Pensar em redes é, muitas vezes, uma questão de enxergar como as coisas podem se relacionar entre si. A potência da análise de redes sociais está em permitir visualizarmos as relações que acreditamos existir, facilitando dar contorno e tornar mais evidente que possíveis padrões de relacionamento estamos diante. Pensar em padrões, mais do que pensar naquilo que é determinado, é pensar naquilo que se conjuga nos hábitos, nas tendências de relação que talvez ainda não tenhamos nos dado conta.
Em tese, estamos diante de uma ferramenta de espelhamento, facilitando perceber diversos contextos espelhados nas relações que definem os limites de um sistema. Podemos ver aqui refletidos as políticas de relação, as formas, os modos e as diferentes maneiras possíveis nas quais esses sistemas são concebidos e apropriados por aqueles que lhes utilizam.
Foi com essa motivação como ponto de partida que montei essa apresentação para o Seminário de Usos de Redes Sociais na Produção Científica na USP.
Construindo uma história de links e caminhos, de conexões e conversas, de sentidos e contextos...
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domingo, 2 de dezembro de 2012
sábado, 10 de novembro de 2012
O Doutorado: o processo, a vivência e os companheiros
Faz aproximadamente uma semana que aconteceu minha defesa do doutorado. Um processo forte, do começo ao fim, com uma duração de aproximadamente 4 anos, cercados de muitas, mas realmente muitas mudanças que ocorreram em várias faces da vida de lá pra cá. É óbvio que tudo isso foi impactando e foi impactado por aquilo que viria a se tornar essa tese e a forma como a mesma foi senda gerada, gestada e parida.
Desde o começo, fiquei com uma vontade de contar por aqui como foi esse processo, suas principais etapas, aprendizados, produções e conexões que dali surgiram. Bem, eis o momento.
Motivação
A motivação para começar era circunscrita a dois grandes aspectos: o desejo/sonho de aprender a sistematizar melhor uma pesquisa, dando conta de mapear tendências, apontar evidências e construir uma linha de raciocínio própria em meio a tudo isso, além disso, a intuição de que o estudo aprofundado das redes e seus possibilidades de análise abririam um campo novo de trabalho, permitindo ampliar minha capacidade de olhar que com as ferramentas que tinha até então ainda não era capaz.
A intuição foi se mostrando forte o suficiente para apoiar os primeiros passos e, tão rápido quanto eles aconteceram, foi se mostrando também muito útil nos próprios projetos que ia desenvolvendo ao longo desses anos, onde também tive a oportunidade de utilizar parte do que aprendia e experimentar efeitos até então ainda inexplorados.
Mergulhando em um tema
Acredito, depois de tudo isso, que é preciso uma grande coragem e força de vontade para mergulhar fundo, mas fundo no próprio fundo, em um tema. O nível de detalhes que se abrem, as possibilidades infinitas de recombinação daquilo que se lê e daquilo que se pode interpretar, além dos inúmeros atravessamentos que vão acontecendo ao longo do caminho levando a deliciosas dispersões representam uma enorme oportunidade de conhecimento e um perigo enorme de se perder e nunca mais se achar.
Um pouco da disciplina do velho bode só fez ajudar. O mergulho foi delícia e quanto mais conhecia, mais queria conhecer. O ponto de inflexão foi tão forte que a decisão de continuar pesquisando o tema e prosseguir nos estudos foi quase de imediato. Sem dúvida, sei muito pouco do que ainda quero saber e experimentar, mas agora tenho um pouco mais de convicção no caminho a percorrer para chegar nesse conhecimento.
As boas dicas de metodologia científica, como o delicioso livro Como se fazer uma tese, do Umberto Eco, foram sem dúvida divisores de momentos no processo do mergulho. Acho que o que mais ganhei entrando por esse caminho foi a perspectiva de transformar a tese em um jogo. Aí, tudo ganhou um novo sentido. Não importava tanto os resultados a serem obtidos ali, importava mais montar o quebra cabeça, saber encaixas as peças, perceber o que ainda faltava na linha de raciocínio e ir atrás, achar novas pistas, dicas de por onde ir, mergulhar em novas possibilidades, mas saber voltar e fazer o caminho de registro de traço a mais no contorno do que ia me definindo ao longo do texto.
A tese foi projetiva de uma narrativa muito mais pessoal do que técnica. Foi canal de expressão de possibilidades analíticas que não estavam dadas em meu repertório de possibilidades antes desse mergulho. Ver isso tomando forma foi tão prazeroso quanto escrever a própria história.
O mergulho foi fundo. Me levou a novas áreas. Entrei em contato com as Ciências da Complexidade, Estatística Multivariada, Análise Dinâmica de Redes, Biopolítica, Sociologia da Ciência, Antropologia, Psicologia Social e Filosofia, só pra falar de bate pronto daquilo que me ressalta como mais forte nesse momento. Sem dúvida, há mais. Mas essas áreas foram fronteiras novas que foram descobertas e, sem dúvida, apontam ainda muito para se conhecer.
A sensação é de que o mergulho ainda tá em processo. A tese foi apenas uma etapa do respiro necessário para poder continuar.
A orientação
A relação de orientação que estabeleci com a Sueli foi de fato uma relação de outra ordem daquilo que eu estava acostumado em um ambiente acadêmico. Tivemos um contato limitado pelo tempo, sem dúvida, devido a várias agendas complexas, tanto dela quanto minha. Mas, o tempo juntos foi extremamente produtivo no sentido de abrir novas visões do que era a construção de uma tese, de como seguir uma linha de narrativa e de como definir minhas hipóteses, objetivos e perspectivas de modo a realmente me ajudar a entender a mim mesmo, para além daquilo que de fato ia se tornar um produto deste trabalho.
Admiração e respeito surgiram desse processo. Aprendi muito com ela, o que de fato já tenho aplicado na relação com meus próprios alunos na Fatec São Paulo e no Senac Sorocaba, onde tenho orientado os TCCs da moçada por ali. Acho que fica aqui, sobretudo, um desejo de ter mais contato e aprender mais sobre essa forma de pensar e estruturar ideias, o que tanto tem me agradado nos últimos anos.
A produção
Produzir artigos, participar de eventos e utilizar isso como um caminho de conhecimento da própria área da Ciência da Informação na qual estava entrando se tornou um desafio instigante e provocador de um tipo de deslocamento ao qual eu estava pouco acostumado até então. Ir a vários eventos como participante, sentado ali na platéia apenas para ouvir e, quando apresentava um trabalho, falar apenas poucos minutos, acabou me dando uma nova perspectiva do que aquelas pessoas pensavam e como analisam seus temas de interesse.
Conheci muita gente interessante e tive a oportunidade de estabelecer bons contatos ao longo desses anos.
Acho que vale registrar por aqui por onde passei, apresentando trabalhos e vendo o que os outros grupos e estudantes estavam produzindo (as apresentações que fiz nesses eventos estão registradas aqui):
A defesa
O momento da defesa é de fato um momento único. Espaço onde você vai encontrar com pessoas que leram seu trabalho a fundo e, possivelmente, podem contribuir muito para que você olhe para aquilo que não viu em si mesmo, refletido em seu próprio texto.
Procurei, junto com Sueli, escolher a banca com pessoas que eram referência na área e que poderiam de fato ajudar muito com seu potencial de análise e reflexão. Acabamos convidando a Jacqueline Leta, o Rogério Mugnaini, a Nanci Odonne e a Maria Imacolatta.
Abaixo segue a apresentação que fiz, procurando achar uma síntese do que foi esse trabalho e como mostrar seus pontos mais importantes para as pessoas queridas que também estavam ali presentes.
A apresentação durou aproximadamente 40 minutos e logo passamos para a etapa de arguição, onde os convidados da banca foram trazendo suas questões e abrindo pontos do trabalho que lhe chamavam atenção. A banca trouxe aspectos interessantes, sobretudo quando se tratou de novas possibilidades de reorganização do trabalho e de minha relação com os teóricos como Latour e Foucault. Foi muito útil ver como essa entrada com essas referências repercutiu por ali, percebendo efeitos, possibilidades ainda não exploradas e minhas próprias dificuldades de diálogo ali abertas como um campo de análise que me deu importantes elementos para saber melhor por onde continuar.
Enfim, depois de quase 4 horas de conversa, termina essa etapa de uma forma delícia. Tese aprovada na íntegra, sem necessidade de mudança, recomendação de livro sobre análise de redes sociais e nova etapa de pesquisa começando a ser desenhada.
Os companheiros
Acho que uma das coisas mais bonitas que aconteceu nesse dia da defesa foi contar com a presença de companheiros tão queridos e importantes, não só no processo do doutorado, mas na vida como um todo. Poder falar para essas pessoas, olhar nos seus olhos e apresentar esse trabalho da forma como isso aconteceu foi um presente que de fato mexeu e reconfirmou muitos dos sentidos que eu mesmo estava buscando com a realização desse trabalho.
Não tenho dúvidas de suas questões, suas formas de visão e o modo como foram abordando os próprios resultados do trabalho que fomos desenvolvendo juntos me trouxeram novas perspectivas que acabaram, de uma forma ou de outra, incorporadas pela tese como um todo. Gratidão! :-))))
A tese
Desde o começo, fiquei com uma vontade de contar por aqui como foi esse processo, suas principais etapas, aprendizados, produções e conexões que dali surgiram. Bem, eis o momento.
Motivação
A motivação para começar era circunscrita a dois grandes aspectos: o desejo/sonho de aprender a sistematizar melhor uma pesquisa, dando conta de mapear tendências, apontar evidências e construir uma linha de raciocínio própria em meio a tudo isso, além disso, a intuição de que o estudo aprofundado das redes e seus possibilidades de análise abririam um campo novo de trabalho, permitindo ampliar minha capacidade de olhar que com as ferramentas que tinha até então ainda não era capaz.
A intuição foi se mostrando forte o suficiente para apoiar os primeiros passos e, tão rápido quanto eles aconteceram, foi se mostrando também muito útil nos próprios projetos que ia desenvolvendo ao longo desses anos, onde também tive a oportunidade de utilizar parte do que aprendia e experimentar efeitos até então ainda inexplorados.
Mergulhando em um tema
Acredito, depois de tudo isso, que é preciso uma grande coragem e força de vontade para mergulhar fundo, mas fundo no próprio fundo, em um tema. O nível de detalhes que se abrem, as possibilidades infinitas de recombinação daquilo que se lê e daquilo que se pode interpretar, além dos inúmeros atravessamentos que vão acontecendo ao longo do caminho levando a deliciosas dispersões representam uma enorme oportunidade de conhecimento e um perigo enorme de se perder e nunca mais se achar.
Um pouco da disciplina do velho bode só fez ajudar. O mergulho foi delícia e quanto mais conhecia, mais queria conhecer. O ponto de inflexão foi tão forte que a decisão de continuar pesquisando o tema e prosseguir nos estudos foi quase de imediato. Sem dúvida, sei muito pouco do que ainda quero saber e experimentar, mas agora tenho um pouco mais de convicção no caminho a percorrer para chegar nesse conhecimento.
As boas dicas de metodologia científica, como o delicioso livro Como se fazer uma tese, do Umberto Eco, foram sem dúvida divisores de momentos no processo do mergulho. Acho que o que mais ganhei entrando por esse caminho foi a perspectiva de transformar a tese em um jogo. Aí, tudo ganhou um novo sentido. Não importava tanto os resultados a serem obtidos ali, importava mais montar o quebra cabeça, saber encaixas as peças, perceber o que ainda faltava na linha de raciocínio e ir atrás, achar novas pistas, dicas de por onde ir, mergulhar em novas possibilidades, mas saber voltar e fazer o caminho de registro de traço a mais no contorno do que ia me definindo ao longo do texto.
A tese foi projetiva de uma narrativa muito mais pessoal do que técnica. Foi canal de expressão de possibilidades analíticas que não estavam dadas em meu repertório de possibilidades antes desse mergulho. Ver isso tomando forma foi tão prazeroso quanto escrever a própria história.
O mergulho foi fundo. Me levou a novas áreas. Entrei em contato com as Ciências da Complexidade, Estatística Multivariada, Análise Dinâmica de Redes, Biopolítica, Sociologia da Ciência, Antropologia, Psicologia Social e Filosofia, só pra falar de bate pronto daquilo que me ressalta como mais forte nesse momento. Sem dúvida, há mais. Mas essas áreas foram fronteiras novas que foram descobertas e, sem dúvida, apontam ainda muito para se conhecer.
A sensação é de que o mergulho ainda tá em processo. A tese foi apenas uma etapa do respiro necessário para poder continuar.
A orientação
A relação de orientação que estabeleci com a Sueli foi de fato uma relação de outra ordem daquilo que eu estava acostumado em um ambiente acadêmico. Tivemos um contato limitado pelo tempo, sem dúvida, devido a várias agendas complexas, tanto dela quanto minha. Mas, o tempo juntos foi extremamente produtivo no sentido de abrir novas visões do que era a construção de uma tese, de como seguir uma linha de narrativa e de como definir minhas hipóteses, objetivos e perspectivas de modo a realmente me ajudar a entender a mim mesmo, para além daquilo que de fato ia se tornar um produto deste trabalho.
Admiração e respeito surgiram desse processo. Aprendi muito com ela, o que de fato já tenho aplicado na relação com meus próprios alunos na Fatec São Paulo e no Senac Sorocaba, onde tenho orientado os TCCs da moçada por ali. Acho que fica aqui, sobretudo, um desejo de ter mais contato e aprender mais sobre essa forma de pensar e estruturar ideias, o que tanto tem me agradado nos últimos anos.
A produção
Produzir artigos, participar de eventos e utilizar isso como um caminho de conhecimento da própria área da Ciência da Informação na qual estava entrando se tornou um desafio instigante e provocador de um tipo de deslocamento ao qual eu estava pouco acostumado até então. Ir a vários eventos como participante, sentado ali na platéia apenas para ouvir e, quando apresentava um trabalho, falar apenas poucos minutos, acabou me dando uma nova perspectiva do que aquelas pessoas pensavam e como analisam seus temas de interesse.
Conheci muita gente interessante e tive a oportunidade de estabelecer bons contatos ao longo desses anos.
Acho que vale registrar por aqui por onde passei, apresentando trabalhos e vendo o que os outros grupos e estudantes estavam produzindo (as apresentações que fiz nesses eventos estão registradas aqui):
- VIII Evidosol
- 12º Fisl
- 13 ISSI
- X CINFORM
- IV SECIN
- I WPOSINFO
- XII ENANCIB
- III Seminário de pesquisas em andamento da ECA
- 9th CONTECSI
- 11º KMBrasil
- 3º EBBC
- I SITI
- 14º Congresso de Tecnologia da FATEC-SP
- IV Semana de Pedagogia da UFSCAR
- XIII ENANCIB
Ao longo desses eventos, tive a oportunidade conhecer várias Universidades pelo país, conhecendo também novas pessoas de cada canto por onde passava. Estive na Universidade Estadual do Paraná, Universidade Federal da Bahia, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade de São Paulo, Universidade Federal do ABC, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de Brasília, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Fatec de São José do Rio Preto, Universidade Federal de São Carlos e FioCruz no Rio de Janeiro. E também fora do país, tive a oportunidade de estar na África do Sul, em Durban, passando uma semana interessantíssima no congresso da ISSI, onde tive a oportunidade de tomar contato mais próximo sobre como andava a pesquisa na área no exterior, tendo condições de situar onde meu trabalho estava e para onde ainda precisava caminhar.
Além disso, acho que vale registrar aqui os artigos já publicados e que possuem uma relação direta com esse trabalho de tese:
- A emergência da análise de redes sociais como campo de pesquisa: perspectivas a partir da análise da produção científica em português e espanhol a partir do Google Acadêmico;
- A urgência dos padrões em rede: do autor do conteúdo ao vínculo da relação;
- Analisando a dinâmica de produção e apropriação da informação em redes sociais online
Outros 4 artigos estão em processo de publicação desse trabalho, avançando um pouco mais nos resultados que fui obtendo ao longo do processo.
A defesa
O momento da defesa é de fato um momento único. Espaço onde você vai encontrar com pessoas que leram seu trabalho a fundo e, possivelmente, podem contribuir muito para que você olhe para aquilo que não viu em si mesmo, refletido em seu próprio texto.
Procurei, junto com Sueli, escolher a banca com pessoas que eram referência na área e que poderiam de fato ajudar muito com seu potencial de análise e reflexão. Acabamos convidando a Jacqueline Leta, o Rogério Mugnaini, a Nanci Odonne e a Maria Imacolatta.
Abaixo segue a apresentação que fiz, procurando achar uma síntese do que foi esse trabalho e como mostrar seus pontos mais importantes para as pessoas queridas que também estavam ali presentes.
Apresentação da Defesa do Doutorado - Análise de redes sociais de colaboração científica no ambiente de uma federação de bibliotecas digitais from Dalton Martins
A apresentação durou aproximadamente 40 minutos e logo passamos para a etapa de arguição, onde os convidados da banca foram trazendo suas questões e abrindo pontos do trabalho que lhe chamavam atenção. A banca trouxe aspectos interessantes, sobretudo quando se tratou de novas possibilidades de reorganização do trabalho e de minha relação com os teóricos como Latour e Foucault. Foi muito útil ver como essa entrada com essas referências repercutiu por ali, percebendo efeitos, possibilidades ainda não exploradas e minhas próprias dificuldades de diálogo ali abertas como um campo de análise que me deu importantes elementos para saber melhor por onde continuar.
Enfim, depois de quase 4 horas de conversa, termina essa etapa de uma forma delícia. Tese aprovada na íntegra, sem necessidade de mudança, recomendação de livro sobre análise de redes sociais e nova etapa de pesquisa começando a ser desenhada.
Os companheiros
Acho que uma das coisas mais bonitas que aconteceu nesse dia da defesa foi contar com a presença de companheiros tão queridos e importantes, não só no processo do doutorado, mas na vida como um todo. Poder falar para essas pessoas, olhar nos seus olhos e apresentar esse trabalho da forma como isso aconteceu foi um presente que de fato mexeu e reconfirmou muitos dos sentidos que eu mesmo estava buscando com a realização desse trabalho.
Não tenho dúvidas de suas questões, suas formas de visão e o modo como foram abordando os próprios resultados do trabalho que fomos desenvolvendo juntos me trouxeram novas perspectivas que acabaram, de uma forma ou de outra, incorporadas pela tese como um todo. Gratidão! :-))))
A tese
Segue aqui o resultado final, que acredito que mais que tudo fale por si.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Brincando com dados no Gephi:
Fazia um tempo que tinha colocado aqui na listinha de coisas a experimentar brincar um pouco com o Gephi, um sistema de visualização e exploração de grafos.
Bem, pra começo de conversa o Gephi tem uma história de desenvolvimento bastante interessante, dado que ele é desenvolvido por um consórcio envolvendo empresas, universidades e desenvolvedores pelo mundo afora. Um modelo híbrido, com uma intenção clara: trabalhar análise de dados para redes em um nível singular de interatividade e excelência técnica. O resultado é que a ferramenta é incrivelmente fácil de usar e fornece resultados de uma forma prática que eu nem sequer imaginava, dado a experiência prévia que já tive com outros softwares, como Pajek, Netdraw, Visone e Ucinet.
Funcionalidades como calculo de métricas, mapeamento de comunidades, formatação da rede por atributos, definição de parâmetros de nós e arestas são muito mais intuitivos que nos softwares acima, disponibilizando várias informações em painéis que ficam o tempo todo visíveis para os usuários, evitando termos de acessar uma quantidade enorme de menus que dificultam replicarmos os procedimentos técnicos de análise quando algum tempo se usar o software.
Fiz algumas experiências com base nesse tutorial inicial que replico abaixo e realmente me pareceu que o Gephi pode poupar algumas boas horas de práticas em cima da análise de redes. Enfim, documentando por aqui para os interessados nessa imersão "sedutora" da modelagem de sistemas e análise baseada na metáfora dos grafos. :-)
Bem, pra começo de conversa o Gephi tem uma história de desenvolvimento bastante interessante, dado que ele é desenvolvido por um consórcio envolvendo empresas, universidades e desenvolvedores pelo mundo afora. Um modelo híbrido, com uma intenção clara: trabalhar análise de dados para redes em um nível singular de interatividade e excelência técnica. O resultado é que a ferramenta é incrivelmente fácil de usar e fornece resultados de uma forma prática que eu nem sequer imaginava, dado a experiência prévia que já tive com outros softwares, como Pajek, Netdraw, Visone e Ucinet.
Funcionalidades como calculo de métricas, mapeamento de comunidades, formatação da rede por atributos, definição de parâmetros de nós e arestas são muito mais intuitivos que nos softwares acima, disponibilizando várias informações em painéis que ficam o tempo todo visíveis para os usuários, evitando termos de acessar uma quantidade enorme de menus que dificultam replicarmos os procedimentos técnicos de análise quando algum tempo se usar o software.
Fiz algumas experiências com base nesse tutorial inicial que replico abaixo e realmente me pareceu que o Gephi pode poupar algumas boas horas de práticas em cima da análise de redes. Enfim, documentando por aqui para os interessados nessa imersão "sedutora" da modelagem de sistemas e análise baseada na metáfora dos grafos. :-)
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Apresentando sobre dinâmica de evolução de revistas científicas e bibliotecas digitais no 3º Simpósio Brasileiro de Comunicação Científica na Universidade Federal de Santa Catarina
Semana passada estive na Universidade Federal de Santa Catarina, no campus de Florianópolis, para participar do 3º Simpósio Brasileiro de Comunicação Científica. O evento faz parte das ações de pesquisa do programa de pós-graduação em Ciência da Informação e trouxe como temática do encontro a questão do acesso aberto.
Tema bom de conversar e ainda com muito, mas muito para ser feito em termos de tecnologia, pesquisa e, sobretudo, entendimento humano do assunto. Como tenho feito já a um tempo, estou participando de eventos desse tipo, enviando trabalhos do doutorado, como estratégia para conhecer melhor a área da CI no Brasil, o que tem sido feito, quem está atuando e construir melhores formas de me inserir também nesse contexto.
Alguns bons temas foram discutidos por lá nos dois dias do evento. Vou resumir aqui o que considero como as principais contribuições para o debate e onde acho que temos bastante espaço para experimentar bons processos de relação:
E no final, até um show Hare Krishna com distribuição de comida vegana rolou! Bom encontro!
Tema bom de conversar e ainda com muito, mas muito para ser feito em termos de tecnologia, pesquisa e, sobretudo, entendimento humano do assunto. Como tenho feito já a um tempo, estou participando de eventos desse tipo, enviando trabalhos do doutorado, como estratégia para conhecer melhor a área da CI no Brasil, o que tem sido feito, quem está atuando e construir melhores formas de me inserir também nesse contexto.
Alguns bons temas foram discutidos por lá nos dois dias do evento. Vou resumir aqui o que considero como as principais contribuições para o debate e onde acho que temos bastante espaço para experimentar bons processos de relação:
- Banco Mundial e Unesco agora possuem diretrizes institucionais de promoção a seus repositórios em acesso aberto, seguindo os padrões da OAI.
- A União Européia finalizou recentemente um projeto chamado PEER - Publishing and the ecology of european research. O projeto se propunha a investigar os efeitos causados pela publicação sistemática de artigos científicos revisados pelos pares do ponto de vista dos leitores, dos journals assim como em toda a ecologia da pesquisa na união européia. Diversos materiais interessantes foram gerados ao longo de 4 anos de trabalho.
- Pesquisadores americanos têm criado alguns manifestos sobre a abertura integral e de acesso aberto aos resultados das pesquisas que foram financiadas pelo governo. Bom debate rolando aqui.
- Para novos processos, novos modos de dar visibilidade sempre são uma etapa que ajudam e muito a conseguirmos avança na consolidação de novas ideias. A PLOS (Public Library of Science) tem se proposto a construir e experimentar novos indicadores que busquem avançar nas limitações de avaliação que hoje existem quando utilizamos apenas o fator de impacto. O Article level metrics é uma iniciativa fundamental para esse debate. A ideia aqui por detrás é mostrar como temos a necessidade de trabalhar de forma multidimensional para construir sistemas de avaliação de impacto que expandam as nossas limitações de olhar do que é hoje considerado uma boa pesquisa científica. Trabalham com as seguintes dimensões e suas possíveis integrações: usage, citations, social bookmarking and dissemination activity, media and blog coverage, discussion activity and ratings.
- O projeto total-impact.org é uma iniciativa que permite criarmos uma coleção de objetos de pesquisa que desejamos rastrear e avaliar ao mesmo seu impacto na comunidade acadêmica. Permite criar coleções de artigos, dados, gráficos, entre outros e avaliar como eles são apropriados em diferentes dimensões. Muito útil.
- Um livro interessante sobre os "novos colégios invisíveis" foi comentando como uma boa tentativa de mostrar como a ciência, a dinâmica da pesquisa e os fluxos de redes têm mudado nos últimos anos no mundo todo.
- Nas apresentações de trabalho, deu para sentir as primeiras conversas sobre curadoria digital de dados, sobretudo num projeto que foi ali apresentado, do Digital Curation Centre. É um projeto do Governo inglês que visa auxiliar suas universidades e instituições de pesquisa a promoverem processos de curadoria de seus dados digitais, ou seja, arquivarem dados brutos de pesquisa e não somente aqueles que já foram processados e se tornaram relatórios, artigos ou outros tipos de trabalhos. Outro debate fundamental: onde publicar os dados brutos da minha pesquisa? O quanto eles não poderiam alimentar de ideias e possibilidades de experimentação outros pesquisadores que tivessem interesses semelhantes aos meus? O quanto isso não poderia favorecer a melhor circulação de nossas próprias ideias?
- Sobre ferramentas, duas delas foram bem lembradas para análise de padrões complexos em dados de produção científica: Citespace e Sci2.
Abaixo, segue a apresentação que fiz no Simpósio e o link do artigo apresentado.
E no final, até um show Hare Krishna com distribuição de comida vegana rolou! Bom encontro!
Postado por
Dalton Martins
às
11:27
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terça-feira, 5 de junho de 2012
Apresentando sobre Open Archives no 9th CONTECSI International Conference on Information Systems and Technology Management
Semana passada fui apresentar um trabalho sobre o doutorado na 9th CONTECSI, que é um evento científico organizado pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo.
O evento já é um dos tradicionais aqui no Brasil voltado para discussões envolvendo as várias facetas de sistemas de informação, desde tecnologia até modos de uso e sentidos de apropriação. Confesso que fui bastante despreocupado em relação ao que esperar. Assim, normalmente, é mais fácil.
Resolvi passar a quinta-feira por lá. Apresentei meu trabalho logo após o almoço. Estava inscrito na área de Ciência da Informação, junto com outros trabalhos sobre repositórios digitais e interfaces da Ciência da informação com outras áreas do conhecimento. Os trabalhos na sessão em que apresentei eram bastante heterogêneos, sendo um primeiro focado na tecnologia de base do protocolo OAI-PMH, que também utilizo como um dos fundamentos tecnológicos do que viabiliza minha tese no sentido de transporte e circulação de metadados e um outro trabalho de cunho bastante teórico, mais voltado para pensar nos múltiplos usos que conceitos das ciências cognitivas fazem interface com a ciência da informação e formas de mapeamento dessas conexões. Por fim, tinha meu trabalho, sendo as primeiras reflexões mais aplicadas da minha tese, buscando mostrar como bibliotecas digitais federadas podem criar importantes e expressivos repositórios de informação que viabilizam pesquisas na área da bibliometria, infometria e webometria em outro nível de escala e qualidade. Temas interessantes, mas com pouco contato. Não houve muito debate e seguimos adiante. De qualquer forma, deixo aqui abaixo o material que apresentei por lá e que já começa a levantar alguns resultados iniciais de por onde ando pesquisando nos últimos tempos...
Depois, fui convidado para moderar uma mesa com o tema "Gestão de Sistemas de Informação". Enfim, tava esperando algo mais abstrato ainda, dado que nesse tema muita coisa poderia caber. Mas, me surpreendi, de fato. Pessoas bastante interessantes acabaram reunidas na sala, com trabalhos que abriram boas conversas entre si e bons caminhos de reflexão sobre modos de uso da informação, modelagem de dados, mineração e o uso da teoria de agentes de software para o gerenciamento de eventos em ambientes complexos, um dos temas que gosto bastante desde a época da Unicamp. A discussão que mais pegou foi sobre modelagem conceitual de banco de dados, dados multidimensionais e o famoso problema do minimundo.
O que modelamos é a realidade, o que vemos ou algum tipo de interface no meio disso tudo? E quando isso vira sistema de informação? Como garantir que funcione, seja flexível e ainda assim estruturado? Que dilemas precisamos cuidar? Interessante demais ver como gente bastante focada na ciência da computação em seu aspecto mais duro tem tentado responder a essas coisas. O foco vem e vai e acabamos voltados para os espaços de conversação e as múltiplas formas como surgem o pensamento humano. Divertido e bom pra pensar.
Bons trabalhos sobre BI e mineração de dados, uma área que tenho flertado mais nos últimos tempos, sobretudo pela possibilidade e potencialidade que oferece na síntese e visualização de informação complexa, ainda mais quando utilizado em conjunto com a análise de redes sociais.
O evento já é um dos tradicionais aqui no Brasil voltado para discussões envolvendo as várias facetas de sistemas de informação, desde tecnologia até modos de uso e sentidos de apropriação. Confesso que fui bastante despreocupado em relação ao que esperar. Assim, normalmente, é mais fácil.
Resolvi passar a quinta-feira por lá. Apresentei meu trabalho logo após o almoço. Estava inscrito na área de Ciência da Informação, junto com outros trabalhos sobre repositórios digitais e interfaces da Ciência da informação com outras áreas do conhecimento. Os trabalhos na sessão em que apresentei eram bastante heterogêneos, sendo um primeiro focado na tecnologia de base do protocolo OAI-PMH, que também utilizo como um dos fundamentos tecnológicos do que viabiliza minha tese no sentido de transporte e circulação de metadados e um outro trabalho de cunho bastante teórico, mais voltado para pensar nos múltiplos usos que conceitos das ciências cognitivas fazem interface com a ciência da informação e formas de mapeamento dessas conexões. Por fim, tinha meu trabalho, sendo as primeiras reflexões mais aplicadas da minha tese, buscando mostrar como bibliotecas digitais federadas podem criar importantes e expressivos repositórios de informação que viabilizam pesquisas na área da bibliometria, infometria e webometria em outro nível de escala e qualidade. Temas interessantes, mas com pouco contato. Não houve muito debate e seguimos adiante. De qualquer forma, deixo aqui abaixo o material que apresentei por lá e que já começa a levantar alguns resultados iniciais de por onde ando pesquisando nos últimos tempos...
Open Archive Initiatives and Federated Information Systems: fundamentals of information architecture for data analysis from the portal of scientific literature in Communication Sciences Univerciencia.org
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Depois, fui convidado para moderar uma mesa com o tema "Gestão de Sistemas de Informação". Enfim, tava esperando algo mais abstrato ainda, dado que nesse tema muita coisa poderia caber. Mas, me surpreendi, de fato. Pessoas bastante interessantes acabaram reunidas na sala, com trabalhos que abriram boas conversas entre si e bons caminhos de reflexão sobre modos de uso da informação, modelagem de dados, mineração e o uso da teoria de agentes de software para o gerenciamento de eventos em ambientes complexos, um dos temas que gosto bastante desde a época da Unicamp. A discussão que mais pegou foi sobre modelagem conceitual de banco de dados, dados multidimensionais e o famoso problema do minimundo.
O que modelamos é a realidade, o que vemos ou algum tipo de interface no meio disso tudo? E quando isso vira sistema de informação? Como garantir que funcione, seja flexível e ainda assim estruturado? Que dilemas precisamos cuidar? Interessante demais ver como gente bastante focada na ciência da computação em seu aspecto mais duro tem tentado responder a essas coisas. O foco vem e vai e acabamos voltados para os espaços de conversação e as múltiplas formas como surgem o pensamento humano. Divertido e bom pra pensar.
Bons trabalhos sobre BI e mineração de dados, uma área que tenho flertado mais nos últimos tempos, sobretudo pela possibilidade e potencialidade que oferece na síntese e visualização de informação complexa, ainda mais quando utilizado em conjunto com a análise de redes sociais.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Experimentando o olhar na evolução das redes ... animando grafos
Começando a gerar alguns experimentos que facilitem visualizar e se dar conta de como as redes produzem movimentos de sincronia, movimentos de remix de posições ao colocarmos em movimento as relações como se estabelecem no tempo.
A experiência abaixo é a partir dos dados da rede Univerciencia.org, uma rede de co-autoria entre pesquisadore que publicam em revistas da área da Ciência da Comunicação.
A experiência abaixo é a partir dos dados da rede Univerciencia.org, uma rede de co-autoria entre pesquisadore que publicam em revistas da área da Ciência da Comunicação.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Desdobramentos de conversas sobre as análises da Rede Conversê.org
No meio desse ano, comecei a avançar em experimentos mais concretos sobre algumas hipóteses de como estudar redes a partir de suas bases de dados. Lá em Durban, em julho, comecei a brincar com a base de dados da rede Conversê.org, uma ação fundamental que foi executada no âmbito do projeto Cultura Digital por gente querida na busca por ampliar os espaços coletivos e de conversação que existiam nos projetos culturais até então.
Experiência rica, intensa, o que só me motivou mais a querer trabalhar com ela. Comecei a construir um artigo que buscasse sintetizar alguns modos interessantes que eu gostaria de mostrar sobre como essa rede se desenvolveu ao longo de seu tempo de existência. Escolhi o formato de artigo por ser uma estrutura formal o suficiente para meu desejo de organizar as informações necessárias para obter o efeito que eu estava buscando naquele momento: menos discurso aberto, mais síntese de movimentos.
O artigo foi publicado essa semana na revista Em Questão, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A primeira coisa que fiz foi apresentar o resultado do trabalho para as redes Estúdio Livre e Metareciclagem, por onde ainda circulam várias pessoas que participaram da concepção, implantação e desenvolvimento do projeto Conversê. Meu desejo: conversar, ouvir comentários, críticas, ampliar minha capacidade de olhar para aquilo que tem me interessado nos últimos tempos.
Começou uma conversa muito interessante, puxada pela Fabi Borges e que vale relatar por aqui:
"fabi,
tuas questões são um ponto chave...
de fato, são perguntas como essas que têm me movido a estudar as coisas desse modo.
escutei e escuto muitos discursos bonitos, floridos falando sobre redes, sobre projetos que eu participe e que, por experiência, eu sabia que o que aqueles discursos revelavam estava longe da minha percepção empírica das coisas.
mas, como demonstrar isso? com mais contra-discurso apenas, ficaria só mais uma versão da história. os gráficos e análise ajudam a embasar um pouco mais, apesar de não resolverem essas perguntas, como você bem colocou. dão um grau a mais para outras versões da história.
algumas hipóteses minhas:
bjs,
dalton"
E assim segue a conversa...
Experiência rica, intensa, o que só me motivou mais a querer trabalhar com ela. Comecei a construir um artigo que buscasse sintetizar alguns modos interessantes que eu gostaria de mostrar sobre como essa rede se desenvolveu ao longo de seu tempo de existência. Escolhi o formato de artigo por ser uma estrutura formal o suficiente para meu desejo de organizar as informações necessárias para obter o efeito que eu estava buscando naquele momento: menos discurso aberto, mais síntese de movimentos.
O artigo foi publicado essa semana na revista Em Questão, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A primeira coisa que fiz foi apresentar o resultado do trabalho para as redes Estúdio Livre e Metareciclagem, por onde ainda circulam várias pessoas que participaram da concepção, implantação e desenvolvimento do projeto Conversê. Meu desejo: conversar, ouvir comentários, críticas, ampliar minha capacidade de olhar para aquilo que tem me interessado nos últimos tempos.
Começou uma conversa muito interessante, puxada pela Fabi Borges e que vale relatar por aqui:
"fabi,
tuas questões são um ponto chave...
2011/12/17 fabi borges <catadores@gmail.com>:> horizontal de fato, que nao tinha poder de fato??--
> pq esses usuarios nao mantiveram interesse?
> entra ahi um problema de design?
> ou ainda, por falta de "cultura" de colaboracao?
> Seria pq estava atrelada ao ESTADO e isso dava sensacao de que nao era
de fato, são perguntas como essas que têm me movido a estudar as coisas desse modo.
escutei e escuto muitos discursos bonitos, floridos falando sobre redes, sobre projetos que eu participe e que, por experiência, eu sabia que o que aqueles discursos revelavam estava longe da minha percepção empírica das coisas.
mas, como demonstrar isso? com mais contra-discurso apenas, ficaria só mais uma versão da história. os gráficos e análise ajudam a embasar um pouco mais, apesar de não resolverem essas perguntas, como você bem colocou. dão um grau a mais para outras versões da história.
algumas hipóteses minhas:
- não acho que seja problema de design;
- não acho que seja falta de cultura de colaboração;
- não acho que é pelo papel do "estado";
- acho, e tenho buscado coletar, compilar, refletir sobre evidências mais fortes nesse sentido, que tem muito a ver com dois modos que podem se complementar de enxergar redes:
- as redes auto-organizadas que emergem por si só: metareciclagem,
é um exemplo disso. o contexto convoca, as pessoas se encontram pq que
querem, por que sentem que ali encontra a força de uma conversa que não
acontece em outro lugar. É como se uma certa vibra corresse no ar,
instigando em diferentes modos a vontade de fazer algo que acaba se
tornando num contexto de rede.
- as redes construídas por projetos ou ações que visam promover coletivos e ampliar o potencial de auto-organização de grupos: esses são bem mais complexos, pois envolvem uma questão crucial pra mim: cuidado e afeto. Se as pessoas encontrarem em redes gente disposta a recebê-las, acolher de fato, conversar, responder, cuidar, demonstrar interesse verdadeiro (não a vontade de vender e fazer o ritual canibal marketeiro número 2), coisas muito interessantes podem acontecer. Mas, investir num processo desse demanda tempo, demanda muita, mas muita energia na vontade e disposição de conversar. Poucas redes que eu conheço se propuseram e conseguiram executar isso bem feito. Alguns exemplos, como a Rede Humaniza SUS, a rede Telecentros.br (os monitores de telecentros) caminham nessa vertente e dão boas pistas de como investir energia e inspiração nesse sentido.
- Acho que a rede Conversê tentou ficar num misto disso, não fazendo nenhuma e nem outra. Mas, isso é só uma hipótese...
bjs,
dalton"
E assim segue a conversa...
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Apresentando no III Seminário do programa de pós em Ciência da Informação na ECA/USP
Ano bom, ano forte. Muita mudança, novos pontos de vista, novas possibilidades, muitos deslocamentos de lugares já consolidados abrindo espaço para novas formas de se ver para tantos lugares já conhecidos.
Enfim, caminhos. E esse foi um ano de muito trabalho de análise, de síntese, de reflexão, de se recolher mais para pensar, de falar menos. Ontem, num importante momento de síntese, todos os colegas e companheiros que estão fazendo pós no mesmo programa que eu, na Ciência da Informação - ECA/USP, e qualificaram no ano de 2011, se reuniram num seminário para apresentarem o andamento de seus trabalhos de pesquisa, seja de mestrado ou doutorado.
Conversa boa, revendo gente amiga, compartilhando as preocupações, as inquietações, os modos de pensar, os modos de escrever. Fui pra lá também apresentar o andamento da tese, os primeiros resultados que consegui gerar a partir das últimas semanas em que trabalhei bastante num script php para extrair e organizar os dados da base de modo que me permita os cruzamentos necessários. Processo extremamente divertido, relembrando de muitos caminhos da programação, dos tipos de raciocínio, dos meios de chegar a um ponto.
Fica o registro da apresentação, fechando mais esse ciclo.
Enfim, caminhos. E esse foi um ano de muito trabalho de análise, de síntese, de reflexão, de se recolher mais para pensar, de falar menos. Ontem, num importante momento de síntese, todos os colegas e companheiros que estão fazendo pós no mesmo programa que eu, na Ciência da Informação - ECA/USP, e qualificaram no ano de 2011, se reuniram num seminário para apresentarem o andamento de seus trabalhos de pesquisa, seja de mestrado ou doutorado.
Conversa boa, revendo gente amiga, compartilhando as preocupações, as inquietações, os modos de pensar, os modos de escrever. Fui pra lá também apresentar o andamento da tese, os primeiros resultados que consegui gerar a partir das últimas semanas em que trabalhei bastante num script php para extrair e organizar os dados da base de modo que me permita os cruzamentos necessários. Processo extremamente divertido, relembrando de muitos caminhos da programação, dos tipos de raciocínio, dos meios de chegar a um ponto.
Fica o registro da apresentação, fechando mais esse ciclo.
Apresentação III Seminário do PPGCI 2011
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Algumas razões pelas quais a modelagem de sistemas complexos ainda vai nos levar a um outro nível de compreensão do mundo
Buscando na web por esses dias achei um texto fantástico, bem escrito e de fácil compreensão sobre as mútiplas portas no conhecimento e na visão de mundo que a modelagem de sistemas complexos abre para os imaginários humanos.
De tão bom, resolvi reproduzir aqui um bom trecho desse documento, que veio do documento que institui o programa de pós-graduação em modelagem de sistemas complexos da Usp Leste.
" Embora não exista uma definição ampla consensual, Sistemas Complexos são identificáveis por exibir comportamentos que têm sido sistematicamente enumerados pela literatura nos últimos vinte anos1, detalhados na lista não-exaustiva apresentada a seguir: emergência, transições de fase, universalidade, adaptabilidade, auto-referência, auto-organização, imprevisibilidade, padrões de interação com regularidades não-triviais, causas múltiplas com efeitos não-lineares e invariância em escala.
1. Emergência: Um fenômeno é emergente quando surge como resultado da interação dos elementos constituintes do sistema e não pode ser descrito somente em função das características isoladas de tais constituintes. O estado de agregação de moléculas de água, por exemplo, é uma propriedade emergente: uma molécula de água não pode ser definida como sólida, líquida ou gasosa, pois são propriedades que podem caracterizar somente agregados de moléculas de água, dada a interação. O sistema de preços de uma economia constitui outro fenômeno emergente, pois é resultado da interação entre agentes de mercado. Da mesma maneira, uma comunidade com suas instituições, língua e cultura é um fenômeno emergente, sendo resultado da interação de indivíduos e grupos de indivíduos.
2. Transições de fase: Mudanças nas estatísticas de um sistema, dadas mudanças em parâmetros de controle, são denominadas transições de fase, que podem ser contínuas ou descontínuas. Assim, por exemplo, as propriedades coletivas (estatísticas) da água mudam abruptamente de acordo com temperatura e pressão. Outro exemplo é a mudança observável em estatísticas de violência de acordo com parâmetros controláveis por meio de políticas públicas.
3. Universalidade: Detalhes do comportamento dos constituintes de um Sistema Complexo freqüentemente não são importantes para o comportamento agregado (médio). A densidade de gases diferentes, por exemplo, como oxigênio, metano, argônio, neônio e monóxido de carbono, variam; exceto por fatores de escala, de forma idêntica com a temperatura. O mesmo ocorre com a distribuição de alturas, pesos e pressão arterial em uma população, ou a distribuição de votos entre candidatos em eleições. Observa-se, também, que a distribuição de tamanhos de firmas ou flutuações no mercado financeiro possuem um padrão comum, que pode ser, então, considerado universal.
4. Adaptatividade: A capacidade de modificar o próprio comportamento de acordo com mudanças no ambiente é uma característica comum em sistemas biológicos e socioeconômicos. Assim, firmas respondem às mudanças no mercado, indivíduos aprendem com a experiência, ou células sintetizam proteínas de acordo com a concentração citoplasmática de reguladores.
5. Auto-referência: Sistemas Complexos, em particular sistemas socioeconômicos, respondem aos resultados de suas próprias ações. Por exemplo, previsões econômicas podem produzir comportamentos que, conseqüentemente, resultam justamente na concretização das previsões. Por exemplo, se os agentes esperam que o nível geral de preços aumente, podem desejar proteger-se antecipando os efeitos da ocorrência da inflação, corrigindo os preços para cima.
6. Auto-organização: Interações locais produzem ordem em escala global. Exemplos típicos são o comportamento de pedestres e a cadeia produtiva em uma economia de mercado.
7. Imprevisibilidade: Mesmo quando regido por equações inteiramente determinísticas, o comportamento de um sistema complexo pode ser imprevisível. Alguns exemplos clássicos são o clima, a dinâmica de populações e as séries temporais biológicas. O mesmo tipo de fenômeno pode ser observado em sistemas socioeconômicos, na forma, por exemplo, de choques de oferta no mercado mundial, como ocorreu no caso do petróleo nos anos de 1973 e 1979.
8. Redes complexas: Sistemas Complexos apresentam padrões de interação que não são inteiramente regulares (como casas de um tabuleiro de xadrez), nem inteiramente irregulares (como traços aleatórios). Em geral, redes de relações se auto-organizam localmente, de maneira aparentemente aleatória; no entanto, apresentam uma ordenação global. Redes complexas apresentam alguns poucos nós com muitas conexões e diversos outros nós com poucas conexões, apresentam distâncias médias entre nós reduzidas, que redundam em uma capacidade de influência maior do que aparentam. Exemplos de redes complexas são relações sociais, interesses acadêmicos, cadeias alimentares, rotas aéreas, cidades conectadas por estradas, links em páginas da internet, relações comerciais e proteoma celular.
9. Causas múltiplas e efeitos não-lineares: Em fenômenos socioeconômicos e biológicos, as causas dos fenômenos são, em geral, múltiplas e interativas entre si. Uma pequena variação em uma ou mais das causas pode redundar em uma grande mudança nos efeitos observados. Técnicas estatísticas que suponham comportamentos lineares dos sistemas não são capazes de lidar corretamente com algumas ou ambas características.
10.Invariância em escala: Padrões complexos podem ser obtidos pela aplicação repetida de regras simples em escalas diferentes (temporais ou espaciais). Os exemplos de invariância em escala são alvéolos pulmonares, distribuição de rendas altas, tamanho de cidades e população de cidades."
Olhar para os sistemas, pensar em possibilidades de análise e mesmo de produção de novos modos de relação e conversação que levem esses 10 elementos em consideração me parece uma forma bastante interessante de experimentar o novo em si. :-)
De tão bom, resolvi reproduzir aqui um bom trecho desse documento, que veio do documento que institui o programa de pós-graduação em modelagem de sistemas complexos da Usp Leste.
" Embora não exista uma definição ampla consensual, Sistemas Complexos são identificáveis por exibir comportamentos que têm sido sistematicamente enumerados pela literatura nos últimos vinte anos1, detalhados na lista não-exaustiva apresentada a seguir: emergência, transições de fase, universalidade, adaptabilidade, auto-referência, auto-organização, imprevisibilidade, padrões de interação com regularidades não-triviais, causas múltiplas com efeitos não-lineares e invariância em escala.
1. Emergência: Um fenômeno é emergente quando surge como resultado da interação dos elementos constituintes do sistema e não pode ser descrito somente em função das características isoladas de tais constituintes. O estado de agregação de moléculas de água, por exemplo, é uma propriedade emergente: uma molécula de água não pode ser definida como sólida, líquida ou gasosa, pois são propriedades que podem caracterizar somente agregados de moléculas de água, dada a interação. O sistema de preços de uma economia constitui outro fenômeno emergente, pois é resultado da interação entre agentes de mercado. Da mesma maneira, uma comunidade com suas instituições, língua e cultura é um fenômeno emergente, sendo resultado da interação de indivíduos e grupos de indivíduos.
2. Transições de fase: Mudanças nas estatísticas de um sistema, dadas mudanças em parâmetros de controle, são denominadas transições de fase, que podem ser contínuas ou descontínuas. Assim, por exemplo, as propriedades coletivas (estatísticas) da água mudam abruptamente de acordo com temperatura e pressão. Outro exemplo é a mudança observável em estatísticas de violência de acordo com parâmetros controláveis por meio de políticas públicas.
3. Universalidade: Detalhes do comportamento dos constituintes de um Sistema Complexo freqüentemente não são importantes para o comportamento agregado (médio). A densidade de gases diferentes, por exemplo, como oxigênio, metano, argônio, neônio e monóxido de carbono, variam; exceto por fatores de escala, de forma idêntica com a temperatura. O mesmo ocorre com a distribuição de alturas, pesos e pressão arterial em uma população, ou a distribuição de votos entre candidatos em eleições. Observa-se, também, que a distribuição de tamanhos de firmas ou flutuações no mercado financeiro possuem um padrão comum, que pode ser, então, considerado universal.
4. Adaptatividade: A capacidade de modificar o próprio comportamento de acordo com mudanças no ambiente é uma característica comum em sistemas biológicos e socioeconômicos. Assim, firmas respondem às mudanças no mercado, indivíduos aprendem com a experiência, ou células sintetizam proteínas de acordo com a concentração citoplasmática de reguladores.
5. Auto-referência: Sistemas Complexos, em particular sistemas socioeconômicos, respondem aos resultados de suas próprias ações. Por exemplo, previsões econômicas podem produzir comportamentos que, conseqüentemente, resultam justamente na concretização das previsões. Por exemplo, se os agentes esperam que o nível geral de preços aumente, podem desejar proteger-se antecipando os efeitos da ocorrência da inflação, corrigindo os preços para cima.
6. Auto-organização: Interações locais produzem ordem em escala global. Exemplos típicos são o comportamento de pedestres e a cadeia produtiva em uma economia de mercado.
7. Imprevisibilidade: Mesmo quando regido por equações inteiramente determinísticas, o comportamento de um sistema complexo pode ser imprevisível. Alguns exemplos clássicos são o clima, a dinâmica de populações e as séries temporais biológicas. O mesmo tipo de fenômeno pode ser observado em sistemas socioeconômicos, na forma, por exemplo, de choques de oferta no mercado mundial, como ocorreu no caso do petróleo nos anos de 1973 e 1979.
8. Redes complexas: Sistemas Complexos apresentam padrões de interação que não são inteiramente regulares (como casas de um tabuleiro de xadrez), nem inteiramente irregulares (como traços aleatórios). Em geral, redes de relações se auto-organizam localmente, de maneira aparentemente aleatória; no entanto, apresentam uma ordenação global. Redes complexas apresentam alguns poucos nós com muitas conexões e diversos outros nós com poucas conexões, apresentam distâncias médias entre nós reduzidas, que redundam em uma capacidade de influência maior do que aparentam. Exemplos de redes complexas são relações sociais, interesses acadêmicos, cadeias alimentares, rotas aéreas, cidades conectadas por estradas, links em páginas da internet, relações comerciais e proteoma celular.
9. Causas múltiplas e efeitos não-lineares: Em fenômenos socioeconômicos e biológicos, as causas dos fenômenos são, em geral, múltiplas e interativas entre si. Uma pequena variação em uma ou mais das causas pode redundar em uma grande mudança nos efeitos observados. Técnicas estatísticas que suponham comportamentos lineares dos sistemas não são capazes de lidar corretamente com algumas ou ambas características.
10.Invariância em escala: Padrões complexos podem ser obtidos pela aplicação repetida de regras simples em escalas diferentes (temporais ou espaciais). Os exemplos de invariância em escala são alvéolos pulmonares, distribuição de rendas altas, tamanho de cidades e população de cidades."
Olhar para os sistemas, pensar em possibilidades de análise e mesmo de produção de novos modos de relação e conversação que levem esses 10 elementos em consideração me parece uma forma bastante interessante de experimentar o novo em si. :-)
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Apresentando no XII ENANCIB - Webmetria e análise de redes da Rede Humaniza SUS
Estive na semana participando do ENANCIB - Encontro nacional de pesquisa em Ciência da Informação.
Tinha bastante curiosidade de conhecer o encontro, ver as pessoas e as conversas que por ali poderiam rolar, dado que esse ano tenho participado de vários eventos relacionados a minha área de pesquisa no doutorado. Esse prometia ser bastante interessante, devido a relevância dele para essa comunidade no Brasil.
De fato, foi assim. 4 dias de encontro. 11 GTs acontecendo ao mesmo tempo. Umas 300 ou 400 pessoas do Brasil todo, envolvendo pesquisadores mais estabelecidos e muita gente começando, assim como eu.
Os GTs eram organizados de modo temático, facilitando com que as pessoas pudessem se programar para participar das discussões que mais lhe interessavam no âmbito de cada tema.
Eu e Dani Matielo montamos um artigo com algumas análises relacionadas a Rede Humaniza SUS, uma rede que temos ajudado a desenvolver, cuidar e experimentar uma série de premissas tanto técnicas quanto de relacionamento humano em sua gestão. Projeto importante, singular, orientador de muitas das coisas que eu penso hoje sobre redes. Falar dele no espaço do Enancib foi uma boa estrétia nessa comunidade.
Eu apresentei o trabalho abaixo no GT 11 - Informação e saúde. Boas discussões rolaram por lá, desde análises dos sistemas de informação que o SUS utiliza para "rastrear" dados e tomar decisões, até novas possibilidades de conversação mais abertas e descentralizadas como a própria proposta da RHS traz.
Depois disso, fiquei mais tempo no GT - 7, mais voltado para métricas e análise da informação. Gostei bastante dos papos também. Acho que tem muito ainda a ser feito em termos de desenvolvimento desse tipo de pesquisa no Brasil. Tive algumas boas ideias do que pretendo levar como trabalhos para os próximos anos, sobretudo relacionado a modelagem de sistemas complexos e análise dinâmica de redes, buscando mostrar como a compreensão dos aspectos evolutivos de uma rede mudam muito a visão que temos apenas de sua estrutura. Enfim, novos passos adiante...
Tinha bastante curiosidade de conhecer o encontro, ver as pessoas e as conversas que por ali poderiam rolar, dado que esse ano tenho participado de vários eventos relacionados a minha área de pesquisa no doutorado. Esse prometia ser bastante interessante, devido a relevância dele para essa comunidade no Brasil.
De fato, foi assim. 4 dias de encontro. 11 GTs acontecendo ao mesmo tempo. Umas 300 ou 400 pessoas do Brasil todo, envolvendo pesquisadores mais estabelecidos e muita gente começando, assim como eu.
Os GTs eram organizados de modo temático, facilitando com que as pessoas pudessem se programar para participar das discussões que mais lhe interessavam no âmbito de cada tema.
Eu e Dani Matielo montamos um artigo com algumas análises relacionadas a Rede Humaniza SUS, uma rede que temos ajudado a desenvolver, cuidar e experimentar uma série de premissas tanto técnicas quanto de relacionamento humano em sua gestão. Projeto importante, singular, orientador de muitas das coisas que eu penso hoje sobre redes. Falar dele no espaço do Enancib foi uma boa estrétia nessa comunidade.
Eu apresentei o trabalho abaixo no GT 11 - Informação e saúde. Boas discussões rolaram por lá, desde análises dos sistemas de informação que o SUS utiliza para "rastrear" dados e tomar decisões, até novas possibilidades de conversação mais abertas e descentralizadas como a própria proposta da RHS traz.
Depois disso, fiquei mais tempo no GT - 7, mais voltado para métricas e análise da informação. Gostei bastante dos papos também. Acho que tem muito ainda a ser feito em termos de desenvolvimento desse tipo de pesquisa no Brasil. Tive algumas boas ideias do que pretendo levar como trabalhos para os próximos anos, sobretudo relacionado a modelagem de sistemas complexos e análise dinâmica de redes, buscando mostrar como a compreensão dos aspectos evolutivos de uma rede mudam muito a visão que temos apenas de sua estrutura. Enfim, novos passos adiante...
Apresentação XII ENANCIB - Análise de 2,5 anos da Rede Humaniza SUS - Indicadores de acesse e rede
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Experimentando a ferramenta Gephi - Visualizador e manipulador de grafos
Dando uma olhada no site do Instituto de Santa Fé num curso de verão sobre introdução a complexidade que ele fazem todo ano (planejando fazer em 2013), encontrei uma referência que me despertou interesse a testar essa a ferramenta Gephi para exploração e análise de grafos.
Baixei a ferramenta e em poucos minutos tava gerando análises, gráficos e exportando imagens de grafos em vários layouts possíveis. Gostei muito da simplicidade e agilidade do que é possível gerar com ela. Sem dúvida, é mais limitada e simples do que softwares como o Pajek, que já venho utilizando a bem mais tempo e explorando outras possibilidades.
No entanto, o Gephi permite um nível interação com o grafo que eu nunca tinha visto em outro tipo de software. É muito fácil você reduzir o grafo por grau de conectividade, por grau de centralidade, por faixa de tempo, entre outros indicadores que ele te permite explorar. Promissor.
Deixo aqui abaixo um tutorial inicial de como utilizá-lo, simples e direto no ponto.
Baixei a ferramenta e em poucos minutos tava gerando análises, gráficos e exportando imagens de grafos em vários layouts possíveis. Gostei muito da simplicidade e agilidade do que é possível gerar com ela. Sem dúvida, é mais limitada e simples do que softwares como o Pajek, que já venho utilizando a bem mais tempo e explorando outras possibilidades.
No entanto, o Gephi permite um nível interação com o grafo que eu nunca tinha visto em outro tipo de software. É muito fácil você reduzir o grafo por grau de conectividade, por grau de centralidade, por faixa de tempo, entre outros indicadores que ele te permite explorar. Promissor.
Deixo aqui abaixo um tutorial inicial de como utilizá-lo, simples e direto no ponto.
Gephi Quick Start
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Apresentando no I WPOSINFO - Workshop de Engenharia da Informação na Universidade Federal do ABC
Semana passada estive no I WPOSINFO realizado pelo curso de Engenharia da Informação da Universidade Federal do ABC.
Me chamou atenção a proposta do encontro e a possibilidade de dialogar novamente com uma área por dentro das engenharias a partir de um tema que tem sido meu foco de estudos nos últimos anos: a informação. Aparecer no seminário sendo um engenheiro de formação em graduação e mestrado, mas estando dentro das ciências sociais aplicadas pelo curso de Ciência da Informação no doutorado deu um caldo incrível. Não só a teoria da interdisciplinaridade, mas essa vivência a partir de olhares que podem se compor de fato em encontros antes inusitados.
Logo de cara, chegando a universidade, encontro dois bons amigos dos tempos de graduação que viraram professores e dão aula exatamente na Engenharia da informação, o Murilo e o Suyama. Conversa boa, lembrando de bons tempos juntos, de como o trabalho de cada um evoluiu, os caminhos de pesquisa, os espaços de encontros. Excelente primeiro contato.
Logo mais, fui apresentar um trabalho que busquei construir de modo mais técnico, dado o contexto das engenharias. A vontade de era explorar mais a análise de como a distribuição de graus de centralidade numa rede podem favorecer encontrarmos comunidades e grupos de usuários mais centrados em contatos entre si. Um pequeno estudo, aproveitando dados dos Telecentros.BR, para iniciar uma investigação um pouco mais voltada para os algoritmos que pretendo investir nos próximos meses.
Segue aqui a apresentação:
Me chamou atenção a proposta do encontro e a possibilidade de dialogar novamente com uma área por dentro das engenharias a partir de um tema que tem sido meu foco de estudos nos últimos anos: a informação. Aparecer no seminário sendo um engenheiro de formação em graduação e mestrado, mas estando dentro das ciências sociais aplicadas pelo curso de Ciência da Informação no doutorado deu um caldo incrível. Não só a teoria da interdisciplinaridade, mas essa vivência a partir de olhares que podem se compor de fato em encontros antes inusitados.
Logo de cara, chegando a universidade, encontro dois bons amigos dos tempos de graduação que viraram professores e dão aula exatamente na Engenharia da informação, o Murilo e o Suyama. Conversa boa, lembrando de bons tempos juntos, de como o trabalho de cada um evoluiu, os caminhos de pesquisa, os espaços de encontros. Excelente primeiro contato.
Logo mais, fui apresentar um trabalho que busquei construir de modo mais técnico, dado o contexto das engenharias. A vontade de era explorar mais a análise de como a distribuição de graus de centralidade numa rede podem favorecer encontrarmos comunidades e grupos de usuários mais centrados em contatos entre si. Um pequeno estudo, aproveitando dados dos Telecentros.BR, para iniciar uma investigação um pouco mais voltada para os algoritmos que pretendo investir nos próximos meses.
Segue aqui a apresentação:
Apresentação I WPOSINFO - UFABC - Identificação de grupos em grafos
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Apresentando no IV SECIN - Seminário de Ciência da Informação
Fui ontem a Londrina, visitar a Universidade Estadual - UEL, participando do IV SECIN para apresentar alguns resultados de meu trabalho de doutorado por lá.
Ambiente gostoso, lugar desconhecido com cheiro de conhecido, clima quente, boas caminhadas, reflexões e boas conversas. Tem sido muito interessante para mim essa andança que tenho feito a partir do começo desse ano, indo a outras universidades, conhecer pessoas, apresentar e assistir apresentações de trabalhos de gente que está estudando e buscando se tornar um pesquisador assim como eu.
O caminho da pesquisa é fascinante por muitas razões. Mas, sobretudo, o que tem mais me atraído é a possibilidade do "livre" pensar, para quem quer e está disposto a se articular para isso. Conhecer pessoas, construir ideias, imaginar desenhos e contornos de possibilidades, conseguir tempo para experimentar e atuar a partir de outras demandas de tempo é algo singular e muito raro. A qualidade do trabalho muda, o olhar se afina para coisas que antes não pareciam fazer sentido, os fundamentos do pensamento são colocados em questão e novas janelas se abrem a partir de cada encontro.
O fundamental é se permitir a isso, se livrando de preconceitos e outros valores que podem na verdade criar níveis de engessamento que acabam te impedindo de ouvir o outro e conhecer sua perspectiva sobre um trabalho. Seja dentro da universidade ou fora, nos movimentos ativistas, políticos ou qualquer que seja, gente é gente, curiosidade é curiosidade e, sobretudo, liberdade é liberdade. Mentes livres que não precisam de contornos prévios para se definir. Elas partem do exato ponto onde estão e produzem um mundo novo em qualquer brecha que visualizam.
Frutos de conversas... Mas, apresentei o trabalho abaixo por lá.
Na conversa final, numa boa apresentação da turma por lá, fizemos algumas passagens interessantes buscando entender como uma área ainda tão pequena como a Ciência da Informação poderia agregar tanta gente de outros campos, espaços e experiências de pesquisa/trabalho.
É fato que a Ciência da Informação é um espaço muito pouco definido. Por isso, tão interessante. Sendo Ciências Sociais Aplicadas, como formalmente é pensada, acaba agregando gente que vêm das engenharias, exatas, filosofia, comunicação, e por aí vai. Um campo/espaço de conversa, lugar mal formado em passo de se formar, espaço aberto para construções de referências, pensamentos e modos de olhar para as coisas ainda livres de julgo pré-definido com o rigor do pensamento "real". Realidade em trânsito, em modos de transitar, em meios de caminhar, espaços para serem preenchidos.
Delícia de local, habitar o "entre" de vários outros locais. Ativador de imaginários, o que tem sido fundamental em tempos de transições de modos de olhar, pensar e agir.
É fato que a realidade é mágica, que pode ser construída de relance, no trânsito do pensamento em movimento de pensar. A informação é "objeto" livre de definição, objeto surgido com o objetivo de estar num sempre vir a ser definição. Metáfora interessante, útil como disparador de novos sentidos que se prestam a dissolver sentidos. Brincadeiras contínuas de modos de pensar.
Enfim... muito foi disparado nessa conversa de ontem a tarde. Feliz de ter participado e ver esse tipo de papo acontecer em locais que jamais imaginaria encontrar esse tipo de interface. Ainda só começando... ;-)
Ambiente gostoso, lugar desconhecido com cheiro de conhecido, clima quente, boas caminhadas, reflexões e boas conversas. Tem sido muito interessante para mim essa andança que tenho feito a partir do começo desse ano, indo a outras universidades, conhecer pessoas, apresentar e assistir apresentações de trabalhos de gente que está estudando e buscando se tornar um pesquisador assim como eu.
O caminho da pesquisa é fascinante por muitas razões. Mas, sobretudo, o que tem mais me atraído é a possibilidade do "livre" pensar, para quem quer e está disposto a se articular para isso. Conhecer pessoas, construir ideias, imaginar desenhos e contornos de possibilidades, conseguir tempo para experimentar e atuar a partir de outras demandas de tempo é algo singular e muito raro. A qualidade do trabalho muda, o olhar se afina para coisas que antes não pareciam fazer sentido, os fundamentos do pensamento são colocados em questão e novas janelas se abrem a partir de cada encontro.
O fundamental é se permitir a isso, se livrando de preconceitos e outros valores que podem na verdade criar níveis de engessamento que acabam te impedindo de ouvir o outro e conhecer sua perspectiva sobre um trabalho. Seja dentro da universidade ou fora, nos movimentos ativistas, políticos ou qualquer que seja, gente é gente, curiosidade é curiosidade e, sobretudo, liberdade é liberdade. Mentes livres que não precisam de contornos prévios para se definir. Elas partem do exato ponto onde estão e produzem um mundo novo em qualquer brecha que visualizam.
Frutos de conversas... Mas, apresentei o trabalho abaixo por lá.
IV SECIN - Paradigma da pesquisa em análise de redes sociais: usos e possibilidades para a Ciência da Informação no Brasil
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Na conversa final, numa boa apresentação da turma por lá, fizemos algumas passagens interessantes buscando entender como uma área ainda tão pequena como a Ciência da Informação poderia agregar tanta gente de outros campos, espaços e experiências de pesquisa/trabalho.
É fato que a Ciência da Informação é um espaço muito pouco definido. Por isso, tão interessante. Sendo Ciências Sociais Aplicadas, como formalmente é pensada, acaba agregando gente que vêm das engenharias, exatas, filosofia, comunicação, e por aí vai. Um campo/espaço de conversa, lugar mal formado em passo de se formar, espaço aberto para construções de referências, pensamentos e modos de olhar para as coisas ainda livres de julgo pré-definido com o rigor do pensamento "real". Realidade em trânsito, em modos de transitar, em meios de caminhar, espaços para serem preenchidos.
Delícia de local, habitar o "entre" de vários outros locais. Ativador de imaginários, o que tem sido fundamental em tempos de transições de modos de olhar, pensar e agir.
É fato que a realidade é mágica, que pode ser construída de relance, no trânsito do pensamento em movimento de pensar. A informação é "objeto" livre de definição, objeto surgido com o objetivo de estar num sempre vir a ser definição. Metáfora interessante, útil como disparador de novos sentidos que se prestam a dissolver sentidos. Brincadeiras contínuas de modos de pensar.
Enfim... muito foi disparado nessa conversa de ontem a tarde. Feliz de ter participado e ver esse tipo de papo acontecer em locais que jamais imaginaria encontrar esse tipo de interface. Ainda só começando... ;-)
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Apresentando no X Cinform - Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa em Informação
Na pegada desse ano, parte dos objetivos de trabalho passa por sistematizar melhor as pesquisas que tenho feito para o doutorado, enviando artigos e participando de eventos apresentando resultados do trabalho.
Processo relativamente novo, interessante e, de qualquer maneira, muito bom para perceber os efeitos do que tenho produzido, ouvindo comentários de outras vozes, rostos e palavras até então não conhecidas. Exposição para se ver.
Dessa vez, venho a Salvador, participar do X CINFORM - Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa em Informação, realizado pelo Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia. É o primeiro evento nacional de âmbito "científico" que participo. Experiência para ver e rever escolhas e apostas.
Gostei do clima daqui. As discussões começaram sobre como a cultura tecnológica (cultura do estímulo a inovação contínua) acaba gerando em todos os campos um ensino voltado para produzir e replicar a própria cultura de consumo. A base da ciência tem se voltado para formar produtores eficientes e consumidores compulsivos (fala de Pedro López López, de Madrid). De fato, concordei e vejo isso se replicar por muitos locais por onde tenho passado.
A cultura da rede também traz a promoção e replicação em outros níveis de escala a lógica do consumir e consumir. É preciso olhar para isso com certa atenção e menos ingenuidade, em muitos momentos. As perguntas que de fato movimentam todos os fluxos em rede acabam indo para outro lugar. Para a construção da linguagem, a percepção do real e a formação da consciência como espaço de relação... Sim, mas isso já é outra conversa que pretendo aprofundar mais pra frente.
Na parte da tarde, começamos a expor os trabalhos que foram enviados por profissionais, alunos de graduação, pós, etc. Apresentei esse trabalho abaixo, como parte das pesquisas que tenho feito no doutorado:
Conversa boa ao final. Bons comentários relativos a modos de ampliar as expressões de pesquisa e ver o efeito que isso pode causar nos tipos de rede que tenho encontrado.
O importante desse tipo de trabalho, nesse momento, tem sido o exercício de uma outra forma de linguagem. Uma linguagem menos linear e mais relacional, onde consigo agrupar diversos elementos dispersos e analisar de forma conjunta, afinando o olhar e percebendo níveis de relação que antes não conseguia ver. O que fiz nos dados que pude extrair do Google Acadêmico, transformando aquelas listas em grafos, mostrando modos de relação e escolhas no fazer da pesquisa daquele grupo de pessoas que me ajuda a entender seus movimentos de conversa, formação de redes e outras relações possíveis.
E assim, algumas outras pistas vai ficando mais evidentes... ;-)
Processo relativamente novo, interessante e, de qualquer maneira, muito bom para perceber os efeitos do que tenho produzido, ouvindo comentários de outras vozes, rostos e palavras até então não conhecidas. Exposição para se ver.
Dessa vez, venho a Salvador, participar do X CINFORM - Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa em Informação, realizado pelo Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia. É o primeiro evento nacional de âmbito "científico" que participo. Experiência para ver e rever escolhas e apostas.
Gostei do clima daqui. As discussões começaram sobre como a cultura tecnológica (cultura do estímulo a inovação contínua) acaba gerando em todos os campos um ensino voltado para produzir e replicar a própria cultura de consumo. A base da ciência tem se voltado para formar produtores eficientes e consumidores compulsivos (fala de Pedro López López, de Madrid). De fato, concordei e vejo isso se replicar por muitos locais por onde tenho passado.
A cultura da rede também traz a promoção e replicação em outros níveis de escala a lógica do consumir e consumir. É preciso olhar para isso com certa atenção e menos ingenuidade, em muitos momentos. As perguntas que de fato movimentam todos os fluxos em rede acabam indo para outro lugar. Para a construção da linguagem, a percepção do real e a formação da consciência como espaço de relação... Sim, mas isso já é outra conversa que pretendo aprofundar mais pra frente.
Na parte da tarde, começamos a expor os trabalhos que foram enviados por profissionais, alunos de graduação, pós, etc. Apresentei esse trabalho abaixo, como parte das pesquisas que tenho feito no doutorado:
A emergência da análise de redes sociais como campo de pesquisa - X Cinform2011
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Conversa boa ao final. Bons comentários relativos a modos de ampliar as expressões de pesquisa e ver o efeito que isso pode causar nos tipos de rede que tenho encontrado.
O importante desse tipo de trabalho, nesse momento, tem sido o exercício de uma outra forma de linguagem. Uma linguagem menos linear e mais relacional, onde consigo agrupar diversos elementos dispersos e analisar de forma conjunta, afinando o olhar e percebendo níveis de relação que antes não conseguia ver. O que fiz nos dados que pude extrair do Google Acadêmico, transformando aquelas listas em grafos, mostrando modos de relação e escolhas no fazer da pesquisa daquele grupo de pessoas que me ajuda a entender seus movimentos de conversa, formação de redes e outras relações possíveis.
E assim, algumas outras pistas vai ficando mais evidentes... ;-)
sábado, 27 de agosto de 2011
3 níveis de centralidade na rede Telecentros.BR: a dança de planos e movimentos de relação
A magia por trás dos algoritmos de análise de redes é a enorme flexibilidade que eles possuem, permitindo que possamos tratar a informação das relações que coletamos de n modos possíveis de acordo com sua própria imaginação.
Explorando hoje um pouco mais dos recursos do Pajek, o software de análise que tenho utilizado, decidi reduzir a quantidade de nós por grau de centralidade das redes que tenho analisado do Telecentros.BR.
Separei 3 níveis de centralidade na rede:
Coloco as imagens que obtive abaixo para ilustrar o que comecei a ver nesse movimento:
Os pontos amarelos são tutores/membros das equipes dos polos de formação. Os pontos verdes são monitores e os vermelhos pessoas cadastradas que não identificamos a qual grupo pertencem.
O que me chamou a atenção?
Quem mais está utilizando o sistema de mensagem online do Moodle é, sem dúvida, o grupo de tutores/membros dos polos. Os nós da rede que possuem acima de 20 conexões são apenas membros desse grupo e que acabam interagindo majoritariamente entre si também. Já quando baixamos para acima de 15 conexões, um movimento muito interessante fica mais evidente: a rede se divide em dois blocos, mostrando o grupo anterior de tutores/polos e um novo grupo de monitores que praticamente não se relacionam. Isso me mostra uma coisa importante: os monitores que mais utilizam essa rede conversam sobretudo entre si, interagindo muito menos com os tutores. A força da rede de monitores, mais uma vez, fica evidente na relação entre si, na vontade de conversar com outros monitores, formando um grupo que tem muito mais a dizer por aquilo que vivem e fazem. Já quando baixamos para acima de 10 conexões, a rede entra em outro momento, com uma maior mistura de tutores e monitores. A hipótese é que nesse momento começa a atuar de fato as estratégias de tutoria e acompanhamento da formação via esse sistema de mensagem online.
Uma conclusão importante, pra mim, desse processo todo: temos dois movimentos de formação de rede caminhando juntos. Um diz respeito do encontro entre monitores, mais espontâneo, motivado por elementos que fogem totalmente ao controle, ao esperado, ao programado da formação. Esse movimento atrai menos pessoas, mas surge com mais força na centralidade da rede. Outro diz respeito do encontro entre tutores e monitores, motivado pelo desenvolvimento da formação, pelos papéis a serem cumpridos, pelos objetivos do curso a serem desenvolvidos. Esse movimento atrai mais gente, pois tem direcionamento direto com a comunicação e acompanhamento do curso. No entanto, é menos central.
Os dois movimentos caminham juntos, se sobrepondo, se constituindo como diferentes interfaces e planos de conversação que funcionam tudo junto-misturado. Um movimento leva ao outro e assim segue uma certa dança que é apenas mais uma forma de retratar a beleza dos diferentes movimentos da própria vida: formal e informal, espontâneo e proposto, livre e pautado. A rede, como reflexo do que somos, não seria diferente.... Será?
Explorando hoje um pouco mais dos recursos do Pajek, o software de análise que tenho utilizado, decidi reduzir a quantidade de nós por grau de centralidade das redes que tenho analisado do Telecentros.BR.
Separei 3 níveis de centralidade na rede:
- os nós que possuem acima de 20 conexões;
- os nós que possuem acima de 15 conexões;
- os nós que possuem acima de 10 conexões.
Coloco as imagens que obtive abaixo para ilustrar o que comecei a ver nesse movimento:
Acima de 20 conexões
Acima de 15 conexões
Acima de 10 conexões
Os pontos amarelos são tutores/membros das equipes dos polos de formação. Os pontos verdes são monitores e os vermelhos pessoas cadastradas que não identificamos a qual grupo pertencem.
O que me chamou a atenção?
Quem mais está utilizando o sistema de mensagem online do Moodle é, sem dúvida, o grupo de tutores/membros dos polos. Os nós da rede que possuem acima de 20 conexões são apenas membros desse grupo e que acabam interagindo majoritariamente entre si também. Já quando baixamos para acima de 15 conexões, um movimento muito interessante fica mais evidente: a rede se divide em dois blocos, mostrando o grupo anterior de tutores/polos e um novo grupo de monitores que praticamente não se relacionam. Isso me mostra uma coisa importante: os monitores que mais utilizam essa rede conversam sobretudo entre si, interagindo muito menos com os tutores. A força da rede de monitores, mais uma vez, fica evidente na relação entre si, na vontade de conversar com outros monitores, formando um grupo que tem muito mais a dizer por aquilo que vivem e fazem. Já quando baixamos para acima de 10 conexões, a rede entra em outro momento, com uma maior mistura de tutores e monitores. A hipótese é que nesse momento começa a atuar de fato as estratégias de tutoria e acompanhamento da formação via esse sistema de mensagem online.
Uma conclusão importante, pra mim, desse processo todo: temos dois movimentos de formação de rede caminhando juntos. Um diz respeito do encontro entre monitores, mais espontâneo, motivado por elementos que fogem totalmente ao controle, ao esperado, ao programado da formação. Esse movimento atrai menos pessoas, mas surge com mais força na centralidade da rede. Outro diz respeito do encontro entre tutores e monitores, motivado pelo desenvolvimento da formação, pelos papéis a serem cumpridos, pelos objetivos do curso a serem desenvolvidos. Esse movimento atrai mais gente, pois tem direcionamento direto com a comunicação e acompanhamento do curso. No entanto, é menos central.
Os dois movimentos caminham juntos, se sobrepondo, se constituindo como diferentes interfaces e planos de conversação que funcionam tudo junto-misturado. Um movimento leva ao outro e assim segue uma certa dança que é apenas mais uma forma de retratar a beleza dos diferentes movimentos da própria vida: formal e informal, espontâneo e proposto, livre e pautado. A rede, como reflexo do que somos, não seria diferente.... Será?
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Conferência ISSI 2011 - anotações do quarto dia
Mais um dia de conferência, mais um dia de vários toques interessantes.
O dia começou com uma apresentação de Olle Persson sobre técnicas de mapeamento e melhorias metodológicas em visualização de grafos de redes. A preocupação básica da apresentação, e de várias outras que transcorreram ao longo do dia, foi como criar maior relevância/reputação a determinadas conexões como forma de deixar menos poluídas as imagens de redes que são geradas. O fundo dessa conversa, ao meu ver, não pode ser só focada em como resolvemos nosso problema como pesquisadores, mas sim como entendemos melhor e reconhecemos as estruturas de relevância que produzimos ao atuar em rede.
Logo depois, começaram as sessões de apresentação dos poster, na qual meu trabalho e da Sueli Mara, minha orientadora do doutorado, estavam alocados.
A primeira vez que participo desse tipo de encontro, utilizando o formato de posters para divulgar pesquisas em estágio ainda iniciais. Gostei do formato, na real, dá para analisar aquilo que te interessa, conversar com quem está por ali apresentando o trabalho, trocar contatos, enfim, conhecer um pouco mais o que cada um está fazendo. Clima bom, boas conversas. A pesquisa que trouxemos para apresentar foi uma revisão dos principais artigos publicados no Brasil sobre questões relacionadas a "redes sociais" e "informação", onde mostramos que tipo de recursos de análise os pesquisadores têm utilizado, a dificuldade de trabalhar com grandes massas de dados e problemas ainda metodológicos no uso de novas técnicas de análise. Sem dúvida, esse é um campo ainda muito no início no Brasil, ainda mais por tudo o que tenho visto aqui. Há muito a experimentar, pois temos características, focos de análise que passam longe das preocupações que circulam num fórum como esse. Por exemplo, nesses dias todos não vi ninguém apresentar nada relacionado a produção cultural, a apropriação de tecnologia, a produção independente, gambiarra, software livre, etc, etc. Apesar disso, o tipo de metodologia e estrutura de análise que o povo daqui tá utilizando também está bem a frente do que usamos em outros tipos de estudos, como mencionei acima. Uma boa junção.
Depois da sessão de posters, fui para as mesas de trabalho do dia. Segue uma síntese por aqui:
O dia começou com uma apresentação de Olle Persson sobre técnicas de mapeamento e melhorias metodológicas em visualização de grafos de redes. A preocupação básica da apresentação, e de várias outras que transcorreram ao longo do dia, foi como criar maior relevância/reputação a determinadas conexões como forma de deixar menos poluídas as imagens de redes que são geradas. O fundo dessa conversa, ao meu ver, não pode ser só focada em como resolvemos nosso problema como pesquisadores, mas sim como entendemos melhor e reconhecemos as estruturas de relevância que produzimos ao atuar em rede.
Logo depois, começaram as sessões de apresentação dos poster, na qual meu trabalho e da Sueli Mara, minha orientadora do doutorado, estavam alocados.
A primeira vez que participo desse tipo de encontro, utilizando o formato de posters para divulgar pesquisas em estágio ainda iniciais. Gostei do formato, na real, dá para analisar aquilo que te interessa, conversar com quem está por ali apresentando o trabalho, trocar contatos, enfim, conhecer um pouco mais o que cada um está fazendo. Clima bom, boas conversas. A pesquisa que trouxemos para apresentar foi uma revisão dos principais artigos publicados no Brasil sobre questões relacionadas a "redes sociais" e "informação", onde mostramos que tipo de recursos de análise os pesquisadores têm utilizado, a dificuldade de trabalhar com grandes massas de dados e problemas ainda metodológicos no uso de novas técnicas de análise. Sem dúvida, esse é um campo ainda muito no início no Brasil, ainda mais por tudo o que tenho visto aqui. Há muito a experimentar, pois temos características, focos de análise que passam longe das preocupações que circulam num fórum como esse. Por exemplo, nesses dias todos não vi ninguém apresentar nada relacionado a produção cultural, a apropriação de tecnologia, a produção independente, gambiarra, software livre, etc, etc. Apesar disso, o tipo de metodologia e estrutura de análise que o povo daqui tá utilizando também está bem a frente do que usamos em outros tipos de estudos, como mencionei acima. Uma boa junção.
Depois da sessão de posters, fui para as mesas de trabalho do dia. Segue uma síntese por aqui:
- Sessão Networks 1 - a mesma tendência de como criar novas estruturas de produção de relevância para melhorar a análise de grafos estava presente na mesa como um todo. Algumas propostas caminhavam no sentido de utilizar não só a conexão, mas seu conteúdo como um espaço relacional a ser caracterizado a partir de critérios determinados. Outros pesquisadores têm trabalho com a ideia de que pedaços de documentos podem ser vistos como genes que são passados para outras produção, derivando mutações e transformações. Ideia interessante, Dawkins já falava isso nos memes, mas a aplicação não interessou muito. Outra pesquisa falava sobre como considerar a formação de "cartéis" de citação entre pesquisadores de uma área científica. Para isso, ele propunha estudar não só apenas o efeito da auto-citação, mas os efeitos e movimentos das redes de pesquisadores próximos no grafo de forma conjunta a partir dos indicadores de proximidade. Ideia interessante. Ele separou e analisou como evolui no tempo os diferentes níveis de atuação desses pesquisadores em camadas distintas de rede. Gostei da forma como isso foi apresentado. No meu caso, faria sentido entender como evolui no tempo as diferentes camadas de colaboração num espaço de produção científica: instituições, departamentos, grupos, etc.
- Sessão Data Sources 1 - Foi uma sessão de vários trabalhos em andamento, com menos tempo de apresentação para cada um. Marcou a presença de pesquisas brasileiras, mostrando como o país está se fortalecendo para dentro, ao contrário do que outros estudos apontavam. Em tese, os movimentos brasileiros têm fortalecido a atuação nos jornais do país, consolidando espaços internos de publicação da produção. Interessante entender como isso se relaciona com as políticas públicas na C & T.
- Sessão Key address - Apresentou uma fala o Ricardo Baeza Yates, um dos líderes na europa do Yahoo Lab. A fala se concentrou em analisar quais são as limitações atuais de algoritmos de busca da informação na Web - como o Pagerank - e quais estão sendo algumas das tendências futuras na área e para onde o Yahoo está olhando. Em termos de limitações dos algoritmos, o ponto mais forte que foi mencionado é o que ele chama de relevância negativa, ou seja, como tratar movimentos de spam que produzem centanas/milhares de sites, redirecionam links e articulam conjuntos de estratégia para "enganar" a estrutura dos atuais algoritmos. O ponto chave está em identificar isso e as experiências que estão fazendo é usar mais e mais dados gerados em redes sociais como acoplamento a indexação tradicional de links. Algumas experiências foram mostradas, alguns resultados potenciais e melhores significativas aos atuais algoritmos. A checar melhor! No entanto, a visão da Yahoo é que a pesquisa na web não deve mudar significativamente em termos de algoritmos de busca, mas sim na experiência do usuário ao realizar buscas. Um outro recurso que ele mostrou foi o WebScope da Yahoo, que é uma plataforma que fornece dados livres estruturados para estudantes, grupos de pesquisa e interessados de forma geral. Por exemplo, dados de usuários que votaram em suas músicas preferidas no sistema do Yahoo, dados de linguagem natural, relações sociais e por aí vai. Bem útil para experimentações quando não temos os dados que precisamos.
- Sessão Webometrics 2 - A mesa tratou de análises do Google Scholar e Google Books, mostrando como os dois podem servir de plataformas para pesquisas em webmetria e cienciometria. Um ponto alto da apresentação foi a ferramenta Publish or Perish, que coleta os primeiros 1000 resultados do Google Scholar e sistematiza de uma forma delícia de ver. Acabei de baixar a ferramenta e já fiz com uma experiência com a Rede MetaReciclagem, o que já me surpreendeu logo de cara. Foi interessante também observar como os resultados do Scholar desequilibram totalmente o que é esperado como resultado tradicional de produção científica. Por exemplo, por ele, o Brasil é o terceiro país com mais conteúdo publicado. Isso se deve ao tipo de recurso que o Brasil está utilizando para divulgar sua produção científica, no caso o Scielo, ou seja, deixando os dados mais acessíveis para indexadores desse tipo. Enfim, ocupando espaços. Vale a pena conferir mais trabalhos do Statistical Cybermetrics Research Group.
- Sessão Networks and Visualization - Essa sessão foi sem grandes novidades, apresentando um pouco mais daquilo que já falei acima.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Conferência ISSI 2011 - anotações do terceiro dia
Finalizando o terceiro dia aqui na conferência ISSI 2011. Algo que me ocorreu de ontem para hoje é que acabei não comentando muito qual razão de ter vindo aqui para a África do Sul e por quê participar de um congresso de uma sociedade de cienciometria e infometria.
O fato principal é que meu doutorado foi, por várias razões que levaram isso, encaminhado por dentro de um departamento de Ciências da Informação, lá na USP. No começo, eu mal sabia exatamente do que se tratava essa área do conhecimento e fui/venho gradativamente gostando do que tenho visto e experimentando nesse espaço de reflexão. A área está bastante voltada para reflexões em geral sobre analisar, refletir e pensar questões relacionadas a informação, seja do ponto de vista qualitativo, quantitativo, tecnológico, social, modelo de produção, financiamento, políticas de inovação, etc, etc, etc.. Muitos temas que acabei me envolvendo nos útimos anos convergem de forma bastante interessante nesse tipo de espaço. Logo, cá estou, vindo conhecer o que, pretensamente, dizem os pesquisadores que são considerados de ponta na área.
Vamos ao dia de hoje.
O foco estava voltado para apresentações de trabalhos acadêmicos completos que foram submetidos para avaliação e participação no congresso. Mais de 200 pessoas estavam por aqui hoje, que foram divididas em 3 salas a sua escolha, onde ocorriam as apresentações. O programa completo das apresentações, pesquisadores e seus trabalho está disponível no site da ISSI, para quem tiver maior interesse de acessar os trabalhos individuais. Aqui, comento apenas as sínteses de cada sessão que fui fazendo.
Fiz um roteiro que me pareceu mais coerente com meus temas de interesse e reporto por aqui o que me chamou atenção por onde passei:
O fato principal é que meu doutorado foi, por várias razões que levaram isso, encaminhado por dentro de um departamento de Ciências da Informação, lá na USP. No começo, eu mal sabia exatamente do que se tratava essa área do conhecimento e fui/venho gradativamente gostando do que tenho visto e experimentando nesse espaço de reflexão. A área está bastante voltada para reflexões em geral sobre analisar, refletir e pensar questões relacionadas a informação, seja do ponto de vista qualitativo, quantitativo, tecnológico, social, modelo de produção, financiamento, políticas de inovação, etc, etc, etc.. Muitos temas que acabei me envolvendo nos útimos anos convergem de forma bastante interessante nesse tipo de espaço. Logo, cá estou, vindo conhecer o que, pretensamente, dizem os pesquisadores que são considerados de ponta na área.
Vamos ao dia de hoje.
O foco estava voltado para apresentações de trabalhos acadêmicos completos que foram submetidos para avaliação e participação no congresso. Mais de 200 pessoas estavam por aqui hoje, que foram divididas em 3 salas a sua escolha, onde ocorriam as apresentações. O programa completo das apresentações, pesquisadores e seus trabalho está disponível no site da ISSI, para quem tiver maior interesse de acessar os trabalhos individuais. Aqui, comento apenas as sínteses de cada sessão que fui fazendo.
Fiz um roteiro que me pareceu mais coerente com meus temas de interesse e reporto por aqui o que me chamou atenção por onde passei:
- Sessão Science & Technology & Innovation: a ideia dessa mesa de trabalhos era juntar pesquisadores que estavam trabalhando em como identificar transições e movimentos de pesquisas acadêmicas para desenvolvimentos de tecnologias aplicadas pela indústria. Há tendências que indicam que cada vez mais os pesquisadores acadêmicos estão se vinculando ao desenvolvimento de patentes. O que me chamou atenção foi o fato de estarem usando para isso diferentes fontes de informação - jornais (Google News), blogs (Google Blogs), papers (Google Scholar), , resumos de congressos, sites de empresas - para avaliar como a informação vai sendo transmita e em que fase de um espaço para o outro. A ideia de base é demonstrar que o ciclo linear de pesquisa-desenvolvimento-produto é grande parte das vezes falso. Na real, muitas pesquisas importantes relacionadas a tecnologia surgem após grupos desenvolverem usos aplicados de uma ideia. Comentário: a ideia de que a pesquisa gera a inovação pode ser bastante afetada com base nesses estudos. Isso é realmente um ponto que podemos explorar mais. Grupos autônomos podem ser vistos como espaços importantes de inspiração e produção de novas ideias, alimentando e conectando após determinado período, com grupos acadêmicos que buscam desenvolver trabalhos mais formais em algum sentido.
- Sessão Webometrics 1: a mesa foi montada juntando os pesquisadores que tem desenvolvido e experimentado maneiras de analisar dados gerados na Web. O desafio que estão se colocando é como considerar cada vez mais os dados de relações sociais que deveriam ampliar a noção de relevância do que é um trabalho científico. É nesse sentido que alguns experimentos estão sendo propostos, como o Mendeley. Outro trabalho que achei bastante interessante foi uma análise realizada na Finlândia sobre como os sites das prefeituras municipais se linkavam entre si por todo o país, realizando um georefenciamento dos links. A ideia era trabalhar como a informação pública estava circulando e sendo referenciada pelos próprios orgãos públicos. Mostraram clusters de bibliotecas e outros serviços que se apoiavam mutuamente. Utilizaram para coletar os dados um bot voltado para apoio em pesquisas de Ciências Sociais. O último trabalho dessa mesa fez uma análise do Pirate Bay e do Open Street Map. A ideia deles era mostrar o padrão de uso dos participantes dessas ferramentas, dando uma ideia de seu grau de participação ao longo do tempo. Os resultados que mostraram dizem que evidenciam algo que encontramos em muitas redes, uma maior participação logo quando da criação do perfil e depois um desaparecimento gradativo. O Pirate Bay apresenta um padrão um pouco diferente, levando a considerar se a relevância dos arquivos em Torrent que ali são compartilhados cria esse maior nível de interesse em usar a plataforma. Os pesquisadores mencionaram experiências com Sentiment Minining. Comentários: gostei da abordagem dos trabalho e, principalmente, de ver como estão buscando construir as bases da Ciência das Redes, entendo o espaço informacional como um universo vasto de pesquisa. Gosto dessa abordagem e acredito que um olhar um pouco mais refinado para muitos dos projetos que atuamos pode nos ampliar bastante a reflexão sobre as estratégias que utilizamos, a maneira como nos organizamos em rede e muitas possíveis melhorias que poderíamos construir a partir disso. Gosto da ideia de analisar como os sites de um determinado contexto estão se linkando, permitindo otimizar e ampliar o potencial de circulação de muitos serviços que são desenvolvidos e pouco utilizados. Uma boa dica para cidades digitais, governos eletrônicos e experimentos por aí.
- Sessão Collaboration 1: foi uma sessão mais voltada para a discussão de como estudar padrões de colaboração na produção científica, o que envolve análise de padrões de co-autoria. Um dos trabalhos mencionou um novo conjunto de indicadores que têm por objetivo balancear melhor as relações de colaboração internacional, levando em consideração que países que possuem jornais acadêmicos mais fortes tendem a reduzir seu número de colaborações externas. Matematicamente, ideia interessante. Comentário: a sessão não foi tão interessante como as anteriores, mas pude aproveitar algumas dicas estatísticas de construção de gráficos e alguns truques de manuseio da informação.
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Dalton Martins
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09:38
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segunda-feira, 4 de julho de 2011
Conferência ISSI 2011 - anotações do primeiro dia e segundo dia
A viagem para a África do Sul foi bastante tranquila: um pouco mais de 7 horas até Johannesburg e mais 1 hora de vôo até Durban. Tudo no horário, aeroportos muito bons e boa estrutura pelo caminho. Aproveitar o tempo para ler, escrever e organizar um pouco mais os estudos.
Cheguei no domingo após o almoço, no horário local. Aproveitei para conhecer a região, dar uma olhada na praia considerando que mesmo no inverno o dia estava lindo por aqui. A cidade é bastante bonita, lembra muito algum país europeu ou mesmo uma cidade americana. Ao menos o centro, por onde passei até agora. Avenidas bastante largas, balneários bem bonito, praia bonita.
Cansado da viagem e ainda um pouco confuso do fuso horário (+5 horas) fui dormir cedo para aproveitar o pique do dia seguinte.
Acordei bastante cedo pois estava bem afim de ir a pé até a Durban University of Technology (uma espécie de FATEC da governo federal da África do Sul), onde o evento está acontecendo. A ideia é aproveitar para conhecer mais a cidade, indo a partes que não me parecem nada turísticas, pois a universidade fica bem mais afastada da praia. Consegui seguir bem o mapa até próximo de lá, depois as ruas parecem que simplesmente não seguem mais nenhum padrão esperado quando olhando para o mapa que eu tinha em mãos. Os nomes mudam, os desenhos das ruas são diferentes. Pergunta daqui, pergunta dali, acabei chegando tranquilo e encontrei o povo do evento.
O dia hoje estava divido em dois tutoriais (mini-cursos) nos quais me inscrevi:
Gostei bastante do nível das apresentações, da preocupação com a construção dos argumentos, do cuidado na escolha dos dados, da busca por avançar em novas possibilidades de análise e estruturação da informação. Fazia bastante tempo que eu não participava de um evento e sentia essa sensação. Interessante se dar conta disso.
Dei uma olhada inicial nos anais do evento e achei alguns artigos interessantes para dar uma boa lida depois.
Enfim, um sonho antigo de fazer esse tipo de pesquisa se realizando por aqui. Uma etapa a aproveitar! ;-)
Amanhã, começam as mesas e apresentações dos artigos completos que foram submetidos. Eu exponho na quarta-feira nosso poster
Cheguei no domingo após o almoço, no horário local. Aproveitei para conhecer a região, dar uma olhada na praia considerando que mesmo no inverno o dia estava lindo por aqui. A cidade é bastante bonita, lembra muito algum país europeu ou mesmo uma cidade americana. Ao menos o centro, por onde passei até agora. Avenidas bastante largas, balneários bem bonito, praia bonita.
Cansado da viagem e ainda um pouco confuso do fuso horário (+5 horas) fui dormir cedo para aproveitar o pique do dia seguinte.
Acordei bastante cedo pois estava bem afim de ir a pé até a Durban University of Technology (uma espécie de FATEC da governo federal da África do Sul), onde o evento está acontecendo. A ideia é aproveitar para conhecer mais a cidade, indo a partes que não me parecem nada turísticas, pois a universidade fica bem mais afastada da praia. Consegui seguir bem o mapa até próximo de lá, depois as ruas parecem que simplesmente não seguem mais nenhum padrão esperado quando olhando para o mapa que eu tinha em mãos. Os nomes mudam, os desenhos das ruas são diferentes. Pergunta daqui, pergunta dali, acabei chegando tranquilo e encontrei o povo do evento.
O dia hoje estava divido em dois tutoriais (mini-cursos) nos quais me inscrevi:
- Introduction to scientometrics and webometrics - Peter Ingwersen - A ideia do tutorial era apresentar os principais conceitos e aplicações da cienciometria e webmetria. Achei interessante, o tal do Peter falava com bastante propriedade de várias coisas que eu apenas tinha ouvido falar até então. Deu para ter uma noção mais geral sobre cienciometria, apesar do tema não me interessar tanto. Aproveitei algumas boas dicas sobre gráficos, como estruturar a informação e alguns cuidados para não representar conclusões errôneas por falta de critérios estatísticos. Já na parte de webmetria, um assunto pelo qual tenho passado nos últimos anos, a abordagem foi interessante, porém não trouxe contribuições que fossem muito além do trabalho que a gente vem desenvolvendo. Mas, abordagem e forma de organizar a informação me pareceu muito boa. Peter tem uma proposta de analisar nós da web em 3 níveis, páginas, sites e domínios, criando camadas distintas para análise de relação entre esses níveis. Por exemplo, como os sites .gov se relacionam com os sites .org ao referenciar uma determinada página, ou como o domínio blogspot.com se relaciona referenciando um determinado recurso na web. Falou um pouco sobre o Site Explorer do Yahoo, posicionando essa ferramenta e seus potenciais de análise. Falou também do Blog Pulse, uma ferramenta do Nielsen. Além disso falou de algumas métricas comuns da web (número de links direcionados/número de entradas produzidas) e como normalizar esses dados de forma a criar critérios estatísticos de comparação. Peter considera que a área de estudo e análise das tais mídias sociais é ainda muito explorada pelos estudos no campo da informação, com muito espaço aberto para novos modelos analíticos poderem surgir. Comentário meu: novas formas de circular a informação vão exigir, se quisermos fazer ciência a partir disso, novas maneiras de entender como o espaço informacional é constituído. O fato é que, ao meu ver, os pesquisadores não considerarem dimensões das estratégias de articulação de relações sociais, o distanciamento entre aquilo que analisam e o que ocorre nas redes vai ser cada vez maior.
- Sci2: a tool of science of Science Research and Practice - Katy Börner - A Katy é diretora de um centro de pesquisa chamado Cyberinfrastructure for Network Science Center que tem como objetivo principal desenvolver software de apoio a pesquisa e agregar diferentes algoritmos de análise e visualização de redes. Ela organizou um tutorial para apresentar o Sci2, um software livre feito em Java com Python que agrupa uma quantidade bastante interessante de algoritmos de análise e visualização de redes com aplicações explícitas em várias áreas do conhecimento. Um dos pontos altos da apresentação foi como o software já possui scripts para analisar e animar a evolução de redes ao longo do tempo. É algo que tenho procurado já fazia um bom tempo e ainda não tinha encontrada nada muito consistente a respeito. A abordagem principal da apresentação é que esse tipo de ferramenta tem se tornado os telescópios e microscópios do nosso tempo, no que consiste fazer ciência a partir da enorme quantidade de dados que temos a disposição atualmente. Concordo bastante com essa visão, que é, por sinal, uma das coisas que me motiva nas atuas pesquisas em que estou envolvido. Temos muito campo de experimentação de agenciamentos sociais, de movimentos de formação e promoção de redes, de experiências colaborativas que podem servir como base para entendermos e propormos melhoras formas de nos relacionarmos para uma quantidade infinita de eventos. De fato, entender isso tem me ajudado a perceber que o estudo dos novos formatos abrem espaço para muitas pessoas se darem conta de que novas possibilidades de organização social não são apenas possíveis, como muito mais ricas no viver e conviver humano. Instalei o Sci2 e estou brincando um pouco ele por aqui, depois vou reportando o que tenho achado.
Gostei bastante do nível das apresentações, da preocupação com a construção dos argumentos, do cuidado na escolha dos dados, da busca por avançar em novas possibilidades de análise e estruturação da informação. Fazia bastante tempo que eu não participava de um evento e sentia essa sensação. Interessante se dar conta disso.
Dei uma olhada inicial nos anais do evento e achei alguns artigos interessantes para dar uma boa lida depois.
Enfim, um sonho antigo de fazer esse tipo de pesquisa se realizando por aqui. Uma etapa a aproveitar! ;-)
Amanhã, começam as mesas e apresentações dos artigos completos que foram submetidos. Eu exponho na quarta-feira nosso poster
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Experimentando a leitura de estratégias de conectividade
Fiz um post alguns dias atrás mostrando os primeiros movimentos da rede Telecentros.BR, tentando descrever um pouco do que tava ocorrendo por dentro do Moodle por onde tá rolando as principais ações atualmente.
No post, apontava 3 movimentos inicias que estavam mais evidentes quando comecei a analisar a base de dados do projeto:
O fato é que disponibilizamos a ferramenta de conversação online do Moodle para os monitores e polos pudessem utilizar como um recurso de conversa por dentro da plataforma. O que quero descrever agora é como vejo que estão se apropriando desse recurso como um determinado tipo de estratégia de conectividade entre eles.
Antes de mais nada, é fundamental ter em mente que estamos falando de um projeto ainda em fase de implantação, com apenas 3 meses de contato direto com a ponta do programa. A forma como essa rede começa diz muito do discurso inicial, da proposta que está sendo estabelecida entre quem está trabalhando diretamente no projeto e quem está chegando com a expectativa de receber um curso à distância. Há uma certa proposta de relação que está colocada e, a partir dessa proposta, uma dinâmica e uma estrutura de rede começa a surgir delineando movimentos e dando algumas pistas de para onde esse projeto está indo.
A proposta de relação inicial do projeto é, resumidamente:
Utilizando indicadores de centralidade e diâmetro da rede, é possível descrever um pouco melhor como esse movimento tem acontecido dentro da plataforma Moodle. Coloco aqui embaixo uma tabela com os principais dados que coletei dos 3 movimentos iniciais de rede que mencionei acima:
Há muitas possibilidades de leitura desses dados e a ideia é experimentar um pouco por aqui aquilo que me faz sentido, os movimentos que percebo e como acredito que esses instrumentos auxiliam a ler sistemas mais complexos para além daqueles que estamos acostumados no dia-a-dia. Algumas interpretações:
No post, apontava 3 movimentos inicias que estavam mais evidentes quando comecei a analisar a base de dados do projeto:
- a formação de uma rede envolvendo a relação entre os polos regionais (tutores, supervisores e coordenadores) e os monitores de cada região;
- a formação de uma rede envolvendo os polos regionais;
- a formação de uma rede envolvendo os monitores.
O fato é que disponibilizamos a ferramenta de conversação online do Moodle para os monitores e polos pudessem utilizar como um recurso de conversa por dentro da plataforma. O que quero descrever agora é como vejo que estão se apropriando desse recurso como um determinado tipo de estratégia de conectividade entre eles.
Antes de mais nada, é fundamental ter em mente que estamos falando de um projeto ainda em fase de implantação, com apenas 3 meses de contato direto com a ponta do programa. A forma como essa rede começa diz muito do discurso inicial, da proposta que está sendo estabelecida entre quem está trabalhando diretamente no projeto e quem está chegando com a expectativa de receber um curso à distância. Há uma certa proposta de relação que está colocada e, a partir dessa proposta, uma dinâmica e uma estrutura de rede começa a surgir delineando movimentos e dando algumas pistas de para onde esse projeto está indo.
A proposta de relação inicial do projeto é, resumidamente:
- oferecer um curso de 480 horas, dividido em dois módulos, sendo um de 80 horas e outro de 400 com foco específico no desenvolvimento de projetos dentro do Telecentro;
- formar grupos de 30 monitores com apoio de 1 tutor para criar um acompanhamento durante esse curso.
Utilizando indicadores de centralidade e diâmetro da rede, é possível descrever um pouco melhor como esse movimento tem acontecido dentro da plataforma Moodle. Coloco aqui embaixo uma tabela com os principais dados que coletei dos 3 movimentos iniciais de rede que mencionei acima:
| Indicadores | Polos+Monitores | Polos | Monitores |
| Densidade | 0,028955 | 0,0671242 | 0,010443 |
| Grau médio | 61,2109745 | 40,5430464 | 15,7480106 |
| Grau mais baixo | 1 | 0 | 0 |
| Grau mais alto | 2049 | 766 | 380 |
| Proximidade média | 0,2847 | 0,2737 | 0,1646 |
| Proximidade mais baixa | 0,0019 | 0 | 0 |
| Proximidade mais alta | 0,4162 | 0,3952 | 0,2558 |
| Intermediação média | 0,0001 | 0 | 0 |
| Intermediação mais baixa | 0 | 0 | 0 |
| Intermediação mais alta | 0,0858 | 0,1521 | 0,0415 |
| Distância média no maior cluster | 3,69087 | 3,82219 | 4,17026 |
| Maior distância entre dois vértices | 10 | 11 | 11 |
Tabela dos dados absolutos
| Variações | Polos+Monitores | Variação na rede só dos Polos (%) | Variação na rede só dos Monitores (%) |
| Densidade | 0,028955 | 131,82 | -63,93 |
| Grau médio | 61,2109745 | -33,77 | -74,27 |
| Grau mais baixo | 1 | -100,00 | -100,00 |
| Grau mais alto | 2049 | -62,62 | -81,45 |
| Proximidade média | 0,2847 | -3,86 | -42,18 |
| Proximidade mais baixa | 0,0019 | -100,00 | -100,00 |
| Proximidade mais alta | 0,4162 | -5,05 | -38,54 |
| Intermediação média | 0,0001 | -100,00 | -100,00 |
| Intermediação mais baixa | 0 | 0,00 | 0,00 |
| Intermediação mais alta | 0,0858 | 77,27 | -51,63 |
| Distância média no maior cluster | 3,69087 | 3,56 | 12,99 |
| Maior distância entre dois vértices | 10 | 10,00 | 10,00 |
Tabela das variações
Há muitas possibilidades de leitura desses dados e a ideia é experimentar um pouco por aqui aquilo que me faz sentido, os movimentos que percebo e como acredito que esses instrumentos auxiliam a ler sistemas mais complexos para além daqueles que estamos acostumados no dia-a-dia. Algumas interpretações:
- a rede formada pelos polos é 131,82% mais densa do que a rede formada apenas pelos polos+monitores. Os polos vêm se encontrando de forma sistemática desde junho de 2010, para produzirem juntos os conteúdos, as diretrizes e os alinhamentos necessários para a construção dessa formação. O fato de sua densidade de conexões apresentar esse nível indica uma proximidade muito maior entre polos do que entre os monitores entre si e com os polos. Quando vemos a rede de monitores, a densidade cai -63,93%, mostrando o quanto dispersos se tornam os monitores entre si quando os polos saem da relação nesse momento. Os monitores estão espalhados por todo o Brasil e estão começando a formar grupo nessa conexão com o Moodle. Isso leva tempo e depende muito da aposta de relação que a formação fizer para conectar monitores de diferentes regiões, depende da vontade de conversa, da vontade de encontro que esse processo todo gerar e criar caminhos para ocorrer. Nesse momento, o que esse nível de densidade me mostra, bem como as imagens das redes linkadas acima, é o quanto, a partir dessa proposta de formação, o trabalho dos polos é fundamental nesse momento. São eles que adensam a rede, ampliando sua capilaridade.
- sobre o Grau mais alto, dá para perceber também um movimento interessante. Ele cai -62% na rede de polos e -81% na rede de monitores. Isso aponta uma tendência interessante, mostrando que o grau mais alto na rede de polos+monitores ocorre quando esses dois níveis estão conversando entre si, ou seja, mostra um movimento de polos contactando monitores e vice-versa. A relação do polo na formação é central, pois é ele que apresenta o tutor na formação, aquele que tem por papel acolher os monitores, tirar suas dúvidas e acompanhar sua formação.
- os indicadores de proximidade e intermediação apresentam o mesmo movimento, apenas mais intenso no caso da intermediação. Esses indicadores servem para mostrar o nível de proximidade médio entre os nós de uma rede e o grau de articulação entre esses nós. O que fica mais evidente a partir dos dados dessas tabelas, considerando apenas os valores mais altos, é o quanto essa rede de formação depende dessa relação dos polos com os monitores para se articular. A rede só de polos fica 77% mais articulada sem os monitores e a rede só de monitores -51% menos articulada, considerando os nós com maior potencial de articulação na rede. A rede sem os tutores perde muito da sua intensidade, do papel de intermediador que os tutores acabam exercendo na relação com suas turmas de monitores. Esse papel pode ser construído pelos próprios monitores quando avançam na construção de estratégias em comum, na articulação de movimentos próprios, desintermediados da relação direta com os polos, quando começam a utilizar a plataforma de conectividade mais como um canal de encontro do que propriamente um canal para realizarem um curso. Acredito ser possível levar os movimentos da rede de formação para esse âmbito, mas isso é algo a ser experimentado ao longo desse processo todo que estamos vivenciando.
- a distância média entre nós na rede também sofre um impacto, apesar de menor, quando da saída dos polos da rede de monitores. Há um espalhamento na rede, aumentando as distâncias entre monitores. Um dos papéis dos tutores é, nesse momento, realizar parte dessa intermediação, conectando monitores, apresentando pessoas, divulgando suas ideias e links e criando campo para promoção de conexões e articulações em rede.
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