Retomar esse espaço é muito mais do que apenas atualizar as informações e retomar o velho hábito de documentar o que tenho feito, pensado e experimentado por esse mundão.
Retomar esse espaço nesse ano significa um tanto a mais.
Significa se dispor a ocupar este blog de uma forma um pouco mais crítica e com um desejo maior de não apenas relatar, mas de detalhar e explicitar o que tenho feito e os modos como tenho feito.
Abrir o espaço para contar das pesquisas, dos seus objetivos, do que tem me motivado e como tenho lidado com isso. Abrir o espaço para contar o que tenho lido, como tenho lido e o que pretendo fazer com isso. Abrir o espaço para dizer do que me impacta na relação com o mundo, com as notícias e com as possibilidades que vejo de reinterpretar e criticar o que leio.
Enfim, em 2014 experimentar, em muitos sentidos, uma outra relação consigo mesmo que se expressa por aqui numa outra relação com a própria informação.
Que o corpo tenha fôlego, que os olhos tenham brilho e que a alma se permita a mais esse passo. Que assim seja. ;-)
Construindo uma história de links e caminhos, de conexões e conversas, de sentidos e contextos...
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Para além da inclusão sócio-digital: dos jogos de mercado como objetos de política pública
A palavra inclusão aparece como
referência constante em diversas formas de descrição e
apresentação de programas, projetos e experiências na política
pública de forma praticamente unânime entre os mais diversos
entendimentos e posicionamentos das chamadas políticas sociais.
Aparecendo, de forma geral, com o sentido de incluir àqueles que não
tem acesso a determinados bens materiais, serviços e identificação
nas máquinas de governabilidade públicas e privadas, seja por falta
de alcance dos mecanismos e possibilidades de articulação das
estruturas políticas em ação ou seja pelo entendimento de que as
estruturas que fornecem acesso não devem ser geridas pelo própria
máquina pública, a inclusão serve como conceito que abre um campo
de atuação e serve como critério de análise do que pode estar
dentro ou fora.
Visto dessa forma, a inclusão se torna conceito
operatório de produção e entendimento do que deveria balizar e
sustentar as condições de aplicabilidade de uma política pública.
Em outras palavras, se a política é inclusiva, ela dá acesso a
determinados valores e modos de vida que entendemos serem necessários
para sustentar a condição social ideal visualizada pela política
em operação. Se a política não é inclusiva, ela segmenta,
classifica, filtra, escolhe favorecer e empoderar aqueles que
aparentemente já estão inseridos nas redes de circulação dos
serviços e bens ofertados pelas máquinas da governabilidade. O
critério que esse conceito operatório facilmente coloca à vista é
qual o corte do que se entende por incluído e por excluído, que
métodos de medição e análise são utilizados por uma política
para operar essa divisão, entendendo que essa divisão explicita uma
escolha, um campo de atuação e, sobretudo, intervenção que a
política em questão se propõe a lidar. É a possibilidade de
análise dessa segmentação e dos critérios atrelados a ela que nos
permite reposicionar a questão sobre o conceito de inclusão e como
ele vem sendo utilizado em nossas políticas públicas em vigência
atualmente.
Vale aqui explicar, clareando algumas pré-condições
como ponto de partida para a breve análise que aqui se estabelece,
que o título desse artigo inclui a palavra “digital” na relação
com inclusão social com uma intenção clara no que se refere a
dimensão digital como mais um espaço, um universo e um campo de
produção de diferentes formas e tipos de sociabilidade. Entende-se,
desse modo, que essa dimensão é vista como um espaço de
relacionamento humano que pode e é visto por determinadas políticas
públicas como campo de intervenção e presença das máquinas de
governabilidade que colocamos aqui em análise. A inclusão digital é
vista aqui como o acesso a esse espaço de relacionamento humano, a
esses canais e redes de interação, apenas acessíveis pelo uso de
determinadas tecnologias, que constroem e pautam fluxos de
comunicação, bens materiais e imateriais, serviços, formas de
ativismo, atravessando e sendo atravessado pelas outras tantas
dimensões de sociabilidade nas quais se percebem os espaços de
relacionamento humano. O conceito, os critérios do que está dentro
e do que está fora, além das formas de operação que a expressão
“inclusão” fornece à ação de uma política pública permitem
intervir também através do digital como espaço de governabilidade,
sobretudo, daquilo que se entende como uma ação social proposta por
uma política.
Mais do analisar a questão do digital, se pretende
aqui analisar a questão da inclusão como modo de intervenção no
social. Bruno Latour (2012) resgata a etimologia da palavra “social”
explicitando com mais clareza sobre o quê incluir ou não incluir
está se falando aqui.
“A etimologia da palavra “social” em si é
bastante instrutiva. A raiz é seq-, sequi,
e a primeira acepção é “seguir”. O latim socius
denota um companheiro, um associado. Nas diferentes línguas, a
genealogia histórica da palavra “social” designa primeiro
“seguir alguém” e depois “alistar” e “aliar-se a”, para
finalmente exprimir “alguma coisa em comum”. (…) “Social”
como em “problemas sociais” ou “questão social” é uma
inovação do século 19. O vocábulo paralelo “sociável” alude
à capacidade que tem o indivíduo de de viver polidamente em
sociedade” (Latour, 2012, pag. 24).
Mas, que coisa em comum é essa e que nível de
inserção é esse que permite viver polidamente em sociedade? Como
surge a questão social como um espaço de intervenção que dá
condições e sustenta o surgimento de um sem número de políticas
públicas, logo, estratégias de governabilidade? De que modo incluir
tem a ver com condicionar modos de vida e inserir em fluxos de
operação da máquina governamental já conhecidos, sustentando e
sendo sustentados por condições que mantém as ordens dominantes
instauradas?
Há uma forma de pensamento que vale aqui explicitar,
mesmo que de forma esquemática e reducionista, com a intenção de
colocar de modo mais claro que relação é essa entre “inclusão”,
“social” e “governo” que está posta nesse espaço de análise
que se estabelece. Inclusão vem sendo aqui descrita como um conceito
operatório que viabiliza determinadas políticas públicas,
permitindo estabelecer critérios do que está incluído e do que
deve ser objeto de atuação do governo para promoção da inclusão.
Logo, o governo atua, de certa forma, intervindo nessa “questão
social” com o objetivo de pautar determinadas condições de vida
em sociedade. Que condições são essas?
Tendo estabelecido aqui alguns princípios de
entendimento do conceito “inclusão” e “social”, vale aqui
avançar um pouco mais conceituando como se pode entender o conceito
de “governo” para tocarmos em algumas das questões que foram
aqui levantadas.
“... governo, aqui, é um modo de conceitualizar todos
aqueles programas, estratégias e táticas para a condução da
conduta, mais ou menos racionalizados, para agir sobre as ações dos
outros de maneira a alcançar certos fins. Nesse sentido, pode-se
falar em governo de um navio, de uma família, de uma prisão ou
fábrica, de uma colônia e de uma nação, assim como de um governo
de si” (ROSE, 2011, pag. 25).
Chega-se aqui a um ponto interessante de posicionamento
desses conceitos. Governa-se para agir sobre os outros, para conduzir
conduta. O sociável e a questão social torna-se campo de
intervenção, modo de atuar para induzir e promover determinados
tipos de conduta e modos de ação desejados. Incluir torna-se modo
de produzir políticas públicas que tenham por intenção
estabelecer critérios do que está dentro e do que está fora desses
modos de sociabilidade polidos e desejados pelo governo das condutas.
No entanto, essa governança de conduta não acontece
nos tempos em que vivemos de modo aleatório. Vive-se sob a
influência de um tipo de racionalidade fundamentalmente influenciada
por questões de fundo econômico e financeiro. Os parâmetros de
renda e padrões de consumo servem de critérios de regulação de
inúmeras formas do que condiciona os modos de vida e espaços de
sociabilidade por onde os seres humanos interagem e se produzem
mutuamente. O que serve de critério entre incluído e excluído se
baseia diretamente nos indicadores econômicos que categorizam as
diferentes classes, comunidades e formas de segregação.
Buscando entender como o jogo econômico pauta as
formas de governo atuais, Foucault (2008b) deixa claro o que define
esse critério do incluído/excluído que aqui se coloca em
evidência.
“Ora, essa ideia de que deve haver uma regra de
não-exclusão e de que a função da regra social, da regulamentação
social, da seguridade social no sentido amplo do termo deve ser a de
garantir pura e simplesmente a não-exclusão de um jogo econômico
que, fora disso, deve se desenrolar por si mesmo, é essa ideia que é
aplicada, esboçada em todo caso, em toda uma série de medidas mais
ou menos claras” (FOUCAULT, 2008b, pag. 278).
Logo, as políticas de inclusão, sejam elas a partir
dos espaços do digital ou não, vistas dessa forma tornam-se
estratégias de um governo visando a inserção das condutas por
dentro desse jogo econômico, entendendo que uma vez inseridas no
jogo o próprio jogo têm condições de se regular, operando a
partir de estratégias que deixam de serem espaços de atuação do
governo para serem espaços de atuação do mercado. Criar condições
de consumo, criar condições de se posicionar em algum lugar no jogo
econômico é, portanto, posicionar as bases dos modos de vida que
essa governança de condutas pretende estabelecer. Garantir que o
espaço de liberdade seja o espaço de liberdade do mercado, ou seja,
que a liberdade se dê a partir das regras de funcionamento e dos
contornos estabelecidos pelo mercado é garantir a eficácia e os
critérios de sucesso das políticas de inclusão, melhorando níveis
de renda e condições de inserção num jogo para o qual o próprio
governo foi pensado e construído para manter.
É disso que se trata, em sua grande maioria, as
políticas públicas de inclusão produzidas no âmbito de governos
constituídos como neoliberais, sendo sustentados e mantidos como
condições de existência e garantias da liberdade dos próprios
mercados que os produzem. Se a possibilidade de livre comércio é o
interesse maior no jogo de interesses do que está em disputa, o
papel do governo é garantir que ele ocorra, produzindo condições
para que se amplie nas esferas em que ainda não atua, incluindo no
“social” os que estão fora do jogo.
Vale dizer que aqui não se coloca um juízo de valor
explícito, afirmando que esse modo de entender os conceitos que
analisamos defina essas políticas como negativas ou num sentido
depreciativo qualquer. Ao contrário. O que aqui se objetiva é
estabelecer alguns critérios de análise para que se perceba com um
pouco mais de clareza o que de fato parece estar em jogo. É apenas
entendendo como tem se produzido esses espaços de atuação que
temos melhores condições de se ver dentro do próprio jogo,
percebendo que papel ocupa, que discurso sustenta e se esse discurso
parece operar políticas em direção ao que de fato desejamos ou a
um jogo econômico que talvez ainda não se tenha percebido como o
que tem regulado os modos de vida e fazer político atuais.
Logo, já encaminhando para algumas ainda breves
conclusões que tiramos dessas relações estabelecidas, falar de
questões como empoderamento coletivo, constituição de sujeitos
autônomos e a possibilidade de produzir espaços de co-gestão é
falar de outros jogos que parecem não dialogar e serem compatíveis
com essa busca contínua da eficácia financeira e econômica desse
modo de governar. Além disso, é falar de outras possibilidades que
criem condições e funcionem como outros modos de operar política
que não a visão da inclusão nos jogos de mercado.
É novamente Foucault (2008a) que parece dar pistas
interessantes de posicionamento do olhar para além desse jogo:
“Então, frente a essa política global do poder se
fazem revides locais, contra-ataques, defesas ativas e às vezes
preventivas. Nós não temos que totalizar o que apenas se totaliza
do lado do poder e que só poderíamos totalizar restaurando formas
representativas de centralismo e de hierarquia. Em contrapartida, o
que temos de fazer é instaurar ligações laterais, todo um sistema
de redes, de bases populares” (FOUCALT, 2008a, pag. 74).
É para além dos jogos de mercado, para além da
economia como critério que determina modos de relacionamento e
condiciona modos de vida que outros níveis de pensamento abrem
espaço e permitem operar em estruturas de representatividade que não
reproduzam essas formas de centralismo e hierarquia que são as
condições de base da própria existência dos modos de
governabilidade atuais. É por outro caminho que deslocamos essa
racionalidade e abrimos espaço para outras formas. É por outras
condições de relação, onde os posicionamentos se lateralizam,
onde o coletivo opera como aquele que constrói contorno, que define
seu espaço e se vê como agente de seu próprio modo de vida que
outras redes são possíveis, que outros fluxos de interação podem
ser pensados. E nisso, sem dúvida, a dimensão do digital pode
colaborar na produção de outros jogos de relacionamento, não como
condição de partida, mas como condição de apropriação de uma
racionalidade que lhe antecede e opera por outros valores.
Referências
FOUCAULT, Michel.
Microfísica do poder.
Graal. 26ed. 2008a. 295p.
FOUCAULT, Michel.
Nascimento da biopolítica.
Martins Fontes. 2008b. 474p.
LATOUR, Bruno.
Reagregando o social: uma introdução à teoria do
Ator-Rede. Edufba/Edusc. 2012.
399p.
ROSE, Nikolas.
Inventando nossos selfs: psicologia, poder e subjetividade.
Vozes. 2011. 308p.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
O olhar adulto
Excelente dica da Pat, na lista de editores da Rede Humaniza SUS:
Foi ele mesmo que me contou, como confissão de cegueira, dando depois permissão para que eu relatasse o milagre desde que não revelasse o santo. Médico, chegou a seu consultório com seus olhos perfeitos e a cabeça cheia de pensamentos. Eram pensamentos graves, cirurgias, hospitais, e os doentes o aguardavam na sala de espera.
Entrou o primeiro paciente que se submeteu mansamente à apalpação médica. Terminada a consulta, escrita a receita, no ato da despedida ele fez um elogio: “Doutor, que lindas são as orquídeas na sua sala de espera!”
Meu amigo sorriu embaraçado, com vergonha de dizer que não havia notado orquídea alguma na sala de espera e que, portanto, não sabia da beleza que o doente notara. Teve vergonha de revelar a sua cegueira. Entrou o segundo paciente. Ao final da consulta, sem conseguir conter o que sentia, observou: “São maravilhosas as orquídeas na sua sala de espera, doutor!” Novamente o sorriso amarelo, sem poder dizer o que não sabia sobre as orquídeas que não havia visto.
Veio o terceiro paciente e a coisa se repetiu do mesmo jeito. Aí o doutor deu uma desculpa, saiu da sala, e foi ver as orquídeas que o jardineiro colocara na sala de espera. Eram, de fato, lindas. Mas aí veio o agravante, pois o paciente, não satisfeito com a humilhação imposta ao doutor cego, observou que, na semana anterior, a árvore dentro da sala de consulta, plantada num vaso imenso, num canto, não era a mesma que ali estava, naquele dia. Mas o doutor cego de olhos perfeitos não notara a presença de árvore naquele dia nem a presença da árvore na semana anterior...
Ah! Você espera que tal cegueira possa existir! Mas eu lhe garanto que é assim que funcionam os olhos dos adultos em geral.
Lá vão pelo caminho a mãe e a criança, que vai sendo arrastada pelo braço – segurar pelo braço é mais eficiente que segurar pela mão. Vão os dois pelo mesmo caminho, mas não vão pelo mesmo caminho. Blake dizia que a árvore que o tolo vê não é a mesma árvore que o sábio vê. Pois eu digo que o caminho por que a mãe anda não é o mesmo caminho por que anda a criança.
Os olhos da criança vão como borboletas, pulando de coisa em coisa, para cima, para baixo, para os lados, é uma casca de cigarra num tronco de árvore, quer parar para pegar, a mãe lhe dá um puxão, a criança continua, logo adiante vê o curiosíssimo espetáculo de dois cachorros num estranho brinquedo, um cavalgando o outro, quer que a mãe também veja, com certeza ela vai achar divertido, mas ela, ao invés de rir, fica brava e dá um puxão mais forte, aí a criança vê uma mosca azul flutuando inexplicavelmente no ar, que coisa mais estranha, que cor mais bonita, tenta pegar a mosca, mas ela foge, seus olhos batem então numa amêndoa no chão e a criança vira jogador de futebol, vai chutando a amêndoa, depois é uma vagem seca de flamboyant pedindo pra ser chacoalhada, assim vai a criança, à procura dos que moram em todos os caminhos, que divertido é andar, pena que a mãe não saiba andar por não ter os olhos que saibam brincar, ela tem é muita pressa, é preciso chegar, há coisas urgentes a fazer, seu pensamento está nas obrigações de dona de casa, por isso vai dando safanões nervosos na criança, se ela conseguisse ver e brincar com os brinquedos que moram no caminho, ela não precisaria fazer análise...
A mãe caminha com passos resolutos, adultos, de quem sabe o que quer, olhando pra frente e para o chão. Olhando para o chão ela procura as pedras no meio do caminho, não por amor a Drummond, mas para não dar topadas, e procura também as poças d’água, não porque tenha se comovido com o lindo desenho do Escher de nome Poça D’água, uma poça de água suja na qual se refletem o céu azul e os ramos verdes dos pinheiros, ela procura as poças para não sujar o sapato. A pedra do Drummond e a poça de água suja do Escher os adultos não vêem, só as crianças e os artistas...
A mãe não nasceu assim. Pequenina, seus olhos eram iguais aos do filho que ela arrasta agora. Eram olhos vagabundos, brincalhões, que olhavam as coisas para brincar com elas. As coisas vistas são gostosas, para ser brincadas. E é por isso que os nenezinhos têm esse estranho costume de botar na boca tudo o que vêem, dizendo que tudo é gostoso, tudo é para ser comido, tudo é para ser colocado dentro do corpo. O que os olhos desejam, realmente, é comer o que vêem. Assim dizia Neruda, que confessava ser capaz de comer as montanhas e beber os mares. Os olhos nascem brincalhões e vagabundos – vêem pelo puro prazer de ver, coisa que, vez por outra, aparece ainda nos adultos no prazer de ver figuras. Mas aí a mãe foi sendo educada, numa caminhada igual a essa, sua mãe também a arrastava pelo braço e, quando ela tropeçava numa pedra ou pisava numa poça d’água, porque seus olhos estavam vagabundeando por moscas azuis e cachorros sem-vergonha, sua mãe lhe dava um safanão e dizia: “Olha pra frente, menina!”
“Olha pra frente!” Assim são os olhos adultos. Olhos não são brinquedos, são limpa-trilhos. Servem para abrir caminhos na direção do que se deve fazer. Assim eram os olhos daquela minha amiga que os usava para cortar cebola sem cortar o dedo, até que, um dia, o olho que morava dentro dos seus olhos se abriu e ela viu a beleza maravilhosa do vitral translúcido que mora nas rodelas de todas as cebolas, e ela tanto se espantou com o que via que pensou que estava ficando louca.
Coitados dos adultos. Arrancam os olhos vagabundos e brincalhões de crianças e os substituem por olhos ferramentas de trabalho, limpa-trilhos. Asssim eram os olhos daquele meu amigo médico: não viam nem as orquídeas nem as árvores que estavam dentro do seu consultório. Seus olhos eram escravos do dever. E ele não percebia que as coisas ao seu redor eram brinquedos que pediam aos seus olhos: “Brinquem comigo! É tão divertido! Se vocês brincarem comigo, eu ficarei feliz, e vocês ficarão felizes...”
Rubem Alves
quarta-feira, 16 de maio de 2012
A Internet que queremos ou dos processos de concepção de um site
A Internet é uma rede de múltiplas camadas, de
múltiplos níveis de tecnologias que dialogam entre si e criam um
cenário de interoperabilidade de sistemas que permite possibilidades
de comunicação e interação entre pessoas como nenhuma outra
tecnologia antes sequer imaginou realizar. Ao permitir múltiplas
camadas, a rede cria condições para que muitos modos de entender e
produzir redes possam conviver. O comércio com suas necessidades de
novas estruturas de venda e circulação de produtos, a indústria
com sua necessidade de novos modos de produzir gestão ágil e
descentralizada sem perder o controle de seus meios de produção, o
governo com suas demandas de presença e manifestação em diversos
territórios, sejam eles físicos ou imateriais, por onde sua
regulação exerce efeitos e determina as regras dos jogos de
convivência burocrática, os movimentos ativistas com a necessidade
de divulgação de suas causas e de articulação de pessoas.
A Internet é rede de redes, é tecnologia que
viabiliza circulação e dispersão de fluxos e, ao mesmo tempo,
controle desses mesmos fluxos. É campo de apropriação e exercício
de produzir formas de relação que façam sentido às demandas e
necessidades de diferentes modos de organização social que podem
ser produzidas pelas pessoas. É campo de influência, tecido de
escritas de diferentes versões dos fatos, disputando espaços,
colaborando em ações, dissolvendo fronteiras e produzindo limites.
É massa de moldar zonas de interferência e produzir espaços que
auxiliem na construção de sentidos restritos ou coletivos, sempre
dependendo do olhar de quem vê e do modo como se relaciona.
Partindo dessa visão, a produção de um site, assim
como seu próprio processo de concepção, é um ato de escrita, um
ato de afirmação de valores que ultrapassam os limites dos dizeres
técnicos e tecnicistas. A produção de um site é um evento
político, entendendo por política a arte ou ciência da organização
que pretende reger e regulamentar as formas de relação possíveis e
imagináveis no contexto onde esse site irá operar. Por isso, ato de
escrita, ato de atestação de valores, parâmetros e princípios de
um grupo. Nesse caminho, a construção do site envolve
necessariamente discutirmos a rede que queremos, a internet que
desejamos refletir e os modos de organização que ampliem,
sistematizem e facilitem as formas de relação que desejamos aqui
constituir.
Sendo, portanto, o site o reflexo de um conjunto de
princípios que ditam modos de fazermos redes, gostaríamos de aqui
descrever esses modos e como eles têm influenciado em nosso processo
de concepção do site do programa +Telecentros.
- A rede é espaço de encontro:A rede é espaço de aproximação entre pessoas, é local de encontro, é espaço onde o imaginário habita quando o contexto convoca e a presença é possível. É local onde encontrar a presença alheia amplia possibilidades de interação.
- A rede é espaço de conversa:A rede é espaço de conversação, de trocas de impressões, de compartilhamento de sentidos, de construção em andamento contínuo, do inacabado que se torna elemento de diálogo, de troca de impressões e de produção coletiva. A rede é ambiente e caminho onde as impressões se recombinam e dissolvem, entremeadas de links, pontos de contato e divergência.
- A rede é espaço de versões:A rede é espaço de diferentes visões e versões do que se encontra em produção. Como dissemos acima, é espaço do inacabado, é espaço de anotações, de retalhos de ideias e possibilidades de ideias. É local para documentar o que convoca a escrita, o que mobiliza o sentido sem a necessária preocupação de apresentar sentidos acabados. Sendo espaço de infinitas possibilidades de combinação, disponibilizar versões na rede é aumentar as chances de encontro com o outro quando um filtro de busca cria os enlaces e viabiliza novos vínculos.
- A rede é espaço de conflito:A rede é também espaço de desencontros. É espaço de explicitação de valores, de definição de campos que desejam criar marcas, que desejam dizer de limites, que desejam expressar discordâncias e mostrar que outros modos são possíveis. A rede é também máquina de articulação de opostos, de força vibratória que tensiona e distende nós de sentido.
- A rede chega até você:A rede não é feita de computadores, mas sim de pessoas. As máquinas, os protocolos e programas de computadores criam o campo de interconectividade e interoperabilidade de sistemas, permitindo que diversas tendências da indústria em termos de tecnologia e modos de produção econômica possam trocar informações e compartilharem dados. No entanto, a rede estabelece links pelos desejos das pessoas, a rede expressa em seus nós, em seus movimentos de centralidade e descentralização os modos como as pessoas se recombinam em grupos, comunidades e movimentos de expressão. A rede é articulada pelos e-mails, pelos links das redes sociais, pelos sms de telefones móveis, pelos encontros em espaços de formação, pelas vozes em seus múltiplos meios de expressão.
- A rede é livre:A rede não pode ser condicionada por nenhuma estrutura organizacional que pretenda definir seus rumos dado que ela é composta de pessoas. A hierarquia organizacional influencia a forma das redes, mas estas lhe escapam, criando novos vínculos, se apropriando de novos espaços de conversa onde sejam menos vigiadas. A hierarquia nas redes livres é nó de influência, mas não define centro e o tom dos fluxos em circulação. A hierarquia dialoga, circula e opera a partir de novas condições de conversa que se viabilizam na construção de sentido coletiva. A velha hierarquia sufoca as redes livres, eliminando o que a rede possui como condição fundamental de ser rede: as novas condições de possibilidades e combinações que sua estrutura permite.
- A rede é espaço político:A rede guia e é guiada, a rede influencia e é influenciada, a rede promove e é promovida. A rede, enquanto modo de organização de pessoas, define um campo político, define regras, condições, formas de relação que buscam viabilizar condições de relacionamento entre pessoas. A forma como a rede opera explicita suas escolhas como política relacional, o que lhe é permitido e o que lhe é negado.
Esses sete princípios definem desejos e condições
que influenciam o modo como um pode ser concebido. Porém, são princípios que extrapolam os limites do
próprio site, apontando para modos de produção de redes que buscam
construir redes livres, abrindo brechas de expressão, espaços de
conversa e novos caminhos que só podem surgir quando as regras do
campo surgem da inteligência coletiva, bem ali onde a multidão
forma bando e os burburinhos tecem diálogos em meio a produção de
um novo modo comum.
sábado, 27 de agosto de 2011
3 níveis de centralidade na rede Telecentros.BR: a dança de planos e movimentos de relação
A magia por trás dos algoritmos de análise de redes é a enorme flexibilidade que eles possuem, permitindo que possamos tratar a informação das relações que coletamos de n modos possíveis de acordo com sua própria imaginação.
Explorando hoje um pouco mais dos recursos do Pajek, o software de análise que tenho utilizado, decidi reduzir a quantidade de nós por grau de centralidade das redes que tenho analisado do Telecentros.BR.
Separei 3 níveis de centralidade na rede:
Coloco as imagens que obtive abaixo para ilustrar o que comecei a ver nesse movimento:
Os pontos amarelos são tutores/membros das equipes dos polos de formação. Os pontos verdes são monitores e os vermelhos pessoas cadastradas que não identificamos a qual grupo pertencem.
O que me chamou a atenção?
Quem mais está utilizando o sistema de mensagem online do Moodle é, sem dúvida, o grupo de tutores/membros dos polos. Os nós da rede que possuem acima de 20 conexões são apenas membros desse grupo e que acabam interagindo majoritariamente entre si também. Já quando baixamos para acima de 15 conexões, um movimento muito interessante fica mais evidente: a rede se divide em dois blocos, mostrando o grupo anterior de tutores/polos e um novo grupo de monitores que praticamente não se relacionam. Isso me mostra uma coisa importante: os monitores que mais utilizam essa rede conversam sobretudo entre si, interagindo muito menos com os tutores. A força da rede de monitores, mais uma vez, fica evidente na relação entre si, na vontade de conversar com outros monitores, formando um grupo que tem muito mais a dizer por aquilo que vivem e fazem. Já quando baixamos para acima de 10 conexões, a rede entra em outro momento, com uma maior mistura de tutores e monitores. A hipótese é que nesse momento começa a atuar de fato as estratégias de tutoria e acompanhamento da formação via esse sistema de mensagem online.
Uma conclusão importante, pra mim, desse processo todo: temos dois movimentos de formação de rede caminhando juntos. Um diz respeito do encontro entre monitores, mais espontâneo, motivado por elementos que fogem totalmente ao controle, ao esperado, ao programado da formação. Esse movimento atrai menos pessoas, mas surge com mais força na centralidade da rede. Outro diz respeito do encontro entre tutores e monitores, motivado pelo desenvolvimento da formação, pelos papéis a serem cumpridos, pelos objetivos do curso a serem desenvolvidos. Esse movimento atrai mais gente, pois tem direcionamento direto com a comunicação e acompanhamento do curso. No entanto, é menos central.
Os dois movimentos caminham juntos, se sobrepondo, se constituindo como diferentes interfaces e planos de conversação que funcionam tudo junto-misturado. Um movimento leva ao outro e assim segue uma certa dança que é apenas mais uma forma de retratar a beleza dos diferentes movimentos da própria vida: formal e informal, espontâneo e proposto, livre e pautado. A rede, como reflexo do que somos, não seria diferente.... Será?
Explorando hoje um pouco mais dos recursos do Pajek, o software de análise que tenho utilizado, decidi reduzir a quantidade de nós por grau de centralidade das redes que tenho analisado do Telecentros.BR.
Separei 3 níveis de centralidade na rede:
- os nós que possuem acima de 20 conexões;
- os nós que possuem acima de 15 conexões;
- os nós que possuem acima de 10 conexões.
Coloco as imagens que obtive abaixo para ilustrar o que comecei a ver nesse movimento:
Acima de 20 conexões
Acima de 15 conexões
Acima de 10 conexões
Os pontos amarelos são tutores/membros das equipes dos polos de formação. Os pontos verdes são monitores e os vermelhos pessoas cadastradas que não identificamos a qual grupo pertencem.
O que me chamou a atenção?
Quem mais está utilizando o sistema de mensagem online do Moodle é, sem dúvida, o grupo de tutores/membros dos polos. Os nós da rede que possuem acima de 20 conexões são apenas membros desse grupo e que acabam interagindo majoritariamente entre si também. Já quando baixamos para acima de 15 conexões, um movimento muito interessante fica mais evidente: a rede se divide em dois blocos, mostrando o grupo anterior de tutores/polos e um novo grupo de monitores que praticamente não se relacionam. Isso me mostra uma coisa importante: os monitores que mais utilizam essa rede conversam sobretudo entre si, interagindo muito menos com os tutores. A força da rede de monitores, mais uma vez, fica evidente na relação entre si, na vontade de conversar com outros monitores, formando um grupo que tem muito mais a dizer por aquilo que vivem e fazem. Já quando baixamos para acima de 10 conexões, a rede entra em outro momento, com uma maior mistura de tutores e monitores. A hipótese é que nesse momento começa a atuar de fato as estratégias de tutoria e acompanhamento da formação via esse sistema de mensagem online.
Uma conclusão importante, pra mim, desse processo todo: temos dois movimentos de formação de rede caminhando juntos. Um diz respeito do encontro entre monitores, mais espontâneo, motivado por elementos que fogem totalmente ao controle, ao esperado, ao programado da formação. Esse movimento atrai menos pessoas, mas surge com mais força na centralidade da rede. Outro diz respeito do encontro entre tutores e monitores, motivado pelo desenvolvimento da formação, pelos papéis a serem cumpridos, pelos objetivos do curso a serem desenvolvidos. Esse movimento atrai mais gente, pois tem direcionamento direto com a comunicação e acompanhamento do curso. No entanto, é menos central.
Os dois movimentos caminham juntos, se sobrepondo, se constituindo como diferentes interfaces e planos de conversação que funcionam tudo junto-misturado. Um movimento leva ao outro e assim segue uma certa dança que é apenas mais uma forma de retratar a beleza dos diferentes movimentos da própria vida: formal e informal, espontâneo e proposto, livre e pautado. A rede, como reflexo do que somos, não seria diferente.... Será?
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Como se forma uma rede? - Bonita matéria na revista ARede
A Patrícia pegou o espírito do trabalho que temos feito nos últimos tempos e traduziu isso de uma forma singular na matéria online e impressa da revista A Rede de agosto.
Cito esse trecho que é parte fundamental da aposta de investir tempo, imaginação e energia numa formação:
"Um dos objetivos mais importantes de qualquer programa de inclusão digital é a formação de rede entre os monitores. Os monitores atendem usuários, organizam as atividades nos telecentros, fazem a ponte entre os telecentros e os interesses da comunidade. São responsáveis por manter as unidades do programa vivas. Grande parte do aprendizado dessas pessoas, na prática, se dá nesta experiência. Assim, um processo de formação precisa oferecer os instrumentos para resolver problemas e elaborar projetos neste dia-a-dia. Neste caso, o instrumento é a rede, a interação. As conversas entre os monitores, antes mesmo de concluído seu processo de formação, indicam que uma rede está emergindo no Telecentros.BR"
Não é novidade já dita por tantas pessoas, amigos, pensadores, poetas e por aí vai: o que importa são as pessoas. E, num espaço onde podemos articular ações que aproximem pessoas de pessoas, para que possam simplesmente conversar, se conhecer, se ouvir, se encontrar e perceber que há tantos pontos de vista quanto a multiplicidade de encontros possíveis, já temos mais do que conseguido o melhor que poderíamos. A rede surge e o que acontece depois é resultado de uma soma de fatores que simplesmente estão fora do nosso controle. Garantir que as pessoas se encontrem não é pouca coisa, ainda mais por dentro dos métodos, metodologias e filosofias que tangenciam o pensamento educacional. Desconstruir esse lugar de poder/saber abrindo novas possibilidades de experimentação é um processo passo a passo, que demanda paciência, observação, análise e reconstrução contínua do próprio sentido que te move.
Cito esse trecho que é parte fundamental da aposta de investir tempo, imaginação e energia numa formação:
"Um dos objetivos mais importantes de qualquer programa de inclusão digital é a formação de rede entre os monitores. Os monitores atendem usuários, organizam as atividades nos telecentros, fazem a ponte entre os telecentros e os interesses da comunidade. São responsáveis por manter as unidades do programa vivas. Grande parte do aprendizado dessas pessoas, na prática, se dá nesta experiência. Assim, um processo de formação precisa oferecer os instrumentos para resolver problemas e elaborar projetos neste dia-a-dia. Neste caso, o instrumento é a rede, a interação. As conversas entre os monitores, antes mesmo de concluído seu processo de formação, indicam que uma rede está emergindo no Telecentros.BR"
Não é novidade já dita por tantas pessoas, amigos, pensadores, poetas e por aí vai: o que importa são as pessoas. E, num espaço onde podemos articular ações que aproximem pessoas de pessoas, para que possam simplesmente conversar, se conhecer, se ouvir, se encontrar e perceber que há tantos pontos de vista quanto a multiplicidade de encontros possíveis, já temos mais do que conseguido o melhor que poderíamos. A rede surge e o que acontece depois é resultado de uma soma de fatores que simplesmente estão fora do nosso controle. Garantir que as pessoas se encontrem não é pouca coisa, ainda mais por dentro dos métodos, metodologias e filosofias que tangenciam o pensamento educacional. Desconstruir esse lugar de poder/saber abrindo novas possibilidades de experimentação é um processo passo a passo, que demanda paciência, observação, análise e reconstrução contínua do próprio sentido que te move.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
De prontidão nas fórmulas prontas e a perspectiva do olhar
Os movimentos de crise, de turbulência e caos são, em geral, dos mais conturbados para se encontrar um certo sentido lógico sobre como as coisas estão se organizando, qual o pensamento que está dando contorno e para onde o movimento está indo num contexto mais geral.
De situações pessoais, familiares, profissionais, políticas, enfim, em vários níveis por onde podemos entender nossa atuação, o contexto parece similar: na água turva, num dá para ver o que está se formando por entre o movimento caótico.
O fato que me encanta é se dar conta, durante o próprio movimento, que o sistema no qual estou envolvido pode dar uma guinada a qualquer momento, se "auto-organizar" de alguma forma imprevisível e produzir outro modo de operar/relacionar que não era possível visualizar minutos antes.
Não há fórmulas prontas para aplicar em situações como essa. Nem sequer esperar para ver o que vai acontecer, por quê você simplesmente é parte daquilo que rodopia nos múltiplos centros de força do sistema. Você está junto, girando, girando e compondo de alguma forma nos deslocamentos que vão produzir uma nova ordem. Não se sabe ao certo onde vai e nem tem como prever. Sua posição não é e nem tem como ser privilegiada. É preciso se dar conta disso para ser pego de surpresa pela perspectiva que mora ao lado.
Estamos falando de sistemas que operam bem longe do estado de equilíbrio, sensíveis a perturbações de n ordens. É assim nos estados criativos, nas construções que remoem, remexem e criam interstícios de amplidão no pensamento. É sinal claro de oportunidade de se expandir.
Sim, os tempos são propícios para isso. Não espere a solução batendo na porta e pode ter certeza de que sua leitura parcial não passa de uma leitura parcial. Você não tem todos os dados e sua hipótese está comprometida pela restrição do seu olhar. O pior, ou melhor, de tudo é que você simplesmente vai ter de aprender a lidar com isso. As soluções que prometem outras perspectivas vão te deixar na mão, em algum momento.
A busca contínua do sentido lógico por dentro do caos só tende a piorar a situação. Tensiona o movimento, restringe o campo de ação e a possibilidade de livre associação que pode surpreender com a nova perspectiva.
Não, não há fórmulas prontas. Hoje você está aqui e amanhã, simplesmente tudo mudou. É o preço, o prazer e dificuldade inerente na construção de redes livres.
Por onde o olhar se move, essa perspectiva pode te acompanhar, trazendo um certo tom de leveza, desapego insensato moto contínuo da afirmação da incerteza. E daí? Esperava mais? O fast-food é logo ali...
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Artefatos, místicas e formas de pensar
Não creio que seja muita novidade entendermos que não fomos "treinados" na nossa cultura, no sistema educional, político, familiar bla bla bla para pensar diferente de formas lineares de entender as coisas. É praticamente "natural" analisarmos as coisas buscando relações de causa e efeito: se isso aconteceu, aquilo deve ter acontecido; se está desse jeito, é por culpa de tal coisa; se fizermos isso, vai rolar aquilo.
Criticar essa forma também não é algo novo. Muitos livros têm sido escritos, experiências, projetos, filosofias. De fato, no meu entender, estamos ainda no início da desconstrução: o novo tá visível como potencial, como possibilidade, ainda longe de se transformar em modo "natural" de pensar, pautando a maneira que nos organizamos e nos relacionamos. Ainda estamos longe disso.
Até aí, tudo bem. Há pouco a se fazer, a não ser aprofundar a crítica, analisar as possibilidades, experimentar, buscando sinalizar o novo na crença/aposta de que novas e novas gerações vão chegar, constituindo uma nova cultura, deslocando o velho e produzindo o novo. A vida que muitos de nós gostaríamos de viver, ao menos aqueles que estão se dando conta disso e percebendo os próprios limites no modo de fazer as coisas, não será experenciada em plena potência-contágio-coletivo nos tempos atuais. Somos o povo da romaria, somos o povo da migração, somos o povo que levanta poeira e busca construir um caminho por onde passar.
Lidar com isso é apenas uma condição de contorno, todavia. Há tantas brechas a serem exploradas, há tanto por se pensar e experimentar a cada dia, que a mente chega a não dar conta de tanta coisa que poderíamos tentar. Começar é um bom começo... ;-)
Tudo para isso para compartilhar uma reflexão que tem ganhado força dentro de mim nas últimas semanas. Algumas pessoas tem me perguntado por quê tenho dedicado tanta atenção, tempo e esforço estudando novos modelos matemáticos de análise de redes, dinâmica de sistemas e sistemas complexos. Acabei me dando conta que falei pouco sobre o que de fato tem ressoado aqui dentro, não na superfície, mas naquele âmago que te faz acordar as 3:00h da manhã e começar a rabiscar no velho caderno antes que a ideia-imagem-forma se esvaia nos abismos de si.
O fato, já eternizado por Einstein, é que para novos problemas precisamos de novos métodos. A vivência dos últimos 10 anos, somada a toda a experiência cultural-religiosa que vivencei nos últimos 7 anos, foi deixando isso gradativamente mais claro.
A dimensão da rede, do se relacionar em rede, da produção coletiva, da comunidade é um campo que ainda estamos de fato apenas começando a entender. Não há nada trivial nisso. Tenho explorado diversos pensadores/experimentadores que têm falado sobre isso e pautado a fronteira do que ainda conseguimos pensar. Gente como Fritojf Capra, Humberto Maturana, Gregory Bateson, Edgar Morin, Weiner Heisenberg, Ilya Prigogine, Pierre Levy, David Bohm, Barabasi, Duncan Watts, Mark Newman, Castells, Foucault, Deleuze, Guattari, Regina Benevides, Edu Passos, Nietzsche, Francisco Varela, sem falar nos aliados do dia-a-dia, Susana Maiani, Regiane, Renata Pudo, Paulinho, Felipe Fonseca, Daniel Pádua, Hernani Dimantas, Ricardo Teixeira, Rogério da Costa, Luiz Algarra, Lu Annunziata, Drica Guzzi, André Benedito, Glauco, Guima, Gus, Naty, Isis, Mari, Moura e por aí vai, são pessoas que têm, de uma forma ou de outra, me dado pistas, dicas e apontado caminhos, sobretudo aquelas que estão se predispondo a vivenciar isso em suas próprias relações.
Mas.... Tem um algo na minha forma de ver as coisas que estrutura a experiência a partir de algum tipo de método. Tenho me dado conta disso nos últimos anos, mas é algo que entendo estar presente desde sempre. O método, para mim, é o princípio, a energia motriz de organização daquilo que com que me relaciono.
Ocorre que o método que tenho utilizado desde sempre é o mesmo método linear que aprendi nos meus anos de estudo formal/convivência com tantas outras pessoas que pensaram assim. Seria pedir que de repente, ao entrar em contato com novas ideias, tudo subitamente mudasse. Não, as coisas são, em geral, um pouco mais complexas que isso.
Tem sido necessário construir um novo modo de pensar, uma nova forma de estruturas as coisas. Essa nova forma precisa incluir muitas dimensões, precisa ser flexível, móvel, dinâmica, ágil, adaptável. Precisa criar espaço para que outros pontos possam ser conectados, permitindo não apenas somar efeitos, mas emergir sensações e sínteses que não seriam possíveis antes.
O ferramental matemático da Teoria dos Grafos, o que de fato fundamenta a análise de redes e parte expressiva do que temos utilizado para o estudo dos sistemas dinâmicos traz essa perspectiva, ao meu modo de entender.
Simplificando ao máximo: é uma das formas modernas de entrar nos fluxos, de se deixar tocar pelas multiplicidades, de entrar no caos das interações, das relações emergentes e voltar de lá com um artefato, um objeto místico-síntese-atrator que tão simplesmente quanto a sua própria existência simbolize um movimento.
Não, não há nada de muito diferente do xamã que entra nos sonhos, nos fluxos da tribo e volta de lá com os totens-tabús produtores de sentido de seu coletivo. Uma nova forma de dar contorno e lidar com a amplitude daquilo que me ultrapassa.
Essa tem sido a motivação dos contornos de um novo modo e, posso garantir, estou ainda bem no começo, mas já começando a esboçar formas um pouco mais interessantes....
Criticar essa forma também não é algo novo. Muitos livros têm sido escritos, experiências, projetos, filosofias. De fato, no meu entender, estamos ainda no início da desconstrução: o novo tá visível como potencial, como possibilidade, ainda longe de se transformar em modo "natural" de pensar, pautando a maneira que nos organizamos e nos relacionamos. Ainda estamos longe disso.
Até aí, tudo bem. Há pouco a se fazer, a não ser aprofundar a crítica, analisar as possibilidades, experimentar, buscando sinalizar o novo na crença/aposta de que novas e novas gerações vão chegar, constituindo uma nova cultura, deslocando o velho e produzindo o novo. A vida que muitos de nós gostaríamos de viver, ao menos aqueles que estão se dando conta disso e percebendo os próprios limites no modo de fazer as coisas, não será experenciada em plena potência-contágio-coletivo nos tempos atuais. Somos o povo da romaria, somos o povo da migração, somos o povo que levanta poeira e busca construir um caminho por onde passar.
Lidar com isso é apenas uma condição de contorno, todavia. Há tantas brechas a serem exploradas, há tanto por se pensar e experimentar a cada dia, que a mente chega a não dar conta de tanta coisa que poderíamos tentar. Começar é um bom começo... ;-)
Tudo para isso para compartilhar uma reflexão que tem ganhado força dentro de mim nas últimas semanas. Algumas pessoas tem me perguntado por quê tenho dedicado tanta atenção, tempo e esforço estudando novos modelos matemáticos de análise de redes, dinâmica de sistemas e sistemas complexos. Acabei me dando conta que falei pouco sobre o que de fato tem ressoado aqui dentro, não na superfície, mas naquele âmago que te faz acordar as 3:00h da manhã e começar a rabiscar no velho caderno antes que a ideia-imagem-forma se esvaia nos abismos de si.
O fato, já eternizado por Einstein, é que para novos problemas precisamos de novos métodos. A vivência dos últimos 10 anos, somada a toda a experiência cultural-religiosa que vivencei nos últimos 7 anos, foi deixando isso gradativamente mais claro.
A dimensão da rede, do se relacionar em rede, da produção coletiva, da comunidade é um campo que ainda estamos de fato apenas começando a entender. Não há nada trivial nisso. Tenho explorado diversos pensadores/experimentadores que têm falado sobre isso e pautado a fronteira do que ainda conseguimos pensar. Gente como Fritojf Capra, Humberto Maturana, Gregory Bateson, Edgar Morin, Weiner Heisenberg, Ilya Prigogine, Pierre Levy, David Bohm, Barabasi, Duncan Watts, Mark Newman, Castells, Foucault, Deleuze, Guattari, Regina Benevides, Edu Passos, Nietzsche, Francisco Varela, sem falar nos aliados do dia-a-dia, Susana Maiani, Regiane, Renata Pudo, Paulinho, Felipe Fonseca, Daniel Pádua, Hernani Dimantas, Ricardo Teixeira, Rogério da Costa, Luiz Algarra, Lu Annunziata, Drica Guzzi, André Benedito, Glauco, Guima, Gus, Naty, Isis, Mari, Moura e por aí vai, são pessoas que têm, de uma forma ou de outra, me dado pistas, dicas e apontado caminhos, sobretudo aquelas que estão se predispondo a vivenciar isso em suas próprias relações.
Mas.... Tem um algo na minha forma de ver as coisas que estrutura a experiência a partir de algum tipo de método. Tenho me dado conta disso nos últimos anos, mas é algo que entendo estar presente desde sempre. O método, para mim, é o princípio, a energia motriz de organização daquilo que com que me relaciono.
Ocorre que o método que tenho utilizado desde sempre é o mesmo método linear que aprendi nos meus anos de estudo formal/convivência com tantas outras pessoas que pensaram assim. Seria pedir que de repente, ao entrar em contato com novas ideias, tudo subitamente mudasse. Não, as coisas são, em geral, um pouco mais complexas que isso.
Tem sido necessário construir um novo modo de pensar, uma nova forma de estruturas as coisas. Essa nova forma precisa incluir muitas dimensões, precisa ser flexível, móvel, dinâmica, ágil, adaptável. Precisa criar espaço para que outros pontos possam ser conectados, permitindo não apenas somar efeitos, mas emergir sensações e sínteses que não seriam possíveis antes.
O ferramental matemático da Teoria dos Grafos, o que de fato fundamenta a análise de redes e parte expressiva do que temos utilizado para o estudo dos sistemas dinâmicos traz essa perspectiva, ao meu modo de entender.
Simplificando ao máximo: é uma das formas modernas de entrar nos fluxos, de se deixar tocar pelas multiplicidades, de entrar no caos das interações, das relações emergentes e voltar de lá com um artefato, um objeto místico-síntese-atrator que tão simplesmente quanto a sua própria existência simbolize um movimento.
Não, não há nada de muito diferente do xamã que entra nos sonhos, nos fluxos da tribo e volta de lá com os totens-tabús produtores de sentido de seu coletivo. Uma nova forma de dar contorno e lidar com a amplitude daquilo que me ultrapassa.
Essa tem sido a motivação dos contornos de um novo modo e, posso garantir, estou ainda bem no começo, mas já começando a esboçar formas um pouco mais interessantes....
terça-feira, 31 de maio de 2011
a tal cunha
só quero atuar a partir da dimensão do possível.
minha forma de enlace mira a fronteira, o escopo, o definível, a borda, o conceito.
se você perceber, o rumo do enlace que proponho por aqui é somente a pura expansão daquilo que define.
a forma de descrever é a linha que enxergo.
para além dela, há tudo o que ainda me interessa.
tudo o que já foi pensado pode ser dimensionado, enlaçado de alguma maneira.
para além do que pode ser pensado, é ali que a tal da cunha faz sentido.
ela não é forma, nem estrutura, nem conceito, nem palavra, nem possibilidade....
é apenas o movimento de abrir.
é apenas a minha maneira de dizer que o movimento da descrição é só um exercício de alargamento
e que nesse exercício não se ganha mais formas de descrever, mas se derrete muitas das antigas.
mais do que criando, o lance por aqui é romper.
é dissolvência daquilo tudo que tinha sido dado.
nem negação, nem afirmação.
nem expansão, nem retroação.
puro movimento.
puro movimento de dispersão.
dispersão de sentidos se cruzando, se enfrentando, se repactuando perante aquilo que me convoca.
a cunha entra em contato com a interface do que tá posto.
abre um novo campo e a partir dele a gente cria espaço de uma nova conversa.
nem as minhas e nem as tuas formas darão conta do que buscamos, se ainda buscarmos algo...
percebeu o ritmo?
minha forma de enlace mira a fronteira, o escopo, o definível, a borda, o conceito.
se você perceber, o rumo do enlace que proponho por aqui é somente a pura expansão daquilo que define.
a forma de descrever é a linha que enxergo.
para além dela, há tudo o que ainda me interessa.
tudo o que já foi pensado pode ser dimensionado, enlaçado de alguma maneira.
para além do que pode ser pensado, é ali que a tal da cunha faz sentido.
ela não é forma, nem estrutura, nem conceito, nem palavra, nem possibilidade....
é apenas o movimento de abrir.
é apenas a minha maneira de dizer que o movimento da descrição é só um exercício de alargamento
e que nesse exercício não se ganha mais formas de descrever, mas se derrete muitas das antigas.
mais do que criando, o lance por aqui é romper.
é dissolvência daquilo tudo que tinha sido dado.
nem negação, nem afirmação.
nem expansão, nem retroação.
puro movimento.
puro movimento de dispersão.
dispersão de sentidos se cruzando, se enfrentando, se repactuando perante aquilo que me convoca.
a cunha entra em contato com a interface do que tá posto.
abre um novo campo e a partir dele a gente cria espaço de uma nova conversa.
nem as minhas e nem as tuas formas darão conta do que buscamos, se ainda buscarmos algo...
percebeu o ritmo?
segunda-feira, 23 de maio de 2011
a dança da linguagem
Uma pergunta vem me provocando movimentos interessantes já alguns semanas que, por sinal, tem sido bastante inquietantes exatamente por isso. Pense num sistema de informação projetado com a intenção de conectar pessoas e não somente automatizar determinados processos por dentro de um conjunto de regras e interações previamente desenhadas, um blog por exemplo. O quanto o sistema influencia, limita as condições de apropriação e invenção de usos desse sistema e o quanto isso se torna uma questão menor quando consideramos que é o contexto, o sentido de uso que convoca a uma maior ou menor utilização de um ambiente informacional?
Ora entendo que a usabilidade, o design gráfico, a linguagem visual, estética tem uma força de atração, de comunicação criando um campo por onde meu pensamento percorre dialogando com formas, objetos, espaços, relações que podem ser estabelecidas, caminhos a serem percorridos, entradas, saídas, pontos de parada. Sem dúvida, esses objetos não são neutros, influenciam de alguma maneira minha experiência, talvez tanto quanto posso dizer que gosto menos ou mais de uma determinada forma, de uma pintura na parede, de uma escultura ou os traços de uma pessoa que se move em pleno campo do meu imaginário.
Ora entendo que, quando se trata de estabelecer uma boa conversa, importa muito pouco se estamos num boteco da esquina, numa passagem repentina por entre os corredores do trem urbano, num esbarrão em meio a Avenida Paulista ou sentados num toco com chão de terra batida e um copinho de café mareando no canto de na boca como tira gosto. A sensação que tenho é que faz pouca diferença quando minha intenção é estar com alguém, é encontrar algo que não se expressa pelo ambiente ao meu entorno, mas sim pela relação que desejo estabelecer com algo ou alguém.
Há uma diferença entre a tal usabilidade e a boa conversa. A primeira presume uma certa experiência que se quer compartilhar, um certo movimento intencional que se deseja comunicar com o máximo de eficiência possível, pois se trata de um caso de sucesso quando as pessoas de fato percorrem os fluxos informacionais da maneira que imaginávamos e realizam suas tarefas com alto grau de eficiência. É um ponto a se considerar. A segunda, a tal da boa conversa, me parece que inverte muito dessa lógica, pois ela cria caminhos por dentro do fluxo informacional, ela cria o próprio fluxo informacional em busca de atender a um chamado que me convoca. A força do querer estar presente muda tudo.
Acontece que esse jogo entre motivação, informação e apropriação de espaços se expressa no campo informacional através da linguagem, criando uma dança interessante de se dar conta quando paramos algum tempo para analisar esses tais sistemas informacionais. Ocorre que é a linguagem que entrega as muitas das estratégias.....
Mas, como perceber e visualizar isso? Como usar isso como um recurso disparador de conversas entre nós?
É aí que tem alguns aspectos bem interessantes para refletir sobre essa relação de redes sociais, estrutura, dinâmica, controle e liberdade.
Mas, o lance que me interesse aqui é como dar forma, ontologia móvel, para conversarmos sobre. É?
Ora entendo que a usabilidade, o design gráfico, a linguagem visual, estética tem uma força de atração, de comunicação criando um campo por onde meu pensamento percorre dialogando com formas, objetos, espaços, relações que podem ser estabelecidas, caminhos a serem percorridos, entradas, saídas, pontos de parada. Sem dúvida, esses objetos não são neutros, influenciam de alguma maneira minha experiência, talvez tanto quanto posso dizer que gosto menos ou mais de uma determinada forma, de uma pintura na parede, de uma escultura ou os traços de uma pessoa que se move em pleno campo do meu imaginário.
Ora entendo que, quando se trata de estabelecer uma boa conversa, importa muito pouco se estamos num boteco da esquina, numa passagem repentina por entre os corredores do trem urbano, num esbarrão em meio a Avenida Paulista ou sentados num toco com chão de terra batida e um copinho de café mareando no canto de na boca como tira gosto. A sensação que tenho é que faz pouca diferença quando minha intenção é estar com alguém, é encontrar algo que não se expressa pelo ambiente ao meu entorno, mas sim pela relação que desejo estabelecer com algo ou alguém.
Há uma diferença entre a tal usabilidade e a boa conversa. A primeira presume uma certa experiência que se quer compartilhar, um certo movimento intencional que se deseja comunicar com o máximo de eficiência possível, pois se trata de um caso de sucesso quando as pessoas de fato percorrem os fluxos informacionais da maneira que imaginávamos e realizam suas tarefas com alto grau de eficiência. É um ponto a se considerar. A segunda, a tal da boa conversa, me parece que inverte muito dessa lógica, pois ela cria caminhos por dentro do fluxo informacional, ela cria o próprio fluxo informacional em busca de atender a um chamado que me convoca. A força do querer estar presente muda tudo.
Acontece que esse jogo entre motivação, informação e apropriação de espaços se expressa no campo informacional através da linguagem, criando uma dança interessante de se dar conta quando paramos algum tempo para analisar esses tais sistemas informacionais. Ocorre que é a linguagem que entrega as muitas das estratégias.....
Mas, como perceber e visualizar isso? Como usar isso como um recurso disparador de conversas entre nós?
É aí que tem alguns aspectos bem interessantes para refletir sobre essa relação de redes sociais, estrutura, dinâmica, controle e liberdade.
Mas, o lance que me interesse aqui é como dar forma, ontologia móvel, para conversarmos sobre. É?
terça-feira, 19 de abril de 2011
Ainda pensando na produção coletiva: da ideia a operação dos grupos
Tenho visto e lido bastante coisa nos últimos tempos sobre a ideia de grupos. O que me atrai nessa discussão é a possibilidade de pensarmos e experimentarmos uma infinidade de modos de nos relacionarmos, podendo analisar com cuidado como esses modos são modelados em cada situação, os resultados que são produzidos e o quanto cada um nos impacta de formas diferentes, em momentos diferentes.
Trabalho de uma vida a pesquisa e a vivência de tantos caminhos que se abrem. Mas, as experiências que facilitam a conversa, que permitem explicitar mais as coisas, que se propõem a se revisitarem continuamente me interessam ainda mais. A questão de fundo é: conseguimos gerar maneiras interessantes de nos relacionarmos como um grupo, de produzirmos coletivamente, de sermos eficientes segundo nossos próprios parâmetros e darmos conta de que esse processo não seja apenas uma utopia de um final de semana?
A ideia de grupos, de comunidades, de redes não tem nada de novo. Temos revisitado isso nas últimas décadas de várias formas diferentes, seja passando pelas experiências dos psicodélicos, seja passando pelas "novas" formas de massificação pelo consumo da ideia de rede.
Existem características similares nas experiências mais interessantes, considerando por interessante o próprio fato das pessoas se sentirem mais felizes, mais empoderadas e mais autônomas ao se relacionarem em grupo?
Depois de caminhar por várias abordagens diferentes, considerando o pessoal da aprendizagem organizacional, psicologia social, emergência, biologia cultural, cultura digital, software livre, movimento hacker, metareciclagem e por aí.... Um elemento me sobressai: quase todos eles mencionam um momento em que as pessoas que atuam como um grupo constroem algum tipo de referencial comum, algum tipo de base de pensamento, algum tipo de objetivo compartilhado que permite que o grupo entenda e se relacione de alguma forma a partir desse elemento que facilita e promove contexto para sua união.
- construção contínua de analisadores: resultados e métricas de processoUma das coisas que tenho pesquisa e experimentado com bastante intensidade nos últimos 2 anos são os analisadores e meios de dar visibilidade ao que está sendo feito, produzido e construído pelo próprio grupo. A ideia aqui é o oposto do controle, mas é criar caminhos para que as pessoas possam se ver e analisar os padrões que elas mesmos têm construído em relação a sua própria produção.
É um leque vasto de opções, de possibilidades. Minha ideia por aqui é começar a detalhar as experiências que tenho tido mais o bando de malucos que topam conversar e experimentar essas coisas juntos. E segue o trem, que as pistas são boas.
Trabalho de uma vida a pesquisa e a vivência de tantos caminhos que se abrem. Mas, as experiências que facilitam a conversa, que permitem explicitar mais as coisas, que se propõem a se revisitarem continuamente me interessam ainda mais. A questão de fundo é: conseguimos gerar maneiras interessantes de nos relacionarmos como um grupo, de produzirmos coletivamente, de sermos eficientes segundo nossos próprios parâmetros e darmos conta de que esse processo não seja apenas uma utopia de um final de semana?
A ideia de grupos, de comunidades, de redes não tem nada de novo. Temos revisitado isso nas últimas décadas de várias formas diferentes, seja passando pelas experiências dos psicodélicos, seja passando pelas "novas" formas de massificação pelo consumo da ideia de rede.
Existem características similares nas experiências mais interessantes, considerando por interessante o próprio fato das pessoas se sentirem mais felizes, mais empoderadas e mais autônomas ao se relacionarem em grupo?
Depois de caminhar por várias abordagens diferentes, considerando o pessoal da aprendizagem organizacional, psicologia social, emergência, biologia cultural, cultura digital, software livre, movimento hacker, metareciclagem e por aí.... Um elemento me sobressai: quase todos eles mencionam um momento em que as pessoas que atuam como um grupo constroem algum tipo de referencial comum, algum tipo de base de pensamento, algum tipo de objetivo compartilhado que permite que o grupo entenda e se relacione de alguma forma a partir desse elemento que facilita e promove contexto para sua união.
Sem dúvida, esse "esquema de refencial comum" que une o grupo é tão móvel, mutante quanto o próprio grupo. As pessoas mudam, têm compreensões diferentes, atualizam conceitos na mesma velocidade em que atualizam a sua dinâmica corporal e assim o movimento coletivo vão sendo moldado e vai moldando a dimensão onde opera a relação entre as pessoas.
Muitas experiências não se dão conta disso e esquecem que um dos trabalhos mais fundamentais para o bem-estar do grupo é a contínua atualização desse referencial. Falar dele, ampliar discussões, checar compreensões, explicitar divergências, dúvidas, discordâncias é atuar diretamente nesse invisível que se torna o esquema, mas que mesmo invisível é presente diariamente em nossas conversas, nossos pressupostos e interfere diretamente em nossa capacidade de produzirmos algo em conjunto.
Logo, me parece necessário e fundamental refletir e investir nessa construção e atualização contínua no desenvolvimento de nossos projetos, sejam eles quais forem, desde uma "simples" relação de colaboração entre duas pessoas a uma unidade de governo em nível federal.
Mas, como fazer isso? Não acredito numa resposta única, nem mesmo numa solução que não parta da integração de muitas formas de operar que busquem revelar e dar visibilidade a diferentes aspectos de um processo coletivo. É um problema complexo, logo, exige uma abordagem complementar, onde conceitos de diferentes áreas, de diferentes práticas possam se encontrar.
De tudo o que já experimentei em relação a isso, fiz uma pequena síntese daquilo que estou chamando por aqui de dispositivos de produção coletiva ou dispositivos de ativação de redes:
- criação de alguma forma de um Comitê Gestor deliberativo
Diz da produção de alguma espaço que sirva como um conselho, um comitê, uma roda de decisão onde as questões mais complexas possam ser colocadas, debatidas e encaminhadas.
- realização contínua de reuniões, encontros e seminários
A organização sistemática de conversas, encontros e seminários onde as pessoas possam trabalhar juntas, rever conceitos e encaminhamento anteriores, tendo oportunidades reais de modificarem os rumos de um processo de trabalho me parece que oxigena e aproveita melhor a inteligência coletiva de um grupo.
- organização dos processos por Grupos de Trabalho
Mas, como subdividir as pessoas, dado que há grupos que podem ser compostos por muita gente? A construção de grupos de trabalho que deveriam surgir de uma demanda de organização de trabalho do próprio grupo e não de um gestor tentando impor sua forma de divisão do trabalho. Grupos de trabalho podem se tornar mais focados em assuntos que são de maior interesse das pessoas que ali se encontram, sabendo que ainda existe um espaço mais geral onde possuem garantidas suas possibilidades de minimamente opinarem no todo.
- construção e documentação coletiva da política de sustentação do grupo
É importante que esse grupo possa produzir periodicamente alguns documentos orientadores que possam servir como um marco referencial de seu estágio de articulação coletiva. Essa documentação pode servir como uma maneira de explicitar a política de regulação do grupo e uma forma mais fácil de introduzir novas pessoas na dinâmica de relação que ali está sendo proposta.
- utilização de tecnologias de conversação presenciais
Nos reunirmos em grupo nem sempre é o mais difícil, mas aproveitar bem nosso tempo com dinâmicas de conversa que possam respeitar o tempo de todos e garantir espaços de participação é um desafio contínuo a nossas tecnologias de conversação. Experiências como Open Space, World Café, Aquário, entre outras técnicas facilitam muito processos de interação dependendo do contexto em que as pessoas se encontram.
- utilização de tecnologias de conversação digitais
Sem dúvida, a web e as infinitas possibilidades de interação que temos no campo digital são elementos que podem facilitar de muitas formas a construção de um grupo. O ponto-chave aqui não está necessariamente no domínio da tecnologia, mas em compreender quais são os recursos em potenciais que temos a nossa disposição e quais são aqueles que podem ser mais úteis em um dado contexto. Não é uma resposta fácil de se chegar, nem tampouco simples de operar. Nos deixamos facilmente seduzir pelas novas tecnologias, novas versões, novas funcionalidades e esquecemos do fundamental: o que queremos é apenas que pessoas conversem com pessoas e possam ter mais elementos para melhor poderem operar em conjunto.
- ativação de comunidades/subgrupos que surjam do refinamento das relações
Para além dos grupos de trabalho, dentro de um grupo podemos nos identificar com mais clareza com determinadas pessoas que executam coisas/processos/áreas/saberes muito semelhantes aos que nós executamos. Dar condições para que essas pessoas se reunam, discutam seus modos de fazer, compartilhem práticas, saberes e dificuldades é uma forma de facilitar a própria circulação do grupo. Comunidades podem surgir, podem se organizar, ganhar espaço, articular necessidades, mudarem rumos e necessidades das práticas, reorientando caminhos.
- construção contínua de analisadores: resultados e métricas de processo
É um leque vasto de opções, de possibilidades. Minha ideia por aqui é começar a detalhar as experiências que tenho tido mais o bando de malucos que topam conversar e experimentar essas coisas juntos. E segue o trem, que as pistas são boas.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Modelando o invisível
Trabalhamos com o invisível.
Trabalhamos com a modelagem do invisível.
A palavra símbolo apenas aparece como disparador dos próprios sentidos.
Daí, a pensar que a relação símbolo-sentido foi compartilhada tem uma grande distância.
A arte das redes se dá nessa passagem.
Não se compartilha sentido, se compartilha movimento de sentir,
Quando me importa de fato o outro.
Desafio não é linkar, é manter o foco no movimento da atenção do outro.
Trabalhamos com a modelagem do invisível.
A palavra símbolo apenas aparece como disparador dos próprios sentidos.
Daí, a pensar que a relação símbolo-sentido foi compartilhada tem uma grande distância.
A arte das redes se dá nessa passagem.
Não se compartilha sentido, se compartilha movimento de sentir,
Quando me importa de fato o outro.
Desafio não é linkar, é manter o foco no movimento da atenção do outro.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Meu tempo é quando
4 semanas.
1 de retiro.
3 de escrita, natureza e praia.
Repouso fundamental, arejada simples, mar, sal, sol e um gosto de rumo novo por dentro do mesmo.
De volta a ativa, mapeando ideias, consciências e substratos. ;-)
1 de retiro.
3 de escrita, natureza e praia.
Repouso fundamental, arejada simples, mar, sal, sol e um gosto de rumo novo por dentro do mesmo.
De volta a ativa, mapeando ideias, consciências e substratos. ;-)
sábado, 2 de outubro de 2010
Algumas anotações sobre uma possível Teoria de Campo Social
21 proposições de uma Teoria do Campo Social
1. Os sistemas sociais são “colocados em prática” ou “encenados” pelos seus membros em um contexto. (As demais proposições resultam destas)
2. O ponto cego das ciências sociais, dos sistemas sociais e da teoria de campo hoje em dia diz respeito às fontes nas quais os sistemas sociais têm origem.
3. Há quatro fontes de atenção na qual pode emergir a ação social:
a. Eu em mim;
b. Eu no objeto;
c. Eu em você;
d. Eu no agora.
4. As quatro fontes e estruturas de atenção dão origem a quatro diferentes fluxos ou campos de emergência. “Vejo dessa maneira, portanto, ele emerge daquela maneira”;
5. Os quatro campos de encenação da realidade social aplicam-se a todas as esferas de criação da realidade social:
a. Burocracias de máquinas centralizadas;
b. Estruturas divisionais descentralizadas;
c. Estruturas organizacionais em rede;
d. Estruturas de ecossistemas de inovação.
6. Os pontos de inflexão movendo-se de um campo para outro são idênticos em todos os níveis. Esses pontos constituem uma gramática social:
a. Abertura e suspensão (mente aberta);
b. Mergulho profundo e redirecionamento (coração aberto);
c. Deixe ir e deixe vir (vontade aberta).
7. Quanto maior a hipercomplexidade de um sistema, mais crítica é a capacidade para operar a partir dos campos mais profundos da emergência social;
8. A inovação profunda que trata os três tipos de complexidade exige um processo que integre três movimentos: abrir-se para contextos que importam (cossentir), conectar-se à fonte de quietude (copresencing) e prototipar o novo (cocriação);
9. Para acessar e ativar as fontes mais profundas dos campos sociais, três instrumentos devem ser ajustados ou “afinados”: a mente aberta, o coração aberto e a vontade aberta;
10. Abrir esses níveis mais profundos exige a superação de três barreiras: a voz do julgamento, a voz do cinismo e a voz do medo;
11. Cocriar exige um compromisso de servir o todo e a capacidade de reintegrar a inteligência da cabeça, do coração e das mãos;
12. Quanto maior o intervalo entre a complexidade sistêmica exterior e a capacidade interior de acessar os fluxos mais profundos de emergência, é mais provável que um sistema sairá dos trilhos e reverterá para um espaço destrutivo de anti-emergência;
13. O espaço social da anti-emergência é manifestado em um movimento reacionário conhecido como fundamentalismo;
14. O campo social é um todo em desenvolvimento que pode ser observado e experimentado pelas cinco dimensões. São elas: espaço social, tempo social, o coletivo, o eu e o espaço envolvente (terra);
15. À medida que um campo social se desenvolve e começa a incluir os mais profundos níveis e fluxos da emergência, a experiência de tempo, espaço, eu, coletivo e Terra funde-se por meio de um processo cultural de inversão;
16. A abertura das fontes e dos fluxos de emergência mais profundos inverte a relação entre o indivíduo e o coletivo;
17. A abertura das fontes mais profundas e dos campos de emergência transformam a relação entre o conhecedor e o conhecido;
18. O campo social é uma escultura de tempo na criação;
19. O desenvolvimento do campo social é uma função da ressonância mórfica sem escala;
20. O futuro de um sistema é uma função do campo a partir do qual escolhemos operar;
21. A força revolucionária neste século é o despertar de uma capacidade humana geradora profunda – o “eu no agora”.
Anotações da Teoria U, de Otto Scharmer.
1. Os sistemas sociais são “colocados em prática” ou “encenados” pelos seus membros em um contexto. (As demais proposições resultam destas)
2. O ponto cego das ciências sociais, dos sistemas sociais e da teoria de campo hoje em dia diz respeito às fontes nas quais os sistemas sociais têm origem.
3. Há quatro fontes de atenção na qual pode emergir a ação social:
a. Eu em mim;
b. Eu no objeto;
c. Eu em você;
d. Eu no agora.
4. As quatro fontes e estruturas de atenção dão origem a quatro diferentes fluxos ou campos de emergência. “Vejo dessa maneira, portanto, ele emerge daquela maneira”;
5. Os quatro campos de encenação da realidade social aplicam-se a todas as esferas de criação da realidade social:
a. Burocracias de máquinas centralizadas;
b. Estruturas divisionais descentralizadas;
c. Estruturas organizacionais em rede;
d. Estruturas de ecossistemas de inovação.
6. Os pontos de inflexão movendo-se de um campo para outro são idênticos em todos os níveis. Esses pontos constituem uma gramática social:
a. Abertura e suspensão (mente aberta);
b. Mergulho profundo e redirecionamento (coração aberto);
c. Deixe ir e deixe vir (vontade aberta).
7. Quanto maior a hipercomplexidade de um sistema, mais crítica é a capacidade para operar a partir dos campos mais profundos da emergência social;
8. A inovação profunda que trata os três tipos de complexidade exige um processo que integre três movimentos: abrir-se para contextos que importam (cossentir), conectar-se à fonte de quietude (copresencing) e prototipar o novo (cocriação);
9. Para acessar e ativar as fontes mais profundas dos campos sociais, três instrumentos devem ser ajustados ou “afinados”: a mente aberta, o coração aberto e a vontade aberta;
10. Abrir esses níveis mais profundos exige a superação de três barreiras: a voz do julgamento, a voz do cinismo e a voz do medo;
11. Cocriar exige um compromisso de servir o todo e a capacidade de reintegrar a inteligência da cabeça, do coração e das mãos;
12. Quanto maior o intervalo entre a complexidade sistêmica exterior e a capacidade interior de acessar os fluxos mais profundos de emergência, é mais provável que um sistema sairá dos trilhos e reverterá para um espaço destrutivo de anti-emergência;
13. O espaço social da anti-emergência é manifestado em um movimento reacionário conhecido como fundamentalismo;
14. O campo social é um todo em desenvolvimento que pode ser observado e experimentado pelas cinco dimensões. São elas: espaço social, tempo social, o coletivo, o eu e o espaço envolvente (terra);
15. À medida que um campo social se desenvolve e começa a incluir os mais profundos níveis e fluxos da emergência, a experiência de tempo, espaço, eu, coletivo e Terra funde-se por meio de um processo cultural de inversão;
16. A abertura das fontes e dos fluxos de emergência mais profundos inverte a relação entre o indivíduo e o coletivo;
17. A abertura das fontes mais profundas e dos campos de emergência transformam a relação entre o conhecedor e o conhecido;
18. O campo social é uma escultura de tempo na criação;
19. O desenvolvimento do campo social é uma função da ressonância mórfica sem escala;
20. O futuro de um sistema é uma função do campo a partir do qual escolhemos operar;
21. A força revolucionária neste século é o despertar de uma capacidade humana geradora profunda – o “eu no agora”.
Anotações da Teoria U, de Otto Scharmer.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Quantidade de informação e consciência
Uma questão vem me pegando nos últimos tempos é a relação com a dinâmica e a estrutura das informações que lidamos no cotidiano e o potencial que temos de refletir sobre como nos relacionamos com isso.
Identificar padrões de si e de vínculos que estabelecemos socialmente, que construímos nas estruturas e dinâmicas de conversação, produção e uso da informação pode funcionar como uma possibilidde de ruptura em nossa maneira cotidiana de lidar com as coisas?
- Olhar para isso e dar conta de produzir pequenas sínteses de como e do que lidamos seria um caminho interessante de consciência de si?
- Serviria como uma espécie de analisador de si o potencial que temos de nos percebermos através da maneira/temas que lidamos?
Identificar padrões de si e de vínculos que estabelecemos socialmente, que construímos nas estruturas e dinâmicas de conversação, produção e uso da informação pode funcionar como uma possibilidde de ruptura em nossa maneira cotidiana de lidar com as coisas?
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
quando tenho medo
"Atrás da dureza há medo,
E se v. tocar o coração do medo,
encontrará tristeza ( que se torna mais e mais suave).
E se tocar a tristeza, encontrará o vasto céu azul."
Rick Fields
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
a razão de hackear!!!
Hackear é sentido, forma e fluir.
Mais do que experimentar, é a capacidade de se descrever.
Hackear na fórmula, no gráfico, na tabela, no software, no código, no dígito.
Hackear no sentido da dinâmica, na entrada da fala, no vídeo e no desenho que descreve.
Hackear como estilo, como dança, ritmo e síntese.
Dispersão de caos e caordem emergente de risos, madrugadas, gambiarras de estilo e de visões.
Não fazemos isso por falta de conhecimento.
Não fazemos isso por displicência.
Não fazemos isso por medo.
Não fazemos isso por pressa.
Fazemos isso por que nos produzimos ao fazer.
Apenas o descrever a si mesmo.
Mais do que experimentar, é a capacidade de se descrever.
Hackear na fórmula, no gráfico, na tabela, no software, no código, no dígito.
Hackear no sentido da dinâmica, na entrada da fala, no vídeo e no desenho que descreve.
Hackear como estilo, como dança, ritmo e síntese.
Dispersão de caos e caordem emergente de risos, madrugadas, gambiarras de estilo e de visões.
Não fazemos isso por falta de conhecimento.
Não fazemos isso por displicência.
Não fazemos isso por medo.
Não fazemos isso por pressa.
Fazemos isso por que nos produzimos ao fazer.
Apenas o descrever a si mesmo.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
inadequação
de um artigo sobre bibliotecas digitais...
"E o sentimento de inadequação acaba constituindo o motor do movimento em direção a uma nova consciência que integra e articula saberes complementares na direção de um objetivo comum."
"E o sentimento de inadequação acaba constituindo o motor do movimento em direção a uma nova consciência que integra e articula saberes complementares na direção de um objetivo comum."
quinta-feira, 29 de julho de 2010
3 questões fundamentais do nosso tempo: referências, informação e ordem
Sinais interessantes podem ser lidos em várias instâncias de que as coisas estão mudando.
Até aí, que há de novo? Tudo tá sempre mudando, a vida nunca é estática e nos fluxos e refluxos nos reinventamos a cada dia.
Mas, parece que a mudança dos tempos que vivemos apontam vetores interessantes quando começamos a relacionar redes, problemas de conversação, explosão de informação, necessidade de encontrar ordem, angústia, o caos por simplesmente perceber que as formas tradicionais de se organizar o trabalho não funcionam mais e nada que conheçamos parece dar conta de oferecer novas perspectivas.
Que o trabalho e a forma como nos comunicamos vem mudando, também não tem nada de novo e isso tem sido dito de múltiplas maneiras a bons anos. Acredito que 3 questões fundamentais vêm pautando esses processos de mudanças:
Se isso é um problema ou não, enfim, não creio que seja essa a questão. Acho que isso vai depender do olhar de quem observa ou não assim.
A questão que fica é, para onde José? Parece que fica a sensação de que temos a chave da porta, mas a porta já não há.
Alguns sinais interessantes parecem indicar traços de novas portas que podem ser construídas no fazer fazendo:
Um desafio interessante e instigante é trabalhar a partir dessas 3 dimensões que, talvez, possam ser extremamente úteis quando se trata de encontrarmos novos caminhos e novas maneiras de estarmos juntos, não reduzindo e diminuindo a complexidade das tendências que vivemos, mas inventando novas formas de potencializá-las e reintegrá-las na produção de si.
Até aí, que há de novo? Tudo tá sempre mudando, a vida nunca é estática e nos fluxos e refluxos nos reinventamos a cada dia.
Mas, parece que a mudança dos tempos que vivemos apontam vetores interessantes quando começamos a relacionar redes, problemas de conversação, explosão de informação, necessidade de encontrar ordem, angústia, o caos por simplesmente perceber que as formas tradicionais de se organizar o trabalho não funcionam mais e nada que conheçamos parece dar conta de oferecer novas perspectivas.
Que o trabalho e a forma como nos comunicamos vem mudando, também não tem nada de novo e isso tem sido dito de múltiplas maneiras a bons anos. Acredito que 3 questões fundamentais vêm pautando esses processos de mudanças:
- medo, angústia da perder as referências, as certezas dos métodos e das formas que tradicionalmente sempre funcionaram. Toda a leva de metodologias rápidas e prontas, PMI, CRM, ERP, SAP, enfim... tudo o que criamos e desenvolvemos anos a fio para firmar certezas e ampliar nossa capacidade de previsão e organização da informação num mundo linear;
- aumento exponencial de produção e acesso a informação, capacidade de estabelecer relações em rede, redefinições de identidade, de perfis que simplesmente não são possíveis de serem tratadas pelas lógicas tradicionais de organização. Hierarquias de tomadas de decisão, maneiras tradicionais de se pensar divisão de recursos, distribuição de poder e responsabilidades. Isso está mudando, queiramos ou não, e as lógicas tradicionais de gestão que tentam organizar isso colapsam em suas tentativas centralizadas, fechadas e lineares.
- falta de conhecimento de outras possibilidades de se operar em meio ao caos e encontrar ordem. Dificuldade de operar sem um sentido de grupo, de coletivo e enorme dificuldade de saber como isso pode ser construído. Antigas referências de participação não dão conta. As pessoas mudaram, suas necessidades de participação são geracionais, suas visões do que é atuar em rede mudaram, suas necessidades de instâncias de distribuição de poder se agenciam em rede, querendo ou não. Não sabemos criar fluxos de organização disso.
Se isso é um problema ou não, enfim, não creio que seja essa a questão. Acho que isso vai depender do olhar de quem observa ou não assim.
A questão que fica é, para onde José? Parece que fica a sensação de que temos a chave da porta, mas a porta já não há.
Alguns sinais interessantes parecem indicar traços de novas portas que podem ser construídas no fazer fazendo:
- Novas tecnologias de conversação de grupos: Open Space, World Cafe, Investigação Apreciativa, etc...
- Novas possibilidades de encontrar ordem nos fluxos da informação: Scale Free Networks, Power laws, Sistemas não-lineares, sistemas adaptativos, etc...
- Novas possibilidades de organização em rede: a rede não como metáfora, mas como tendência de fluxo de informação. Abertura e disponibilização da informação em instâncias coletivas de decisão e conversação. Orçamentos abertos, decisões compartilhadas, alinhamentos coletivos.
Um desafio interessante e instigante é trabalhar a partir dessas 3 dimensões que, talvez, possam ser extremamente úteis quando se trata de encontrarmos novos caminhos e novas maneiras de estarmos juntos, não reduzindo e diminuindo a complexidade das tendências que vivemos, mas inventando novas formas de potencializá-las e reintegrá-las na produção de si.
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