quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Apresentando no I WPOSINFO - Workshop de Engenharia da Informação na Universidade Federal do ABC

Semana passada estive no I WPOSINFO realizado pelo curso de Engenharia da Informação da Universidade Federal do ABC.

Me chamou atenção a proposta do encontro e a possibilidade de dialogar novamente com uma área por dentro das engenharias a partir de um tema que tem sido meu foco de estudos nos últimos anos:  a informação. Aparecer no seminário sendo um engenheiro de formação em graduação e mestrado, mas estando dentro das ciências sociais aplicadas pelo curso de Ciência da Informação no doutorado deu um caldo incrível. Não só a teoria da interdisciplinaridade, mas essa vivência a partir de olhares que podem se compor de fato em encontros antes inusitados.

Logo de cara, chegando a universidade, encontro dois bons amigos dos tempos de graduação que viraram professores e dão aula exatamente na Engenharia da informação, o Murilo e o Suyama. Conversa boa, lembrando de bons tempos juntos, de como o trabalho de cada um evoluiu, os caminhos de pesquisa, os espaços de encontros. Excelente primeiro contato.

Logo mais, fui apresentar um trabalho que busquei construir de modo mais técnico, dado o contexto das engenharias. A vontade de era explorar mais a análise de como a distribuição de graus de centralidade numa rede podem favorecer encontrarmos comunidades e grupos de usuários mais centrados em contatos entre si. Um pequeno estudo, aproveitando dados dos Telecentros.BR, para iniciar uma investigação um pouco mais voltada para os algoritmos que pretendo investir nos próximos meses.

Segue aqui a apresentação:



domingo, 9 de outubro de 2011

Fatores que influenciam a ação coletiva

Depois de alguns bons anos vivendo e atuando por dentro de coletivos, redes auto-organizadas e projetos de políticas públicas relacionados a modos de replicar esses processos e vivências, venho nos últimos anos me questionando mais e refletindo quais são os principais fatores que de fato influenciam esse tipo de experiência.

Não acredito que redes livres, processos de produção coletiva e auto-organização simplesmente aconteçam, sem que mais se possa pensar do como, por quê e de que modo acontecem. Acredito que há fatores que podem facilitar e tantos outros que podem dificultar experiências nesse sentido. Digo pelas próprias que já vivenciei e vivencio: não há nada trivial nelas, sendo que muitas simplesmente ocorrem devido a uma complexa composição de elementos que deram condições para que algo ali surgisse e, sobretudo, pudesse se manter.

Também não acredito que entender esses fatores seja garantia de que eles possam ser replicados em ações posteriores, levando a uma reprodução dos mesmos resultados. Definitivamente, não. Esse seria um modo de pensar no ser humano como mais um servomecanismo atuando a partir de alguma teoria de controle que pudesse ser documentada, organizada, arrumada e replicada em alguma instância. Não, não somos assim.

Mas.... Apesar de sermos únicos e singulares, atuamos a partir de condições muitas vezes semelhantes e acabamos por criar em nossa linguagem, cultura e modo de viver determinados padrões que acabam por ser replicados e fundarem modos de subjetividade bastante visíveis, reconhecíveis em várias pessoas. Alguns chamam isso de mitos, outros de tendências, outros de arquétipos, outros simplesmente não acreditam que eles possam existir. Eu me considero um dos que acredita, por uma série de experiências, evidências e vivências que empiricamente acabam por me fortalecer nessa opinião.

Acontece que o desenvolvimento da tecnologia, da ciência, da Internet e, sobretudo, das experiências de auto-organização e produção de coletivos têm fornecido cada vez mais possibilidades de estudarmos esses padrões, buscando entender que condições nos auxiliam, nos expandem, facilitam nosso encontro com o outro, facilitam a promoção do contato, da possibilidade de entendimento, de construção de relações mais flexíveis, móveis, adaptáveis e fluídas. Também nos possibilitam entender que condições travam, emperram, criam barreiras e ampliam abismos culturais que levam a mais desentendimento, falta de sentido e perspectiva, seja ela qual for.

Há condições que, quando compreendidas, visualizadas e refletidas, podem ser incorporadas em nossos modos de atuar e que podem facilitar um tanto o modo como agimos e operamos nas relações que estabelecemos. Entender como isso opera tem sido uma busca importante pela qual tenho me proposto a caminhar nos últimos tempos. O modo que venho fazendo isso é ampliar o repertório de metodologias de análise e estudo que conheço, criando condições mais favoráveis para que eu possa descrever e conversar sobre o tipo de olhar que venho propondo a estabelecer. Nada fácil, nada trivial, mas um caminho repleto de sentidos, forças e conhecimento que tem se tornado, além de divertido, encantador.

Uma das coisas que me deparei nesse final de semana e que me motivou a relatar por aqui foi um livro que encontrei quase sem querer na biblioteca do Senac Sorocaba: Trabalho em parceria - ação coletiva, bens comuns e múltiplos métodos. O livro é conduzido por Elinor Ostrom, primeira mulher prêmio Nobel em Economia em 2009 por seu trabalho com análise de ações coletivas e bens comuns.

O livro me chamou atenção logo de cara por juntar teorias tradicionais das Ciências Socias, com meta-análise e modelos de ação coletiva baseados em teoria dos agentes, algo que estudei no mestrado em engenharia da computação a alguns anos atrás e que venho retomando de alguns meses pra cá.
Achei ainda mais interessante pela fase em que me encontro, fazendo doutorado nas Ciências da Informação, uma ciência social aplicada, tendo vindo de anos de experiências, vivências e estudos relacionados as exatas, engenharias e ciências da computação. O multidisciplinar acaba fazendo mais sentido, como algo que em prática apenas junta pontos que facilitam o modo de compreender fenômenos complexos.

O livro fala de várias metodologias que ela e outros pesquisadores têm utilizado para estudar fatores que influenciam a ação coletiva, seja no compartilhamento de recursos naturais por comunidades, seja no uso de recursos financeiros em mercados altamente competitivos. Algo muito próximo a teoria dos jogos, mais com enfoque mais descentralizado dos estudos dos fatores de competição que levam a algum tipo de sucesso em jogos comerciais. O foco é outro.

Lá pelas tantas, ela salta com 3 suposições centrais que parecem fundamentar a decisão dos seres humanos em ambientes dilemáticos (pág. 289):

  • as pessoas têm informações incompletas sobre a estrutura da situação na qual interagem uns com os outros, mas podem adquirir informações mais completas e confiáveis com o tempo, especificamente em situações que são frequentemente repetidas e geram um feedback confiável para os envolvidos;
  • as pessoas têm preferências relacionadas para atingir benefícios líquidos para si mesmos, mas esses são combinados em muitas situações com outras normas e preferências relacionadas aos outros sobre ações apropriadas e resultados que afetam suas decisões;
  • as pessoas usam uma variedade de heurísticas na tomada de decisões diárias que podem levar à maximização de benefícios líquidos (para si e para os outros) em algumas situações competitivas, mas são altamente cooperativos em outras situações.

3 pontos interessantes e que abrem boas conversas. 
3 pontos que falam a partir de uma perspectiva de como as redes se organizam, considerando que são estruturas de compartilhamento e produção de relações, influências e modos de ser.
3 pontos que podem ajudar a explicar uma série de experiências e como orientam determinadas ações coletivas.

Mas, o que mais chamou atenção não foram os fatores em específico, mas sim o fato de que esses fatores não são externos a esses pesquisadores, mas eles simplesmente começaram a "enxergar" por dentro do pensamento econômico que há outros elementos fundamentais para se considerar na modelagem de sistemas que ultrapassam a ideia de competição como fator central. Essa não é uma pequena passagem. É algo bastante avançado, considerando o local de onde vem, o modo como surge e a forma que pode pautar o desenvolvimento de pesquisas, ciência e inovações importantes em modos de se pensar arranjos organizacionais possíveis. 

É criando e experimentando com esse tipo de modelagem, por mais que saibamos que são condições sempre limitadas, que expandimos os horizontes do modo antigo de pensar e criamos novos parâmetros por onde construir novos modos de fazer política, ciência, filosofia a partir de outros parâmetros éticos. 

Há um embrião de algo maior por aí que vale a pena ser observado com atenção: é na junção da ética da colaboração, um modo "espiritual" de relação e a tecnologia do nosso tempo que temos mais condições de dar contorno a novas ontologias que vão pautar a forma como vemos e entendemos o mundo a nossa volta. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Qualificação e de como as bancas acadêmicas formam redes: rabiscando estudos

Semana passada foi uma semana singular: depois de quase três anos trabalhando, qualifiquei minha tese de doutorado numa banca divertida, interessante, profunda e extremamente útil para conversar sobre os caminhos de pesquisa que tenho percorrido. A banca foi composta pelo Rogério da Costa, Rogério Mugnaini e a Sueli Mara, que tem me orientado até aqui. A conversa fluiu por vários pontos do trabalho, hora mais técnicos, hora mais filosóficos, deu para construir vários vôos possíveis e algumas boas novas possibilidades de como interpretar meu próprio trabalho. Melhor que isso, só dois.

Virada a semana, passada essa fase, começo a trabalhar na parte mais experimental do trabalho.

Comecei a explorar as possibilidades de análise que a relação de participação dos pesquisadores nas bancas de dissertação e tese na área da Ciência da Comunicação proporciona. Publico por aqui os primeiros resultados do que to conseguindo ver... São mais de 20 programas de pós-graduação conectados nessa base de dados, com dados de mais de anos de trabalhos defendidos. Os primeiros traços já mostram algo vai ser desdobrado em vários níveis de entendimento: a estrutura de uma rede formada pela circulação de pesquisadores em participações por bancas por todo o Brasil.




Boas perguntas que começam a ser respondidas: O que reflete essa circulação? Que estratégias a promovem e são promovidas por ela? Que estruturas de poder estão aqui reveladas? Como elas operam?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Apresentando no IV SECIN - Seminário de Ciência da Informação

Fui ontem a Londrina, visitar a Universidade Estadual - UEL, participando do IV SECIN para apresentar alguns resultados de meu trabalho de doutorado por lá.

Ambiente gostoso, lugar desconhecido com cheiro de conhecido, clima quente, boas caminhadas, reflexões e boas conversas. Tem sido muito interessante para mim essa andança que tenho feito a partir do começo desse ano, indo a outras universidades, conhecer pessoas, apresentar e assistir apresentações de trabalhos de gente que está estudando e buscando se tornar um pesquisador assim como eu.

O caminho da pesquisa é fascinante por muitas razões. Mas, sobretudo, o que tem mais me atraído é a possibilidade do "livre" pensar, para quem quer e está disposto a se articular para isso. Conhecer pessoas, construir ideias, imaginar desenhos e contornos de possibilidades, conseguir tempo para experimentar e atuar a partir de outras demandas de tempo é algo singular e muito raro. A qualidade do trabalho muda, o olhar se afina para coisas que antes não pareciam fazer sentido, os fundamentos do pensamento são colocados em questão e novas janelas se abrem a partir de cada encontro.

O fundamental é se permitir a isso, se livrando de preconceitos e outros valores que podem na verdade criar níveis de engessamento que acabam te impedindo de ouvir o outro e conhecer sua perspectiva sobre um trabalho. Seja dentro da universidade ou fora, nos movimentos ativistas, políticos ou qualquer que seja, gente é gente, curiosidade é curiosidade e, sobretudo, liberdade é liberdade. Mentes livres que não precisam de contornos prévios para se definir. Elas partem do exato ponto onde estão e produzem um mundo novo em qualquer brecha que visualizam.

Frutos de conversas... Mas, apresentei o trabalho abaixo por lá.



Na conversa final, numa boa apresentação da turma por lá, fizemos algumas passagens interessantes buscando entender como uma área ainda tão pequena como a Ciência da Informação poderia agregar tanta gente de outros campos, espaços e experiências de pesquisa/trabalho.

É fato que a Ciência da Informação é um espaço muito pouco definido. Por isso, tão interessante. Sendo Ciências Sociais Aplicadas, como formalmente é pensada, acaba agregando gente que vêm das engenharias, exatas, filosofia, comunicação, e por aí vai. Um campo/espaço de conversa, lugar mal formado em passo de se formar, espaço aberto para construções de referências, pensamentos e modos de olhar para as coisas ainda livres de julgo pré-definido com o rigor do pensamento "real". Realidade em trânsito, em modos de transitar, em meios de caminhar, espaços para serem preenchidos.

Delícia de local, habitar o "entre" de vários outros locais. Ativador de imaginários, o que tem sido fundamental em tempos de transições de modos de olhar, pensar e agir.

É fato que a realidade é mágica, que pode ser construída de relance, no trânsito do pensamento em movimento de pensar. A informação é "objeto" livre de definição, objeto surgido com o objetivo de estar num sempre vir a ser definição. Metáfora interessante, útil como disparador de novos sentidos que se prestam a dissolver sentidos. Brincadeiras contínuas de modos de pensar.

Enfim... muito foi disparado nessa conversa de ontem a tarde. Feliz de ter participado e ver esse tipo de papo acontecer em locais que jamais imaginaria encontrar esse tipo de interface. Ainda só começando... ;-)




segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Apresentando no X Cinform - Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa em Informação

Na pegada desse ano, parte dos objetivos de trabalho passa por sistematizar melhor as pesquisas que tenho feito para o doutorado, enviando artigos e participando de eventos apresentando resultados do trabalho.

Processo relativamente novo, interessante e, de qualquer maneira, muito bom para perceber os efeitos do que tenho produzido, ouvindo comentários de outras vozes, rostos e palavras até então não conhecidas. Exposição para se ver.

Dessa vez, venho a Salvador, participar do X CINFORM - Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa em Informação, realizado pelo Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia. É o primeiro evento nacional de âmbito "científico" que participo. Experiência para ver e rever escolhas e apostas.



Gostei do clima daqui. As discussões começaram sobre como a cultura tecnológica (cultura do estímulo a inovação contínua) acaba gerando em todos os campos um ensino voltado para produzir e replicar a própria cultura de consumo. A base da ciência tem se voltado para formar produtores eficientes e consumidores compulsivos (fala de Pedro López López, de Madrid). De fato, concordei e vejo isso se replicar por muitos locais por onde tenho passado.

A cultura da rede também traz a promoção e replicação em outros níveis de escala a lógica do consumir e consumir. É preciso olhar para isso com certa atenção e menos ingenuidade, em muitos momentos. As perguntas que de fato movimentam todos os fluxos em rede acabam indo para outro lugar. Para a construção da linguagem, a percepção do real e a formação da consciência como espaço de relação... Sim, mas isso já é outra conversa que pretendo aprofundar mais pra frente.

Na parte da tarde, começamos a expor os trabalhos que foram enviados por profissionais, alunos de graduação, pós, etc. Apresentei esse trabalho abaixo, como parte das pesquisas que tenho feito no doutorado:





Conversa boa ao final. Bons comentários relativos a modos de ampliar as expressões de pesquisa e ver o efeito que isso pode causar nos tipos de rede que tenho encontrado.

O importante desse tipo de trabalho, nesse momento, tem sido o exercício de uma outra forma de linguagem. Uma linguagem menos linear e mais relacional, onde consigo agrupar diversos elementos dispersos e analisar de forma conjunta, afinando o olhar e percebendo níveis de relação que antes não conseguia ver. O que fiz nos dados que pude extrair do Google Acadêmico, transformando aquelas listas em grafos, mostrando modos de relação e escolhas no fazer da pesquisa daquele grupo de pessoas que me ajuda a entender seus movimentos de conversa, formação de redes e outras relações possíveis.

E assim, algumas outras pistas vai ficando mais evidentes... ;-)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Fonte força raiz

Fonte força raiz
num fio colorido
tece formas que se dissolvem no ar

Bolhas em palavras dançando mistérios
Faces de uma cor apenas a vir a ser

Nem símbolos, nem significados,
Nem meio, nem fim,
Vozes cruzadas como romarias
Campos e mais campos de potenciais

Por entre eles, um ritmo
Sutil expressão de sua própria natureza
Livre, liberta, natural.

Em teus momentos, apenas bolhas expressões palavras
Bolhas de realidade, criadas, construídas como vida
Por onde apenas, tudo simplesmente passa.

Mas, há algo que fica.
E nesse algo reside tua pergunta, tua busca,
Tua tentativa de encontrar o mais do mesmo vir a ser,
E por onde sabes, moça, que nem mesmo a tua presença
Repousa como resto, forma de existência.

sábado, 10 de setembro de 2011

Exercitando espaços de colaboração e reflexão: um curso de comunicação

Experimentar espaços de colaboração e reflexão nem sempre é tarefa fácil ou mesmo trivial. Desde criar o ambiente, produzir o contexto, o cuidado da relação entre as pessoas a construção da linha sentido há um processo contínuo de explicitar apostas e se reconhecer por dentro delas. 

Há 3 questões fundamentais para parecem nos orientar dando o contorno nessa experiência de um novo curso da qual estou participando/ofertando:
  1. É possível falar em Comunicação Comunitária num tempo em que as mídias oficiais/comerciais – totalmente ocupadas em vender ideias, produtos e serviços – se impõem sobre a sociedade?
  2. Como reconhecer e respeitar as ações de 'comunicação comunitária' realizadas por pessoas e instituições que se pautam nos mesmos valores que orientam as mídias oficiais/comerciais?
  3. Restam espaços onde sejam possíveis criar e fazer valer princípios de uma comunicação comunitária comprometida com a cidadania?

 A proposta é ousada. Abrir um espaço de reflexão para analisar e propor modos de caminhar por dentro dos vários discursos de comunicação então vigentes e promovidos pelas mídias oficias, encontrando brechas, espaços ainda não ocupados por onde manifestar outros modos de inteligência, outros modos de relação e, sobretudo, outros modos de se relacionar. 

Quando: 29/9, 6, 13, 20 e 27/10 – terça-feira – das 19 às 22 horas
Onde: rua henrique shaumann, 125 – pinheiros – são paulo – sp (quase esquina com av. rebouças)

Mais informações, por aqui!