Construindo uma história de links e caminhos, de conexões e conversas, de sentidos e contextos...
terça-feira, 27 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Algumas noções sistêmicas fundamentais no viver e conviver humano
Refletir sobre o viver humano é refletir a partir de algum lugar, de alguma referência que pauta/modula a estrutura de pensamento de onde partimos. Essa estrutura é nossa base de coerência, é aquilo que usamos como referência (seja consciente ou inconsciente) para descrever as coerências daquilo que somos capazes de distinguir no que experienciamos.
Essa capacidade de distinção não é algo místico, sobrenatural ou que possa ser mensurado a partir de maior ou menor capacidade, a não ser que eu veja isso a partir de um sistema restrito de concepções que posso ter a tendência de chamar de verdade. A nossa capacidade de distinção é construída culturalmente, a partir da extensa vivência e somatória de experiências que vivenciamos ao longo da vida. As experiências vão se somando, vão impactando nosso corpo, vão sedimentando conceitos, enrigecendo sensações, percepções e toda a nossa estrutura de mente-corpo passa a ser coerente com uma determinada visão, uma forma de pensar. Tudo passa a girar em torno disso, passamos a classificar, mesmo que de forma inconsciente, o mundo: algumas experiências nos parecem mais válidas que outras, mais legítimas, mais corretas.
Dessa forma, vamos nos dando conta, se nos dispusermos a questionar nossos próprios referenciais, que construímos nossas referências a partir da soma de relações que fomos vivenciando em nossas vidas. Se as relações fossem diferentes, provavelmente as concepções, as percepções de mundo também seriam. Somos um produto contínuamente em mutação da coerência de nossa própria história de vida.
Sem dúvida, procurar ver, tornar consciente, dar-se conta desse lugar de onde falamos e procurar colocá-lo em perspectiva me parece ser uma atitude fundamental para facilitar a fluidez nas relações humanas, nas redes de conversações nas quais engatamos ao longo da nossa vida. Colocar-se em perspectiva é um ato de amor para consigo mesmo, pois tem o efeito de criar um espaço de reflexão para podermos questionar os fundamentos de nossas próprias coerências, os fundamentos de onde falamos o que falamos e de onde fazemos o que fazemos.
Esse dar-se conta não é algo simples, trivial.
Como perceber os próprios fundamentos? Como perceber os próprios pontos de rigidez?
Como questionar esses fundamentos? Como não criar um processo que migre de um fundamento ao outro, sem refletir a própria concepção da rigidez dos fundamentos?
Me parecem questões importantes, difíceis de serem respondidas, mas que nos colocam em lugares interessantes para descobrir técnicas de si, de autoconhecimento, de novos caminhos explicativos que podem servir como instrumentos de liberação da própria rigidez das estruturas sólidas que fomos cultivando ao longo do nosso viver.
Refletir sobre algumas noções sistêmicas fundamentais do nosso viver humano, como propõe Humberto Maturna e Ximena Davila, no livro Habitar Humano, me faz sentir numa espiral do ir se dando conta de como ir integrando os princípios sistêmicos nas coerências do meu viver. Essa integração surge na forma de olhar, naquilo mesmo que distingue o olhar.
Essas noções sistêmicas servem como elementos de reflexão, como pontos de apoio para questionar os próprios fundamentos:
O saber: tudo o que é dito é dito por um observador a outro observador que pode ser ele próprio ou ela própria.
O fazer: tudo o que é feito é feito por um ser humano no âmbito da antroposfera que surge com ele.
O suceder: cada vez que num conjunto de elementos começam a se conservar certas relações, abre-se espaço para que tudo mude em torno das relações que se conservam.
O escolher: a história dos seres vivos em geral e dos seres humanos em particular tem seguido e segue um curso definido em cada instante pelos desejos, pelas preferências, pelas ganas, pelas emoções em geral.
O operar: todo sistema humano e não humano opera perfeito quando opera; não existe a disfuncionalidade no operar de um sistema.
Essa capacidade de distinção não é algo místico, sobrenatural ou que possa ser mensurado a partir de maior ou menor capacidade, a não ser que eu veja isso a partir de um sistema restrito de concepções que posso ter a tendência de chamar de verdade. A nossa capacidade de distinção é construída culturalmente, a partir da extensa vivência e somatória de experiências que vivenciamos ao longo da vida. As experiências vão se somando, vão impactando nosso corpo, vão sedimentando conceitos, enrigecendo sensações, percepções e toda a nossa estrutura de mente-corpo passa a ser coerente com uma determinada visão, uma forma de pensar. Tudo passa a girar em torno disso, passamos a classificar, mesmo que de forma inconsciente, o mundo: algumas experiências nos parecem mais válidas que outras, mais legítimas, mais corretas.
Dessa forma, vamos nos dando conta, se nos dispusermos a questionar nossos próprios referenciais, que construímos nossas referências a partir da soma de relações que fomos vivenciando em nossas vidas. Se as relações fossem diferentes, provavelmente as concepções, as percepções de mundo também seriam. Somos um produto contínuamente em mutação da coerência de nossa própria história de vida.
Sem dúvida, procurar ver, tornar consciente, dar-se conta desse lugar de onde falamos e procurar colocá-lo em perspectiva me parece ser uma atitude fundamental para facilitar a fluidez nas relações humanas, nas redes de conversações nas quais engatamos ao longo da nossa vida. Colocar-se em perspectiva é um ato de amor para consigo mesmo, pois tem o efeito de criar um espaço de reflexão para podermos questionar os fundamentos de nossas próprias coerências, os fundamentos de onde falamos o que falamos e de onde fazemos o que fazemos.
Esse dar-se conta não é algo simples, trivial.
Como perceber os próprios fundamentos? Como perceber os próprios pontos de rigidez?
Como questionar esses fundamentos? Como não criar um processo que migre de um fundamento ao outro, sem refletir a própria concepção da rigidez dos fundamentos?
Me parecem questões importantes, difíceis de serem respondidas, mas que nos colocam em lugares interessantes para descobrir técnicas de si, de autoconhecimento, de novos caminhos explicativos que podem servir como instrumentos de liberação da própria rigidez das estruturas sólidas que fomos cultivando ao longo do nosso viver.
Refletir sobre algumas noções sistêmicas fundamentais do nosso viver humano, como propõe Humberto Maturna e Ximena Davila, no livro Habitar Humano, me faz sentir numa espiral do ir se dando conta de como ir integrando os princípios sistêmicos nas coerências do meu viver. Essa integração surge na forma de olhar, naquilo mesmo que distingue o olhar.
Essas noções sistêmicas servem como elementos de reflexão, como pontos de apoio para questionar os próprios fundamentos:
O saber: tudo o que é dito é dito por um observador a outro observador que pode ser ele próprio ou ela própria.
O fazer: tudo o que é feito é feito por um ser humano no âmbito da antroposfera que surge com ele.
O suceder: cada vez que num conjunto de elementos começam a se conservar certas relações, abre-se espaço para que tudo mude em torno das relações que se conservam.
O escolher: a história dos seres vivos em geral e dos seres humanos em particular tem seguido e segue um curso definido em cada instante pelos desejos, pelas preferências, pelas ganas, pelas emoções em geral.
O operar: todo sistema humano e não humano opera perfeito quando opera; não existe a disfuncionalidade no operar de um sistema.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
conversas inspiradoras
refletindo sobre a utilidade de mapeamentos de complexidade e sobre o sentido de estudar os processos de transformação pela visualização de nossos agregados mentais, segue uma boa thread com fff.
Felipe: escrever edital é uma doideira
Felipe: escrever edital é uma doideira
te faz pensar no trampo de outra forma
eu: é foda, eu curto, mas dá maior trampo
faz sim
16:47 estruturas explícitas...
kkkk
Felipe: estruturada e relacional
hehe
16:49 eu: legal isso
puta atitutde bacana
Felipe: tentando abrir o pensamento em outras escalas
se nenhum edital rolar, valeu como documentação
se rolar, é caminho das pedras
16:50 eu: sim
é interessante isso
ir abrindo os processos
16:51 eu to fazendo isso no meu blog com estratégias de projetos
coisas que to usando para analisar
para poder tomar decisões
enfim, ir compartilhando mesmo aprendizados
Felipe: eu vi o post lá
16:52 interessante aquele RT no meio de tudo
bom sinal
coisas ecoando
como é que tu vê esse tipo de análise se articulando com a crítica das echo chambers?
eu: pois é... gostei de ter feito aquilo
echo chambers?
16:54 Felipe: www.salon.com/technology/ feature/2004/02/20/echo_ chamber/index.html <http://www.salon.com/ technology/feature/2004/02/20/ echo_chamber/index.html>
16:55 camaras de eco
pessoas se repetindo, em vez de argumentar
| 14 minutos |
17:10 eu: bacana o conceito
acho que tem a ver sim
o twitter é uma câmara de eco
assim como qualquer espaço de conversação
17:11 sinto que isso pode se tornar um problema quando focarmos apenas nisso
ou seja, olhar para algo apenas a partir de um único ângulo
17:12 no entanto, isso não exclui experimentar mapeamento de complexidade, que eu sinto que é exatamente esse tipo de busca que podem abrir as bordas desse tipo de echo chambers
ou seja, ir compondo camadas, níveis de correlação de olhares
e análises
o que é em essência bastante complexo de se fazer
mas, acho que hoje temos condições de ampliar isso
um pouco do que eu estou pesquisando e experimentando tem a ver com isso
17:13 vou te dar alguns exemplos:
Felipe: manda
eu: 1. um mapa como esse abre caminho para se perguntar outras coisas... por exemplo, pq o levy aparece ali tão presente? o que teve no evento que abriu isso?
17:14 e a percepção a boca pequena, ou seja, com os 3 ou 4 chegados de corredor, era que ele tava ultrapassado, que ninguém mais pensava nele e por aí vai....
é uma questão em aberto
mas, que acho importante
pq o que o levy tá um conceito de websemântica que fudido de bom
e que vai muito além do o que as ontologias dos primeiros conceitos de websemântica
17:15 ele foi bem além disso
Felipe: na real até tem um caminho aí que eu pensei agora
eu: apesar de não estar visível
Felipe: que com web semântica dá pra tentar relacionar conversas que não estão explicitamente relacionadas
eu: então, por exemplo, abre-se um outro nível de complexidade para se pensar nisso
Felipe: manja?
eu: exato
Felipe: o problema da lógica de camera de eco é que ela vai pra quantidade
e esse tipo de análise quantifica termos
17:16 eu: e por exemplo, a gente poderia mapear só as conversas que falavam do levy nessa thread e sacar mais o impacto disso apenas no twitter
Felipe: mas se existe uma análise semântica, dá até pra visualizar o que é desvio de uma mesma conversa
e evitar que se esmaguem as dissonâncias
eu: exato
que é o que a rede semântica dá conta
se tu ficasse apenas na nuvem de tags
aí, é foda
vc. perde a possibilidade de relações
e nunca vai saber que o jlgoldfarb tá ligado fortemente ao RT
17:17 ou seja, ler o twitter desse cara pode ser interessante
pq ele tagueou o evento de uma maneira importante
ele dá pistas de memes para se seguir
Felipe: sim
eu: e aí, tu vai compondo um mapeamento de complexidade
Felipe: um papel diferente
eu: trazendo elementos
17:18 Felipe: de remixagem de informação
índices, pra ser semiótico ;)
eu: pois é...
17:19 mas, eu acho que quebrar essa coisa da signifcação da semiótica é importante
pq a semiótica parte de um mundo conceituado nos signos
e esquece que o signo é apenas retrato do orgânico
Felipe: retrato?
17:20 eu: que quando olhamos para um signo, olhamos do ponto de vista de um corpo e uma coerência estrutural de sentidos/sentires que constrói uma visão daquilo
por isso retrato
no momento da compreensão
depois, muda
impermanência
corpo muda
e assim vai
meio que num entrelaçamento de sentires e viveres
17:21 o que eu to particularmente interessado é em ir experimentando novas formas de estimular esses sentires e viveres em espaços reflexivos mais amplos
Felipe: de que formas?
eu: bem, de várias formas, na real... kkk
mas, o mapeamento é um ponto importante disso
17:22 biofeedback é outro
as tecnologias de conversação são outras formas
17:23 se tu for ver, são maneiras diferentes da gente agregar elementos
ir entrelaçando compreensões
e compondo elementos que demarcam passagens de ângulos de visão
Felipe: sim
eu: é quase como se fosse um processo ritualístico
Felipe: compondo um sistema novo que vai além do texto
eu: exato
Felipe: eu gosto muito de texto, de qq forma
eu: aquilo vai cavando processos no imaginário
17:24 Felipe: pessoalmente, não sinto necessidade de ir além
eu: que nos levam a outro lugar de reflexão
entendo
Felipe: mas entendo o teu movimento
17:25 tu viu o tutorial que te mandei?
eu: inda não...
eu to muito interessado em entender como a mudança acontece
não uma mudança específica
num estou falando aqui de bom e mal, ou qualquer coisa dual nesse sentido
17:26 estou falando mesmo de complexidade
de visão sistêmica
de ampliação de olhar e transformação a partir dessa ampliação
te faz sentido isso?
Felipe: mudança no sentido transformação?
como tu mede isso?
17:27 eu: num acho que o caso é medir...
acho que tlvz nem seja possível fazer isso
mas, sinto que quando tu olha uma imagem dessas do post
tu percebe para onde a atenção daquelas pessoas foi
17:28 o foco que tiveram e os recortes semânticos que construíram
Felipe: sim
eu: isso tece um mapa que me permite estudar aquilo
Felipe: peraí, deixa eu lembrar uma coisa
eu: e aprender um monte de coisas
17:32 Felipe: http://vimeo.com/5520063
17:33 eu: vou ver aqui...
Pensando em como observar o efeito de um evento via seu impacto no Twitter
Em começo de março participei eu e Drica Guzzi do evento Cidades Inovadoras e o Congresso Internacional de Redes Sociais em Curitiba. O evento foi bem interessante por várias e andei postando algumas coisas [1,2,3] por aqui durantes os dias em que estive por lá.
Uma das coisas que mais no chamou atenção era o uso do Twitter nos telões ao longo das palestras e oficinas. Mais do que ir espalhando o conteúdo pela rede, os telões eram utilizados como uma ferramenta de conversação entre diferentes membros da platéia. As pessoas iam twittando e se entrelaçando em rede na forma como iam se impactando pelo que estavam sentindo a partir de tudo o que ouviam e viam.
Tivemos mais de 900 twittadas usando a tag do evento #2010cici. Aproximadamente 50% foi durante o evento e o restante até o dia de ontem. A tag continou ativa ao longo das semanas que se passaram e muitas pessoas ainda continuam conversando sobre os temas do evento, mantendo o meme no ar.
Um pouco para refletir sobre o que foi o evento e um pouco para brincar com todo esse material, resolvemos analisar um pouco os rastros dessa tag no Twiiter. Baizei todo o feed do Twitter e joguei no ManyEyes para gerar a nuvem de tags e a rede semântica das expressões coletadas. Vejamos:
e
Algumas análises possíveis de se fazer a partir dessas imagens:
Uma das coisas que mais no chamou atenção era o uso do Twitter nos telões ao longo das palestras e oficinas. Mais do que ir espalhando o conteúdo pela rede, os telões eram utilizados como uma ferramenta de conversação entre diferentes membros da platéia. As pessoas iam twittando e se entrelaçando em rede na forma como iam se impactando pelo que estavam sentindo a partir de tudo o que ouviam e viam.
Tivemos mais de 900 twittadas usando a tag do evento #2010cici. Aproximadamente 50% foi durante o evento e o restante até o dia de ontem. A tag continou ativa ao longo das semanas que se passaram e muitas pessoas ainda continuam conversando sobre os temas do evento, mantendo o meme no ar.
Um pouco para refletir sobre o que foi o evento e um pouco para brincar com todo esse material, resolvemos analisar um pouco os rastros dessa tag no Twiiter. Baizei todo o feed do Twitter e joguei no ManyEyes para gerar a nuvem de tags e a rede semântica das expressões coletadas. Vejamos:
e
Algumas análises possíveis de se fazer a partir dessas imagens:
- é nítido perceber que num evento onde houve vários convidados internacionais (Clay Shirky, Steven Johnson, Pierre Levy, etc...) a influência maior no twitter foi de Pierre Levy (plevy). Ele teve duas falas durante o evento e apresentou sua nova visão sobre websemântica. Creio que isso se deva ao fato de que ele é um dos mais conhecidos no Brasil e muito mais gente dever ter lido seus trabalhos (mais fãs);
- a presença do conceito observatórios é bem significativa. Me parece que há um certo modismo de se criar observatórios (espaços de pesquisa, análise, reflexão sobre um determinado tema) que se relacionem com políticas públicas. Um mapeamento desses observatórios, como funcionam, como se relacionam e como geram conhecimento e práticas para políticas públicas pode ser interessante;
- dá para perceber os usuários do twitter que foram mais retwittados com um destaque do jlgoldfarb que tem um número incrível de twittadas em seu perfil (mais de 28000). Seu uso intensivo pode explicar sua presença com destaque aqui, além de sua possível relavância para o evento, devido a rede semântica mostrar a forte relação entre RT e seu perfil. Ler com calma esse twitter pode dar uma idéia dos principais temas que se articularam no congresso via Twitter.
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