Trecho de uma entrevista de Humberto Maturana e Ximena Davila ao Instituto Ethos.
Construímos o nosso sentido de estar juntos a partir de nossa capacidade e vontade de querer conversar. Havendo isso, uma rede, um grupo de trabalho tem as condições necessárias para ser saudável aos que dela participam e criarem suas próprias formas de apropriarem e se acoplarem a mais esse domínio relacional que é criado.
Conversamos em rede porque assim o desejamos, porque assim faz sentido, porque assim encontramos motivação para continuar fluindo por aquele espaço. Conversamos em rede porque sentimos prazer nisso. É bastante simples, mas pontua uma forma de ver as coisas que pode nos ajudar a facilitar o nosso fazer nos projetos que atuamos.
O foco de um processo de ativação é esse prazer de conversar, o prazer de estar em relação. Entendo que esse prazer resido na própria dinâmica da relação, o que é algo singular e diz de cada um que atua.
Se não é isso o que ocorre entre nossos possíveis contatos, iremos:
- ou nos dispersar e habitar outros territórios;
- ou nos subordinamos, por que assim nos é conveniente, e nos relacionarmos a partir de um ponto de vista que considera o "certo" e o "real" como algo objetivo e mediado por apenas um lado da relação. Certamente, estaremos vivendo algo outro que colaboração.