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terça-feira, 22 de maio de 2012

Federações de sistemas de informações como de governança eletrônica

Assista "Towards Open Metadata Management: promo video of the ADMS-enabled federation on Joinup" no YouTube

Sem dúvida passos técnicos como esses não andam sozinhos. O mais importante por trás disso é a enorme oportunidade de encontro entre pessoas para falarem de suas visões de mundo e definirem maneiras de conversarem por esses protocolos.

sábado, 14 de abril de 2012

As linguagens da psicose e modos de modelar redes linguísticas

O insight de que as redes de conversação humana formam sistemas complexos que podem ser estudados da perspectiva da linguagem que geram não é uma novidade. Tenho visto estudo sobre issos já a algum tempo, envolvendo desde a turma da aprendizagem organizacional e biologia cultural até o pessoal mais voltado para análise complexa, caos e dinâmica de redes.

A linguagem é uma forma de expressão que carrega em sua própria concepção uma perspectiva estrutural bastante forte. A posição das palavras, seus papéis sintáticos e semânticos, as funções exercidas, enfim, um universo de conceitos que revelam estrutura na relação entre palavras. Estudar qualquer aspecto estrutural pela uso da análise estrutural e dinâmica de redes é algo que pode fluir com bastante facilidade. O uso da modelagem de dados por estruturas como grafos e as possibilidades de indicadores que geramos dessas técnicas tornam-se um recurso de pesquisa e experimentação fantástico para identificar tendências, padrões e aspectos que marquem as característica de uma estrutura.

Caracterizar estruturas não é um processo fácil, exato. Na verdade, ferramentas de descrição podem ajudar muito, mas um certo aspecto intuitivo é fundamental para dar relevância, filtro e sentido para aquilo que as análises mostram. Nada de novo, desde que estatística é estatística as coisas seguem mais ou menos desse modo.

Essa semana, recebi de um amigo um link de um artigo científico que fala de usos da análise de redes para identificação de padrões estruturais na linguagem de pessoas com psicose e manias. Os resultados são bastante simples e as imagens muito intuitivas, mostrando algumas formas estruturais que revelam diferentes modos de utilização da linguagem.

Um dos pontos mais importantes é pensarmos que esse uso, no caso direcionado mais para a área da saúde e casos clássicos, pode também ser direcionado para sistemas de conversação humano como um todo. Grupos de trabalho, redes sociais, comunidades, etc... formam sistemas linguísticos que reverberam estruturais de organização do que corre por dentro das veias do grupo. Sem dúvida, não é uma abordagem absoluta e num deve ser considerada única, mas é mais uma forma de espelhamento, de reflexão sobre aquilo mesmo que construímos em conjunto e que não se torna visível para quem não se questiona e busca analisar os próprios padrões de si.


A perspectiva da dobra é autoconhecimento, seja de si, seja de um grupo. Com que objetivo mesmo? :-)))

segunda-feira, 26 de julho de 2010

11º FISL - dia 23-07 - Conversando sobre Ecossistemas de conversação, Acervos Digitais e P2P

No meu segundo dia do FISL, o papo ficou mais voltado para em dois grandes eixos:
  • novas maneiras que podemos utilizar protocolos interoperáveis para conversarmos e disponibilizarmos conteúdo em rede;
  • como os projetos comunidades, artistas e projetos experimentais se articula em rede e se desenvolvem como na relação de demandas, verbas e projetos com o governo.
O primeiro papo do dia foi com a equipe técnica do projeto CERVO, pessoal ligado a equipe de Cultura Digital do José Murilo. Eles trouxeram o Juliano Serra, que é um pesquisador que acabou de defender seu doutorado com o tema "ANOTAÇÃO AUTOMÁTICA E RECOMENDAÇÃO PERSONALIZADA DE DOCUMENTÁRIOS BRASILEIROS - SISTEMA DOCUNB". O Juliano propôs uma experimentação interessante na tese dele: ao invés de utilizador um buscador para encontrar conteúdo na web, ele propôs que a partir da análise textual das falas disponíveis em um vídeo e de uma análise de palavras-chave em blogs relacionados a cinema, um robô iria propor um cruzamento de interesses e indicar os vídeos para os assinantes dos blogs. Enfim, achei bem interessante e com bastante sinergia no tipo de trabalho que eu tenho pesquisado e feito na parte das análises semânticas. Gostei do que ouvi e de como o Juliano tá experimentando isso. Eu fiz algumas colocações sobre o trabalho dele, principalmente como ele poderia extender isso para a perspectiva da análise de redes sociais, likando conteúdo com relações na rede e interfaceando com novas possibilidades do robô encontrar pessoas por indicações de pessoas que indicaram pessoas e por aí vai... Foi bacana o papo.

A galera do MinC tá com uma proposta muito interessante de evolução daquilo que rolava em muitas de nossas conversas nos idos de 2002/2003:  a idéia do Xemelê, que aliás voltou ao ar com o antigo wiki online. A arquitetura do que eles estão propondo está mais detalhada aqui!  Mas, a idéia geral deles é utilizar:
  • xmpp como protocolo de mensagens instantâneas e apoio do pubsub. O xmpp fará o papel de notificador dos conteúdos publicados conforme a correlação de assinantes interessados naquele tipo de recurso/conteúdo. Vale lembrar que o Gtalk usa o xmpp, ou seja, tem escala.
  • uso da biblioteca libstorage para a escolha do melhor servidor um documento fará upload. Ou seja, quem envia um arquivo não tem de se preocupar onde vai armazenar, o cliente pode escolher com base nos assinantes da rede qual o melhor servidor naquela situação. Uma vez feito o upload, todos os servidores são notificados, criando um compartilhamento a-lá p2p dos recursos disponíveis na rede.
Sugeri que um bom serviço que poderia rodar em cima disso seria ter acesso a rede de relações entre usuários e conteúdos, por adesão aos serviços e compartilhamento. Isso realmente poderia dar uma outra dinâmica de conversação e cruzamento de dados. Enfim, vale acompanhar e ficar de olho no que estão montando.

Depois dessa boa conversa, sentei com o pessoal do Estúdio Livre que fez um debate sobre seu modelo de comunidade online, como poderiam se organizar, como avançar na conversa em rede, enfim. A idéia era compartilhar um pouco da experiência do MetaReciclagem e de como tínhamos nos feito as mesmas questões e encontrado respostas diferentes. Questões como o uso do nome, quem participa, quem tá fora, coisas importantes de novas maneiras de nos organizarmos em rede e que não tem respostas óbvias em nenhum caso. Um mundo novo sendo construído, com novas soluções a serem experimentadas, compartilhadas e documentadas.

Para fechar o dia, fui participar da mesa do RedeLabs, a convite do ff.  Caos total, dislexia, dissonância, estruturas dissipativas em ação. Foi divertido. Falei de Caos, da necessidade de desordem para emergência de ordem, de como a rede não conecta nas estruturas de demandas dos editais e de como um estamos no período de habitar os próprios paradoxos enquanto ainda aguardamos surgir novas possibilidades de ordem para novas maneiras de nos organizarmos. Ainda não sabemos fazer isso, principalmente na relação da experimentação artística e da tecnologia. Tudo novo de novo. Enfim, paciência e experimentação, não no produto, mas na forma... ;-)

Fim de FISL pra mim. Contente, feliz e satisfeito dos papos, dos fluxos e dos contatos. E vamo em frente.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A sensação de controle e o reposicionamento das redes

Muito se fala hoje em dia sobre formas e possibilidades de se controlar redes, de se prever seu comportamento, de mapear suas relações para que possamos ter maneiras de fazer uma gestão mais atuante na complexidade das redes.
Já faz algum tempo que venho discutindo isso e questionando a impossibilidade que é utilizar ferramentas de mapeamento e gestão para se controlar redes: isso definitivamente não funciona e essas metodologias não servem para isso.

Mas, hoje encontrei uma citação chave para essa visão a respeito do que é essa tal sensação e necessidade de controle que circula na sociedade, nos grupos sociais e nas organizações. O medo de não conseguir pensar de outra maneira e a própria impossibilidade de refletir de outras formas leva e enquadra o raciocínio em níveis de contingência do pensamento que, sem dúvida, estão por detrás da irresponsabilidade muitas "boas iniciativas" de gestão que podemos observar nas empresas, governos, ongs, etc.

Cito aqui J. Doyne Farmer:

"Para prever a trajetória de algo, você precisa compreender todos os detalhes e monitorar cada detalhe. Isso é como resolver o problema do terrorismo pela vigilância e pela segurança. Estabeleça um sistema que detecte e siga cada terrorista e impeça-os de agir. Esta é uma solução tentadora, porque é fácil construir um consenso político para esse fim, e isto envolve tecnologia, que é algo em que nós somos bons. Mas, se há algo que aprendi em meus vinte e cinco anos de tentativas de predizer sistemas caóticos, é que isto é muito difícil, e é basicamente impossível de fazê-lo bem."

Mapeamentos são inúteis como foram de controle, pois sempre vão criar caixas de ressonâncias que detectam o sintoma conforme a causa que conseguem enxergar. A questão não está aí.

O ponto chave dessa conversa é a linguagem e a metalinguagem.
Ampliamos nosso potencial de rede, nosso adensamento e conversação quando conseguimos abrir novos espaços para conversarmos sobre como conversamos. Aí o mapeamento nos ajuda como estratégia de dobra, de ampliação da consciência do grupo a respeito de seus próprios temas, questões e filtros de relevância que surgem das contingências de sua própria linguagem.

Pra que ERP, CRM, SAP? Se mercados são conversações, a gestão se faz na subjetividade, no entre, na capacidade de operar na complexidade e não na capacidade de controlar e conseguir realizar previsões.

Visões do caos linguístico

"Aquilo a partir do qual um sistema se constrói, aquilo que é, assim,
anterior, posterior, exterior ao sistema simbólico, e que talvez o
sustente do começo ao fim, não pode encontrar sentido em um sistema
simbólico, a não ser para designá-lo por palavras que são furos de
linguagem, a não ser para significá-lo por imagens ou rituais que se
limitam a apontar aquilo que aponta e que, se ele se volta, só encontra
vazio."

“os coletivos também cosem, através da linguagem e de todos     os
sistemas simbólicos de que dispõem, uma tela de sentidos destinada a
reuní-los e talvez a protegê-los dos estilhaços dispersos, insensatos,
do     futuro; uma capa de palavras capaz de abrigá-los da contingência
radical que     perfura a camada protetora dos sentidos e mistura-se, à
sua revelia”

"Como a informação é fluxo é como se o coletivo novamente fosse
portador do conhecimento."

"Essa experimentação, essa exploração de tudo o que pode permitir fazer
sentido é fractal."

Pierre Levy

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Falando de pragmáticos, linguagem e conversações

Acabei de ler no final de semana o Contingência, Ironia e Solidariedade do Richard Rorty, por indicação da Drica.

Entre muitos trechos bons, de um pensamento suave, direto e muito útil para reflexão, separei um que acho que dá um pouco o tom do texto e de como ele articula sua filosofia:

"A única coisa que importa é que, quando se acredita nela, pode-se enunciá-la sem sair machucado. Em outras palavras, o que importa é nossa capacidade de falar com outras pessoas sobre o que nos parece verdade, e não sobre o que de fato é verdade. Se cuidarmos da liberdade, a verdade poderá cuidar de si mesma. Se formos suficientemente irônicos sobre nossos vocabulários finais e suficientemente curiosos sobre o de todas as outras pessoas, não precisaremos ter a preocupação de saber se estamos em contato direto com a realidade moral, se fomos cegados pela ideologia, ou se estamos sendo debilmente relavistas."

 Forte. Bom. Direto. Muito útil.

 A pergunta que me fiz foi: Como podemos trabalhar os dispositivos de visualização em estratégias de conversação que possam aguçar essa curiosidade sobre o vocabulário final de cada pessoa, cada organização, cada rede? Tem um caminho aqui...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ativação de Redes e Mudança de ordem em sistemas organizacionais

Acabei de ler o livro Pragmática da Comunicação Humana e muita coisa que vinha pesquisando, experimentando começou a fazer mais sentido. O livro é de 1967 e foi muito inspirado no trabalho do Gregory Batenson, nos pesquisadores de Palo e toda a turma da Cibernética.

Já faz alguns bons anos que o pessoal da Cibernética, do pensamento sistêmico e da complexidade vem me interessando. Muitas boas respostas do ponto de vista de como aprendemos, como nos organizamos, como construímos nossa consciência e linguagem venho encontrando por ali. Além de ser um caminho que vai me libertando de uma série de dogmas e paradoxos complicados de dissolver, comecei a ver muita conexão com a minha vivência nas redes colaborativas na Internet.

O tema da colaboração, das emergências e ações sempre me interessou. Passei a estudar, pesquisar, ler, vivenciar as redes em busca de um entendimento que me ajudasse a descrever aquilo que vivia.

Mas, uma pergunta que continuou me fazendo é: Como podemos facilitar que os sistemas organizacionais humanos possam ampliar a consciência de si mesmos, refletindo sobre como fazem o que fazem e se reestruturar a partir disso? Como abrir espaços relacionais que facilitem a liberação de tensões, ampliem o potencial de reflexão e permita aos participantes dos sistemas ficarem mais inteligentes, percebendo padrões sutis de sua comunicação e articulação?

Bem, hoje montei um inforáfico bem simples, versão 0.1 de uma série de idéias e processos que venho pesquisando e experimentando em projetos...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Dados, links e e o que podemos fazer com isso

Pense somente no que poderíamos fazer ao articular dados de programas de formação, de uso de telecentros e das redes sociais em torno dos projetos públicos que já foram desenvolvidos no Brasil?

Pense em processos de ativação dinâmicos, apoio nas respostas de comunidades locais, identificação de problemas e sugestões de soluções? Pense...

Podemos fazer algo sobre isso? Eu creio que sim... E acho que tem um chão enorme para se pensar aqui.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Novas bordas de estudo

Boas indicações da Drica para ir ampliando a nossa conversa/estudo do caos linguístico:

Richard Rorty

  1. A Filosofia e o Espelho da Natureza
  2. O Giro linguistico
  3. Contingencia Ironica e Solidariedade
  4. Consequencias do Pragmatismo
  5. Contra os Chefes Contras as Oligarquias
  6. Pragmatismo e Política

terça-feira, 20 de abril de 2010

conversas inspiradoras

refletindo sobre a utilidade de mapeamentos de complexidade e sobre o sentido de estudar os processos de transformação pela visualização de nossos agregados mentais, segue uma boa thread com fff.

Felipe: escrever edital é uma doideira
  te faz pensar no trampo de outra forma
 eu: é foda, eu curto, mas dá maior trampo
  faz sim
16:47 estruturas explícitas...
  kkkk
 Felipe: estruturada e relacional
  hehe
16:49 eu: legal isso
  puta atitutde bacana
 Felipe: tentando abrir o pensamento em outras escalas
  se nenhum edital rolar, valeu como documentação
  se rolar, é caminho das pedras
16:50 eu: sim
  é interessante isso
  ir abrindo os processos
16:51 eu to fazendo isso no meu blog com estratégias de projetos
  coisas que to usando para analisar
  para poder tomar decisões
  enfim, ir compartilhando mesmo aprendizados
 Felipe: eu vi o post lá
16:52 interessante aquele RT no meio de tudo
  bom sinal
  coisas ecoando
  como é que tu vê esse tipo de análise se articulando com a crítica das echo chambers?
 eu: pois é... gostei de ter feito aquilo
  echo chambers?
16:55 camaras de eco
  pessoas se repetindo, em vez de argumentar

14 minutos
17:10 eu: bacana o conceito
  acho que tem a ver sim
  o twitter é uma câmara de eco
  assim como qualquer espaço de conversação
17:11 sinto que isso pode se tornar um problema quando focarmos apenas nisso
  ou seja, olhar para algo apenas a partir de um único ângulo
17:12 no entanto, isso não exclui experimentar mapeamento de complexidade, que eu sinto que é exatamente esse tipo de busca que podem abrir as bordas desse tipo de echo chambers
  ou seja, ir compondo camadas, níveis de correlação de olhares
  e análises
  o que é em essência bastante complexo de se fazer
  mas, acho que hoje temos condições de ampliar isso
  um pouco do que eu estou pesquisando e experimentando tem a ver com isso
17:13 vou te dar alguns exemplos:
 Felipe: manda
 eu: 1. um mapa como esse abre caminho para se perguntar outras coisas... por exemplo, pq o levy aparece ali tão presente? o que teve no evento que abriu isso?
17:14 e a percepção a boca pequena, ou seja, com os 3 ou 4 chegados de corredor, era que ele tava ultrapassado, que ninguém mais pensava nele e por aí vai....
  é uma questão em aberto
  mas, que acho importante
  pq o que o levy tá um conceito de websemântica que fudido de bom
  e que vai muito além do o que as ontologias dos primeiros conceitos de websemântica
17:15 ele foi bem além disso
 Felipe: na real até tem um caminho aí que eu pensei agora
 eu: apesar de não estar visível
 Felipe: que com web semântica dá pra tentar relacionar conversas que não estão explicitamente relacionadas
 eu: então, por exemplo, abre-se um outro nível de complexidade para se pensar nisso
 Felipe: manja?
 eu: exato
 Felipe: o problema da lógica de camera de eco é que ela vai pra quantidade
  e esse tipo de análise quantifica termos
17:16 eu: e por exemplo, a gente poderia mapear só as conversas que falavam do levy nessa thread e sacar mais o impacto disso apenas no twitter
 Felipe: mas se existe uma análise semântica, dá até pra visualizar o que é desvio de uma mesma conversa
  e evitar que se esmaguem as dissonâncias
 eu: exato
  que é o que a rede semântica dá conta
  se tu ficasse apenas na nuvem de tags
  aí, é foda
  vc. perde a possibilidade de relações
  e nunca vai saber que o jlgoldfarb tá ligado fortemente ao RT
17:17 ou seja, ler o twitter desse cara pode ser interessante
  pq ele tagueou o evento de uma maneira importante
  ele dá pistas de memes para se seguir
 Felipe: sim
 eu: e aí, tu vai compondo um mapeamento de complexidade
 Felipe: um papel diferente
 eu: trazendo elementos
17:18 Felipe: de remixagem de informação
  índices, pra ser semiótico ;)
 eu: pois é...
17:19 mas, eu acho que quebrar essa coisa da signifcação da semiótica é importante
  pq a semiótica parte de um mundo conceituado nos signos
  e esquece que o signo é apenas retrato do orgânico
 Felipe: retrato?
17:20 eu: que quando olhamos para um signo, olhamos do ponto de vista de um corpo e uma coerência estrutural de sentidos/sentires que constrói uma visão daquilo
  por isso retrato
  no momento da compreensão
  depois, muda
  impermanência
  corpo muda
  e assim vai
  meio que num entrelaçamento de sentires e viveres
17:21 o que eu to particularmente interessado é em ir experimentando novas formas de estimular esses sentires e viveres em espaços reflexivos mais amplos
 Felipe: de que formas?
 eu: bem, de várias formas, na real... kkk
  mas, o mapeamento é um ponto importante disso
17:22 biofeedback é outro
  as tecnologias de conversação são outras formas
17:23 se tu for ver, são maneiras diferentes da gente agregar elementos
  ir entrelaçando compreensões
  e compondo elementos que demarcam passagens de ângulos de visão
 Felipe: sim
 eu: é quase como se fosse um processo ritualístico
 Felipe: compondo um sistema novo que vai além do texto
 eu: exato
 Felipe: eu gosto muito de texto, de qq forma
 eu: aquilo vai cavando processos no imaginário
17:24 Felipe: pessoalmente, não sinto necessidade de ir além
 eu: que nos levam a outro lugar de reflexão
  entendo
 Felipe: mas entendo o teu movimento
17:25 tu viu o tutorial que te mandei?
 eu: inda não...
  eu to muito interessado em entender como a mudança acontece
  não uma mudança específica
  num estou falando aqui de bom e mal, ou qualquer coisa dual nesse sentido
17:26 estou falando mesmo de complexidade
  de visão sistêmica
  de ampliação de olhar e transformação a partir dessa ampliação
  te faz sentido isso?
 Felipe: mudança no sentido transformação?
  como tu mede isso?
17:27 eu: num acho que o caso é medir...
  acho que tlvz nem seja possível fazer isso
  mas, sinto que quando tu olha uma imagem dessas do post
  tu percebe para onde a atenção daquelas pessoas foi
17:28 o foco que tiveram e os recortes semânticos que construíram
 Felipe: sim
 eu: isso tece um mapa que me permite estudar aquilo
 Felipe: peraí, deixa eu lembrar uma coisa
 eu: e aprender um monte de coisas
17:33 eu: vou ver aqui...

Pensando em como observar o efeito de um evento via seu impacto no Twitter

Em começo de março participei eu e Drica Guzzi do evento Cidades Inovadoras e o Congresso Internacional de Redes Sociais em Curitiba.  O evento foi bem interessante por várias e andei postando algumas coisas [1,2,3] por aqui durantes os dias em que estive por lá.

Uma das coisas que mais no chamou atenção era o uso do Twitter nos telões ao longo das palestras e oficinas. Mais do que ir espalhando o conteúdo pela rede, os telões eram utilizados como uma ferramenta de conversação entre diferentes membros da platéia. As pessoas iam twittando e se entrelaçando em rede na forma como iam se impactando pelo que estavam sentindo a partir de tudo o que ouviam e viam.

Tivemos mais de 900 twittadas usando a tag do evento #2010cici. Aproximadamente 50% foi durante o evento e o restante até o dia de ontem. A tag continou ativa ao longo das semanas que se passaram e muitas pessoas ainda continuam conversando sobre os temas do evento, mantendo o meme no ar.

Um pouco para refletir sobre o que foi o evento e um pouco para brincar com todo esse material, resolvemos analisar um pouco os rastros dessa tag  no Twiiter. Baizei todo o feed do Twitter e joguei no ManyEyes para gerar a nuvem de tags e a rede semântica das expressões coletadas. Vejamos:

e

Algumas análises possíveis de se fazer a partir dessas imagens:
  1. é nítido perceber que num evento onde houve vários convidados internacionais (Clay Shirky, Steven Johnson, Pierre Levy, etc...) a influência maior no twitter foi de Pierre Levy (plevy). Ele teve duas falas durante o evento e apresentou sua nova visão sobre websemântica. Creio que isso se deva ao fato de que ele é um dos mais conhecidos no Brasil e muito mais gente dever ter lido seus trabalhos (mais fãs);
  2. a presença do conceito observatórios é bem significativa. Me parece que há um certo modismo de se criar observatórios (espaços de pesquisa, análise, reflexão sobre um determinado tema) que se relacionem com políticas públicas. Um mapeamento desses observatórios, como funcionam, como se relacionam e como geram conhecimento e práticas para políticas públicas pode ser interessante;
  3. dá para perceber os usuários do twitter que foram mais retwittados com um destaque do jlgoldfarb que tem um número incrível de twittadas em seu perfil (mais de 28000). Seu uso intensivo pode explicar sua presença com destaque aqui, além de sua possível relavância para o evento, devido a rede semântica mostrar a forte relação entre RT e seu perfil. Ler com calma esse twitter pode dar uma idéia dos principais temas que se articularam no congresso via Twitter.
 Certamente, há outras formas de se olhar e de analisar essas informações, mas fica aqui o exercício. ;-)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Alguns próximos passos possíveis na experimentação de Redes Sociais

Refletindo um pouco sobre a referência das mandalas (que um tempo atrás andei postando por aqui), da astrologia me veio a questão dos aspectos que nessas mandalas têm uma relevância fantástica. Não conheço muito sobre astrologia, mas é um assunto que tem me interessado devido a quão sistêmica é essa "tecnologia" considerando diversas relações do céu, dos planetas e das casas a partir do que um observador pode ver de seu local aqui na terra. Rico e forte, mostrando uma forma antiga e muito útil de se perceber, visualizar e criar um espaço para podermos refletir sobre esses aspectos em nossas várias dimensões humanas.

sem dúvida, acho que a análise estrutural de redes é muito inferior as características sistêmicas da mandala da astrologia, pois ela apenas analisa UMA relação que escolhemos e mostra os aspectos mútuos entre os envolvidos nessa relação que estamos estudando. A mandala amplia isso para vários níveis, com uma riqueza e uma dinâmica muito maior, apesar de coletar informações estáticas do céu.

também concordo que nossa prática de análise se encontra ainda muito restrita aos dispositivos que conhecemos e aos recursos técnicos que estamos aprendendo a utilizar.

acredito que há um campo de pesquisa muito interessante na questão das dimensões que escolhemos para fazer a nossa narrativa a respeito da dinâmica de uma rede. acredito que ainda estamos explorando pouco o potencial de dados que podemos coletar (para falar só dos dados) e as possíveis formas de brincar com essa informação para explicar as distinções daquilo que buscamos ver.

refletir e ir um pouco mais a fundo na experimentação dessas camadas me parece ser um caminho interessante e é um pouco por onde tenho ido. acho que temos boas pistas em alguns pontos que considero chave:

1. na linguagem e na semântica, pois nossas redes são sempre redes de conversação;

2. nos movimentos dinâmicos, nas ondas que são geradas em tempo e espaço. Por exemplo, isso que está ocorrendo nessa thread de nossa conversa traz aspectos dinâmicos de nossa relação em torno uma discussão que nos interessa por adesão. Esses aspectos dinâmicos podem ser visualizados? Podem ser sentidos como? Será que num tem outras formas de refletirmos a respeito disso?

3. nas multidimensões em nos "aspectamos" para trazer um linguajar da astrologia. Mapas com outras camadas de aspectos, em outras dimensões, ampliando a singularidade de relações. Sem dúvida, esse exercício vai nos levar a pensar em outros recursos matemáticos (Wavelets, por exemplo) para incluirmos aspectos dinâmicos do tempo, espaço. As multidimensões podem dar pistas de nossos acoplamentos em diversas redes de conversação em que nos envolvemos e somos envolvidos.

enfim, penso nesses estudos/experimentos apenas como uma forma de brincar em ampliar nossas possibilidades de autoconhecimento e reflexão. sem pretensões de metodologia/método, talvez mais como poesia do que ciência. ;-)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dos afetos e redes semânticas

Uma carta.
Um amigo.
Uma rede.
Novas formas de visualizar afetos...




E as palavras que se articulam compondo a manifestação do que se vive enquanto se escreve:

Conectando linguagem, redes semânticas e estruturas dissipativas

Comecei a brincar com visualização de Redes Semânticas por aqui na semana passada, depois que voltei da CIRS. A brincadeira foi tomando gosto e fiquei um tempo pensando em que esse tipo de coisa poderia ser útil para alguns dos tópicos que venho estudando ultimamente. Duas visões de aplicação disso ficaram evidentes e me parecem que vale a pena dedicar um tempo analisando as possibilidades:
  1. Utilizar a visualização de Redes Semânticas em processos com grupos que compartilham documentos que acabam por ser mediadores de seu fazer coletivo, enquanto reunidos nesses grupos. Por exemplo, grupos de trabalho que aplicam procedimentos de um determinado manual, pesquisadores que utilizam determinadas obras de referência, atendentes de campo e de suporte, etc. A idéia seria coletar esses documentos de referência e analisar a visualização de sua rede semântica. A partir disso, apresentar a visualização como uma forma de biofeedback para o grupo e trabalhar, a partir da perspectiva da relação, as diferentes compreensões e as diferentes formas de enxergar os mesmos conceitos. Acredito que isso poderia ser bem rico como material meio para que possamos compartilhar como nossa mente vê o que vê da forma como vê.
  2. Utilizar a visualização de Redes Semânticas em processos ditos "terapêuticos". A idéia de fundo aqui é coletar depoimentos de pessoas a respeito de questões que lhes interessam ou que gostariam de aprender mais sobre si mesmas. Construir a visualização da Rede Semântica e analisar as conexões, as relações entre conceitos, buscando questionar por que aparecem como aparecem e que tipo de rede estamos construindo como nosso modelo mental de pensamento a respeito daquele tema. Será que podemos mudar nossas redes? Será que visualizarmos essas redes pode nos ajudar a conscientizar melhor as estruturas de linguagem que utilizamos para pensar e dar forma a nossa consciência?
  Certamente, imagino que outras possíveis aplicações possam surgir desses primeiros experimentos.
 O que me parece interessante é que acabamos tendo a mão todo o ferramental técnico de análise de redes para brincar com essas visualizações, como encontrarmos termos hubs de nossas próprias redes interiores. Humm....

A base dessas relações está pautada por algumas conexões interessantes que vão dando o caminho das pedras:
  • a nossa linguagem tradicional acaba por nos aprisionar um fragmentado modelo de vida. A estrutura sujeito-predicado acaba por modelar nosso pensamento, nos fazendo pensar em tudo em termos de causa-efeito;
  • a Teoria de Prigogine sobre estruturas dissipativas nos ensina que a estrutura de um sistema é mantida por uma contínua dissipação de energia. Essas estruturas podem também ser descritas como integridades flutuantes e são altamente organizadas, mas estão sempre em processamento. Quanto mais complexa é uma estrutura dissipada, mais energia se faz necessária para manter todas as conexões, dessa forma, ela é mais vulnerável às flutuações internas. Podemos usar essa forma de ver as coisas para entender como as estruturas dissipativas podem muito bem ligar os padrões dinâmicos do cérebro às transições da mente. Psicotecnologias podem propor uma flutuação possível nesses padrões, levando o sistema a um nível maior de complexidade e reorganização, possibilitando a dissolvência de determinados padrões.
 Será que utilizarmos a visualização de Redes Semânticas para deixar explícito a forma como utilizamos nossa linguagem para expressar o vemos  pode nos ajudar a dissolver e reorganizar de uma forma mais dinâmica nossas estruturas dissipativas mentais? Será que isso serviria como uma forma de nos conhecermos? Seria a rede uma tecnologia do espírito? ;-)

terça-feira, 16 de março de 2010

Experimentando uma Rede Semântica

O lance de pesquisar a visualização da informação abre inúmeros caminhos de ferramentas, algoritmos e técnicas que podem ser testadas em diferentes contextos.
O meu contexto tem sido o das redes, ou seja, buscar visualizar informações de relacionamentos através da composição estrutural das redes.

Uma rede semântica, segundo a Wikipedia é: "Uma rede semântica é uma forma de representação do conhecimento definida como um grafo direcionado no qual os vértices representam conceitos, e as arestas representam relações semânticas entre os conceitos. Elas são consideradas uma forma comum de um dicionário legível por uma máquina."

O interessante aqui é que esse tipo de visualização ajuda a percebermos um tipo de mapa mental do autor que produz o texto. Além disso, dá para expandir esse tipo de experiência para visualizar redes semânticas de fóruns de comunidades, posts de blog, feeds de redes sociais, enfim, dá para visualizar a estrutura de relação em rede das construções cognitivas das comunicações. 

A imagem abaixo eu fiz pegando o texto de uma blogada sobre As redes da inteligência coletiva do Pierre Levy:


 O próximo dessa brincadeira é puxar um feed de uma conversa em rede e ir vendo o que saí.