Uma das boas perspectivas de uma rede é sustentar um constante desequilíbrio no sistema. Visão interessante e ponto de vista a dar uma sacudida naquilo que tem muita gente buscando por aí: as redes não vieram para estabilizar relações, vieram apenas explicitando as oscilações e impermanências do nosso fazer.
Via kk.org:
"Innovation is disruption; constant innovation is perpetual disruption. This seems to be the goal of a well-made network: to sustain a perpetual disequilibrium. A few economists studying the new economy (among them Paul Romer and Brian Arthur) have come to similar conclusions. Their work suggests that robust growth sustains itself by poising on the edge of constant chaos. "If I have had a constant purpose it is to show that transformation, change, and messiness are natural in the economy," writes Arthur.
The difference between chaos and the edge of chaos is subtle. Apple Computer, in its attempt to seek persistent disequilibrium and stay innovative, may have tottered too far off-balance and let itself unravel toward extinction. Or, if its luck holds, it may discover a new mountain to ascend after a near-death experience."
Construindo uma história de links e caminhos, de conexões e conversas, de sentidos e contextos...
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
sábado, 2 de outubro de 2010
Algumas anotações sobre uma possível Teoria de Campo Social
21 proposições de uma Teoria do Campo Social
1. Os sistemas sociais são “colocados em prática” ou “encenados” pelos seus membros em um contexto. (As demais proposições resultam destas)
2. O ponto cego das ciências sociais, dos sistemas sociais e da teoria de campo hoje em dia diz respeito às fontes nas quais os sistemas sociais têm origem.
3. Há quatro fontes de atenção na qual pode emergir a ação social:
a. Eu em mim;
b. Eu no objeto;
c. Eu em você;
d. Eu no agora.
4. As quatro fontes e estruturas de atenção dão origem a quatro diferentes fluxos ou campos de emergência. “Vejo dessa maneira, portanto, ele emerge daquela maneira”;
5. Os quatro campos de encenação da realidade social aplicam-se a todas as esferas de criação da realidade social:
a. Burocracias de máquinas centralizadas;
b. Estruturas divisionais descentralizadas;
c. Estruturas organizacionais em rede;
d. Estruturas de ecossistemas de inovação.
6. Os pontos de inflexão movendo-se de um campo para outro são idênticos em todos os níveis. Esses pontos constituem uma gramática social:
a. Abertura e suspensão (mente aberta);
b. Mergulho profundo e redirecionamento (coração aberto);
c. Deixe ir e deixe vir (vontade aberta).
7. Quanto maior a hipercomplexidade de um sistema, mais crítica é a capacidade para operar a partir dos campos mais profundos da emergência social;
8. A inovação profunda que trata os três tipos de complexidade exige um processo que integre três movimentos: abrir-se para contextos que importam (cossentir), conectar-se à fonte de quietude (copresencing) e prototipar o novo (cocriação);
9. Para acessar e ativar as fontes mais profundas dos campos sociais, três instrumentos devem ser ajustados ou “afinados”: a mente aberta, o coração aberto e a vontade aberta;
10. Abrir esses níveis mais profundos exige a superação de três barreiras: a voz do julgamento, a voz do cinismo e a voz do medo;
11. Cocriar exige um compromisso de servir o todo e a capacidade de reintegrar a inteligência da cabeça, do coração e das mãos;
12. Quanto maior o intervalo entre a complexidade sistêmica exterior e a capacidade interior de acessar os fluxos mais profundos de emergência, é mais provável que um sistema sairá dos trilhos e reverterá para um espaço destrutivo de anti-emergência;
13. O espaço social da anti-emergência é manifestado em um movimento reacionário conhecido como fundamentalismo;
14. O campo social é um todo em desenvolvimento que pode ser observado e experimentado pelas cinco dimensões. São elas: espaço social, tempo social, o coletivo, o eu e o espaço envolvente (terra);
15. À medida que um campo social se desenvolve e começa a incluir os mais profundos níveis e fluxos da emergência, a experiência de tempo, espaço, eu, coletivo e Terra funde-se por meio de um processo cultural de inversão;
16. A abertura das fontes e dos fluxos de emergência mais profundos inverte a relação entre o indivíduo e o coletivo;
17. A abertura das fontes mais profundas e dos campos de emergência transformam a relação entre o conhecedor e o conhecido;
18. O campo social é uma escultura de tempo na criação;
19. O desenvolvimento do campo social é uma função da ressonância mórfica sem escala;
20. O futuro de um sistema é uma função do campo a partir do qual escolhemos operar;
21. A força revolucionária neste século é o despertar de uma capacidade humana geradora profunda – o “eu no agora”.
Anotações da Teoria U, de Otto Scharmer.
1. Os sistemas sociais são “colocados em prática” ou “encenados” pelos seus membros em um contexto. (As demais proposições resultam destas)
2. O ponto cego das ciências sociais, dos sistemas sociais e da teoria de campo hoje em dia diz respeito às fontes nas quais os sistemas sociais têm origem.
3. Há quatro fontes de atenção na qual pode emergir a ação social:
a. Eu em mim;
b. Eu no objeto;
c. Eu em você;
d. Eu no agora.
4. As quatro fontes e estruturas de atenção dão origem a quatro diferentes fluxos ou campos de emergência. “Vejo dessa maneira, portanto, ele emerge daquela maneira”;
5. Os quatro campos de encenação da realidade social aplicam-se a todas as esferas de criação da realidade social:
a. Burocracias de máquinas centralizadas;
b. Estruturas divisionais descentralizadas;
c. Estruturas organizacionais em rede;
d. Estruturas de ecossistemas de inovação.
6. Os pontos de inflexão movendo-se de um campo para outro são idênticos em todos os níveis. Esses pontos constituem uma gramática social:
a. Abertura e suspensão (mente aberta);
b. Mergulho profundo e redirecionamento (coração aberto);
c. Deixe ir e deixe vir (vontade aberta).
7. Quanto maior a hipercomplexidade de um sistema, mais crítica é a capacidade para operar a partir dos campos mais profundos da emergência social;
8. A inovação profunda que trata os três tipos de complexidade exige um processo que integre três movimentos: abrir-se para contextos que importam (cossentir), conectar-se à fonte de quietude (copresencing) e prototipar o novo (cocriação);
9. Para acessar e ativar as fontes mais profundas dos campos sociais, três instrumentos devem ser ajustados ou “afinados”: a mente aberta, o coração aberto e a vontade aberta;
10. Abrir esses níveis mais profundos exige a superação de três barreiras: a voz do julgamento, a voz do cinismo e a voz do medo;
11. Cocriar exige um compromisso de servir o todo e a capacidade de reintegrar a inteligência da cabeça, do coração e das mãos;
12. Quanto maior o intervalo entre a complexidade sistêmica exterior e a capacidade interior de acessar os fluxos mais profundos de emergência, é mais provável que um sistema sairá dos trilhos e reverterá para um espaço destrutivo de anti-emergência;
13. O espaço social da anti-emergência é manifestado em um movimento reacionário conhecido como fundamentalismo;
14. O campo social é um todo em desenvolvimento que pode ser observado e experimentado pelas cinco dimensões. São elas: espaço social, tempo social, o coletivo, o eu e o espaço envolvente (terra);
15. À medida que um campo social se desenvolve e começa a incluir os mais profundos níveis e fluxos da emergência, a experiência de tempo, espaço, eu, coletivo e Terra funde-se por meio de um processo cultural de inversão;
16. A abertura das fontes e dos fluxos de emergência mais profundos inverte a relação entre o indivíduo e o coletivo;
17. A abertura das fontes mais profundas e dos campos de emergência transformam a relação entre o conhecedor e o conhecido;
18. O campo social é uma escultura de tempo na criação;
19. O desenvolvimento do campo social é uma função da ressonância mórfica sem escala;
20. O futuro de um sistema é uma função do campo a partir do qual escolhemos operar;
21. A força revolucionária neste século é o despertar de uma capacidade humana geradora profunda – o “eu no agora”.
Anotações da Teoria U, de Otto Scharmer.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Quantidade de informação e consciência
Uma questão vem me pegando nos últimos tempos é a relação com a dinâmica e a estrutura das informações que lidamos no cotidiano e o potencial que temos de refletir sobre como nos relacionamos com isso.
Identificar padrões de si e de vínculos que estabelecemos socialmente, que construímos nas estruturas e dinâmicas de conversação, produção e uso da informação pode funcionar como uma possibilidde de ruptura em nossa maneira cotidiana de lidar com as coisas?
- Olhar para isso e dar conta de produzir pequenas sínteses de como e do que lidamos seria um caminho interessante de consciência de si?
- Serviria como uma espécie de analisador de si o potencial que temos de nos percebermos através da maneira/temas que lidamos?
Identificar padrões de si e de vínculos que estabelecemos socialmente, que construímos nas estruturas e dinâmicas de conversação, produção e uso da informação pode funcionar como uma possibilidde de ruptura em nossa maneira cotidiana de lidar com as coisas?
quinta-feira, 29 de julho de 2010
3 questões fundamentais do nosso tempo: referências, informação e ordem
Sinais interessantes podem ser lidos em várias instâncias de que as coisas estão mudando.
Até aí, que há de novo? Tudo tá sempre mudando, a vida nunca é estática e nos fluxos e refluxos nos reinventamos a cada dia.
Mas, parece que a mudança dos tempos que vivemos apontam vetores interessantes quando começamos a relacionar redes, problemas de conversação, explosão de informação, necessidade de encontrar ordem, angústia, o caos por simplesmente perceber que as formas tradicionais de se organizar o trabalho não funcionam mais e nada que conheçamos parece dar conta de oferecer novas perspectivas.
Que o trabalho e a forma como nos comunicamos vem mudando, também não tem nada de novo e isso tem sido dito de múltiplas maneiras a bons anos. Acredito que 3 questões fundamentais vêm pautando esses processos de mudanças:
Se isso é um problema ou não, enfim, não creio que seja essa a questão. Acho que isso vai depender do olhar de quem observa ou não assim.
A questão que fica é, para onde José? Parece que fica a sensação de que temos a chave da porta, mas a porta já não há.
Alguns sinais interessantes parecem indicar traços de novas portas que podem ser construídas no fazer fazendo:
Um desafio interessante e instigante é trabalhar a partir dessas 3 dimensões que, talvez, possam ser extremamente úteis quando se trata de encontrarmos novos caminhos e novas maneiras de estarmos juntos, não reduzindo e diminuindo a complexidade das tendências que vivemos, mas inventando novas formas de potencializá-las e reintegrá-las na produção de si.
Até aí, que há de novo? Tudo tá sempre mudando, a vida nunca é estática e nos fluxos e refluxos nos reinventamos a cada dia.
Mas, parece que a mudança dos tempos que vivemos apontam vetores interessantes quando começamos a relacionar redes, problemas de conversação, explosão de informação, necessidade de encontrar ordem, angústia, o caos por simplesmente perceber que as formas tradicionais de se organizar o trabalho não funcionam mais e nada que conheçamos parece dar conta de oferecer novas perspectivas.
Que o trabalho e a forma como nos comunicamos vem mudando, também não tem nada de novo e isso tem sido dito de múltiplas maneiras a bons anos. Acredito que 3 questões fundamentais vêm pautando esses processos de mudanças:
- medo, angústia da perder as referências, as certezas dos métodos e das formas que tradicionalmente sempre funcionaram. Toda a leva de metodologias rápidas e prontas, PMI, CRM, ERP, SAP, enfim... tudo o que criamos e desenvolvemos anos a fio para firmar certezas e ampliar nossa capacidade de previsão e organização da informação num mundo linear;
- aumento exponencial de produção e acesso a informação, capacidade de estabelecer relações em rede, redefinições de identidade, de perfis que simplesmente não são possíveis de serem tratadas pelas lógicas tradicionais de organização. Hierarquias de tomadas de decisão, maneiras tradicionais de se pensar divisão de recursos, distribuição de poder e responsabilidades. Isso está mudando, queiramos ou não, e as lógicas tradicionais de gestão que tentam organizar isso colapsam em suas tentativas centralizadas, fechadas e lineares.
- falta de conhecimento de outras possibilidades de se operar em meio ao caos e encontrar ordem. Dificuldade de operar sem um sentido de grupo, de coletivo e enorme dificuldade de saber como isso pode ser construído. Antigas referências de participação não dão conta. As pessoas mudaram, suas necessidades de participação são geracionais, suas visões do que é atuar em rede mudaram, suas necessidades de instâncias de distribuição de poder se agenciam em rede, querendo ou não. Não sabemos criar fluxos de organização disso.
Se isso é um problema ou não, enfim, não creio que seja essa a questão. Acho que isso vai depender do olhar de quem observa ou não assim.
A questão que fica é, para onde José? Parece que fica a sensação de que temos a chave da porta, mas a porta já não há.
Alguns sinais interessantes parecem indicar traços de novas portas que podem ser construídas no fazer fazendo:
- Novas tecnologias de conversação de grupos: Open Space, World Cafe, Investigação Apreciativa, etc...
- Novas possibilidades de encontrar ordem nos fluxos da informação: Scale Free Networks, Power laws, Sistemas não-lineares, sistemas adaptativos, etc...
- Novas possibilidades de organização em rede: a rede não como metáfora, mas como tendência de fluxo de informação. Abertura e disponibilização da informação em instâncias coletivas de decisão e conversação. Orçamentos abertos, decisões compartilhadas, alinhamentos coletivos.
Um desafio interessante e instigante é trabalhar a partir dessas 3 dimensões que, talvez, possam ser extremamente úteis quando se trata de encontrarmos novos caminhos e novas maneiras de estarmos juntos, não reduzindo e diminuindo a complexidade das tendências que vivemos, mas inventando novas formas de potencializá-las e reintegrá-las na produção de si.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
11º FISL - dia 23-07 - Conversando sobre Ecossistemas de conversação, Acervos Digitais e P2P
No meu segundo dia do FISL, o papo ficou mais voltado para em dois grandes eixos:
A galera do MinC tá com uma proposta muito interessante de evolução daquilo que rolava em muitas de nossas conversas nos idos de 2002/2003: a idéia do Xemelê, que aliás voltou ao ar com o antigo wiki online. A arquitetura do que eles estão propondo está mais detalhada aqui! Mas, a idéia geral deles é utilizar:
Depois dessa boa conversa, sentei com o pessoal do Estúdio Livre que fez um debate sobre seu modelo de comunidade online, como poderiam se organizar, como avançar na conversa em rede, enfim. A idéia era compartilhar um pouco da experiência do MetaReciclagem e de como tínhamos nos feito as mesmas questões e encontrado respostas diferentes. Questões como o uso do nome, quem participa, quem tá fora, coisas importantes de novas maneiras de nos organizarmos em rede e que não tem respostas óbvias em nenhum caso. Um mundo novo sendo construído, com novas soluções a serem experimentadas, compartilhadas e documentadas.
Para fechar o dia, fui participar da mesa do RedeLabs, a convite do ff. Caos total, dislexia, dissonância, estruturas dissipativas em ação. Foi divertido. Falei de Caos, da necessidade de desordem para emergência de ordem, de como a rede não conecta nas estruturas de demandas dos editais e de como um estamos no período de habitar os próprios paradoxos enquanto ainda aguardamos surgir novas possibilidades de ordem para novas maneiras de nos organizarmos. Ainda não sabemos fazer isso, principalmente na relação da experimentação artística e da tecnologia. Tudo novo de novo. Enfim, paciência e experimentação, não no produto, mas na forma... ;-)
Fim de FISL pra mim. Contente, feliz e satisfeito dos papos, dos fluxos e dos contatos. E vamo em frente.
- novas maneiras que podemos utilizar protocolos interoperáveis para conversarmos e disponibilizarmos conteúdo em rede;
- como os projetos comunidades, artistas e projetos experimentais se articula em rede e se desenvolvem como na relação de demandas, verbas e projetos com o governo.
A galera do MinC tá com uma proposta muito interessante de evolução daquilo que rolava em muitas de nossas conversas nos idos de 2002/2003: a idéia do Xemelê, que aliás voltou ao ar com o antigo wiki online. A arquitetura do que eles estão propondo está mais detalhada aqui! Mas, a idéia geral deles é utilizar:
- xmpp como protocolo de mensagens instantâneas e apoio do pubsub. O xmpp fará o papel de notificador dos conteúdos publicados conforme a correlação de assinantes interessados naquele tipo de recurso/conteúdo. Vale lembrar que o Gtalk usa o xmpp, ou seja, tem escala.
- uso da biblioteca libstorage para a escolha do melhor servidor um documento fará upload. Ou seja, quem envia um arquivo não tem de se preocupar onde vai armazenar, o cliente pode escolher com base nos assinantes da rede qual o melhor servidor naquela situação. Uma vez feito o upload, todos os servidores são notificados, criando um compartilhamento a-lá p2p dos recursos disponíveis na rede.
Depois dessa boa conversa, sentei com o pessoal do Estúdio Livre que fez um debate sobre seu modelo de comunidade online, como poderiam se organizar, como avançar na conversa em rede, enfim. A idéia era compartilhar um pouco da experiência do MetaReciclagem e de como tínhamos nos feito as mesmas questões e encontrado respostas diferentes. Questões como o uso do nome, quem participa, quem tá fora, coisas importantes de novas maneiras de nos organizarmos em rede e que não tem respostas óbvias em nenhum caso. Um mundo novo sendo construído, com novas soluções a serem experimentadas, compartilhadas e documentadas.
Para fechar o dia, fui participar da mesa do RedeLabs, a convite do ff. Caos total, dislexia, dissonância, estruturas dissipativas em ação. Foi divertido. Falei de Caos, da necessidade de desordem para emergência de ordem, de como a rede não conecta nas estruturas de demandas dos editais e de como um estamos no período de habitar os próprios paradoxos enquanto ainda aguardamos surgir novas possibilidades de ordem para novas maneiras de nos organizarmos. Ainda não sabemos fazer isso, principalmente na relação da experimentação artística e da tecnologia. Tudo novo de novo. Enfim, paciência e experimentação, não no produto, mas na forma... ;-)
Fim de FISL pra mim. Contente, feliz e satisfeito dos papos, dos fluxos e dos contatos. E vamo em frente.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Falando de pragmáticos, linguagem e conversações
Acabei de ler no final de semana o Contingência, Ironia e Solidariedade do Richard Rorty, por indicação da Drica.
Entre muitos trechos bons, de um pensamento suave, direto e muito útil para reflexão, separei um que acho que dá um pouco o tom do texto e de como ele articula sua filosofia:
"A única coisa que importa é que, quando se acredita nela, pode-se enunciá-la sem sair machucado. Em outras palavras, o que importa é nossa capacidade de falar com outras pessoas sobre o que nos parece verdade, e não sobre o que de fato é verdade. Se cuidarmos da liberdade, a verdade poderá cuidar de si mesma. Se formos suficientemente irônicos sobre nossos vocabulários finais e suficientemente curiosos sobre o de todas as outras pessoas, não precisaremos ter a preocupação de saber se estamos em contato direto com a realidade moral, se fomos cegados pela ideologia, ou se estamos sendo debilmente relavistas."
Forte. Bom. Direto. Muito útil.
A pergunta que me fiz foi: Como podemos trabalhar os dispositivos de visualização em estratégias de conversação que possam aguçar essa curiosidade sobre o vocabulário final de cada pessoa, cada organização, cada rede? Tem um caminho aqui...
Entre muitos trechos bons, de um pensamento suave, direto e muito útil para reflexão, separei um que acho que dá um pouco o tom do texto e de como ele articula sua filosofia:
"A única coisa que importa é que, quando se acredita nela, pode-se enunciá-la sem sair machucado. Em outras palavras, o que importa é nossa capacidade de falar com outras pessoas sobre o que nos parece verdade, e não sobre o que de fato é verdade. Se cuidarmos da liberdade, a verdade poderá cuidar de si mesma. Se formos suficientemente irônicos sobre nossos vocabulários finais e suficientemente curiosos sobre o de todas as outras pessoas, não precisaremos ter a preocupação de saber se estamos em contato direto com a realidade moral, se fomos cegados pela ideologia, ou se estamos sendo debilmente relavistas."
Forte. Bom. Direto. Muito útil.
A pergunta que me fiz foi: Como podemos trabalhar os dispositivos de visualização em estratégias de conversação que possam aguçar essa curiosidade sobre o vocabulário final de cada pessoa, cada organização, cada rede? Tem um caminho aqui...
terça-feira, 8 de junho de 2010
o falso problema da inovação
Inovação, criatividade e experimentação parecem ser cada vez mais o tom dos discursos nas redes, nos jornais, nos relatórios e nas conversas de quem tá refletindo sobre nossas tendências atuais, como nesse relatório que a IBM soltou recentemente.
Tenho preferido ver a questão de uma outra maneira. Acho que posicionar a conversa sobre esses pontos é acabar alimentando um ciclo de produção que pretende ser libertário mas que acaba fechado sobre as próprias fronteiras que acaba erguendo.
As fronteiras não surgem das organizações, nas instituições burocráticas ou mesmo das redes que fazemos ou não parte. As fronteiras surgem na linguagem: termos que definem e excluem, expressões que buscam registrar algo dinâmico e que dão conta de apenas relevar uma dimensão limitada e temporal do pensamento.
A busca por liberdade, se for esse o caso, está além das fronteiras da linguagem. Não é algo que vamos resolver criando mais redes, desenvolvendo tecnologia, salvando a natureza ou melhorando nossa capacidade de inovação, criatividade e tendo idéias mais interessantes para pesquisa e desenvolvimento.
A busca por liberdade está além do conceitual, do que pode ser expresso em significados. Está exatamente no dissolvência do significado, das perguntas que buscam uma resposta que só é encontrada quando já não há mais perguntas.
Parece algo paradoxal: como se nada do que efetivamente fizéssemos pudesse ampliar intrinsecamente nosso potencial de liberdade e a liberdade só realmente surgisse quando deixamos de buscá-la dessa maneira. Creio que parcialmente. Bordas podem ser ampliadas, compreensões alargadas, sistemas que passam a incluir variáveis que antes não eram consideradas, pessoas que se abrem para conversas quando antes estavam fechadas, começamos a considerar coisas que antes achávamos irrelevantes.
Sem dúvida, isso também tem um limite. Toda a complexidade não pode ser abarcada de uma forma plena, sempre algo estará de fora. Fazemos escolhas, escolhemos bordas, criamos fronteiras, nos associamos e nos separamos e fazemos isso como consequência da nossa própria maneira de nos relacionarmos e usarmos a linguagem que usamos.
Dessa maneira, buscar inovação, criatividade e experimentação como elementos fundantes de algo libertário, como se o que se dedicasse a outras coisas fossem apenas a conservação de um determinado status quo me parece um falso problema.
Tenho preferido ver a questão de uma outra maneira. Acho que posicionar a conversa sobre esses pontos é acabar alimentando um ciclo de produção que pretende ser libertário mas que acaba fechado sobre as próprias fronteiras que acaba erguendo.
As fronteiras não surgem das organizações, nas instituições burocráticas ou mesmo das redes que fazemos ou não parte. As fronteiras surgem na linguagem: termos que definem e excluem, expressões que buscam registrar algo dinâmico e que dão conta de apenas relevar uma dimensão limitada e temporal do pensamento.
A busca por liberdade, se for esse o caso, está além das fronteiras da linguagem. Não é algo que vamos resolver criando mais redes, desenvolvendo tecnologia, salvando a natureza ou melhorando nossa capacidade de inovação, criatividade e tendo idéias mais interessantes para pesquisa e desenvolvimento.
A busca por liberdade está além do conceitual, do que pode ser expresso em significados. Está exatamente no dissolvência do significado, das perguntas que buscam uma resposta que só é encontrada quando já não há mais perguntas.
Parece algo paradoxal: como se nada do que efetivamente fizéssemos pudesse ampliar intrinsecamente nosso potencial de liberdade e a liberdade só realmente surgisse quando deixamos de buscá-la dessa maneira. Creio que parcialmente. Bordas podem ser ampliadas, compreensões alargadas, sistemas que passam a incluir variáveis que antes não eram consideradas, pessoas que se abrem para conversas quando antes estavam fechadas, começamos a considerar coisas que antes achávamos irrelevantes.
Sem dúvida, isso também tem um limite. Toda a complexidade não pode ser abarcada de uma forma plena, sempre algo estará de fora. Fazemos escolhas, escolhemos bordas, criamos fronteiras, nos associamos e nos separamos e fazemos isso como consequência da nossa própria maneira de nos relacionarmos e usarmos a linguagem que usamos.
Dessa maneira, buscar inovação, criatividade e experimentação como elementos fundantes de algo libertário, como se o que se dedicasse a outras coisas fossem apenas a conservação de um determinado status quo me parece um falso problema.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Ativação de Redes e Mudança de ordem em sistemas organizacionais
Acabei de ler o livro Pragmática da Comunicação Humana e muita coisa que vinha pesquisando, experimentando começou a fazer mais sentido. O livro é de 1967 e foi muito inspirado no trabalho do Gregory Batenson, nos pesquisadores de Palo e toda a turma da Cibernética.
Já faz alguns bons anos que o pessoal da Cibernética, do pensamento sistêmico e da complexidade vem me interessando. Muitas boas respostas do ponto de vista de como aprendemos, como nos organizamos, como construímos nossa consciência e linguagem venho encontrando por ali. Além de ser um caminho que vai me libertando de uma série de dogmas e paradoxos complicados de dissolver, comecei a ver muita conexão com a minha vivência nas redes colaborativas na Internet.
O tema da colaboração, das emergências e ações sempre me interessou. Passei a estudar, pesquisar, ler, vivenciar as redes em busca de um entendimento que me ajudasse a descrever aquilo que vivia.
Mas, uma pergunta que continuou me fazendo é: Como podemos facilitar que os sistemas organizacionais humanos possam ampliar a consciência de si mesmos, refletindo sobre como fazem o que fazem e se reestruturar a partir disso? Como abrir espaços relacionais que facilitem a liberação de tensões, ampliem o potencial de reflexão e permita aos participantes dos sistemas ficarem mais inteligentes, percebendo padrões sutis de sua comunicação e articulação?
Bem, hoje montei um inforáfico bem simples, versão 0.1 de uma série de idéias e processos que venho pesquisando e experimentando em projetos...
Já faz alguns bons anos que o pessoal da Cibernética, do pensamento sistêmico e da complexidade vem me interessando. Muitas boas respostas do ponto de vista de como aprendemos, como nos organizamos, como construímos nossa consciência e linguagem venho encontrando por ali. Além de ser um caminho que vai me libertando de uma série de dogmas e paradoxos complicados de dissolver, comecei a ver muita conexão com a minha vivência nas redes colaborativas na Internet.
O tema da colaboração, das emergências e ações sempre me interessou. Passei a estudar, pesquisar, ler, vivenciar as redes em busca de um entendimento que me ajudasse a descrever aquilo que vivia.
Mas, uma pergunta que continuou me fazendo é: Como podemos facilitar que os sistemas organizacionais humanos possam ampliar a consciência de si mesmos, refletindo sobre como fazem o que fazem e se reestruturar a partir disso? Como abrir espaços relacionais que facilitem a liberação de tensões, ampliem o potencial de reflexão e permita aos participantes dos sistemas ficarem mais inteligentes, percebendo padrões sutis de sua comunicação e articulação?
Bem, hoje montei um inforáfico bem simples, versão 0.1 de uma série de idéias e processos que venho pesquisando e experimentando em projetos...
terça-feira, 25 de maio de 2010
Algumas dicas de contorno do Caderno de Campo - Pensamento Sistêmico
Algumas boas dicas para bordas e contornos do pensamento direto do Caderno de Campo:
"Mudanças profundas, ou seja, mudanças culturais baseadas na aprendizagem precisam de estruturas e ambientes nos quais as pessoas possam projetar experimentos e realizar experiências para, compartilhadamente, observar, refletir, chegar a conclusões firmes e agir de maneira mais efetiva e sustentada... Sem essa visão, estaremos sempre usando medidas de curto prazo, com baixa sustentabilidade, atacando sintomas de problemas e cada vez mais presos na armadilha do apagar incêndios." pág. 23
"Fizemos construção de sistemas de indicadores como forma de aprendizagem e comunicação da estratégia.... Por meio da aprendizagem, assimilamos (criamos) o mundo real em mapas." pág 24
"Um processo de gestão da mudança tem base no processo criativo, no qual a construção coletiva se dá a partir de uma tensão criativa envolvendo a contraposição de um entendimento sistêmico da realidade presente e de uma visão de futuro profundamente desejada." pág.27
Possíveis fases de um processo de mudança: (pag. 28)
"Os modelos mentais, ou os pressupostos mais profundos, são modificados por meio do processo de aprendizagem. Mudança profunda implica aprendizagem. Um ciclo de aprendizado profundo precisa ser fomentado." pág. 34
"Habilidades e capacidades especiais são as que efetivamente transformam a maneira de perceber o mundo e sentir o mundo. São: aspiração, reflexão e conversação, conceituação. Arquitetura organizacional capaz de facilitar o o ciclo de aprendizado: idéias norteadoras, teorias, métodos e ferramentas, inovações em infra-estrutura." pág 35.
"Quanto mais se conhece as estruturas sistêmicas da realidade, mais necessitamos de um propósito comum para obter energia criativa e saber no que transformá-la. Só um grupo com alta capacidade de aprender junto pode ter uma visão ampliada do sistema, explorando-o por suas diversas facetas. Os programas de mudança falham porque entram em choque com as crenças e pressupostos das pessoas. " pág. 37
"Em última instância, não existem coisas, mas estruturas derivadas de padrões de comportamento de fluxos." pág. 38
O que vem a ser sistêmico? pág. 43
"Vygotsky acaba por concluir que a linguagem afeta o pensamento tanto em seu conteúdo quanto em processo. Logo, diferentes linguagems produzem maneiras diferenciadas de pensar." pág. 57
"A cibernética nos ensina que os sistemas sustentam sua existência e comportamento por meio das relações circulares. Elas são de dois tipos básicos: relações circulares de reforço e relações circulares de balanceamento." pág. 60
"Soluções tradicionais pertencem ao pensamento linear (mesmas soluções, mais esforço, mais resultado), enquanto as soluções podem vir de um conjunto criativo (novas ações, com menos esforço, mais eficácia), levando em conta o sistema como um todo." pág 67
"O acordo sobre a principal transformação costuma ser o grande passo na solução do problema." pág. 92
"Os níveis de percepção: (pág. 94)
"A clareza sobre qual de fato é o problema traz em si o encaminhamento da solução. Assim, antes de qualquer busca por solução, está a busca por um consenso mínimo sobre qual é a situação-problema." pág. 143
"A distância entre o estado atual e o estado futuro desejado torna-se fonte de tensão criativa, movendo os indivíduos em direção à concretização desse futuro." pág. 173
"É preciso compreender, porém, que toda a força da metodologia só será efetiva, no sentido de desafiar modelos mentais instituídos e construir estratégias efetivas, se dois fatores estiverem presentes: a existência de um ambiente e de uma cultura de aprendizagem, e a continuidade do processo." pág. 192
"A dinâmica natural das estruturas dissipativas simples ensina o princípio otimista sobre algo que costuma nos levar ao desespero no mundo humano: quanto maior for a liberdade na auto-organização, maior será a ordem." pág. 225
" A formação da estratégia é claramente um processo emergente, constituído por meio da aprendizagem do coletivo. Nele, a liderança abre mão do gerenciamento do conteúdo da estratégia e passa a gerenciar o processo estratégico." pág. 234
"Por ser um dos maiores alavancadores do desempenho superior da organização, a lidenraça frequentemente se coloca como sua principal barreira. As atitudes do líder-herói bloqueiam o aprendizado dos membros organizacionais ao reforçar sua crença de que a ascenção organizacional se dá por atos de bravura individual." pág. 236
"Tem-se visto que o aprofundamento do campo, bem como sua sustentabilidade, requer uma presença consciente, uma escuta profunda, um estar aberto a um fluxo maior de significado e uma participação consciente no campo maior da mudança. Essa participação consciente implica um entendimento da capacidade criativa e destrutiva que a ação humana tem sobre seu ambiente, levando ao reconhecimento de que frequentemente as barreiras para uma ação criativa mais profunda são exatamente os modelos mentais que criamos, e dos quais sentimo-nos escravos." pág. 238
"Estruturas em sistemas não são necessariamente construídas conscientemente. Elas são construídas a partir das escolhas, realizadas consciente ou inconscientemente, ao longo do tempo." pág. 258
"Simplesmente conceder poder, sem algum método de repor a disciplina e a ordem que advêm de um burocracia de comando e controle, produz caos. Temos que aprender a dispersar poder de modo que a autodisciplina possam, em grande medida, substituir a disciplina imposta. Isso nos situa na área da cultura: substituir a burocracia por aspirações, visões e valores." pág. 259
"O ambiente deve promover a visibilidade de aspectos mais sistêmicos do que simplesmente a tarefa em execução." pág. 260
"Se os indicadores locais premiam o ótimo local, mesmo sob condições de conflito ou de perda para a organização como um todo, as pessoas privilegiarão os indicadores locais. Por mais que se valorize o bem maior, dificilmente alguém prejudicará seus índices ou sua distribuição de resultados. Os sistemas de valorização e cobrança, em geral não-formalizados, frequentemente forçam os gerentes a tomar atitudes que são danosas para o sistema como um todo, pois incentivam a visão fragmentada, ou a chamada visão de feudo." pág. 261
"Mudanças profundas, ou seja, mudanças culturais baseadas na aprendizagem precisam de estruturas e ambientes nos quais as pessoas possam projetar experimentos e realizar experiências para, compartilhadamente, observar, refletir, chegar a conclusões firmes e agir de maneira mais efetiva e sustentada... Sem essa visão, estaremos sempre usando medidas de curto prazo, com baixa sustentabilidade, atacando sintomas de problemas e cada vez mais presos na armadilha do apagar incêndios." pág. 23
"Fizemos construção de sistemas de indicadores como forma de aprendizagem e comunicação da estratégia.... Por meio da aprendizagem, assimilamos (criamos) o mundo real em mapas." pág 24
"Um processo de gestão da mudança tem base no processo criativo, no qual a construção coletiva se dá a partir de uma tensão criativa envolvendo a contraposição de um entendimento sistêmico da realidade presente e de uma visão de futuro profundamente desejada." pág.27
Possíveis fases de um processo de mudança: (pag. 28)
- compreender a realidade atual: identificar a mentalidade que a origina, diagnosticar os limitadores do desenvolvimento coletivo;
- visualizar o futuro: desafiar os próprios modelos mentais;
- construir uma estratégia robusta: projetar sistemas de indicadores que influenciem a ação organizacional;
- promover a mudança: esforços coordenados, colaboração e atuação em rede;
- repensar a organização: repensar estruturas e processos. Cabemos nisso?
- sustentar a mudança e aprender continuamente: ambientes de aprendizagem contínua, habilidades organizacionais essenciais.
"Os modelos mentais, ou os pressupostos mais profundos, são modificados por meio do processo de aprendizagem. Mudança profunda implica aprendizagem. Um ciclo de aprendizado profundo precisa ser fomentado." pág. 34
"Habilidades e capacidades especiais são as que efetivamente transformam a maneira de perceber o mundo e sentir o mundo. São: aspiração, reflexão e conversação, conceituação. Arquitetura organizacional capaz de facilitar o o ciclo de aprendizado: idéias norteadoras, teorias, métodos e ferramentas, inovações em infra-estrutura." pág 35.
"Quanto mais se conhece as estruturas sistêmicas da realidade, mais necessitamos de um propósito comum para obter energia criativa e saber no que transformá-la. Só um grupo com alta capacidade de aprender junto pode ter uma visão ampliada do sistema, explorando-o por suas diversas facetas. Os programas de mudança falham porque entram em choque com as crenças e pressupostos das pessoas. " pág. 37
"Em última instância, não existem coisas, mas estruturas derivadas de padrões de comportamento de fluxos." pág. 38
O que vem a ser sistêmico? pág. 43
- das partes para o todo;
- dos objetos para os relacionamentos: faz mais sentido buscar um entendimento da realidade não por meio de coleções de objetos, mas por meio de redes de relacionamentos incorporadas em redes maiores;
- das hierarquias para as redes;
- da causalidade linear para a circularidade;
- da estrutura para o processo;
- da metáfora mecânica para a metáfora do organismo vivo e outras não-mecânicas;
- do conhecimento objetivo para o conhecimento contextual e epistêmico;
- da verdade para as descrições aproximadas;
- da quantidade para a qualidade: implica uma mudança de ênfase da mensuração quantitativa dos objetos para uma postura de mapeamento e visualização;
- do controle para cooperação, influenciação e ação não-violenta.
"Vygotsky acaba por concluir que a linguagem afeta o pensamento tanto em seu conteúdo quanto em processo. Logo, diferentes linguagems produzem maneiras diferenciadas de pensar." pág. 57
"A cibernética nos ensina que os sistemas sustentam sua existência e comportamento por meio das relações circulares. Elas são de dois tipos básicos: relações circulares de reforço e relações circulares de balanceamento." pág. 60
"Soluções tradicionais pertencem ao pensamento linear (mesmas soluções, mais esforço, mais resultado), enquanto as soluções podem vir de um conjunto criativo (novas ações, com menos esforço, mais eficácia), levando em conta o sistema como um todo." pág 67
"O acordo sobre a principal transformação costuma ser o grande passo na solução do problema." pág. 92
"Os níveis de percepção: (pág. 94)
- por meio da percepção de eventos, o homem responde reativamente. Isso funciona bem, desde que o mundo não mude rápido demais. Isso também funciona se não há muita complexidade e interconexão. A visão de eventos é inteiramente fragmentada, impondo uma visão parcial da realidade;
- eventos são apenas variações nos padrões de comportamentos mais profundos. Para ultrapassar o nível dos eventos, é preciso analisar as tendências de longo prazo e avaliar suas implicações. Uma visão histórica começa a se configurar. Aquilo que considerávamos ser um problema recente, pode ser mais antigo que parecia.
- O terceiro nível invoca a compreensão da estrutura sistêmica da realidade. Esse nível indica o que causa os padrões de comportamento, buscando explicar como as variáveis influenciam-se mutuamente em relações de causa e efeito. Mapas sistêmicos são a base para o reprojeto do sistema.
- As estruturas da realidade social são construídas tendo por base o que as pessoas carregam em suas mentes. Os modelos mentais são os responsáveis pelas estruturas que os seres humanos constroem, seja nas cidades, nas comunidades, nas famílias, nas organizações. A compreensão de modelos mentais proporciona a capacidade para ações reestruturadoras de uma maneira mais profunda."
- definir uma situação complexa de interesse: define-se situação de interesse em uma frase ou título. Define-se também o horizonte de tempo para análise, delimitado por um determinado ano no passado e um determinado ano no futuro. Definem-se questões norteadoras. ;
- apresentar a história por meio de eventos; (FUNDAMENTAL APRESENTAR OS ANTECEDENTES)
- identificar as variáveis-chave: a partir da lista de eventos, pode-se identificar quais as variáveis estão em jogo na situação de interesse. Se eu tivesse em minhas mãos um gráfico que claramente demonstrasse a ocorrência desse evento, que gráfico seria esse? O resultado desse passo é uma lista de variáveis-chave, não superior em quantidade a 25. Essa lista representa algumas forças importantes em atuação na realidade.
- traçar os padrões de comportamento: coletam-se dados para compor séries históricas das variáveis;
- desenhar o mapa sistêmico: identificar as relações causais entre os fatores, desvendando as estruturas sistêmicas. Permite localizar os pontos de alavancagem para ação eficaz e sustentada;
- identificar modelos mentais: identificam-se os principais atores e, a seguir, identificam-se seus modelos mentais que mais afetam a realidade em questão;
- realizar cenários;
- modelar em computador;
- definir direcionadores estratégicos, planejar ações e reprojetar o sistema.
"A clareza sobre qual de fato é o problema traz em si o encaminhamento da solução. Assim, antes de qualquer busca por solução, está a busca por um consenso mínimo sobre qual é a situação-problema." pág. 143
"A distância entre o estado atual e o estado futuro desejado torna-se fonte de tensão criativa, movendo os indivíduos em direção à concretização desse futuro." pág. 173
"É preciso compreender, porém, que toda a força da metodologia só será efetiva, no sentido de desafiar modelos mentais instituídos e construir estratégias efetivas, se dois fatores estiverem presentes: a existência de um ambiente e de uma cultura de aprendizagem, e a continuidade do processo." pág. 192
"A dinâmica natural das estruturas dissipativas simples ensina o princípio otimista sobre algo que costuma nos levar ao desespero no mundo humano: quanto maior for a liberdade na auto-organização, maior será a ordem." pág. 225
" A formação da estratégia é claramente um processo emergente, constituído por meio da aprendizagem do coletivo. Nele, a liderança abre mão do gerenciamento do conteúdo da estratégia e passa a gerenciar o processo estratégico." pág. 234
"Por ser um dos maiores alavancadores do desempenho superior da organização, a lidenraça frequentemente se coloca como sua principal barreira. As atitudes do líder-herói bloqueiam o aprendizado dos membros organizacionais ao reforçar sua crença de que a ascenção organizacional se dá por atos de bravura individual." pág. 236
"Tem-se visto que o aprofundamento do campo, bem como sua sustentabilidade, requer uma presença consciente, uma escuta profunda, um estar aberto a um fluxo maior de significado e uma participação consciente no campo maior da mudança. Essa participação consciente implica um entendimento da capacidade criativa e destrutiva que a ação humana tem sobre seu ambiente, levando ao reconhecimento de que frequentemente as barreiras para uma ação criativa mais profunda são exatamente os modelos mentais que criamos, e dos quais sentimo-nos escravos." pág. 238
"Estruturas em sistemas não são necessariamente construídas conscientemente. Elas são construídas a partir das escolhas, realizadas consciente ou inconscientemente, ao longo do tempo." pág. 258
"Simplesmente conceder poder, sem algum método de repor a disciplina e a ordem que advêm de um burocracia de comando e controle, produz caos. Temos que aprender a dispersar poder de modo que a autodisciplina possam, em grande medida, substituir a disciplina imposta. Isso nos situa na área da cultura: substituir a burocracia por aspirações, visões e valores." pág. 259
"O ambiente deve promover a visibilidade de aspectos mais sistêmicos do que simplesmente a tarefa em execução." pág. 260
"Se os indicadores locais premiam o ótimo local, mesmo sob condições de conflito ou de perda para a organização como um todo, as pessoas privilegiarão os indicadores locais. Por mais que se valorize o bem maior, dificilmente alguém prejudicará seus índices ou sua distribuição de resultados. Os sistemas de valorização e cobrança, em geral não-formalizados, frequentemente forçam os gerentes a tomar atitudes que são danosas para o sistema como um todo, pois incentivam a visão fragmentada, ou a chamada visão de feudo." pág. 261
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Novas bordas de estudo
Boas indicações da Drica para ir ampliando a nossa conversa/estudo do caos linguístico:
Richard Rorty
Richard Rorty
- A Filosofia e o Espelho da Natureza
- O Giro linguistico
- Contingencia Ironica e Solidariedade
- Consequencias do Pragmatismo
- Contra os Chefes Contras as Oligarquias
- Pragmatismo e Política
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Caos, ordem, desordem no MetaReciclagem
Emergimos como caos na rede,
como caos embrião de ordem;
como caos cosmogênese de linkanias,
como caos fluxo de viveres,
fluxo de intensidades, fluxo de sentidos.
Há inúmeras derivas possíveis desses fluxos e todas elas corretas e incorretas;
Todas elas duais e singulares;
Todas possíveis de desvios e retas diretas em curvas invisíveis.
Algumas derivas de bordas, nas brechas,
Algumas derivas de centro, nos routers.
Impermanência na rede, impermanência da rede, impermanência é rede.
Assim compostos,
Assim dissolvidos.
como caos embrião de ordem;
como caos cosmogênese de linkanias,
como caos fluxo de viveres,
fluxo de intensidades, fluxo de sentidos.
Há inúmeras derivas possíveis desses fluxos e todas elas corretas e incorretas;
Todas elas duais e singulares;
Todas possíveis de desvios e retas diretas em curvas invisíveis.
Algumas derivas de bordas, nas brechas,
Algumas derivas de centro, nos routers.
Impermanência na rede, impermanência da rede, impermanência é rede.
Assim compostos,
Assim dissolvidos.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
ordem, desordem, interação e reorganização
“Sustento que a verdade é um território sem caminho, e é impossível aproximar-se dela por qualquer caminho que seja, por qualquer religião, qualquer seita ou organização. Este é o meu ponto de vista, e eu o adoto de maneira absoluta e incondicional. A verdade, sendo ilimitada, incondicionada, inacessível por qualquer caminho que seja, não pode ser organizada; tampouco deve ser formada qualquer organização para conduzir ou coagir as pessoas a seguirem qualquer caminho em particular.”
“Eu não quero seguidores, e digo isto para valer. No momento em que você segue alguém, deixa de seguir a Verdade. Não estou preocupado se você presta ou não atenção ao que digo. Quero fazer certa coisa no mundo e vou fazê-la com concentração total. Preocupo-me apenas com uma coisa essencial: libertar o homem. Desejo libertá-lo de todas as prisões, de todos os medos, e não fundar religiões, novas seitas, ou estabelecer novas teorias e novas filosofias.”
Krishnamurti
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