O encantamento e a sedução pela idéia de que a emergência de redes sociais baseadas na Internet representa um novo modo de transformação dos modos tradicionais de relação social parece ter tocado diretamente parte expressiva do modo como pesquisadores e ativistas entendem suas ações de intervenção nos domínios da cultura digital. Mas, outros modos de observar esses eventos, sem dúvida, são possíveis e necessários, sobretudo aqueles que buscam dar um passo ao lado e procuram contextualizar esses movimentos observando suas dimensões correlatas na política e na economia.
Questionar se de fato estamos vivendo o início de uma nova onda de possibilidades de livre expressão, cyberdemocracia, transparência e liberdade de relações parece ultrajante em determinados contextos. Mas, observando como tem se desenvolvido a apropriação sobre o que podemos chamar de trabalho imaterial como gerador de valor, principalmente por parte das grandes empresas voltadas para a Internet, como Google, Facebook e Yahoo, que utilizam seus potentes algoritmos para identificação de padrões e promoção de novos tipos de serviços, marketing e mesmo a criação de novos mercados de consumo do imaterial, temos portas abertas para enxergar outros movimentos e valores que impulsionam o próprio desenvolvimento da grande rede.
Como podemos obter evidências e aprofundar análises que permitam questionarmos essas tendências e observamos com mais cuidado os próprios movimentos que são impulsionados com o nome de liberdade da informação e que de fato alimentam grandes ilhas de dados que movem enormes negócios por todo o mundo? Como produzir dados e indicadores para analisar os próprios efeitos do isolamento e apropriação de dados e indicadores? É fundamental pesquisar e buscar traçar esse perfil, identificando movimentos de análise que permitam vincularmos tendências políticas, mudanças de mercado, indicadores econômicos e a própria análise dos fluxos e tendência de uso da Internet, levando a novas camadas de consistência analítica que nos permitem questionar os modos de fazer cultura digital nos tempos em que vivemos.
Construindo uma história de links e caminhos, de conexões e conversas, de sentidos e contextos...
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Where the two came to their father
"Pode-se ter uma intuição que vá além do bem e do mal, aleḿ dos pares de opostos - essa é abertura do portão rumo ao mistério. Mas, se trata apenas de um dos pequenos lampejos de intuição, porque a mente consciente volta novamente e fecha a porta. A idéia da aventura do herói é atravessar, ainda neste corpo, rumo a um mundo onde as regras dualistas não se aplicam." Campbell.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Experimentando o olhar na evolução das redes ... animando grafos
Começando a gerar alguns experimentos que facilitem visualizar e se dar conta de como as redes produzem movimentos de sincronia, movimentos de remix de posições ao colocarmos em movimento as relações como se estabelecem no tempo.
A experiência abaixo é a partir dos dados da rede Univerciencia.org, uma rede de co-autoria entre pesquisadore que publicam em revistas da área da Ciência da Comunicação.
A experiência abaixo é a partir dos dados da rede Univerciencia.org, uma rede de co-autoria entre pesquisadore que publicam em revistas da área da Ciência da Comunicação.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Desdobramentos de conversas sobre as análises da Rede Conversê.org
No meio desse ano, comecei a avançar em experimentos mais concretos sobre algumas hipóteses de como estudar redes a partir de suas bases de dados. Lá em Durban, em julho, comecei a brincar com a base de dados da rede Conversê.org, uma ação fundamental que foi executada no âmbito do projeto Cultura Digital por gente querida na busca por ampliar os espaços coletivos e de conversação que existiam nos projetos culturais até então.
Experiência rica, intensa, o que só me motivou mais a querer trabalhar com ela. Comecei a construir um artigo que buscasse sintetizar alguns modos interessantes que eu gostaria de mostrar sobre como essa rede se desenvolveu ao longo de seu tempo de existência. Escolhi o formato de artigo por ser uma estrutura formal o suficiente para meu desejo de organizar as informações necessárias para obter o efeito que eu estava buscando naquele momento: menos discurso aberto, mais síntese de movimentos.
O artigo foi publicado essa semana na revista Em Questão, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A primeira coisa que fiz foi apresentar o resultado do trabalho para as redes Estúdio Livre e Metareciclagem, por onde ainda circulam várias pessoas que participaram da concepção, implantação e desenvolvimento do projeto Conversê. Meu desejo: conversar, ouvir comentários, críticas, ampliar minha capacidade de olhar para aquilo que tem me interessado nos últimos tempos.
Começou uma conversa muito interessante, puxada pela Fabi Borges e que vale relatar por aqui:
"fabi,
tuas questões são um ponto chave...
de fato, são perguntas como essas que têm me movido a estudar as coisas desse modo.
escutei e escuto muitos discursos bonitos, floridos falando sobre redes, sobre projetos que eu participe e que, por experiência, eu sabia que o que aqueles discursos revelavam estava longe da minha percepção empírica das coisas.
mas, como demonstrar isso? com mais contra-discurso apenas, ficaria só mais uma versão da história. os gráficos e análise ajudam a embasar um pouco mais, apesar de não resolverem essas perguntas, como você bem colocou. dão um grau a mais para outras versões da história.
algumas hipóteses minhas:
bjs,
dalton"
E assim segue a conversa...
Experiência rica, intensa, o que só me motivou mais a querer trabalhar com ela. Comecei a construir um artigo que buscasse sintetizar alguns modos interessantes que eu gostaria de mostrar sobre como essa rede se desenvolveu ao longo de seu tempo de existência. Escolhi o formato de artigo por ser uma estrutura formal o suficiente para meu desejo de organizar as informações necessárias para obter o efeito que eu estava buscando naquele momento: menos discurso aberto, mais síntese de movimentos.
O artigo foi publicado essa semana na revista Em Questão, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A primeira coisa que fiz foi apresentar o resultado do trabalho para as redes Estúdio Livre e Metareciclagem, por onde ainda circulam várias pessoas que participaram da concepção, implantação e desenvolvimento do projeto Conversê. Meu desejo: conversar, ouvir comentários, críticas, ampliar minha capacidade de olhar para aquilo que tem me interessado nos últimos tempos.
Começou uma conversa muito interessante, puxada pela Fabi Borges e que vale relatar por aqui:
"fabi,
tuas questões são um ponto chave...
2011/12/17 fabi borges <catadores@gmail.com>:> horizontal de fato, que nao tinha poder de fato??--
> pq esses usuarios nao mantiveram interesse?
> entra ahi um problema de design?
> ou ainda, por falta de "cultura" de colaboracao?
> Seria pq estava atrelada ao ESTADO e isso dava sensacao de que nao era
de fato, são perguntas como essas que têm me movido a estudar as coisas desse modo.
escutei e escuto muitos discursos bonitos, floridos falando sobre redes, sobre projetos que eu participe e que, por experiência, eu sabia que o que aqueles discursos revelavam estava longe da minha percepção empírica das coisas.
mas, como demonstrar isso? com mais contra-discurso apenas, ficaria só mais uma versão da história. os gráficos e análise ajudam a embasar um pouco mais, apesar de não resolverem essas perguntas, como você bem colocou. dão um grau a mais para outras versões da história.
algumas hipóteses minhas:
- não acho que seja problema de design;
- não acho que seja falta de cultura de colaboração;
- não acho que é pelo papel do "estado";
- acho, e tenho buscado coletar, compilar, refletir sobre evidências mais fortes nesse sentido, que tem muito a ver com dois modos que podem se complementar de enxergar redes:
- as redes auto-organizadas que emergem por si só: metareciclagem,
é um exemplo disso. o contexto convoca, as pessoas se encontram pq que
querem, por que sentem que ali encontra a força de uma conversa que não
acontece em outro lugar. É como se uma certa vibra corresse no ar,
instigando em diferentes modos a vontade de fazer algo que acaba se
tornando num contexto de rede.
- as redes construídas por projetos ou ações que visam promover coletivos e ampliar o potencial de auto-organização de grupos: esses são bem mais complexos, pois envolvem uma questão crucial pra mim: cuidado e afeto. Se as pessoas encontrarem em redes gente disposta a recebê-las, acolher de fato, conversar, responder, cuidar, demonstrar interesse verdadeiro (não a vontade de vender e fazer o ritual canibal marketeiro número 2), coisas muito interessantes podem acontecer. Mas, investir num processo desse demanda tempo, demanda muita, mas muita energia na vontade e disposição de conversar. Poucas redes que eu conheço se propuseram e conseguiram executar isso bem feito. Alguns exemplos, como a Rede Humaniza SUS, a rede Telecentros.br (os monitores de telecentros) caminham nessa vertente e dão boas pistas de como investir energia e inspiração nesse sentido.
- Acho que a rede Conversê tentou ficar num misto disso, não fazendo nenhuma e nem outra. Mas, isso é só uma hipótese...
bjs,
dalton"
E assim segue a conversa...
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Apresentando no III Seminário do programa de pós em Ciência da Informação na ECA/USP
Ano bom, ano forte. Muita mudança, novos pontos de vista, novas possibilidades, muitos deslocamentos de lugares já consolidados abrindo espaço para novas formas de se ver para tantos lugares já conhecidos.
Enfim, caminhos. E esse foi um ano de muito trabalho de análise, de síntese, de reflexão, de se recolher mais para pensar, de falar menos. Ontem, num importante momento de síntese, todos os colegas e companheiros que estão fazendo pós no mesmo programa que eu, na Ciência da Informação - ECA/USP, e qualificaram no ano de 2011, se reuniram num seminário para apresentarem o andamento de seus trabalhos de pesquisa, seja de mestrado ou doutorado.
Conversa boa, revendo gente amiga, compartilhando as preocupações, as inquietações, os modos de pensar, os modos de escrever. Fui pra lá também apresentar o andamento da tese, os primeiros resultados que consegui gerar a partir das últimas semanas em que trabalhei bastante num script php para extrair e organizar os dados da base de modo que me permita os cruzamentos necessários. Processo extremamente divertido, relembrando de muitos caminhos da programação, dos tipos de raciocínio, dos meios de chegar a um ponto.
Fica o registro da apresentação, fechando mais esse ciclo.
Enfim, caminhos. E esse foi um ano de muito trabalho de análise, de síntese, de reflexão, de se recolher mais para pensar, de falar menos. Ontem, num importante momento de síntese, todos os colegas e companheiros que estão fazendo pós no mesmo programa que eu, na Ciência da Informação - ECA/USP, e qualificaram no ano de 2011, se reuniram num seminário para apresentarem o andamento de seus trabalhos de pesquisa, seja de mestrado ou doutorado.
Conversa boa, revendo gente amiga, compartilhando as preocupações, as inquietações, os modos de pensar, os modos de escrever. Fui pra lá também apresentar o andamento da tese, os primeiros resultados que consegui gerar a partir das últimas semanas em que trabalhei bastante num script php para extrair e organizar os dados da base de modo que me permita os cruzamentos necessários. Processo extremamente divertido, relembrando de muitos caminhos da programação, dos tipos de raciocínio, dos meios de chegar a um ponto.
Fica o registro da apresentação, fechando mais esse ciclo.
Apresentação III Seminário do PPGCI 2011
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sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Modelando a função apoio na Rede Humaniza SUS: explorando possibilidades com Drupal
A modelagem de sistemas complexos tem sido um assunto que tenho explorado por aqui nas últimas semanas. Um ponto que tenho buscado deixar evidente é que esses insights todos da complexidade não devem servir apenas para que possamos analisar sistemas, concluindo coisas interessantes, porém ficando muito restritas a domínios acadêmicos de pesquisa. Creio que podemos muito mais a partir disso, sendo que o ponto em que vejo uma avenida de possibilidades é o fato de levarmos em consideração alguns desses princípios na criação de sistemas, na modelagem de modos de promoção de redes, encontro de pessoas e situações do nosso cotidiano que poderiam simplesmente serem pensadas levando em consideração outros tipos de variáveis que ainda não estamos propriamente acostumados a levar.
Bem, saindo para caminhar na manhã de hoje comecei a lembrar da reunião que tive com o pessoal da Rede Humaniza SUS nessa semana. Um dia onde os editores se encontraram aqui em São Paulo para discutirem seus novos modos de se relacionar, dado que tudo indica que para o ano que vem esse grupo vai poder ser parcialmente remunerado pelo trabalho que faz. Ouvindo essas pessoas que atuam já a alguns anos, no caso de alguns, de modo voluntário no cuidado, acolhimento e gestão dessa rede falarem de sua paixão pelo SUS, pelos modos de fazer política, pelo jeito de continuamente se reencantar pelo trabalho que desenvolvem e, sobretudo, pelo jeito que pensam a saúde, fui ficando impactado por essas impressões... De pano de fundo, fui guardando uma vontade de usar esse efeito, o impacto das conversas, para pensar em como a modelagem de complexidade (o encanto do momento) estaria a serviço dessas coisas todas que ouvi...
E caminhando um pouco mais fui lembrando da importância que há na política de humanização para a função apoio (o tal do devir apoiador). Lendo alguns trechos da tese de doutorado do Gustavo Nunes, atual coordenador da PNH junto ao Ministério da Saúde, encontrei logo no começo, em seu resumo, um bom disparador para o pensamento:
"O apoio, tomado como uma função, inscrita em arranjos concretos que põe em relação sujeitos com diferentes desejos e interesses, com a missão de ativar objetos de investimento mais coletivos e de apoiar esses sujeitos na ampliação de sua capacidade de problematização, de invenção de problemas, de interferência com outros sujeitos e de transformação do mundo e de si, implica em uma tarefa
clínica-crítica-política."
A definição provocou pensar um pouco mais na relação que isso tem com o sistema Drupal, que usamos para o desenvolvimento da rede, que já está próxima de seus quase 4 anos de existência. Acontece que o Drupal é um sistema criado com uma arquitetura muito interessante enquanto modelo de software, permitindo criarmos processos que seriam muito mais difíceis em outros tipos de programa. Vou tentar resumir aqui essas características que podem servir como disparadores de ideias para futuros desenvolvimentos:
Foi então que me ocorreu a ideia de modelar o apoio como um node do Drupal, onde poderíamos associar funções, eventos e utilizar o gerenciador de Triggers para, conforme os tipos de eventos associados a função apoio, conectar pessoas, criar links, fazer pontes, estabelecer novas relações e fomentar a ativação desses objetos de investimento mais coletivos, como bem diz a descrição acima da funçaõ.
Brincando com isso, comecei a esboçar um infográfico para dar um pouco mais de corpo na ideia:
A ideia da brincadeira seria:
Agora, é avançar na modelagem, experimentação em DEV e analisar possíveis efeitos. vqv! :-)
Bem, saindo para caminhar na manhã de hoje comecei a lembrar da reunião que tive com o pessoal da Rede Humaniza SUS nessa semana. Um dia onde os editores se encontraram aqui em São Paulo para discutirem seus novos modos de se relacionar, dado que tudo indica que para o ano que vem esse grupo vai poder ser parcialmente remunerado pelo trabalho que faz. Ouvindo essas pessoas que atuam já a alguns anos, no caso de alguns, de modo voluntário no cuidado, acolhimento e gestão dessa rede falarem de sua paixão pelo SUS, pelos modos de fazer política, pelo jeito de continuamente se reencantar pelo trabalho que desenvolvem e, sobretudo, pelo jeito que pensam a saúde, fui ficando impactado por essas impressões... De pano de fundo, fui guardando uma vontade de usar esse efeito, o impacto das conversas, para pensar em como a modelagem de complexidade (o encanto do momento) estaria a serviço dessas coisas todas que ouvi...
E caminhando um pouco mais fui lembrando da importância que há na política de humanização para a função apoio (o tal do devir apoiador). Lendo alguns trechos da tese de doutorado do Gustavo Nunes, atual coordenador da PNH junto ao Ministério da Saúde, encontrei logo no começo, em seu resumo, um bom disparador para o pensamento:
"O apoio, tomado como uma função, inscrita em arranjos concretos que põe em relação sujeitos com diferentes desejos e interesses, com a missão de ativar objetos de investimento mais coletivos e de apoiar esses sujeitos na ampliação de sua capacidade de problematização, de invenção de problemas, de interferência com outros sujeitos e de transformação do mundo e de si, implica em uma tarefa
clínica-crítica-política."
A definição provocou pensar um pouco mais na relação que isso tem com o sistema Drupal, que usamos para o desenvolvimento da rede, que já está próxima de seus quase 4 anos de existência. Acontece que o Drupal é um sistema criado com uma arquitetura muito interessante enquanto modelo de software, permitindo criarmos processos que seriam muito mais difíceis em outros tipos de programa. Vou tentar resumir aqui essas características que podem servir como disparadores de ideias para futuros desenvolvimentos:
- qualquer elemento no Drupal pode ser modelado como um node, ou seja, pode virar uma espécie de nó do sistema, onde podemos conectar funções, ganchos (os famosos hooks do Drupal), eventos e fluxos específicos de execução (organizados em etapas, por exemplo);
- quando qualquer node é acessado, o Drupal usa um sistema chamado bootstrap, que pergunta a todos os módulos instalados se eles possuem algum hook relacionado a algum evento relacionado ao tipo do node. Por exemplo, quando um nó é visualizado, o Drupal percorre todos os módulos para verificar se eles possuem algum hook que irá afetar a visualização daquele tipo de node, seja modificanto visualmente, seja incorporando alguma nova funcionalidade;
- quando qualquer evento no Drupal acontece, ele permite identificarmos essa evento e relacionarmos alguma ação específica, naquilo que o Drupal chama de sistema de Triggers. Isso, por si só, é algo realmente muito interessante, permitindo que possamos modelar uma série enorme de funcionalidades quando os usuários do ambiente fizerem alguma ação que possa ter desdobramentos disparadores... Tá começando a ficar quente aqui!
Foi então que me ocorreu a ideia de modelar o apoio como um node do Drupal, onde poderíamos associar funções, eventos e utilizar o gerenciador de Triggers para, conforme os tipos de eventos associados a função apoio, conectar pessoas, criar links, fazer pontes, estabelecer novas relações e fomentar a ativação desses objetos de investimento mais coletivos, como bem diz a descrição acima da funçaõ.
Brincando com isso, comecei a esboçar um infográfico para dar um pouco mais de corpo na ideia:
A ideia da brincadeira seria:
- modelar um node em drupal para a função, permitindo que pessoas pudessem se inscrever oferecendo apoio em determinados tipos (categorias fixas e emergentes), por região, pelo karma que possuem na rede, pela disponibilidade de tempo online;
- permitir que pessoas que queiram solicitar apoio, pudessem também se inscrever nesse node, usando também critérios similares de seleção;
- assim que um node apoio fosse criado, algoritmos analisariam os filtros selecionados e disparariam um evento, se assim houver, de criação de um novo node chamado conversa, agrupando essas pessoas que queiram oferecer e solicitar apoio. Esse node de conversa poderia servir como uma região em tempo síncrono e não-síncrono, onde essas pessoas formariam uma espécie de grupo temporário de apoio naquela situação, naquele contexto, naquele tempo em que isso fizer sentido.
Agora, é avançar na modelagem, experimentação em DEV e analisar possíveis efeitos. vqv! :-)
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Algumas razões pelas quais a modelagem de sistemas complexos ainda vai nos levar a um outro nível de compreensão do mundo
Buscando na web por esses dias achei um texto fantástico, bem escrito e de fácil compreensão sobre as mútiplas portas no conhecimento e na visão de mundo que a modelagem de sistemas complexos abre para os imaginários humanos.
De tão bom, resolvi reproduzir aqui um bom trecho desse documento, que veio do documento que institui o programa de pós-graduação em modelagem de sistemas complexos da Usp Leste.
" Embora não exista uma definição ampla consensual, Sistemas Complexos são identificáveis por exibir comportamentos que têm sido sistematicamente enumerados pela literatura nos últimos vinte anos1, detalhados na lista não-exaustiva apresentada a seguir: emergência, transições de fase, universalidade, adaptabilidade, auto-referência, auto-organização, imprevisibilidade, padrões de interação com regularidades não-triviais, causas múltiplas com efeitos não-lineares e invariância em escala.
1. Emergência: Um fenômeno é emergente quando surge como resultado da interação dos elementos constituintes do sistema e não pode ser descrito somente em função das características isoladas de tais constituintes. O estado de agregação de moléculas de água, por exemplo, é uma propriedade emergente: uma molécula de água não pode ser definida como sólida, líquida ou gasosa, pois são propriedades que podem caracterizar somente agregados de moléculas de água, dada a interação. O sistema de preços de uma economia constitui outro fenômeno emergente, pois é resultado da interação entre agentes de mercado. Da mesma maneira, uma comunidade com suas instituições, língua e cultura é um fenômeno emergente, sendo resultado da interação de indivíduos e grupos de indivíduos.
2. Transições de fase: Mudanças nas estatísticas de um sistema, dadas mudanças em parâmetros de controle, são denominadas transições de fase, que podem ser contínuas ou descontínuas. Assim, por exemplo, as propriedades coletivas (estatísticas) da água mudam abruptamente de acordo com temperatura e pressão. Outro exemplo é a mudança observável em estatísticas de violência de acordo com parâmetros controláveis por meio de políticas públicas.
3. Universalidade: Detalhes do comportamento dos constituintes de um Sistema Complexo freqüentemente não são importantes para o comportamento agregado (médio). A densidade de gases diferentes, por exemplo, como oxigênio, metano, argônio, neônio e monóxido de carbono, variam; exceto por fatores de escala, de forma idêntica com a temperatura. O mesmo ocorre com a distribuição de alturas, pesos e pressão arterial em uma população, ou a distribuição de votos entre candidatos em eleições. Observa-se, também, que a distribuição de tamanhos de firmas ou flutuações no mercado financeiro possuem um padrão comum, que pode ser, então, considerado universal.
4. Adaptatividade: A capacidade de modificar o próprio comportamento de acordo com mudanças no ambiente é uma característica comum em sistemas biológicos e socioeconômicos. Assim, firmas respondem às mudanças no mercado, indivíduos aprendem com a experiência, ou células sintetizam proteínas de acordo com a concentração citoplasmática de reguladores.
5. Auto-referência: Sistemas Complexos, em particular sistemas socioeconômicos, respondem aos resultados de suas próprias ações. Por exemplo, previsões econômicas podem produzir comportamentos que, conseqüentemente, resultam justamente na concretização das previsões. Por exemplo, se os agentes esperam que o nível geral de preços aumente, podem desejar proteger-se antecipando os efeitos da ocorrência da inflação, corrigindo os preços para cima.
6. Auto-organização: Interações locais produzem ordem em escala global. Exemplos típicos são o comportamento de pedestres e a cadeia produtiva em uma economia de mercado.
7. Imprevisibilidade: Mesmo quando regido por equações inteiramente determinísticas, o comportamento de um sistema complexo pode ser imprevisível. Alguns exemplos clássicos são o clima, a dinâmica de populações e as séries temporais biológicas. O mesmo tipo de fenômeno pode ser observado em sistemas socioeconômicos, na forma, por exemplo, de choques de oferta no mercado mundial, como ocorreu no caso do petróleo nos anos de 1973 e 1979.
8. Redes complexas: Sistemas Complexos apresentam padrões de interação que não são inteiramente regulares (como casas de um tabuleiro de xadrez), nem inteiramente irregulares (como traços aleatórios). Em geral, redes de relações se auto-organizam localmente, de maneira aparentemente aleatória; no entanto, apresentam uma ordenação global. Redes complexas apresentam alguns poucos nós com muitas conexões e diversos outros nós com poucas conexões, apresentam distâncias médias entre nós reduzidas, que redundam em uma capacidade de influência maior do que aparentam. Exemplos de redes complexas são relações sociais, interesses acadêmicos, cadeias alimentares, rotas aéreas, cidades conectadas por estradas, links em páginas da internet, relações comerciais e proteoma celular.
9. Causas múltiplas e efeitos não-lineares: Em fenômenos socioeconômicos e biológicos, as causas dos fenômenos são, em geral, múltiplas e interativas entre si. Uma pequena variação em uma ou mais das causas pode redundar em uma grande mudança nos efeitos observados. Técnicas estatísticas que suponham comportamentos lineares dos sistemas não são capazes de lidar corretamente com algumas ou ambas características.
10.Invariância em escala: Padrões complexos podem ser obtidos pela aplicação repetida de regras simples em escalas diferentes (temporais ou espaciais). Os exemplos de invariância em escala são alvéolos pulmonares, distribuição de rendas altas, tamanho de cidades e população de cidades."
Olhar para os sistemas, pensar em possibilidades de análise e mesmo de produção de novos modos de relação e conversação que levem esses 10 elementos em consideração me parece uma forma bastante interessante de experimentar o novo em si. :-)
De tão bom, resolvi reproduzir aqui um bom trecho desse documento, que veio do documento que institui o programa de pós-graduação em modelagem de sistemas complexos da Usp Leste.
" Embora não exista uma definição ampla consensual, Sistemas Complexos são identificáveis por exibir comportamentos que têm sido sistematicamente enumerados pela literatura nos últimos vinte anos1, detalhados na lista não-exaustiva apresentada a seguir: emergência, transições de fase, universalidade, adaptabilidade, auto-referência, auto-organização, imprevisibilidade, padrões de interação com regularidades não-triviais, causas múltiplas com efeitos não-lineares e invariância em escala.
1. Emergência: Um fenômeno é emergente quando surge como resultado da interação dos elementos constituintes do sistema e não pode ser descrito somente em função das características isoladas de tais constituintes. O estado de agregação de moléculas de água, por exemplo, é uma propriedade emergente: uma molécula de água não pode ser definida como sólida, líquida ou gasosa, pois são propriedades que podem caracterizar somente agregados de moléculas de água, dada a interação. O sistema de preços de uma economia constitui outro fenômeno emergente, pois é resultado da interação entre agentes de mercado. Da mesma maneira, uma comunidade com suas instituições, língua e cultura é um fenômeno emergente, sendo resultado da interação de indivíduos e grupos de indivíduos.
2. Transições de fase: Mudanças nas estatísticas de um sistema, dadas mudanças em parâmetros de controle, são denominadas transições de fase, que podem ser contínuas ou descontínuas. Assim, por exemplo, as propriedades coletivas (estatísticas) da água mudam abruptamente de acordo com temperatura e pressão. Outro exemplo é a mudança observável em estatísticas de violência de acordo com parâmetros controláveis por meio de políticas públicas.
3. Universalidade: Detalhes do comportamento dos constituintes de um Sistema Complexo freqüentemente não são importantes para o comportamento agregado (médio). A densidade de gases diferentes, por exemplo, como oxigênio, metano, argônio, neônio e monóxido de carbono, variam; exceto por fatores de escala, de forma idêntica com a temperatura. O mesmo ocorre com a distribuição de alturas, pesos e pressão arterial em uma população, ou a distribuição de votos entre candidatos em eleições. Observa-se, também, que a distribuição de tamanhos de firmas ou flutuações no mercado financeiro possuem um padrão comum, que pode ser, então, considerado universal.
4. Adaptatividade: A capacidade de modificar o próprio comportamento de acordo com mudanças no ambiente é uma característica comum em sistemas biológicos e socioeconômicos. Assim, firmas respondem às mudanças no mercado, indivíduos aprendem com a experiência, ou células sintetizam proteínas de acordo com a concentração citoplasmática de reguladores.
5. Auto-referência: Sistemas Complexos, em particular sistemas socioeconômicos, respondem aos resultados de suas próprias ações. Por exemplo, previsões econômicas podem produzir comportamentos que, conseqüentemente, resultam justamente na concretização das previsões. Por exemplo, se os agentes esperam que o nível geral de preços aumente, podem desejar proteger-se antecipando os efeitos da ocorrência da inflação, corrigindo os preços para cima.
6. Auto-organização: Interações locais produzem ordem em escala global. Exemplos típicos são o comportamento de pedestres e a cadeia produtiva em uma economia de mercado.
7. Imprevisibilidade: Mesmo quando regido por equações inteiramente determinísticas, o comportamento de um sistema complexo pode ser imprevisível. Alguns exemplos clássicos são o clima, a dinâmica de populações e as séries temporais biológicas. O mesmo tipo de fenômeno pode ser observado em sistemas socioeconômicos, na forma, por exemplo, de choques de oferta no mercado mundial, como ocorreu no caso do petróleo nos anos de 1973 e 1979.
8. Redes complexas: Sistemas Complexos apresentam padrões de interação que não são inteiramente regulares (como casas de um tabuleiro de xadrez), nem inteiramente irregulares (como traços aleatórios). Em geral, redes de relações se auto-organizam localmente, de maneira aparentemente aleatória; no entanto, apresentam uma ordenação global. Redes complexas apresentam alguns poucos nós com muitas conexões e diversos outros nós com poucas conexões, apresentam distâncias médias entre nós reduzidas, que redundam em uma capacidade de influência maior do que aparentam. Exemplos de redes complexas são relações sociais, interesses acadêmicos, cadeias alimentares, rotas aéreas, cidades conectadas por estradas, links em páginas da internet, relações comerciais e proteoma celular.
9. Causas múltiplas e efeitos não-lineares: Em fenômenos socioeconômicos e biológicos, as causas dos fenômenos são, em geral, múltiplas e interativas entre si. Uma pequena variação em uma ou mais das causas pode redundar em uma grande mudança nos efeitos observados. Técnicas estatísticas que suponham comportamentos lineares dos sistemas não são capazes de lidar corretamente com algumas ou ambas características.
10.Invariância em escala: Padrões complexos podem ser obtidos pela aplicação repetida de regras simples em escalas diferentes (temporais ou espaciais). Os exemplos de invariância em escala são alvéolos pulmonares, distribuição de rendas altas, tamanho de cidades e população de cidades."
Olhar para os sistemas, pensar em possibilidades de análise e mesmo de produção de novos modos de relação e conversação que levem esses 10 elementos em consideração me parece uma forma bastante interessante de experimentar o novo em si. :-)
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