segunda-feira, 21 de junho de 2010

Falando de pragmáticos, linguagem e conversações

Acabei de ler no final de semana o Contingência, Ironia e Solidariedade do Richard Rorty, por indicação da Drica.

Entre muitos trechos bons, de um pensamento suave, direto e muito útil para reflexão, separei um que acho que dá um pouco o tom do texto e de como ele articula sua filosofia:

"A única coisa que importa é que, quando se acredita nela, pode-se enunciá-la sem sair machucado. Em outras palavras, o que importa é nossa capacidade de falar com outras pessoas sobre o que nos parece verdade, e não sobre o que de fato é verdade. Se cuidarmos da liberdade, a verdade poderá cuidar de si mesma. Se formos suficientemente irônicos sobre nossos vocabulários finais e suficientemente curiosos sobre o de todas as outras pessoas, não precisaremos ter a preocupação de saber se estamos em contato direto com a realidade moral, se fomos cegados pela ideologia, ou se estamos sendo debilmente relavistas."

 Forte. Bom. Direto. Muito útil.

 A pergunta que me fiz foi: Como podemos trabalhar os dispositivos de visualização em estratégias de conversação que possam aguçar essa curiosidade sobre o vocabulário final de cada pessoa, cada organização, cada rede? Tem um caminho aqui...

9ª Oficina de Inclusão Digital, TelecentrosBR e WebLab

O projeto TelecentrosBR  tá começando a decolar e estamos aquecendo conversas, visões e possibilidades a partir da 9ª Oficina de Inclusão Digital.


Os ânimos e as possibilidades que estamos visualizando são bem interessantes:

  • conhecer melhor as iniciativas que irão tocar os telecentros na ponta;
  • ouvir ideias, opiniões e como essas iniciativas estão pensando suas ações de gestão/formação dos telecentros;
  • ampliar a conversa sobre a ecologia de ações no programa, integração web e circulação da informação.

 a programação inteira da oficina tá aqui: http://oficina.inclusaodigital.gov.br/files/2010/Grade_9OficinaID.pdf

 nós temos 3 espaços que nos forem oficialmente reservados:

  •  dia 22 (terça-feira) 11h - 12:45h - Sala 1:  Debate Lixo Eletrônico. Eu estarei na mesa. Estou trabalhando numa apresentação para essa conversa. A idéia de ocupar esse espaço é discutir o que o Lixo Eletrônico tem a ver com um programa de Inclusão Digital, como isso poderia impactar nos Telecentros.BR, nos CRCs e em nossa visão de formação, capacitação, etc.
  • dia 23 (quarta-feira) 11h - 12:45h - Auditório - Formação de Monitores e Gestores de Telecentros: que agentes de inclusão digital queremos? Drica estará nessa mesa. Acho que o próprio tema se define bem e creio que temos contribuições valiosas para fazer e nos posicionar nesse momento.
  • dia 23 (quarta-feira) 14:20 - 16:45 e 17-19h - Tenda: Rede de Formação - Telecentros.BR - Temos esse espaço reservado para um encontro de todos os participantes/interessados na Rede de Formação. Os pessoal do Ministério alocou esse espaço e creio que podemos ocupá-lo de uma maneira interessante. Minha proposta aqui seria ver a infra do espaço e dos materiais que podemos ter a disposição. A ideia é montarmos um Café Rede de Formação, com uma discussão bem introdutória e uma tomada de visão geral sobre o tema. Uma plenária no final para discutirmos as principais ideiais que apareceram. 
e segue o trem!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Ecologia Web e apropriação em rede: refletindo sobre Juventude SP

Desde janeiro que estou trabalhando mais direto com o projeto da Juventude SP aqui no laboratório. Depois de um ano atuando de forma mais operacional no projeto do Acessa Escola, voltar a refletir mais focado em Internet, em como potencializar espaços para circulação da informação e aproximar uma visão de divulgação e integração de políticas públicas em espaços de conversação em rede me pareceu um bom campo de aprendizado.

Em várias conversas com Hernani e Drica, a nossa forma de atuação nesse projeto, a maneira de atuar na rede e trabalhar a visão de Internet dentro da esfera pública no contexto desse projeto. A potência da rede se faz perceptível para quem a ajuda a construir, para quem faz parte de seus fluxos, nuances, sentidos, contextos e dissolvências. Criar chão próprio, introduzir essa visão da rede e passar a refletir a partir dela nem sempre á algo tão simples ou fácil de fazer. Desenvolver corpo e linguagem para isso, ao mesmo tempo em que vamos atuando de uma maneira a criar convergência da política pelo uso de uma nova linguagem é uma forma interessante de intervenção, pois nos produzimos diferentes ao conseguirmos nos descrever de maneiras diferentes.

Começamos a utilizar de novos dispostivos de análise e mapeamento das bordas que o site da Juventude se inseria. Fui documentando na tag juventudesp alguns descobertas e análises enquanto ia refletindo sobre isso. Mapear a complexidade e alargar um pouco mais as bordas do nosso olhar revela fatos interessantes sobre como nós mesmos nos organizamos e criamos espaços na Internet que refletem essa organização. A rede ajuda a ver isso e, no contexto de um projeto de política pública, permite ampliar a visão das relações de como a informação é construída e apropriada. Sem dúvida, me parece um campo de aprendizado infinito. Aprender sobre isso e descobrir novas ferramentas que favoreçam a rede a refletir sobre si mesma, é um caminho sedutor de pesquisa pelo qual vou me enveredando. Boas pistas se encontram na filosofia da linguagem, nos pragmáticos, na visão sistêmica de retroalimentação, mas isso já é outra conversa...

Montamos a apresentação abaixo para dar um pouco mais de contexto de como o projeto tem se desenvolvido.



Um ponto que foi interessante de trabalhar e ver o seu desenvolvimento ao longo dos meses foi o que sistematizamos abaixo como a Ecologia Web do projeto:


Algumas premissas foram importantes e que nos levaram a essa ecologia:
  • o objetivo do projeto é integrar e divulgar políticas públicas de várias secretarias que sejam direcionadas para o jovem, tornando mais fácil o acesso desse jovem ao que está disperso e de difícil acesso no site de várias secretarias;
  • só esperar que o jovem venha acessar o portal é não considerar os espaços onde ele está;
  • divulgar informação relevante é uma questão de foco e não uma questão de massificação do acesso: mapeamos mais de 1000 comunidades no Orkut que tenham interesse declarado em seu perfil nos temas que são os canais do portal (Divirta-se, Estude, Trabalhe, Viva com saúde e Faça Política);
  • não somos o admin do portal, portanto, temos pouca ação direta na tecnologia;
  • mapear a rede e a forma como ela vem utilizando a informação que produzimos é um exercício fundamental de auto-crítica e aprendizado sobre a rede. Fazer isso não tem por objetivo controlar a rede, mas sim entender o seu contexto de movimentação, de apropriação e circulação daquilo que temos produzido. 

O espaço para conversa em rede ainda tem sido tímido e limitado, sobretudo pelo fato de ainda não termos implementadas as atualizações de tecnologia que estão previstas para o site. No entanto, é interessante perceber como os membros de comunidades vão se ligando que dentro de seus fóruns também há espaço para divulgação de vagas, projetos e acessos a programas que são gratuitos, públicos e estão no foco de interesse da comunidade que participam. Como no caso abaixo:



Enfim, tem sido divertido o aprendizado de algumas coisas que eu antes mais fazia idéia do que já tinha propriamente experimentando com esses recursos. Mas, o mais importante tem sido criar uma nova linguagem para descrever uma nova visão de Internet para esse processo e perceber o efeito que isso vem causando numa mudança da visão da própria política pública.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Novo visual do blog

O blogger lançou alguns recursos de edição de layout e ampliou a flexibilidade de edição do CSS dos blogs.
Até que enfim!!!

Ainda num tem um painel de controle tão flexível e recursos quando o Wordpress, mas deu alguns ganhos interessantes para usuários que já tem um histórico e vale a pena se manter na plataforma.

Gostei das brincadeiras, aproveitei para mudar por aqui e abrir em 3 colunas.

Criei um novo bloco: "o que estou lendo momento". Compartilhando o espírito do tempo por aqui.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Quanto vale ou é por kilo

Faz anos que assisti esse filme e conversando com a Drica hoje me recordei de alguns pontos interessantes dele. Tem alguns discursos dados, mas dá para refletir sobre alguns pontos do que a gente anda fazendo por aí.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A conservação das estruturas nos sistemas sociais

Independente do tipo de sistemas sociais que somos parte, dá para perceber uma característica que que é muito semelhante em todos eles: os sistemas criam maneiras de conservarem suas condutas ditas "apropriadas".

Sejam as condutas ditas "libertárias", ditas "conservadoras", centralizadas, abertas... A questão é que a partir do momento em que um sistema social se constitui, ele passa a operar de uma maneira que me parece naturalmente conservar as condutas que constituíram o próprio sistema. Sem dúvida, isso muda ao longo do tempo, pois as pessoas mudam, sua maneira de ver, usar a linguagem, a produção de sentido e de viabilidade de estarem no mundo muda.

Mas, a maneira como conservamos nossas condutas nos sistemas sociais que participamos não é algo tão evidente. Me parece ser um aspecto sutil, muitas vezes móvel, mutante e encoberto de justificativas de nossos próprios padrões de conservação. Às vezes, o que surge como algo em busca do novo, vira uma maneira de conservar uma certa conduta que se estabiliza num tipo de busca do novo e, por dentro disso, a própria busca do novo padece de outras maneiras de se ver o novo. Ou seja, o olhar vai ficando engessado, acostumado a olhar para algo de uma determinada forma, como se essa forma fosse a certa, a melhor, a maneira viável, possível...

A questão é que os sistemas sociais vão se estabilizando ao longo do tempo assim. Em determinados pontos, passam por crises, viram do avesso, seu próprio desejo de conservação de condutas passa a ser insuficiente para lhe garantir vida: o sistema perde sua capacidade organizacional e morre. É reinventado de outras maneiras, desaparece aqui e surge ali. E tudo gira.

Lendo um pouco sobre isso no "A ontologia da realidade" do Humberto Maturana, vi um trecho que achei especial. Maturana menciona duas maneiras que vê sobre como um sistema social cria condições de estabilizar sua própria organização e, assim, preservar sua condição de possibilidade de se manter como um sistema social:
  • à estabilidade pela consciência social, ao ampliar as instâncias reflexivas que permitem a cada membro uma conduta social que envolve como legítima a presença do outro como um igual; ou
  • à estabilidade na rigidez de condutas, por um lado, mediante a restrição das circunstâncias reflexivas, ao limitar os encontros fora do sistema social e reduzir a conversação e a crítica, e, por outro lado, mediante a negação do amor, ao substituir a ética (a aceitação do outro) pela hierarquia e a moralidade (a imposição de normas de conduta), ao institucionalizar relações contingentes de subordinação humana. 
Possibilidades visíveis em muitos dos sistemas que vivemos e fazemos parte, além de alimentar condutas que conservam esses níveis de estabilidade. Justificativas para rigidez, limitação e institucionalização de relações são fáceis de serem encontradas e, a primeira vista, parecem sedutoras e produtoras de um sentido de eficácia e escala nas relações.

Mas, não se trata disso. Se pensamos nas redes como sistemas sociais que podem propor uma ampliação de nosso potencial de liberdade, creio que estamos falando de processos que considerem a consciência social como meio de organização e estruturação dos sistemas. Ou seja, estamos falando aqui de ampliar espaços de conversação, espaços de criação de coletivos que se exercitam na escuta, na busca do entendimento e do encaminhamento de suas questões pela composição de diversas visões. É um exercício de linguagem, de visão, de ampliação de olhar.

Do contrário, caminhos que levam a rigidez e hierarquização parecem a única opção possível, mesmo mascarados em formas libertárias, sedutores e em discursos fáceis. O sutil não tá na aparência, tá no uso da linguagem, nas formas de relação e naquilo que é não dito.

o prisma da conversação online


The Conversation Prism by Brian Solis and Jesse Thomas