorrem nosso corpo e nervos. A isto chamamos ventos internos. Nosso apego não é às coisas, mas aos ventos internos que elas provocam. Os ventos internos são a experiência íntima dos objetos e também dos seres." Fonte: Introdução ao Budismo

Pois é. Veja só algumas das situações em que eles se manifestam e acabamos atribuindo isso a algo externo, como se não fôssemos nós que estivéssemos escolhando olhar dessa maneira:

  1. brigamos com alguém e achamos que o outro é absolutamente culpado da situação;
  2. temos desejo por algo e criamos a necessidade de obter aquilo da forma que imaginamos;
  3. projetamos um sonho e imaginamos que aquilo que nos chegou através de algo maior que quer nos comunicar uma grande verdade universal;
  4. um alimento delicioso nos é apresentado e desejamos comer aquilo de qualquer jeito. a boca chega até a salivar e juramos de pé junto que o que nos causa isso é o alimento.
 e por aí vai.
 observar, contemplar esses ventos é um caminho interessante para desenvolver um pouco mais de consciência em relação a eles.

 como aparecem?
 que efeito causam?
 como se manifestam?
 como atendemos aquilo?
 como trabalhar isso?
 como visualizar os ventos e realmente perceber, na hora em que surgem, que não possuem solidez alguma?

 um caminho de estudo pela frente...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Os 5 Cs do engajamento online

Gostei disso aqui!

The 5 Cs of Engagement
  • Creating
    The strongest form of engagement is demonstrated by using an item as inspiration to create your own, for example, writing your own blog post that responds to or refutes someone else's blog post. Creation requires the most thought and investment of time, actively generates conversation, and therefore indicates the highest level of engagement.

  • Critiquing
    Reading a blog post and then leaving a comment requires an investment of time, thought and effort (or sometimes just typing and name-calling...), and is a form of conversation. However, it requires less effort than writing a whole blog post. So while it is an important action, it does not indicate as much engagement as Creating.
  • Chatting
    Sharing and discussing information can often be started with one click, so it doesn't require a major investment of effort. However, a desire to share is a strong indication of relevance, and the act of sharing and its ensuing discussion are acts of conversation. Use of social media applications like
    Twitter encourage both the sharing of information and the resulting conversations. As a result, social media "chatting" indicates a good level of engagement.
  • Collecting
    Bookmarking or submitting items to social sites also tend to be "one-click" actions. They are intentional acts of archiving and sharing, but don't require much time or effort. However, the sharing that occurs often sparks conversations, so Collecting does demonstrate some engagement.

  • Clicking
    Activities like clicks and page views indicate lower engagement because they're passive interactions. Clicking a link to read a blog post doesn't require much work, and you're not giving anything back except your reading time. It is an intentional act, however, and thus indicates a mild level of interest and engagement. Which may grow after the item is read.

AideRSS - melhorando os filtros do Google Reader

pesquei esse link da lista do Lidec.

em tempos onde agregar informação está se tornando algo vital em nossa estratégia de ativação de redes, quando visualizamos que agregar as mídias sociais se torna um ponto mais interessante de que criar novos sistemas, filtrar melhor nossos feeds para podermos acompanhar é um bem interessante. Vale testar: AideRSS+Google Reader.

Vídeo mostrando a brincadeira:

Gate gate

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Google Insights e o espírito do tempo

Viver o tempo em que se vive parece algo realmente óbvio e realmente difícil quando refletimos sobre a forma que lemos o contexto de nosso tempo.

Quantos preconceitos? Quantas verdades? Quantas realidades? Quantas leituras de mundo a partir de puras subjetividades vamos construindo, nos apegando e chamando de realidade?

Uma das coisas que mais me fascina na Internet é a possibilidade de deixarmos rastros e podermos ler esses rastros para que possamos nos conhecer e conhecer melhor o que a inteligência coletiva do nosso tempo vem produzindo.

Para isso, o Google Insights é um caminho simples e extremamente interessante. É claro que isso depende muito mais do tipo de pergunta que fazemos do que do tipo de interface tecnológica que a ferramenta oferece.

Para mostrar um pouco como vejo isso, gerei um gráfico e alguns dados abaixo.



A questão aqui é ver o que pensamos, o que buscamos quando olhamos para uma caixa do google e procuramos desejos, vontades, quereres, entre tantas outras possibilidades. Conhecer isso, é conhecer um pouco mais do espírito do tempo que produzimos.









do meu tempo é quando

Momento sagrado

Quando o aqui é agora:

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A bola de ping-pong da fixação

Diretamente do Trungpa Rimpoche:

"A causa do samsara, ou confusão última, é agarrar-se a conceitos vagos. É o que se chama fixação, ou, em tibetano, dzinpa. Quando não temos percepção clara, precisamos nos agarrar à ambigüidade e à incerteza. Assim fazendo, começamos a nos comportar como uma bola de ping-pong, que não tem nenhuma inteligência e que apenas segue as diretivas da raquete. No que quer que façamos, nossas ações não estão perfeitamente corretas por que,baseados neste jogo neurótico, continuamos pinguepongueados. Embora possa parecer que a bola comanda os jogadores, embora pareça impressionante que uma tal pequena bola tenha tanto poder para dirigir as ações dos jogadores e sobre a atenção do público, isto de fato não é verdade. A bola é apenas uma bola. Não tem inteligência. Opera pelo reflexo. Como esta bola, v. se sente zonzo, e seu corpo todo dói, por que v. tem pulado demais para lá e para cá. A sensação de dor é enorme. Esta é a definição de samsara, ou existência confusa."

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

desagregando fronteiras

Recebi de um amigo um texto muito interessante para ler do Pierre Bourdieu, chamado a "A dissolução do religioso".

O Bourdieu vai tecendo alguns conceitos de como nos "novos" clérigos vem ocupando um papel muito mais amplo na sociedade, não ficando o "posto" confinado apenas aos religiosos oficiais. Ou seja, médicos, terapeutas, psicólogos, entre tantos outros, vão ocupando esse espaço antes destinado aos profissionais do setor. O que me interessou mais no texto e no contexto é o fato de que essa abertura liberou uma certa mediação do sagrado e da conexão com o sagrado que o controle das instituições normalmente exerce.

Essa liberação ampliou a fronteira do campo, permitindo que a divisão entre profissionais do corpo, da saúde e profissionais do espírito ficasse mais tênue. Sendo assim, a divisão de espaços passa a sumir e corpo e espírito podem, novamente, ser vistos de uma perspectiva única. Há mais de 10.000 anos os iogues vêm dizendo a mesma coisa.

Segue um bom trecho sobre isso:

"A desagregação da fronteira do campo religioso a que me referi parece ligada a uma redefinição da divisão da alma e do corpo e da divisão correlativa do trabalho de cura das almas e dos corpos, oposições que não têm nada de natural e que são historicamente constituídas."

o jeito engenheiro

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Dissolvência e a meditação

O exercício da meditação tem sido uma prática rotineira. Ao menos, 20 minutos diários. Parece pouco tempo e, no cotidiano das ações, esses 20 minutos mal dão para fazermos algo que contabilizamos com significativo ao final de um dia "normal".

Pois é, mas como o tempo é efetivamente relativo, esses 20 minutos praticando Shamata Pura (meditação sem foco) têm sido um mestre nos últimos tempos. A cada prática algum ponto sutil faz mais sentido e algo que parecia já conhecido se apresenta de uma outra forma, sob uma outra perspectiva e algo se conecta a uma compreensão maior do que afinal de contas estamos fazendo por aqui.

Tem um ponto que tem me chamado atenção na última semana. Venho observando que essa prática de meditação é uma forma muito interessante de notar como os impulsos cármicos (nossos modelos mentais de resposta automática frente aos fatos que vivenciamos) brotam na tela da consciência. Fico ali, parado, observando brotarem.



Dá vontade de rir de vários, pois parecem tão previsíveis, mas estão ainda estão lá, se manifestando de alguma forma.

O que venho notando é que quanto mais olho, mas consigo perceber que esses padrões não tem solidez alguma, não possuem realidade nenhuma e, efetivamente, são apenas escolhas inconscientes minhas de maneiras de me relacionar com esses acontecimentos no cotidiano. Ou seja, quanto mais olho, mais consigo perceber os elementos de que esses padrões são formados, seus agregados e mais fica fácil dissolver a referência que tenho deles como fenômenos concretos.

Interessante perceber que essa dissolvência está relacionada diretamente com uma ampliação do próprio grau de liberdade em relação ao que se dissolve. Se conseguir perceber isso antes de considerar o padrão de resposta como "a realidade", é possível evitar o ciclo que esse padrão dispara, cortando isso na origem de seu circuito de causalidade.

O processo todo é puramente sistêmico e a cada nova prática o contorno do que considero como o mapa do sistema se amplia um pouco mais.

Pois é, e quem diria que a dissolvência não precisa vir pela negação, pelo dualismo, ela pode vir pelo reconhecimento, pela consciência de que aquilo é apenas uma escolha.

indicadores e mídias sociais

boa apresentação do edney que sintonizamos por aqui:

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

os peixes da fofoca inconsciente

OS PEIXES DA FOFOCA INCONSCIENTE


Do oceano de samsara,

Com a rede de sua boa postura,

Os peixes da fofoca inconsciente

São expostos ao ar fresco.

Sem elogios, sem culpa.

Os peixes de sua mente inconsciente

Buscam o ar samsárico,

Mas morrem na sabedoria coemergente.

Mente desobstruída

Recebi diretamente do pessoal do CEEB. Turma que faz um trabalho bem interessante e bem sério.

A mente é como uma base pura e sem fronteiras. Se não nos atrairmos e não nos apegarmos aos nossos fenômenos limitados e finitos, então podemos permanecer no frescor de nossa mente sem limites.

A mente é como água pura e clara. Se não nos atrairmos e não nos apegarmos aos nossos fenômenos obscuros, então podemos permanecer em nossa mente natural e primordial.

A mente é como fogo puro radiante. Se não nos atrairmos e não nos apegarmos aos nossos fenômenos enfumaçados, então podemos permanecer em nossa mente leve e luminosa.

A mente é como ar puro e sem peso. Se não nos atrairmos e não nos apegarmos aos nossos fenômenos empoeirados, então podemos permanecer em nossa mente clara e desobstruída.

A mente é como o céu puro e aberto. Se não nos atrairmos e não nos apegarmos aos nossos fenômenos enevoados, então podemos permanecer no espaço aberto da nossa mente.

Thinley Norbu Rinpoche (Tibete, 1931 ~)
"Magic Dance"

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

estudando a conexão entre ignorância, modelos mentais e consciência

Definir ignorância me parece um grande desafio. Como definir algo que por si só já é uma forma de restrição?

Lembrei de alguns conceitos sobre ignorância que ouvi nos últimos anos:
1. ignorância é falta de luz;
2. ignorância é visão restrita;
3. ignorância é trevas;
4. ignorância é falta de conhecimento.

Tem algumas versões que derivam essencialmente destas.
Creio que haja um equívoco importante nessa forma de definir ignorância e que talvez ajude a propagar mais ignorância. Os conceitos todos têm por trás um elemento que falta, como se algo pudesse chegar e clarear aquele ponto, trazendo uma sensação de verdade e clareza que desse um sentido novo para um determinado ponto de vista.
Vejo que seguir dessa forma é substituir uma representação por outra. É trocar um modelo por outro, fazer o upgrade do software e achar que aquele último será a versão definitiva. Voltomos a um ciclo de conceitos e revisões que me parece que não vai terminar nunca.

Vejo ignorância de forma diferente. Pensei em como poderia olhar para esse conceito de uma forma que não o definisse, mas que desse um cortono de percepção. Vejo assim:

Ignorância é uma tentativa de dar solidez a uma estrutura cognitiva de entendimento do mundo, a um contorno que cria uma interface ilusória entre uma infinidade de agregados que levam a percepção do todo.

Comentando:
Dar solidez significa gerar uma relação com uma forma de ver algo que considera aquela forma como a melhor, a mais alta, a mais profunda, a mais verdadeira. Qualquer conceito que parta dessa premissa, gera ignorância. A razão é que acaba por existir dualismo, uma comparação sutil entre duas ou mais criações mentais que são tão válidas quanto qualquer outra no contexto de quem a criou. Ou seja, o observador não reconhece a criação, mas sim a relação que ele cria com a criação e a chama de verdade.

Ok. Mas, e daí?
Daí que isso segue numa sequência interessante.
Um conjunto de ignorâncias operando forma uma espécie de agregado. Esse agregado, para a mente, vai adquirindo uma espécie de maneira de agir, maneira de atuar, que é o que podemos chamar de modelo mental. Isso está bastante mapeado em estruturas de conhecimento como Pensamento sistêmico, cognição e por aí vai. O modelo mental é uma forma de dar pronta resposta as situações que vivenciamos, uma classificação automática e sutil ao que consideramos como sendo o real, o verdadeiro, a forma de vermos o mundo.

ok, Mas, e daí?
Daí que isso segue numa nova sequência interessante.
Um conjunto de modelos mentais operando vai formando um tipo de consciência, uma maneira arquetípica de ver e conhecer o mundo a partir das relações que estabelecemos com nosso próprio olhar. Esse tipo de consciência tem relação com o que chamamos de persona, arquétipo, número no eneagrama, mito, signo astrológico e por aí vai. A consciência se forma a partir de um agregado de modelos de respostas básicos as situações cotidianas que vivemos. Uma espécie de Google psíquico com filtro conceitual de busca!
É claro que falo aqui de um nível consciência básico, cada pessoa realiza e integra isso de formas muito singulares, oscilando em torno dos padrões que formamos coletivamente em nosso convívio social.

É?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

relações, cognição e a fofoca como um vírus

estudando como boatos se propagam nos memes mentais e criam, ou melhor, dão nascimento a realidades na mente das pessoas, achei um trecho fantástico do livro "A jóia dos desejos" do lama Padma Santem.

segue:

"Quando citamos um objeto pelo nome ou quando conversamos sobre ele com outra pessoa, damos realidade a esse objeto. Quando introduzimos esses conceitos separativos, atribuindo realidade permanente a eles, estamos transmitindo essa realidade para dentro da mente da outra pessoa. Dessa forma, também estamos contatando com todos os objetos que a pessoa passará a criar daí em diante a partir da estrutura que estamos transferindo sem que ela perceba. Quando ouvimos alguém falando mal a respeito de uma pessoa, mesmo que não queiramos concordar, algo se transforma dentro de nós.
Isso é uma espécie de vírus que ataca a visão e que não percebemos, uma vez que não pode ser detectado diretamente. Seus efeitos, no entanto, evidenciam-se de forma indireta como rigidez e, em decorrência disso, como desarmonias que acompanham inseparavelmente a dualidade.


Ficamos cegos por que vemos!
"

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Cinco princípios para constuir um sistema que aprende

Ontem, fui na palestra do prof. Nelson sobre complexidade no Masp. Palestra bastante densa de conceitos, síntese de uma série de pensamentos que recheiam o imaginário popular ultimamente. Ele traz uma visão mais científica e aplicada dos conceitos, indo mais a fundo e saindo de uma compreensão superficial que acaba por invalidar o uso cotidiano que muita gente faz disso. Questionável a visão dele, mas interessante como referência.

No entanto, ele trouxe de volta alguns conceitos bem bacanas do Steven Johnson sobre sistemas que aprendem. Quero comentar isso um pouco abaixo na relação que vejo desses princípios com o que estamos fazendo em relação aos processos de ativação de Redes Sociais.


5 princípios fundamentais para construir um sistema que aprende a partir de um nível mais baixo com regras locais (S. Johnson):

- massa crítica de agentes:

a quantidade de membros de uma rede faz toda a diferença em relação a capacidade de inovação e aprendizagem da mesma. Poucos membros pode manter o sistema incapaz de dar conta do seu próprio sentido, gente demais pode tornar o fluxo de comunicação muito difícil de lidar. certamente, para cada sistema que se pense, deve haver um ponto de virada em relação a capacidade de conversação das estruturas.

- as partes dos sistemas emergentes não devem ser excessivamente complicadas:
princípio fundamental. usar formas simples, meios simples de abrir espaços de conversação que permitam a aprendizagem. Quanto menos tecnologia meio for necessária, melhor. Quanto mais direto, mais simples a interface, melhor.


- interações aleatórias são desejáveis:
Abrir espaços de conversação que não sejam dirigidos a tipos de conversação específicas é um ponto importante. Abrir espaço significa literalmente deixar fluir energia pelo sistema dentro dos contornos que esses espaços permitam.


- os agentes do sistema devem ser dotados de habilidade para detectar padrões:
Esse é um aspecto que quero ressaltar, pois considero que tem muito a ver com o tipo de dobra, conceito de antropologia visual, que queremos usar quando vamos desenhar um processo de ativação de rede. Criar meios para que os agentes possam se ver, se reconhecer e observar padrões a partir desses meios é um detalhe que pode fazer toda a diferença no sentido de como esse sistema vai evoluir. Para isso, usar técnicas como sociogramas, vídeos, toalhas dos cafés, mapas de território, enfim, criar unidades que permitam o sistema se ver. Para isso, usar as tecnologias de conversação na produção dos sentidos coletivos e de análise das redes na visualização dos fluxos de interação é um ponto fundamental a considerarmos em nossa experiência.

- os agentes do sistema devem estar dotados de capacidade para interagir com vizinhos:
Princípio do que fazemos: conhecer o outro, descobrir seus rastros pela rede.

Síntese da palestra Complexidade, sistêmica e Holismo: hipóteses possíveis acerca da realidade.

Prof. Nelson Fiedler-Ferrara
Masp, 11 de Agosto, 2009
Comitê Paulista para a década da Cultura de Paz


cognição: ato ou processo dinâmico de conhecer;

viver como um processo de auto-formação.

no processo de cognição procedemos recortes da realidade como representada pelo modelo que escolhemos.

varela: princípio do balanço complementar.
balanço entre criatividade e implementação efetiva.

1. alguns comentários

a não demonização do cartesianismo, reducionismo e mecanicismo. foram as abordagens necessárias para chegarmos a compreensão do mundo que temos hoje.

a complexidade do mundo não era desconhecida pelos cientistas, mas não sabiam como tratá-la.
o advento dos grandes computadores muda esse cenário.
isso influencia a filosofia, as ciências humanas como um todo e puxa a uma nova epistemologia.

2. Modelo reticulado de racionalidade científica - Laudan
Teorias - Objetivos - metodologias
Mudança contínua e adaptativa nos 3 eixos.
Muda a idéia da revolução como mudança de paradigma.

3. Hipóteses adotadas pela ortodoxia dos cientistas hoje:
- realismo, pluralismo, determinismo ontológico, determinismo epistemológico flexível, formalismo.

4. Hipóteses ontológicas sobre a realidade adotada pela maioria hoje:
realidade é sistêmica
realidade é complexa
realidade pode ser expressa por leis

A comunidade científica aceita com muita mais facilidade a idéia de sistêmica e complexidade. Em curso fortemente um processo de contínua mudança e adaptação.

5. HOLISMO
é um critério espitemólogico: a realidade é considerada primariamente como um todo.

alguns holismos:

- holismo como modelo para o organismo. Kurt Goldstein.
organismos individuais como entidades holíticas.

- sociologia: se contrapõe a individualismo. Durkheim.;

- filosofia da linguagem: significado. contexto da linguagem. Wittgenstein. Quine. Duhem.

São abordagens protocomplexas.

- Holismo de J. C. Smuts. holismo é um método de explicação.
Tendência sintética do universo por meio da formação de todos.
Epistemologia que se aproxima de uma religião. Elege nos todos um princípio unificador, principalmente na personalidade, o todo mais elevado. Se aproxima da transcendência.

6. PENSAMENTO SISTEMICO

Em geral, os elementos são tratados de uma forma muito simplicada.
As simplificações em geral comprometem o alcance e a validade das afirmações.
Capra aparece como sendo a referência de base importante.
O uso da quantica é incorreto, em geral.

Muitos usos epistemológicos não tem a necessidade de validação pela ciência.

7. SISTEMICA
construções clássicas. Bertalanffy.
Wiener e Rosemblueth - cibernética e eletronica.
Livro - Conceitos básicos de sistemica - Bresciani Filho.

É o sujeito que define o sistema e também lhe atribui finalidade. O sujeito pode ser interno ou externo ao sistema.

A presença de um sujeito implica a presença de um ponto de vista subjetivo, decorrente de todos os seus limites de entendimento e incerteza de avaliação.


O todo é mais ou menos do que a soma das suas partes.
Não existem elementos isolados.

As características podem ser consideradas como emergencias do sistema: produtos, resultantes.

As relações exercem restrições.

Os elementos dentro do sistema constituem uma rede de relações: arborescentes ou circulares. Sistemas complexos são apoiados em relações circulares. Sistemas complicados são apoiados em arborescentes, hierarquia.

Organização: conjunto das características estruturais e funcionais de um sistema.

A organização é uma fonte de criação de diversidade. Para isso, as forças de atração e colaboração precisam predominar as forças de repulsão ou de competição. É dessa dinâmica que surge a criatividade e a inovação.

Os objetivos são atribuídos pelo sujeito.

Podemos abstrair sistemas fechados e sistemas abertos em relação a interação com o meio ambiente.

Pode estar em estado de equilíbrio ou desiquilíbrio.
Cada novo estado pode ser considerado uma novidade no sistema.

2 características a mudanção de estados: regulação e adaptação.


Podem ocorrer mudanças organizacionais espontâneas com o aparecimento de comportamentos inesperados, imprevistos. Isto é devido ao alto grau de liberdade ou de altas sensibilidades dos elementos a contingências e relações com o meio ambiente.

Auto-organização: transformação ou criação de uma organização. Decorre da interação das atividades predeterminadas.

A sistêmica pode ser aplicada a diversas epistemologias. Nos ajuda a definir ontologias para diversas epistemologias.


8. COMPLEXIDADE

- níveis hierárquicos de organização;
- dinâmicas não-lineares: hierarquias com anéis de realimentação interna. o efeito não é linearmente proporcional a causa.

propriedade emergente = macro-comportamento observável.

emergencia de segunda-ordem: confere funcionalidade adicional ao sistema.

9. TRABALHAR COM SISTEMAS COMPLEXOS ENVOLVE:

- buscar leis que possam ser aplicadas a uma variedade de sistemas complexos;

- encontrar princípios unificadores:
- não significa proceder a abordagens reducionistas;

Em qual nível pretendemos formular as leis? em cada nível encontraremos tipos específicos de organização e estrutura.

Sistemas complexos adaptativos = mostram comportamento emergente.

5 princípios fundamentais para construir um sistema que aprende a partir de um nível mais baixo com regras locais (S. Johnson):

- massa crítica de agentes;
- as partes dos sistemas emergentes não devem ser excessivamente complicadas;
- interações aleatórias são desejáveis;
- os agentes do sistema devem ser dotados de habilidade para detectar padrões;
- os agentes do sistema devem estar dotados de capacidade para interagir com vizinhos.


o anarquismo epistemológico é intrínseco ao processo cognitivo. Tem relação a como conhecemos as coisas e a nós mesmos. Interior?

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

amadurecimento espiral

A imagem da espiral é algo que vem, de forma recorrente, aparecendo em muitas coisas que tennho estudado ultimamente.
Como algo que evolui em torno de temas que na aparência são semelhantes,a espiral mostra um processo mais orgânico, onde vamos voltando a alguns temas, mas a nossa paisagem de fundo é outra, ou seja, a referência pela qual olhamos para algo muda tudo. A referência é como a paisagem de fundo, uma espécie de modelo mental que usamos para interpretar alguns elementos da nossa vida.

Falando nisso, acho um pensamento rico e interessante em relação a isso no material do Gaia Education - metodologia da espiral:

"Proponho que… a psicologia do ser humano maduro é um processo espiralado, emergente, oscilante, marcado por uma progressiva subordinaçao de sistemas de
comportamento mais antigos e de ordem inferior a sistemas mais recentes, de ordem superior, que ocorre à medida que os problemas existenciais de um individuo se
alteram."


A ordem superior ou inferior de um sistema tem a ver com o nível de complexidade dele. Quanto mais aberto, mais inovador, mais complexo. Quando o número de humanos se relacionando aumenta, a complexidade de nossas soluções também parece que deveria aumentar para integrar a capacidade orgânica de nossas redes de conversação.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Informação, cultura e expansão da consciência

Lendo um post bem interessante que compila uma série de estudos a respeito da Ayahuasca, tanto do ponto de vista biológico, legal, cultural, psicológico e espiritual, achei um trecho bastante interessante em relação as pesquisas com cognição que venho explorando:

"Aqui temos uma tecnologia que alterando a composição bioquímica do instrumento e dos meios de processamento da informação, permite a inativação temporária dos filtros culturais e psicodinâmicos que nos bastidores da mente agem determinando, formatando e hierarquizando, nossas experiências quotidianas. Pode se de fato aprender muito, crescer e liberar energia psíquica e vendo, transformando, eliminando, aceitando e se reconciliando com conteúdos incômodos."

Vejo isso como sendo uma alteração direta na biologia cultural do corpo. Modificando os filtros a partir de uma nova composição química temporária, facilita percebermos as sutilizas de nossos processos interiores. O mesmo tipo de filtro pode ser sentido a partir da meditação, principalmente, quando paramos para observar os pensamentos e as sutilezas dos seus desdobramentos em nosso dia-a-dia. De forma diferente, a meditação baixa uma série de fatores no cérebro que permitem, de forma mais clara, observar padrões e abrir processos.

A consciência é um processo de desenvolvimento sutil da auto-percepção.

E segue o estudo...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

big seed marketing

lendo o artigo no Caderno Mais sobre Caça de tendências na web esses dias, alguns detalhes me chamaram a atenção:

- as simulações que demonstram que a efetividade de propagação de algo na web é melhor quando consideramos pontos aleatórios do que apenas focarmos nos hubs;

- o fato de que essa efetividade está relacionado ao custo de tempo de propagação de um meme que um hub teria em relação a um usuário aleatório na web. Ou seja, um hub pode virar facilmente um gargalo de memes a serem transmitidos, sendo que um internauta aleatório pode estar a busca de suas próprias bandeiras.

Peguei um novo artigo para pesquisar mais sobre o assunto: viral marketing for the real world.

Em tempos de manifestos, ações virais e redes de projetos, perceber que as estratégias estão cada vez mais voltadas para a multiplicidade de fluxos na rede é algo que muito promissor.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

e o que os memes t:êm a ver com isso...

Memes podem ser um hábito, uma atitude, uma tendêndia de consumo ou opinião.

Tem muita gente hoje dizendo que para que façamos grandes mudanças é preciso apenas contagiar poucas pessoas. Claro que pensando em termos da dinâmica de propagação dos memes nas redes sociais isso faz todo um sentido, seja online ou offline.

Mas, e daí? A questão é que tem uma quantidade enorme de pessoas ganhando uma grana no mercado de publicidade e propaganda, marketing e tals, gastando seu tempo e neurônios em cima disso para vender de quase tudo.

Tem um lance forte que me chama a atenção nisso e me leva a querer estudar mais.

Qual o nível de interferência que podemos ter nessa propagação de memes? E como fazemos isso? Em que ponto podemos agir, abrir espaços mais interessantes de conversação e ajudar a deslocar o olhar só um pouquinho para o lado.

Será que isso tudo não tem a ver com as novas técnicas de divulgação científica?
Seriam os museus modernos memes embalados nos nossos fluxos de feeds?

E o que tudo isso tem a ver com educação? Aqui, me pega a conversa. Pesquisando...

Tem uma referência que ajuda no assunto: The tipping point! O primeiro capítulo do livro tá online aqui!