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domingo, 2 de dezembro de 2012

Modelos de redes e novas possibilidades de pensar no campo informacional para bibliotecas: Seminário de Usos de Redes Sociais para Publicação Científica na USP

Pensar em redes é, muitas vezes, uma questão de enxergar como as coisas podem se relacionar entre si. A potência da análise de redes sociais está em permitir visualizarmos as relações que acreditamos existir, facilitando dar contorno e tornar mais evidente que possíveis padrões de relacionamento estamos diante. Pensar em padrões, mais do que pensar naquilo que é determinado, é pensar naquilo que se conjuga nos hábitos, nas tendências de relação que talvez ainda não tenhamos nos dado conta.

Em tese, estamos diante de uma ferramenta de espelhamento, facilitando perceber diversos contextos espelhados nas relações que definem os limites de um sistema. Podemos ver aqui refletidos as políticas de relação, as formas, os modos e as diferentes maneiras possíveis nas quais esses sistemas são concebidos e apropriados por aqueles que lhes utilizam.

Foi com essa motivação como ponto de partida que montei essa apresentação para o Seminário de Usos de Redes Sociais na Produção Científica na USP.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Brincando com dados no Gephi:

Fazia um tempo que tinha colocado aqui na listinha de coisas a experimentar brincar um pouco com o Gephi, um sistema de visualização e exploração de grafos.

Bem, pra começo de conversa o Gephi tem uma história de desenvolvimento bastante interessante, dado que ele é desenvolvido por um consórcio envolvendo empresas, universidades e desenvolvedores pelo mundo afora. Um modelo híbrido, com uma intenção clara: trabalhar análise de dados para redes em um nível singular de interatividade e excelência técnica. O resultado é que a ferramenta é incrivelmente fácil de usar e fornece resultados de uma forma prática que eu nem sequer imaginava, dado a experiência prévia que já tive com outros softwares, como Pajek, Netdraw, Visone e Ucinet.

Funcionalidades como calculo de métricas, mapeamento de comunidades, formatação da rede por atributos, definição de parâmetros de nós e arestas são muito mais intuitivos que nos softwares acima, disponibilizando várias informações em painéis que ficam o tempo todo visíveis para os usuários, evitando termos de acessar uma quantidade enorme de menus que dificultam replicarmos os procedimentos técnicos de análise quando algum tempo se usar o software.

Fiz algumas experiências com base nesse tutorial inicial que replico abaixo e realmente me pareceu que o Gephi pode poupar algumas boas horas de práticas em cima da análise de redes. Enfim, documentando por aqui para os interessados nessa imersão "sedutora" da modelagem de sistemas e análise baseada na metáfora dos grafos. :-)



quarta-feira, 13 de junho de 2012

Apresentando sobre dinâmica de evolução de revistas científicas e bibliotecas digitais no 3º Simpósio Brasileiro de Comunicação Científica na Universidade Federal de Santa Catarina

Semana passada estive na Universidade Federal de Santa Catarina, no campus de Florianópolis, para participar do 3º Simpósio Brasileiro de Comunicação Científica. O evento faz parte das ações de pesquisa do programa de pós-graduação em Ciência da Informação e trouxe como temática do encontro a questão do acesso aberto.

Tema bom de conversar e ainda com muito, mas muito para ser feito em termos de tecnologia, pesquisa e, sobretudo, entendimento humano do assunto. Como tenho feito já a um tempo, estou participando de eventos desse tipo, enviando trabalhos do doutorado, como estratégia para conhecer melhor a área da CI no Brasil, o que tem sido feito, quem está atuando e construir melhores formas de me inserir também nesse contexto.


Alguns bons temas foram discutidos por lá nos dois dias do evento. Vou resumir aqui o que considero como as principais contribuições para o debate e onde acho que temos bastante espaço para experimentar bons processos de relação:



  • Banco Mundial e Unesco agora possuem diretrizes institucionais de promoção a seus repositórios em acesso aberto, seguindo os padrões da OAI.
  • A União Européia finalizou recentemente um projeto chamado PEER - Publishing and the ecology of european research. O projeto se propunha a investigar os efeitos causados pela publicação sistemática de artigos científicos revisados pelos pares do ponto de vista dos leitores, dos journals assim como em toda a ecologia da pesquisa na união européia. Diversos materiais interessantes foram gerados ao longo de 4 anos de trabalho.
  • Pesquisadores americanos têm criado alguns manifestos sobre a abertura integral e de acesso aberto aos resultados das pesquisas que foram financiadas pelo governo. Bom debate rolando aqui.
  • Para novos processos, novos modos de dar visibilidade sempre são uma etapa que ajudam e muito a conseguirmos avança na consolidação de novas ideias. A PLOS (Public Library of Science) tem se proposto a construir e experimentar novos indicadores que busquem avançar nas limitações de avaliação que hoje existem quando utilizamos apenas o fator de impacto. O Article level metrics é uma iniciativa fundamental para esse debate. A ideia aqui por detrás é mostrar como temos a necessidade de trabalhar de forma multidimensional para construir sistemas de avaliação de impacto que expandam as nossas limitações de olhar do que é hoje considerado uma boa pesquisa científica. Trabalham com as seguintes dimensões e suas possíveis integrações: usage, citations, social bookmarking and dissemination activity, media and blog coverage, discussion activity and ratings.
  • O projeto total-impact.org é uma iniciativa que permite criarmos uma coleção de objetos de pesquisa que desejamos rastrear e avaliar ao mesmo seu impacto na comunidade acadêmica. Permite criar coleções de artigos, dados, gráficos, entre outros e avaliar como eles são apropriados em diferentes dimensões. Muito útil.
  • Um livro interessante sobre os "novos colégios invisíveis" foi comentando como uma boa tentativa de mostrar como a ciência, a dinâmica da pesquisa e os fluxos de redes têm mudado nos últimos anos no mundo todo. 
  • Nas apresentações de trabalho, deu para sentir as primeiras conversas sobre curadoria digital de dados, sobretudo num projeto que foi ali apresentado, do Digital Curation Centre. É um projeto do Governo inglês que visa auxiliar suas universidades e instituições de pesquisa a promoverem processos de curadoria de seus dados digitais, ou seja, arquivarem dados brutos de pesquisa e não somente aqueles que já foram processados e se tornaram relatórios, artigos ou outros tipos de trabalhos. Outro debate fundamental: onde publicar os dados brutos da minha pesquisa? O quanto eles não poderiam alimentar de ideias e possibilidades de experimentação outros pesquisadores que tivessem interesses semelhantes aos meus? O quanto isso não poderia favorecer a melhor circulação de nossas próprias ideias?
  • Sobre ferramentas, duas delas foram bem lembradas para análise de padrões complexos em dados de produção científica: Citespace e Sci2.

 Abaixo, segue a apresentação que fiz no Simpósio e o link do artigo apresentado.




E no final, até um show Hare Krishna com distribuição de comida vegana rolou! Bom encontro!



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Experimentando o olhar na evolução das redes ... animando grafos

Começando a gerar alguns experimentos que facilitem visualizar e se dar conta de como as redes produzem movimentos de sincronia, movimentos de remix de posições ao colocarmos em movimento as relações como se estabelecem no tempo.

A experiência abaixo é a partir dos dados da rede Univerciencia.org, uma rede de co-autoria entre pesquisadore que publicam em revistas da área da Ciência da Comunicação.


sábado, 17 de dezembro de 2011

Desdobramentos de conversas sobre as análises da Rede Conversê.org

No meio desse ano, comecei a avançar em experimentos mais concretos sobre algumas hipóteses de como estudar redes a partir de suas bases de dados. Lá em Durban, em julho, comecei a brincar com a base de dados da rede Conversê.org, uma ação fundamental que foi executada no âmbito do projeto Cultura Digital por gente querida na busca por ampliar os espaços coletivos e de conversação que existiam nos projetos culturais até então.

Experiência rica, intensa, o que só me motivou mais a querer trabalhar com ela. Comecei a construir um artigo que buscasse sintetizar alguns modos interessantes que eu gostaria de mostrar sobre como essa rede se desenvolveu ao longo de seu tempo de existência. Escolhi o formato de artigo por ser uma estrutura formal o suficiente para meu desejo de organizar as informações necessárias para obter o efeito que eu estava buscando naquele momento: menos discurso aberto, mais síntese de movimentos.

O artigo foi publicado essa semana na revista Em Questão, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A primeira coisa que fiz foi apresentar o resultado do trabalho para as redes Estúdio Livre e Metareciclagem, por onde ainda circulam várias pessoas que participaram da concepção, implantação e desenvolvimento do projeto Conversê. Meu desejo: conversar, ouvir comentários, críticas, ampliar minha capacidade de olhar para aquilo que tem me interessado nos últimos tempos.

Começou uma conversa muito interessante, puxada pela Fabi Borges e que vale relatar por aqui:

"fabi,

 tuas questões são um ponto chave...
 
2011/12/17 fabi borges <catadores@gmail.com>:

> pq esses usuarios nao mantiveram interesse?
> entra ahi um problema de design?
> ou ainda, por falta de "cultura" de colaboracao?
> Seria pq estava atrelada ao ESTADO e isso dava sensacao de que nao era
> horizontal de fato, que nao tinha poder de fato??--


de fato, são perguntas como essas que têm me movido a estudar as coisas desse modo.
escutei e escuto muitos discursos bonitos, floridos falando sobre redes, sobre projetos que eu participe e que, por experiência, eu sabia que o que aqueles discursos revelavam estava longe da minha percepção empírica das coisas.

mas, como demonstrar isso? com mais contra-discurso apenas, ficaria só mais uma versão da história. os gráficos e análise ajudam a embasar um pouco mais, apesar de não resolverem essas perguntas, como você bem colocou. dão um grau a mais para outras versões da história.

algumas hipóteses minhas:
  • não acho que seja problema de design;
  • não acho que seja falta de cultura de colaboração;
  • não acho que é pelo papel do "estado";
  • acho, e tenho buscado coletar, compilar, refletir sobre evidências mais fortes nesse sentido, que tem muito a ver com dois modos que podem se complementar de enxergar redes:
    • as redes auto-organizadas que emergem por si só: metareciclagem, é um exemplo disso. o contexto convoca, as pessoas se encontram pq que querem, por que sentem que ali encontra a força de uma conversa que não acontece em outro lugar. É como se uma certa vibra corresse no ar, instigando em diferentes modos a vontade de fazer algo que acaba se tornando num contexto de rede.
    • as redes construídas por projetos ou ações que visam promover coletivos e ampliar o potencial de auto-organização de grupos: esses são bem mais complexos, pois envolvem uma questão crucial pra mim: cuidado e afeto. Se as pessoas encontrarem em redes gente disposta a recebê-las, acolher de fato, conversar, responder, cuidar, demonstrar interesse verdadeiro (não a vontade de vender e fazer o ritual canibal marketeiro número 2), coisas muito interessantes podem acontecer. Mas, investir num processo desse demanda tempo, demanda muita, mas muita energia na vontade e disposição de conversar. Poucas redes que eu conheço se propuseram e conseguiram executar isso bem feito. Alguns exemplos, como a Rede Humaniza SUS, a rede Telecentros.br (os monitores de telecentros) caminham nessa vertente e dão boas pistas de como investir energia e inspiração nesse sentido.
  • Acho que a rede Conversê tentou ficar num misto disso, não fazendo nenhuma e nem outra. Mas, isso é só uma hipótese...

bjs,
dalton"

E assim segue a conversa...



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Apresentando no III Seminário do programa de pós em Ciência da Informação na ECA/USP

Ano bom, ano forte. Muita mudança, novos pontos de vista, novas possibilidades, muitos deslocamentos de lugares já consolidados abrindo espaço para novas formas de se ver para tantos lugares já conhecidos.

Enfim, caminhos. E esse foi um ano de muito trabalho de análise, de síntese, de reflexão, de se recolher mais para pensar, de falar menos. Ontem, num importante momento de síntese, todos os colegas e companheiros que estão fazendo pós no mesmo programa que eu, na Ciência da Informação - ECA/USP, e qualificaram no ano de 2011, se reuniram num seminário para apresentarem o andamento de seus trabalhos de pesquisa, seja de mestrado ou doutorado.

Conversa boa, revendo gente amiga, compartilhando as preocupações, as inquietações, os modos de pensar, os modos de escrever. Fui pra lá também apresentar o andamento da tese, os primeiros resultados que consegui gerar a partir das últimas semanas em que trabalhei bastante num script php para extrair e organizar os dados da base de modo que me permita os cruzamentos necessários. Processo extremamente divertido, relembrando de muitos caminhos da programação, dos tipos de raciocínio, dos meios de chegar a um ponto.

Fica o registro da apresentação, fechando mais esse ciclo.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Novos protocolos: imaginários em modos de presença, interoperabilidade e disponibilidade em tempo real

A ideia de brincar com a modelagem de protocolos é algo que faz parte do imaginário já a algum tempo, sobretudo desde os tempos de laboratório na época do mestrado, ainda na Unicamp. O tempo se passou e outras coisas foram tomando a atenção, foco e o brilho que movimenta e convoca para a ação. Mas, a ideia continuou ali, me encontrando em vários momentos em que pesava a limitação de interatividade que eu acabava por perceber nos sistemas, redes e ambientes nos quais estive envolvido de algum modo nos últimos anos.


As coisas giram e cá estou eu novamente, voltando para a pesquisa a partir de outro giro da espiral, com outros modos de ver e entender as coisas, com melhores níveis de leitura de mundo e um pouco mais de clareza de para onde ir.



A modelagem de sistemas complexos tem me seduzido com bastante intensidade e tenho falado sobre isso aqui em vários posts, sobretudo em 2011. Modelagem não tem apenas o aspecto de análise daquilo que existe, mas também (e isso pode ter MUITO potencial ainda a ser explorado em termos de possibilidades do imaginário) de possibilitar que criemos novos sistemas, que criemos modos de interoperar e se relacionar que possam ser pautados por outros valores além daqueles que já conhecemos e talvez não gostemos.


Bem, saindo da boa conversa e fundamental teoria, tenho me proposto em conversas com alguns parceiros do além rede, a começar um exercício de modelagem, proposição e experimentação com um conjunto de tecnologias que teria por objetivo propor formas mais distribuídas, descentralizadas e autônomas de comunicação e interação em rede.


Com uma boa provocação do José Murilo, atualmente na Coordenação de Cultura Digital do MinC, mas mano véio de várias paradas de estradas desde os velhos tempos de metáforas, comecei a exercitar os imaginários na ideia de produzir uma interface que pudesse:

   1. permitir que qualquer autor pudesse publicar uma obra (seja ela em que formato for), conectado um nível de direito autoral;
   2. permitir que qualquer autor tivesse uma única chave primária de identificação nesse ambiente;
   3. permitir que o modo de armazenar esses dados não fosse centralizado, estando distribuído em vários níveis e categorias de servidores com alguma forma de certificação para fazerem parte dessa rede;
   4. permitir que qualquer aplicação pudesse se conectar nessa rede, bastante apenas que criasse alguma interface com uma API de acesso, permitindo que dados pudessem ser remixados de qualquer modo possível;
   5. permitir que diferentes serviços pudessem ser gerados a partir desses dados armazenados, estando apenas limitados pelo nível de exposição que o próprio autor decidisse em relação ao seu perfil;
   6. permitir que redes, redes e mais redes pudessem ser montadas a partir de diferentes modos de combinação dessas informações;
   7. permitir que o protocolo não apenas servisse para circulação descentralizada de informação, mas fosse base também para identificação, presença e interatividade em tempo real.

 Bons desafios, vários caminhos possíveis, ora mais centralizados, ora menos. Acontece que há várias tecnologias livres, de padrões abertos e normalizadas por institutos internacionais (assim como TCP/IP, HTTP, FTP, etc...) que poderiam ser modeladas em camadas para uma arquitetura de aplicação em rede que desse conta desses 7 pontos acima listados.


Pensei um bocado sobre isso e acho, e continuo achando, que um trabalho desse não pode ser feito por apenas uma pessoa e que valeria a pena que fosse feito em encontro de muitas visões, saberes, experiências. Criar algo desse modo envolve muito mais que tecnologia, envolve um nível de relação entre pessoas que extrapola as limitações do que minhas linhas de código podem prever.


De qualquer modo, enquanto isso ainda não acontece, comecei a brincar com modelos possíveis, provocativos de outras conversas que possam se interessar por expandir, criticar, derivar essa ideia inicial.


Segue aqui abaixo o primeiro modelo de arquitetura que comecei a desenhar:

A ideia é relativamente simples (e espero que consigamos mantê-la simples), sendo a arquitetura baseada num modelo em 3 camadas, onde teríamos:

   1. Camada de interface: é aquilo que apareceria para as pessoas e programas que iriam se conectar nessa rede distribuída. Seriam sistemas, sites, redes sociais, ambientes de governo que quisessem se conectar a plataforma distribuída, seja para alimentá-la, consultá-la ou gerar algum remix de informação que lhe interessasse;
   2. Cama de modelagem e serviços: aqui tem muito para ser pensado e experimentado. A ideia é criar um conjunto de APIs para disponibilizar modos de acesso a camada de dados que fossem mais simples. Além disso, podemos implementar usando padrões em XMLSchema estruturas de organização da informação que viabilizasse uma infinidade de workflows de troca de dados, permitindo não apenas estruturar a informação, mas como estruturar fluxos de troca, como por exemplo,
   3. Camada de persistência de dados: é aqui que ficam armazenados os dados de identificação, perfis, publicações e fluxos semânticos de trocas possíveis entre pessoas se relacionando a partir de toda essa plataforma.

A ideia é utilizarmos o protocolo XMPP como apenas o modelo de comunicação, deixando para as modelagens de modos de relação para o espaço semântico ali representado na camada 2. Enfim, um começo de modelo vai aparecendo por aqui, espero que sirva mais do que plataforma técnica, mas como elemento disparador de conversas, críticas, expansões que sirvam para brincarmos com as possibilidades de modelagem que nossos imaginários conseguirem nos levar.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Analisando a formação de redes na ferramenta Fórum do Moodle

Sempre considerei o Moodle uma plataforma bastante dura, engessada e pouco sedutora para a promoção de um espaço de conversa online em relação a outras possibilidades, como o Drupal e Wordpress.

O fato é que tenho trabalho, nem tanto por opção mas por uma questão demanda do edital, com o Moodle na Rede de Formação do projeto Telecentros.BR. Tenho documentado por aqui alguns movimentos que temos feito de análise da formação de redes de conversas entre os monitores que estão participando desse processo. Já são mais de 1300 nesse momento e os primeiros estudos que comecei a fazer me mostraram algo que de fato eu pouco esperava: um uso muito intenso dos módulos de comunicação, acima de qualquer outra coisa que eu já tinha visto em um projeto como esse.

Continuando nessa pesquisa/estudo/experiência comecei ontem a noite a estudar como analisar a formação dessas redes entre os monitores a partir de suas conversas nos fóruns disponíveis pelos diversos tópicos do curso. O Gus havia me dado um toque de que estava ocorrendo um tipo de conversa interessante/intensa por ali, dado a percepção que ele estava tendo nos encontros de formação presencial com os monitores, pelos papos que estava ouvindo na reunião com as equipes de cada polo. Deu um tempo, resolvi investigar isso.

O fato é que o modo que o Moodle dificulta muito as coisas pela maneira com que ele guarda os dados na na sua tabela de fórum. A tabela onde conseguimos extrair as conversas é chamada de mdl_forum_posts, que organiza as mensagens em colunas chamadas: "discussion", "parent", "user", "created", "subject" e "message", entre outras que importam menos para o que queria fazer por aqui. A coluna discussion guarda o número de uma thread de conversas, ou seja, o número de um tópico qualquer criado dentro de um fórum. A coluna "parent" guarda o número do fórum onde ocorreu a conversa. A coluna user guarda o usuário que postou naquela discussão, repetindo a discussão e o usuário caso haja repetição de qualquer um deles. A coluna created guarda o timestamp (horário em formato Unix) de quando a postagem foi feita e as colunas subject e message guardam o título e o conteúdo da postagem.

A complicação é que, diferente das tabelas de mensagens online, não temos diretamente do Moodle uma listagem de relacione quem conversou diretamente com quem. Dado isso, montei um script em PHP que monta essa correlação de quem conversou com quem. A ideia básica desse script considerar que todo mundo que postou numa discussão conversou com todo mundo nessa discussão, formando um grupo que interage entre si a partir dessa discussão. Sem dúvida, podemos montar isso de outra forma, considerando o tempo de postagem ou outros critérios para como relacionar as pessoas. É algo que pretendo explorar a partir desse estudo inicial. O script lê os dados de um arquivo que contêm basicamente duas colunas: número da discussão e id do usuário que postou na discussão. Ele monta para cada discussão um array e depois faz uma combinação entre todos os usuários desse array, exibindo na tela para uso posterior.

Segue aqui o script:


function possibilities ($input) {
 
  for ($contador=0;$contador<=count($input);$contador++){
    $elementoatual = array_shift($input);
    foreach ($input AS $current) {
        if (!empty($input)) {
        printf("%d,%d
",$elementoatual,$current);
            }
        }       
    }
 }

    $fh=fopen('c:\xampp\htdocs\arquivos\forum.csv','r');
    $dados = array ();
   
    while (list($discussao,$pai,$usuario,$timestamp) = fgetcsv($fh,1024,',')){
       
        // cria um array temporário com as duas variáveis coletadas
        $arraytemp = array($discussao,$usuario);
       
        // acrescenta o array temporário num array que vai agregar todos os dados do arquivo.
        array_push($dados,$arraytemp);       
    }
   
    //indexa o array pela primeira dimensão, no caso, pelo campo da discussão
    sort($dados);
   
    $contador=0;      
    $discussaoux=9999999;
    $acumulaarray = array();
    foreach ($dados AS $dado){
   
        if ($dados[$contador][0]!=$discussao) {         
            $discussao=$dados[$contador][0];
            possibilities($acumulaarray);
            $acumulaarray = array();
        }    

        array_push($acumulaarray,$dados[$contador][1]);
        $contador++;

    }
   
    fclose($fh);
    ?>;
       

Só para ilustrar os primeiros utilizando esse script para montar um arquivo no formato Pajek, segue a primeira imagem da rede que gerei ontem a noite:





Alguns dados interessantes sobre ela, limpando loops e múltiplas conexões entre pares:
  • grau médio de conexão: 27,44
  • diâmetro da rede: 13 (maior distância entre dois pontos).
O próximo passo é começar a detalhar essa análise, buscando descobrir como o fórum tem sido apropriado pelos monitores, pelos tutores e equipes de polos, analisando as possíveis diferenças regionais que podem se desdobrar em diferentes estratégias de como cada polo tem utilizado/ocupado esse ambiente.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Refletindo sobre os componentes de uma estrutura de informação para redes emergentes

Estudar Ciências da Informação tem lá a suas vantagens. No começo, o que parecia ser apenas um curso chato, cheio de teorias que não faziam sentido, foi gradualmente mudando. A aproximação com a pesquisa relacionada a bibliotecas, a vocabulários, a protocolos, interoperabilidade, tudo o que esses caras têm efeito e seus desdobramentos nos sistemas de informação que usamos hoje em dia é muito interessante.

Tem muito da história da Internet, de protocolos abertos a estrutura de metadados que passa por essa conversa.

Pensar em sistemas de informação que possam facilitar a emergência de novos arranjos organizacionais, que facilitem os fluxos de informação e ampliem nossa possibilidade de interoperabilidade é um desafio contínuo. Já vi várias ações sendo pensadas, sendo que uma das mais interessantes que vi recentemente foi do pessoal do MinC, o projeto Cervo.

Lendo um pouco sobre pesquisas em bibliotecas digitais e as preocupações que esses caras sempre tiveram em facilitar o compartilhamento distribuído de acervos, busca descentralizada e agregação de informação, uma série de componentes são levados em consideração na estrutura de um sistema de informação:

  • ambiente para submissão e armazenamento de documentos eletrônicos;
  • mecanismos de linkagem de documentos eletrônicos entre si, de modo que um usuário pudesse ter acesso imediatamente a referências e fontes citadas em um documento eletrônico;
  • endereços eletrônicos persistentes, sem os problemas de links inválidos;
  • base de autoridades;
  • linguagem de descrição;
  • esquemas de classificação temática;
  • sistemas de metadados para interoperabilidade entre sistemas e descoberta de informações;
  • armazenamento e preservação de documentos eletrônicos por longo tempo.
 De todos esses ítens, onde mais trava em geral é no processo de consenso entre o uso da linguagem de descrição e os esquemas de classificação temática. Temos tecnologia que avança muitos desses pontos, como o XMPP, mas o processo de conversação humano que vai produzindo sentido nisso é que é a trava. 

De fato, não são sistemas triviais e nem tampouco temos cultura para trabalhar nessa perspectiva. Brincar e experimentar com isso, criando formas de notificação, de compartilhamento que produzam sentidos temporários a grupos e que representem as metáforas de ativação do próprio grupo. Acho que tem aí um cadinho de sentido e uma enorme dimensão de reflexão para quando estamos conversando sobre redes e sistemas de informação...