O insight de que as redes de conversação humana formam sistemas complexos que podem ser estudados da perspectiva da linguagem que geram não é uma novidade. Tenho visto estudo sobre issos já a algum tempo, envolvendo desde a turma da aprendizagem organizacional e biologia cultural até o pessoal mais voltado para análise complexa, caos e dinâmica de redes.
A linguagem é uma forma de expressão que carrega em sua própria concepção uma perspectiva estrutural bastante forte. A posição das palavras, seus papéis sintáticos e semânticos, as funções exercidas, enfim, um universo de conceitos que revelam estrutura na relação entre palavras. Estudar qualquer aspecto estrutural pela uso da análise estrutural e dinâmica de redes é algo que pode fluir com bastante facilidade. O uso da modelagem de dados por estruturas como grafos e as possibilidades de indicadores que geramos dessas técnicas tornam-se um recurso de pesquisa e experimentação fantástico para identificar tendências, padrões e aspectos que marquem as característica de uma estrutura.
Caracterizar estruturas não é um processo fácil, exato. Na verdade, ferramentas de descrição podem ajudar muito, mas um certo aspecto intuitivo é fundamental para dar relevância, filtro e sentido para aquilo que as análises mostram. Nada de novo, desde que estatística é estatística as coisas seguem mais ou menos desse modo.
Essa semana, recebi de um amigo um link de um artigo científico que fala de usos da análise de redes para identificação de padrões estruturais na linguagem de pessoas com psicose e manias. Os resultados são bastante simples e as imagens muito intuitivas, mostrando algumas formas estruturais que revelam diferentes modos de utilização da linguagem.
Um dos pontos mais importantes é pensarmos que esse uso, no caso direcionado mais para a área da saúde e casos clássicos, pode também ser direcionado para sistemas de conversação humano como um todo. Grupos de trabalho, redes sociais, comunidades, etc... formam sistemas linguísticos que reverberam estruturais de organização do que corre por dentro das veias do grupo. Sem dúvida, não é uma abordagem absoluta e num deve ser considerada única, mas é mais uma forma de espelhamento, de reflexão sobre aquilo mesmo que construímos em conjunto e que não se torna visível para quem não se questiona e busca analisar os próprios padrões de si.
A perspectiva da dobra é autoconhecimento, seja de si, seja de um grupo. Com que objetivo mesmo? :-)))
Construindo uma história de links e caminhos, de conexões e conversas, de sentidos e contextos...
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sábado, 14 de abril de 2012
segunda-feira, 23 de maio de 2011
a dança da linguagem
Uma pergunta vem me provocando movimentos interessantes já alguns semanas que, por sinal, tem sido bastante inquietantes exatamente por isso. Pense num sistema de informação projetado com a intenção de conectar pessoas e não somente automatizar determinados processos por dentro de um conjunto de regras e interações previamente desenhadas, um blog por exemplo. O quanto o sistema influencia, limita as condições de apropriação e invenção de usos desse sistema e o quanto isso se torna uma questão menor quando consideramos que é o contexto, o sentido de uso que convoca a uma maior ou menor utilização de um ambiente informacional?
Ora entendo que a usabilidade, o design gráfico, a linguagem visual, estética tem uma força de atração, de comunicação criando um campo por onde meu pensamento percorre dialogando com formas, objetos, espaços, relações que podem ser estabelecidas, caminhos a serem percorridos, entradas, saídas, pontos de parada. Sem dúvida, esses objetos não são neutros, influenciam de alguma maneira minha experiência, talvez tanto quanto posso dizer que gosto menos ou mais de uma determinada forma, de uma pintura na parede, de uma escultura ou os traços de uma pessoa que se move em pleno campo do meu imaginário.
Ora entendo que, quando se trata de estabelecer uma boa conversa, importa muito pouco se estamos num boteco da esquina, numa passagem repentina por entre os corredores do trem urbano, num esbarrão em meio a Avenida Paulista ou sentados num toco com chão de terra batida e um copinho de café mareando no canto de na boca como tira gosto. A sensação que tenho é que faz pouca diferença quando minha intenção é estar com alguém, é encontrar algo que não se expressa pelo ambiente ao meu entorno, mas sim pela relação que desejo estabelecer com algo ou alguém.
Há uma diferença entre a tal usabilidade e a boa conversa. A primeira presume uma certa experiência que se quer compartilhar, um certo movimento intencional que se deseja comunicar com o máximo de eficiência possível, pois se trata de um caso de sucesso quando as pessoas de fato percorrem os fluxos informacionais da maneira que imaginávamos e realizam suas tarefas com alto grau de eficiência. É um ponto a se considerar. A segunda, a tal da boa conversa, me parece que inverte muito dessa lógica, pois ela cria caminhos por dentro do fluxo informacional, ela cria o próprio fluxo informacional em busca de atender a um chamado que me convoca. A força do querer estar presente muda tudo.
Acontece que esse jogo entre motivação, informação e apropriação de espaços se expressa no campo informacional através da linguagem, criando uma dança interessante de se dar conta quando paramos algum tempo para analisar esses tais sistemas informacionais. Ocorre que é a linguagem que entrega as muitas das estratégias.....
Mas, como perceber e visualizar isso? Como usar isso como um recurso disparador de conversas entre nós?
É aí que tem alguns aspectos bem interessantes para refletir sobre essa relação de redes sociais, estrutura, dinâmica, controle e liberdade.
Mas, o lance que me interesse aqui é como dar forma, ontologia móvel, para conversarmos sobre. É?
Ora entendo que a usabilidade, o design gráfico, a linguagem visual, estética tem uma força de atração, de comunicação criando um campo por onde meu pensamento percorre dialogando com formas, objetos, espaços, relações que podem ser estabelecidas, caminhos a serem percorridos, entradas, saídas, pontos de parada. Sem dúvida, esses objetos não são neutros, influenciam de alguma maneira minha experiência, talvez tanto quanto posso dizer que gosto menos ou mais de uma determinada forma, de uma pintura na parede, de uma escultura ou os traços de uma pessoa que se move em pleno campo do meu imaginário.
Ora entendo que, quando se trata de estabelecer uma boa conversa, importa muito pouco se estamos num boteco da esquina, numa passagem repentina por entre os corredores do trem urbano, num esbarrão em meio a Avenida Paulista ou sentados num toco com chão de terra batida e um copinho de café mareando no canto de na boca como tira gosto. A sensação que tenho é que faz pouca diferença quando minha intenção é estar com alguém, é encontrar algo que não se expressa pelo ambiente ao meu entorno, mas sim pela relação que desejo estabelecer com algo ou alguém.
Há uma diferença entre a tal usabilidade e a boa conversa. A primeira presume uma certa experiência que se quer compartilhar, um certo movimento intencional que se deseja comunicar com o máximo de eficiência possível, pois se trata de um caso de sucesso quando as pessoas de fato percorrem os fluxos informacionais da maneira que imaginávamos e realizam suas tarefas com alto grau de eficiência. É um ponto a se considerar. A segunda, a tal da boa conversa, me parece que inverte muito dessa lógica, pois ela cria caminhos por dentro do fluxo informacional, ela cria o próprio fluxo informacional em busca de atender a um chamado que me convoca. A força do querer estar presente muda tudo.
Acontece que esse jogo entre motivação, informação e apropriação de espaços se expressa no campo informacional através da linguagem, criando uma dança interessante de se dar conta quando paramos algum tempo para analisar esses tais sistemas informacionais. Ocorre que é a linguagem que entrega as muitas das estratégias.....
Mas, como perceber e visualizar isso? Como usar isso como um recurso disparador de conversas entre nós?
É aí que tem alguns aspectos bem interessantes para refletir sobre essa relação de redes sociais, estrutura, dinâmica, controle e liberdade.
Mas, o lance que me interesse aqui é como dar forma, ontologia móvel, para conversarmos sobre. É?
segunda-feira, 22 de março de 2010
Conectando linguagem, redes semânticas e estruturas dissipativas
Comecei a brincar com visualização de Redes Semânticas por aqui na semana passada, depois que voltei da CIRS. A brincadeira foi tomando gosto e fiquei um tempo pensando em que esse tipo de coisa poderia ser útil para alguns dos tópicos que venho estudando ultimamente. Duas visões de aplicação disso ficaram evidentes e me parecem que vale a pena dedicar um tempo analisando as possibilidades:
O que me parece interessante é que acabamos tendo a mão todo o ferramental técnico de análise de redes para brincar com essas visualizações, como encontrarmos termos hubs de nossas próprias redes interiores. Humm....
A base dessas relações está pautada por algumas conexões interessantes que vão dando o caminho das pedras:
- Utilizar a visualização de Redes Semânticas em processos com grupos que compartilham documentos que acabam por ser mediadores de seu fazer coletivo, enquanto reunidos nesses grupos. Por exemplo, grupos de trabalho que aplicam procedimentos de um determinado manual, pesquisadores que utilizam determinadas obras de referência, atendentes de campo e de suporte, etc. A idéia seria coletar esses documentos de referência e analisar a visualização de sua rede semântica. A partir disso, apresentar a visualização como uma forma de biofeedback para o grupo e trabalhar, a partir da perspectiva da relação, as diferentes compreensões e as diferentes formas de enxergar os mesmos conceitos. Acredito que isso poderia ser bem rico como material meio para que possamos compartilhar como nossa mente vê o que vê da forma como vê.
- Utilizar a visualização de Redes Semânticas em processos ditos "terapêuticos". A idéia de fundo aqui é coletar depoimentos de pessoas a respeito de questões que lhes interessam ou que gostariam de aprender mais sobre si mesmas. Construir a visualização da Rede Semântica e analisar as conexões, as relações entre conceitos, buscando questionar por que aparecem como aparecem e que tipo de rede estamos construindo como nosso modelo mental de pensamento a respeito daquele tema. Será que podemos mudar nossas redes? Será que visualizarmos essas redes pode nos ajudar a conscientizar melhor as estruturas de linguagem que utilizamos para pensar e dar forma a nossa consciência?
O que me parece interessante é que acabamos tendo a mão todo o ferramental técnico de análise de redes para brincar com essas visualizações, como encontrarmos termos hubs de nossas próprias redes interiores. Humm....
A base dessas relações está pautada por algumas conexões interessantes que vão dando o caminho das pedras:
- a nossa linguagem tradicional acaba por nos aprisionar um fragmentado modelo de vida. A estrutura sujeito-predicado acaba por modelar nosso pensamento, nos fazendo pensar em tudo em termos de causa-efeito;
- a Teoria de Prigogine sobre estruturas dissipativas nos ensina que a estrutura de um sistema é mantida por uma contínua dissipação de energia. Essas estruturas podem também ser descritas como integridades flutuantes e são altamente organizadas, mas estão sempre em processamento. Quanto mais complexa é uma estrutura dissipada, mais energia se faz necessária para manter todas as conexões, dessa forma, ela é mais vulnerável às flutuações internas. Podemos usar essa forma de ver as coisas para entender como as estruturas dissipativas podem muito bem ligar os padrões dinâmicos do cérebro às transições da mente. Psicotecnologias podem propor uma flutuação possível nesses padrões, levando o sistema a um nível maior de complexidade e reorganização, possibilitando a dissolvência de determinados padrões.
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