quarta-feira, 24 de março de 2010

Lavando a louça - da Série Daniel San Urbano

"Há duas maneiras de lavar a louça: a primeira é para se ver livre da louça suja; e a segunda, lavar por lavar".
 
"Se ao lavarmos a louça ficarmos com o pensamento voltado apenas para a chícara de chá que saborearemos a seguir, a tarefa se torna um fardo. Procuraremos automaticamente limpar a louça às pressas para nos livrar da chateação, e não estaremos "lavando por lavar". Mais, não estaremos vivos durante o tempo em que a estivermos lavando. Estaremos na verdade incapazes de reconhecer o milagre da vida enquanto à beira da pia. E se não somos capazes de lavar a louça por lavar, é pouco provável igualmente que possamos saborear o chá a seguir, pois então também estaremos com o pensamento voltado para outras coisas, inconscientes do fato de que temos uma xícara nas mãos. Dessa forma, estaremos sendo sugados para fora da realidade presente - e incapazes de viver em totalidade um minuto sequer".
 
 
 
In “Para Viver em Paz - O Milagre da Mente Alerta, 26a. Edição, Editora Vozes".

Um comentário:

LeonoraG disse...

ENCONTRO

Encontro o amor de Deus
e o mundo se plenifica, incha, se agiganta.
Queria compartilhar com você.
E então, o que te diria?

Que lavo meu prato e vejo a água.
Que a sinto fria em minhas mãos.
Que escorre pelos dedos cheios de espuma.
Que tocam levemente
e seguram firmemente,
as bordas da matéria.
E amo o prato, meu prato que,
num fio diante dos meus olhos
a uma rede luminosa está ligado
a tantos e tantos e tantos corações.
É Deus num prato que me faz chegar até você.
E te amo em você, presente
E te amo em teus descendentes, teu futuro
E te amo em teus ascendentes, teu passado
Todos os que te fizeram,
todos os que te ajudaram,
todos os que te sorriem,
todos os que virão.
É Deus em ti.
E então te toco e minhas mãos
brilham azuis.


1999, Leonora Golin.